quinta-feira, 12 de julho de 2012

Absurdos contra as religiões tradicionais de terreiro do Brejo da Madre de Deus/PE

Matéria do Jornal do Commercio de 12/07/2012. Caderno Cidades, p. 3. Fala de Alexandre L'Omi L'Odò esclarecendo os fatos.

Absurdos contra as religiões tradicionais de terreiro do Brejo da Madre de Deus/PE

Hoje, dia 12/07/2012, a cidade do Brejo da Madre de Deus, no Agreste de Pernambuco acordou como se estivesse voltado no tempo... Um espírito equivocado e selvagem de caça as bruxas, com um perfil totalmente de Idade Média contagiou seu povo que movidos pela pura ignorância, racismo e preconceito, invadiram 6 terreiros de Jurema e Candomblé destruindo os templos como se isso resolvesse o caso do garoto Jânio da Silva Macêdo, menino de 9 anos de idade que foi assassinado brutalmente, tendo sua cabeça decepada por um torniquete e violentado sexualmente em um suposto ritual cruel de sacrifício humano, praticado por ditos "pais de santo".

Esta situação alarmante e criminosa da população, levou movimentos dos povos de terreiro do Brasil todo a se articularem para combater este absurdo contra as religiões tradicionais de terreiro. Até a Ouvidoria Geral Federal entrou em contato conosco para tomar as devidas providências legais juntos aos órgãos de justiça e direitos humanos.

A denúncia feita por ALexandre L'Omi L'Odò, coordenador do Quilombo Cultural Malunguinho, no facebook, repercutio, e muita gente está sabendo do caso e compartilhando a notícia para que mais pessoas possam ajudar neste caso terrível de perseguição injusta aos terreiros e seu povo. Irmãos como o Alexandre de Oxalá, coordenador da Rede Afrobrasileira Sociocultural de Brasília e o amigo Babalorixá Alberto Jorge Silva entre tantos outros e outras de Brasil a fora que estão fazendo suas denúncias aos órgãos competentes.

Temos que combater estas práticas de vandalismo covarde. A polícia terá que investigar o caso e punir os vândalos. A polícia também foi culpada quando colocou crachazes com citando o termo Pai... nos acusados e os expondo à mídia. Isso foi intolerância religiosa completa e cruel. não podemos deixar isso calado. A mídia por sua vez, completamente despreparada, publica termos pejorativos e confundem o povo de terreiro com psicopatas assassinos. Nesta história muita gente tem culpa e o Estado deve tomar as devidas providências.

Imagem dos acusados do crime cruel do Brejo da Madre de Deus com crachás identificando eles como "Pai" de santo. Equivoco racista e intolerante da Polícia Civil de PE. Acervo.
 
isso tudo é, e está sendo um DANO MORAL COLETIVO, ao povo de terreiro de todo Brasil. Além das casas que sofreram o terror da invasão e da destruição dos seus objetos sagrados, que tero que ser indenizadas por este crime sofrido, os nossos valores religiosos foram vilipendiados em seu âmago, não cabendo nenhuma tolerância nossa a este caso!

Vamos nos unir irmãos e irmãs de axé e de Jurema. Vamos combater a intolerância religiosa brutal, que cresce a cada dia em nosso país por causa de uma mídia que dá conceções publicas a Igrejas que ensinam como ser um ser humano racista e intolerante.


A matéria tem o título original: "Morte em ritual macabro e cruel". O texto digitalizado no início da postagem historia o caso. Para ler melhor, clik na imagem e veja ela em tamanho grande.

Axé, salve a fumaça!!
Sobô Nirê.


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

2 comentários:

Sandro de Jucá - Sacerdote Babalorixá e Juremeiro disse...

Eu como Sacerdote de Candomblé e Jurema repudio de forma veemente os dois crimes, Um cometido contra uma criança e outro contra o povo de terreiro,Quando a midía rotula de "Magia Negra " ela já denota um preconceito, O povo Negro não é inerente a isto,Com essa atitude já fomenta a violência contra o povo de Terreiro, Candomblé e Jurema não coadunam com isso, Não compartilhamos com assassinatos,Atentem ao respeito, Tanto a uma familia enlutada como a um povo agredido mais uma vêz.

Val disse...

Os Terreiros de Matriz Africana (Candomblé), precisam de uma vez por todas ter uma fiscalização. Sou iniciada no Candomblé à mas de 20 anos e digo que isso não tem nada haver com a religião. Quero deixar aqui meu protesto e pedir as autoridades competentes que de uma vez por todas passem a fazer uma fiscalização nos chamados Terreiros de Candomblé.

Vídeos Negros nossos!!

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Entidade cultural da resistência negra pernambucana, luta e educação através da religião negra e indígena e da cultura afro-brasileira!