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sábado, 17 de abril de 2010

Bombadeiras. Um documentário que ninguém pode deixar de assisitir!

Bombadeira (subtitle in english) from Universidade Livre Feminista on Vimeo.

Em 75min e 58seg (uma hora, quinze minutos e cinquenta e oito segundos), você poderá conhecer a realidade do dia a dia de travestis em Salvador. Vale a pena esperar carregar o vídeo todo, pois o conteúdo deste audiovisual nos traz a mais profunda realidade vivenciada pelos transexuais que em busca da liberdade de sua imagem física de homem, ilegalmente aplicam silicone industrial em seus corpos para conseguir uma estética semelhante a de uma mulher.

Cenas fortes da aplicação do silicone e outras falas reveladoras deste universo, nos trazem a possibilidade de entendermos um pouco mais da vida, do dia a dia, dos desejos, dos sonhos e da realidade do que é ser travesti em um país machista e cheio de ódio sexual.

Quem quiser desmistificar seus preconceitos, desintegrar a mentalidade machista contida em si, não pode deixar de ver e discutir este filme, que teve uma produção muito interessante e merecedora de críticas positivas. Os jornalistas e produtores do filme foram muito corajosos em abordar tão profundamente este tema que tem em seu entorno o peso da discriminação e o desrespeito a liberdade do outro.

Bombadeiras

Assim são chamadas as travestis que transformam o corpo de suas clientes com aplicações clandestinas de silicone (geralmente silicone industrial ... não permitido para uso em seres humanos). Este universo simbólico de morte e renascimento, em que um ciclo de vida se encerra para permitir a iniciação de outro, é desvendado pelo diretor Luis Carlos de Alencar em seu documentário BOMBADEIRA, registrando o mito das "madrinhas" no imaginário da travesti, e sua importância na construção de uma identidade de gênero.


Um rito de passagem dramático e doloroso. Por vezes, a prática clandestina torna-se o único ou o mais acessível modo de se conseguir o corpo feminino idealizado. As aplicações são feitas nas nádegas, seios, às vezes no rosto, nos joelhos.

As bombadas. Quem são? Como vivem? O que desejam? Luis Carlos de Alencar mostra afazeres domésticos, cotidianos em casas e pensões, relacionamentos conjugais e preocupações estéticas de um grupo de travestis da cidade de Salvador. Através de uma sucessão de depoimentos surpreendentes, ternos, apaixonados, o filme mergula nesse universo e revela um lado da realidade pouco conhecidodas travestis, e os entraves segregadores que sofrem na vida social.

Direção e argumento: Luis Carlos de Alencar. Produção: Singrea Produções. Co-produção: Grifo.doc. Edição: Fernando Oliveira. Direção de fotografia: Fernando Oliveira e Pedro Léo. Fotografia adicional: Kau Rocha. Assistente de direção: Cely Leal e Patrícia Freitas. Projeto Gráfico. Patrícia Simplício. Trilha Sonora> Glaucus Linx. Assistente de produção: Daiane Tavares. Produção Executiva: Luis Carlos de Alencar

ANO 2007
Patrocínio: Petrobras.
Ministério da Cultura - Governo Brasileiro

Entrem no link e veja a postagem original: http://vimeo.com/6653323

Alexandre L'Omi L'Odò

alexandrelomilodo@gmail.com

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Casamento gay em Pernambuco, uma evolução de nossa sociedade.


Recife - 04.09.09

União gay. Por duas boas causas

Publicado em 04.09.2009, às 18h21

Do Jornal do Commercio Matéria publicada a 0h desta sexta-feira

Os noivos Zezinho e Turíbio Santos
Os noivos Zezinho e Turíbio Santos
Foto: Alexandre Belém/JC Imagem

O casamento dos arquitetos Turíbio Santos e Zezinho Santos desperta na sociedade pernambucana reações tão distintas quanto desespero e surpresa. Desespero de um certo empresário que, ao ver passar os dias e não chegar em sua casa o cobiçado convite, já ameaçava: “Eu vou de qualquer jeito, nem que tenha que comprar a senha de alguém”. Surpresa da funcionária doméstica de outra residência que, ao perguntar curiosa à patroa quem ia casar e obter a resposta, apenas murmurou: “Jeová!!!!! E isso já chegou por aqui?”. É assim, em meio ao desdém de uns, à admiração de outros e à completa indiferença dos noivos por tanta celeuma que acontece aquela que já é chamada de “a união da década”.

