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domingo, 6 de abril de 2014

Terreiro de Pai Dedo em Goiana/PE é Incendiado por vândalos - Crime de racismo e violência religiosa contra a Jurema Sagrada

Pai Dedo mostrando o B.O (boletim de ocorrência) em frente ao seu terreiro que está interditado.

Terreiro de Pai Dedo em Goiana/PE é Incendiado por vândalos - Crime de racismo e violência religiosa contra a Jurema Sagrada

Carta de repúdio à Intolerância Religiosa contra os terreiros de Jurema em Pernambuco e demais religiões tradicionais de terreiro – Caso do terreiro de Pai Dedo de Goiana:

No último dia 31 de Março de 2014, no passar da noite para a madrugada do dia 1° de Abril, o terreiro de Jurema Tenda do Caboclo Boiadeiro de Tupi Goiá e Ilê Axé Ogum Toperinan, localizado no município de Goiana/PE, foi incendiado criminosamente por pessoas até então desconhecidas. O terreiro foi queimado cruelmente, em um ato evidente de racismo e intolerância religiosa por vândalos que destruíram imagens de mestras e mestras, objetos pessoais e sagrados. A situação do terreiro é alarmante e nada foi roubado do local.

Espero que este caso não seja mais um entre tantos que o Estado Brasileiro não dá suporte devido e nem ajuda a resolver as questões envolvidas, perpetuando a impunidade. Contudo, a criminalização dos casos de racismo e intolerância religiosa tem que se transformarem em metas concretas do Estado para contribuir efetivamente na extinção destes crimes que são cometidos cotidianamente contra a fé do outro de forma livre e inconsequente, talvez por se haver uma compreensão coletiva de que tais crimes não levam ninguém à cadeia. Evidencio que tais crimes ocorrem cotidianamente contra os terreiro de matriz africana e indígena, crimes estimulados muitas vezes por outras religiões que estimulam este tipo de violência contra os direitos humanos.

Imagem do Mestre Zé Pilintra com a cabeça decepada pelos vândalos. Prova de ódio religioso.

Convoco todo povo de terreiro do Brasil e demais religiões que desejam lutar a favor do respeito à diversidade religiosa e lutar conseqüentemente contra a intolerância religiosa para rediscutir este tema recorrente entre nós, e que estas imagens sejam compartilhadas por todos e todas que desejam ajudar na luta contra crimes desta natureza, revelando a face cruel do que é de fato a intolerância religiosa, e que esta destrói vidas e causa traumas profundos em suas vítimas.

Como membro do Comitê Nacional de Respeito à Diversidade Religiosa, saí de Recife para oferecer algum suporte ao juremeiro e babalorixá Pai Dedo, no intuito de compreender o que havia ocorrido em seu templo. Conversamos bastante e ele expôs toda questão e nos apresentou o contexto/panorama deste crime. Foi feito um B.O. (boletim de ocorrência) e a Polícia Militar está encaminhando os processos com empenho.

Porta do terreiro interditada pelos bombeiros. Há risco de desabamento no local. Ainda estão averiguando a situação predial.

Resto dos objetos sagrados do quarto da Jurema que foram atingidos.

Televisão depredada. Não roubaram nada do local. Apenas destruíram o templo.

Quarto onde eram guardadas as roupas do axé e da Jurema. Totalmente destruído.

Cozinha do terreiro totalmente destruída.

Estou chocado com o que vi naquele local. E fiquei muito feliz com a fé que encobre o Pai Dedo, que mesmo tendo seu patrimônio destruído, estava firme em sua fé na Jurema. Um fato impressionante, e que merece destaque, foi que a mesa sagrada da Jurema não foi queimada. Mesmo envolta de fogo, sequer o pano que a cobria foi queimado. Os assentamentos dos mestres e mestras, os troncos de Jurema, os príncipes e princesas etc. Tudo cheio de cinzas, mas inteiros e firmados. Isso nos fortaleceu na esperança de saber que nossos encantados e ancestrais estão ao nosso lado nos protegendo e nos incentivando nesta luta. O Juremeiro também foi orientado a ligar ao DISK 100 para registrar o caso neste espaço de combate aos crimes contra os direitos humanos, e assim foi feito.

Sequência de imagens que mostram como ficou o quarto da Jurema Sagrada após o incêndio. Atenção à mesa da Jurema. Totalmente preservada.




Se a mídia não veicula esta informação, cumpro meu papel de cidadão e disponibilizo fotos e dados para que pelo menos os que por aqui passarem se informarem da real situação do Povo de Terreiro no Brasil.

