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domingo, 9 de março de 2014

12 anos de escravidão - Um filme que deve ser visto por todos, para sua educação e consciência humana


12 anos de escravidão - Um filme que deve ser visto por todos, para sua educação e consciência humana

O vencedor do Oscar mereceu com certeza toda homenagem feita pela academia. Vamos celebrar povo negro. São tempos de reparação e de ampliar as discussões sobre as formas de combater o racismo.

Leiam o texto que escrevi quando da estréia nos cinemas em Recife:

Vou começar falando da profunda dor que senti hoje ao ver o filme 12 Anos de Escravidão...

Entrei no cinema animado, curioso e feliz. Ao lado dos irmãos Olavo Souza e Noshua Amoras... Conversas mil... Porém, no silêncio do cinema, após começar o filme, minha respiração ficou quase presa com tanta realidade cruel histórica a minha frente na tela...

O filme traz em si a dor profunda do rapto de negros e negras para o trabalho escravo (claro) nos EUA... Realidade histórica também conhecida amplamente no Brasil. A princípio, só mais um filme sobre escravidão... NÃO! O filme é de história. De história real. Nua e crua. Com contextos explícitos e subliminares que nos ajudam a pensar e criticar!

Pensei em tantas coisas no decorrer do filme, que nem lembro mais... Acho que minha emoção falou mais alto... Mais sei que senti muita dor. Muita tristeza e muita vergonha de tudo que está no passado dos brancos escravocratas... Vergonha mesmo... Total vergonha e impugnância. O filme nos revela fatos já conhecidos de muitos, porém, no teor do drama, está presente a forte mensagem de luta contra o racismo hoje. Racismo esse persistente e inteligente, que se transmuta e que segue o rumo da herança maldita deixada pelos escravocratas no mundo. Porém, este longa nos dá a condição de refletir... Dá para o racista se olhar, se observar... Ver como seus bisavós, tataravós... pensavam e agiam... Dá pra colocar a carapuça, dá para no mínimo abrir os olhos para os irreparáveis erros e ignorância... 

Este filme foi feito para que mais e mais pessoas possam ver as verdades do passado e para não esquecerem do mal que foi feito aos negros e negras, e também aos indígenas por parte dos europeus. 

Saí do cinema com vontade profunda de mandar todos que são contra as cotas irem pra PQP, e também de dizer que estes são tudo FDP. E que se fodam, pois não valem nada! (embora entenda que muitos falam isso por falta de conhecimento, e outros por ruindade mesmo) Pois quem sofreu tanta violência simbólica, mental, física e social como os negros (e ainda sofremos), merecem no mínimo a reparação completa dos males causados pelos imperialistas. E quem vai de contra esta lógica da reparação é racista e merece ir preso, por cometer crime inafiançável. Ao meu ver. 

Realmente me senti mal após o filme... Quase nem almoço. Estou muito emocionado mesmo. E com razão. 

Estou ainda sem muita inspiração para falar deste filme que me deixou chocado. Mas saibam que só me revigorou ter saído de minha casa pra mexer mais uma vez nessa ferida de dentro de mim e de todos. Me deu mais sentido na vida... Mais vontade de contribuir efetivamente na luta contra o racismo no mundo.

São muitas as pautas levantadas pelo filme. Nele podemos desenvolver inúmeras discussões etc. Indico que possamos ver e depois comentar na net para enriquecer as discussões.

Recomendo este filme para todos assistirem. Vale muito a pena. Quem é de terreiro tem que ver. Sair de sua casinha e pagar no shopping quanto for pra poder refletir mais sobre seu próprio racismo. 

Obrigado a Andréa Mota pelo convite especial. Foi de muita valia.
Olavo e Noshua, a ligação de vocês hoje realmente não foi mera coincidência né!?

Salve a Jurema Sagrada. E que a fumaça também nos ajude a limpar o racismo de nos e do mundo. 

Texto publicado em 17 de fevereiro de 2014 em minha página de facebook.

Link do filme no youtube: http://www.youtube.com/watch?v=sMHO6Y6bNVo 

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com 

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Aula de História da África no Colégio Desafio do Recife


Aula de História da África no Colégio Desafio do Recife

Tema: A Formação da Identidade Cultural Africana Sob a Influência do Século XIX. 