Zezinho e Turíbio trocam votos hoje, às 17h21 – horário romanticamente escolhido por ser o ápice da lua cheia – no espaço de eventos Coudelaria Souza Leão. Dividindo o mesmo teto desde 2003, eles resolveram fazer a grande festa pelo mesmo motivo que move os casais heterossexuais: celebrar uma relação cheia de felicidade. “Conheço vários casais que moraram juntos, tiveram filhos e só resolveram casar quando eles já estavam crescidos”, afirmam numa só voz.

O que os casais heterossexuais não vivenciam, no entanto, é o forte simbolismo que espreita este casamento, uma ruptura na estrutura social tradicional provocada, ironicamente, pela vontade de fazer tudo conforme manda a tradição. “Crescemos vendo as pessoas expressarem a felicidade de estarem juntos através da cerimônia de casamento. Quando eu tinha 7 ou 8 anos já tinha consciência de quem eu era e me perguntava: será que algum dia vou poder ter isso com um homem?”, diz Zezinho, com a franqueza que é sua marca registrada.

E é assim que vai ser. Nada de balada gay, com garçom vestido de go go boy sem camisa e com gravata borboleta. O formato da cerimônia é tão tradicional quanto são as famílias dos noivos: Zezinho, descendente do patriarca João Santos, que fez fortuna com a indústria do cimento, Turíbio, filho de uma família de fazendeiros da cidade de São João dos Patos, no Maranhão, que aqui estará representada pela mãe Sílvia Santos (o pai já faleceu) e mais uma comitiva que se estende em faixa etária desde sobrinhos pequeninos a avós e tias-avós longevas.

Haverá marcha nupcial, cortejo de pajens e daminhas, fila de cumprimentos, 23 padrinhos, 800 convidados e bênção religiosa concedida pelo pastor Ricardo Nascimento, da Igreja Cristã Inclusiva. O cerimonialista Carlos Henrique Barbosa, responsável pelo andamento da celebração, confirma: “É tal e qual um casamento heterossexual, a diferença é que não haverá a presença feminina no altar. Fora isso, procedemos da forma solene como seria esperado num casamento deste nível”. As piadas são inevitáveis e, a elas, os noivos respondem com o fair play de sempre: “Quando perguntam quem vai carregar o buquê a gente responde que até pensou nisso, mas não encontrou nada que combinasse com nosso terno (Hermenegildo Zegna) e gravata (Louis Vuitton)” (risos).

A consciência de estar dando dois passos importantes – um em direção ao altar e outro rumo à condição de símbolos de uma causa – a da defesa dos direitos dos homossexuais e contra a homofobia – caminha ao lado deles. “Ninguém opta pelo caminho mais difícil. Ninguém se torna gay, é gay desde que vem ao mundo”, diz Turíbio, “Por que devo me desculpar ou esconder aquilo que nasci para ser?”, questiona. “O ativismo em prol da causa não é o que move a cerimônia, mas se esta exposição, de alguma forma, servir para ajudar aqueles que se sentem oprimidos pela sua condição homossexual, então, fico muito feliz por isso”, pontua Zezinho.

A lista de convidados talvez seja o exemplo mais concreto da diversidade que sempre existiu em todas as sociedades. “Ser gay não é credencial para ter sido convidado para este casamento. Todos os convites foram enviados levando em consideração o critério de proximidade e ligação afetiva. Devemos ter em torno de 15% de convidados gays. Sempre detestamos separatismo e nunca andamos em guetos”, atestam.

“Não é um casamento caricato, no qual acontece uma cerimônia de faz de conta com duração de cinco minutos para depois se cair na festa. Queremos ser levados a sério. Queremos mostrar que podemos, sim, por que não?,” questionam.

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Estou hoje muito feliz em ver em minha terra, tida como terra de altos índices do machismo brasileiro um casamento entre dois homens que se amam. sa´´udo com o Axé de Oxum e a força da Jurema esta união que não seja abalada por nada.

Parabens, a Zezinho e a turíbio e aos nossos direitos que devem ser todos iguais, amamos quem desejamos, vivemos como queremos! Uma salva de palmas para a liberdade, uma salva de palmas para a diversidade. Pernambuco sempre no protagonismo das mudanças do nordeste.

Alexandre L'Omi L'Odò.

É Bariká o!

Quilombo Cultural Malunguinho

Quilombo Cultural Malunguinho
Entidade cultural da resistência negra pernambucana, luta e educação através da religião negra e indígena e da cultura afro-brasileira!