INTOLERÂNCIA RELIGIOSA
REPORTAGEM PARA O JORNAL FUTURA
O crime da intolerância religiosa invade a cada dia mais o Brasil. Isso é assustador e merece muita atenção das autoridades e das religiões em geral. Temos que reverter este quadro. Hoje, as religiões que mais sofrem racismo e intolerância são as religiões de matrizes africanas e indígenas como o candomblé, a Jurema Sagrada, a Umbanda, o Jarê, o Tambor de Mina, o Batuque do RS etc.
Isto tudo tem motivo claro: o racismo sofrido por negros e negras, por índios e índias. Como essas religiões pertencem a estas matrizes etno-culturais, são exatamente elas que mais sofrem toda sorte de crimes de discriminação, e abusos provindos principalmente de adeptos das igrejas evangélicas. Esta relação entre as citadas religiões não é recíproca. O povo das religiões de matrizes africanas e indígenas não tem no princípio de seus códigos de ética e teologia a perspectiva da violência contra outras formas de fé e de experiências religiosas. Como sempre em suas falas afirma o teólogo e professor Jayro Pereira de Jesus que estas religiões tem o princípio da xenofilia, e não da xenofobia, que afasta, que entende o outro como estrangeiro.
Transcrevi e destaco as falas dos entrevistados nesta válida reportagem do Jornal Futura como forma de deixar mais acessível as informações que eles projetaram:

“O povo da Umbanda e do Candomblé de sertã forma, histórico e secularmente, adquiriram o que a psicologia chama hoje de resiliência – Capacidade de suportar as violências históricas. E essa violência da intolerância religiosa é mais uma, ou seja, é um povo adepto calejado pelo processo histórico da violência simbólica e material que recrudesce com a intolerância religiosa e que, se comparado com a do passado, na cabeça de cada religioso afro, essa de hoje é muito amena”.
Sacerdote Pai André:
“As pessoas aqui te discriminam, as pessoas aqui abusam de você, falam besteira na sua porta, colocam panfleto, jogam sal na sua porta, achando que o sal vai te defender de alguma coisa, ou te livrar de alguma coisa, não sei por que, nunca tive problema nenhum com sal, a não ser na pressão (arterial). A desunião do povo do candomblé também é que está colocando e dando espaço para que essas outras religiões venham e te detonem, por que se o povo do candomblé que tem nessa cidade se unissem e mostrassem o que é a religião, mostrasse a beleza que é o candomblé, não estaríamos vivendo isso hoje em dia”.
Boa leitura e reflexão. Vamos contribuir mais para uma maior divulgação de nossas religiões de terreiro. Salve a fumaça e abaixo a intolerância religiosa já!
Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomildoo@gmail.com