Mesmo perante a tamanha violência contra o sagrado em seu terreiro, Pai Dedo não perde a fé e continua dizendo que vai reconstruir tudo de novo.

Muito traumatizado com o ocorrido, Pai Dedo lamenta as percas materiais de seu patrimônio, fruto de muito trabalho.

Pai Dedo e eu em momento de reflexão sobre o caso de intolerância religiosa sofrida.

Fachada do terreiro.

Salve a fumaça! O trabalho do Quilombo Cultural Malunguinho está firme e continua com força e fé na luta contra a intolerância religiosa e o racismo! Sobô nirê!

Alexandre L’Omi L’Odò 
Membro do Comitê Nacional de Respeito à Diversidade Religiosa da Presidência da República
alexandrelomilodo@gmail.com

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Absurdos contra as religiões tradicionais de terreiro do Brejo da Madre de Deus/PE

Matéria do Jornal do Commercio de 12/07/2012. Caderno Cidades, p. 3. Fala de Alexandre L'Omi L'Odò esclarecendo os fatos.

Absurdos contra as religiões tradicionais de terreiro do Brejo da Madre de Deus/PE

Hoje, dia 12/07/2012, a cidade do Brejo da Madre de Deus, no Agreste de Pernambuco acordou como se estivesse voltado no tempo... Um espírito equivocado e selvagem de caça as bruxas, com um perfil totalmente de Idade Média contagiou seu povo que movidos pela pura ignorância, racismo e preconceito, invadiram 6 terreiros de Jurema e Candomblé destruindo os templos como se isso resolvesse o caso do garoto Jânio da Silva Macêdo, menino de 9 anos de idade que foi assassinado brutalmente, tendo sua cabeça decepada por um torniquete e violentado sexualmente em um suposto ritual cruel de sacrifício humano, praticado por ditos "pais de santo".

Esta situação alarmante e criminosa da população, levou movimentos dos povos de terreiro do Brasil todo a se articularem para combater este absurdo contra as religiões tradicionais de terreiro. Até a Ouvidoria Geral Federal entrou em contato conosco para tomar as devidas providências legais juntos aos órgãos de justiça e direitos humanos.

A denúncia feita por ALexandre L'Omi L'Odò, coordenador do Quilombo Cultural Malunguinho, no facebook, repercutio, e muita gente está sabendo do caso e compartilhando a notícia para que mais pessoas possam ajudar neste caso terrível de perseguição injusta aos terreiros e seu povo. Irmãos como o Alexandre de Oxalá, coordenador da Rede Afrobrasileira Sociocultural de Brasília e o amigo Babalorixá Alberto Jorge Silva entre tantos outros e outras de Brasil a fora que estão fazendo suas denúncias aos órgãos competentes.

Temos que combater estas práticas de vandalismo covarde. A polícia terá que investigar o caso e punir os vândalos. A polícia também foi culpada quando colocou crachazes com citando o termo Pai... nos acusados e os expondo à mídia. Isso foi intolerância religiosa completa e cruel. não podemos deixar isso calado. A mídia por sua vez, completamente despreparada, publica termos pejorativos e confundem o povo de terreiro com psicopatas assassinos. Nesta história muita gente tem culpa e o Estado deve tomar as devidas providências.

Imagem dos acusados do crime cruel do Brejo da Madre de Deus com crachás identificando eles como "Pai" de santo. Equivoco racista e intolerante da Polícia Civil de PE. Acervo.
 
isso tudo é, e está sendo um DANO MORAL COLETIVO, ao povo de terreiro de todo Brasil. Além das casas que sofreram o terror da invasão e da destruição dos seus objetos sagrados, que tero que ser indenizadas por este crime sofrido, os nossos valores religiosos foram vilipendiados em seu âmago, não cabendo nenhuma tolerância nossa a este caso!

Vamos nos unir irmãos e irmãs de axé e de Jurema. Vamos combater a intolerância religiosa brutal, que cresce a cada dia em nosso país por causa de uma mídia que dá conceções publicas a Igrejas que ensinam como ser um ser humano racista e intolerante.


A matéria tem o título original: "Morte em ritual macabro e cruel". O texto digitalizado no início da postagem historia o caso. Para ler melhor, clik na imagem e veja ela em tamanho grande.

Axé, salve a fumaça!!
Sobô Nirê.


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

Quilombo Cultural Malunguinho

Quilombo Cultural Malunguinho
Entidade cultural da resistência negra pernambucana, luta e educação através da religião negra e indígena e da cultura afro-brasileira!