A aula no Ciolégio Desafio, no dia 22 de fevereiro de 2011, no período de 08 às 12h,  inaugurando o novo espaço de eventos da escola, o auditório, foi uma grande oportunidade de trocar saberes com os alunos e alunas, que na sua maioria tiveram uma participação muito interessante, dialogando e tirando dúvidas sobre seus preconceitos sobre a África e as culturas que aqui no Brasil, ganharam forma e cor, através das matrizes afro, vindas para cá, através do inescrupuloso tráfico negreiro. Inaugurar um espaço discutindo algo tão inprescindível na formação da nossa identidade brasileira, foi uma grande sacada do professor Hugo Angeiras, que leciona historia nessa escola e me convidou para com ele realizar este momento. Ele, ao compreender a importância do tema, e a contemporaneidade e necessidade prática de se estudar a África, deu aos seus alunos uma ótima e qualificada lição de como se faz história ensinando.

Os temas foram introduzindo e desmistificando este imenso continente desconhecido ainda da maioria. Com imagens que dissoviam a visão de miséria absoluta generalizada dos países africanos, foi se introduzindo e se revelando nosso conceito e visão sobre o que é a África, pois para muitos, este continente é um país, um agrupado de identidades em um local só, sem divisão política nem geográfica.

Os alunos e alunas, a exemplo da Maria Vitória, menina negra, muito simpática e bonita, que falou até que seu pai me conhecia dos moviemntos negros e sociais e, que ela mesma se mostrou conhecedora do personagem e líder negro Malunguinho, pois seu pai falou pra ela dessa história, foi uma das que mais participou e questionou criativamente a nós, contribuindo com sua identidade fortalecida e reconhecida como menina negra estudante. Outras meninas como a Gleyce Mayara, Dhyêdra, e os alunos Igor Braz e Alysson Grace, dentre outros que não lembro o nome, participaram com muito vigor da aula/palestra.  Fiquei muito gratificado em ter sido convidado pra trabalhar este tema tão importante com  estas turmas do Fundamental II (6° ao 9° ano). 

A África como você nunca viu, Cidades desenvolvidas, paisagens bonitas, história e discussão do conceito de miséria e doença, os planos dos brancos, o racismo, a intolerância, o preconceito, foram em suma os temas abordados e discutidos. Religiões de matrizes africanas também, pois mostrei parte de material que construi sobre este tema, que mostra o culto à Babá Egún, e perguntei se alguém alí sabia do que se tratava, as respostas foram inumeras, inclusive que àquilo era "macumba", que àquilo era na "África" etc. Contudo, discutimos e trocamos saberes, e isso foi o preciosidade deste dia.

Um dos diretores do Colégio, se fez presente na aula, e conscientizado e convencido da importância deste tema ser debatido, discutido e mais aprofundado com os alunos e alunas, falou que no mês de Setembro, na Semana Estadual da Vivência e Prática da Cultura Afro Pernambucana, Lei Malunguinho n° 13.298/07, lei criada pelo Quilombo Cultural Malunguinho, aprovada na Assembléia Legislativa do Estado, vai implementar com palestras, cursos e atividades culturais esta Semana, que é de 12 a 18 de Setembro, de todo ano, celebrando o personagem negro e líder quilombola revolucionário pernambucano Malunguinho.


Deixo aqui os contatos do Colégio, para futuras articulações:


Hugo Angeiras - Professor de História
Colégio e Curso Desafio - Fundado em 2009
Rua Professor Mussa Hanzi, n°...ver, 
Fones: 3274-5010 e 3453-0824

Vejam as fotos:

Hugo Angeiras e Alexandre L'Omi L'Odò na palestra.

Alexandre L'Omi L'Odò, discutindo o tema.

Alunos e Alunas da Escola Desafio.


Tráfico Negreiro sendo abordado por Alexandre L'Omi L'Odò

Uma foto viajada... rsrs





Alexandre L'Omi L'Odò
Educador
alexandrelomilodo@gmail.com

Quilombo Cultural Malunguinho

Quilombo Cultural Malunguinho
Entidade cultural da resistência negra pernambucana, luta e educação através da religião negra e indígena e da cultura afro-brasileira!