sábado, 10 de setembro de 2011

3ª Semana da Vivência e Prática da Cultura Afro-Pernambucana (Lei Estadual Nº 13.281/07 e Lei Municipal Nº 2.285/09). São Lourenço da Mata/PE








  3ª Semana da Vivência e Prática da Cultura Afro-Pernambucana
(Lei Estadual Nº 13.281/07 e Lei Municipal Nº 2.285/09).

Lendo, Re-Lendo e Vivenciando a História e Cultura Afro-Brasileira e Pernambucana
De 12 a 16 de setembro em São Lourenço da Mata – PE

PROGRAMAÇÃO

Segunda-feira   12/09

Abertura
08h – Desjejum
08h15min – Boas Vindas Cultural – Cantando e Declamando; Pelo Respeito a Diversidade Étnica-Política e Cultural de Pernambuco. 
08h35min – Composição da Mesa (Autoridades, Gestores e Lideranças)
09h Apresentação da Coleção História Geral da África
09h15min – Seminário “ Cultura Afro-Brasileira e Pernambucana no Currículo Escolar; Desafios e Perspectivas na Busca da Efetivação das Leis 10.639/03 e 11.645/08.  Com Inaldete Pinheiro – Escritora e Militante do Movimento Negro / Jorge Arruda – Secretário Executivo do CEPIR- Comitê Estadual de Promoção da Igualdade Étnicorracial de Pernambuco / Coordenação do Fórum Permanente de Educação, Diversidade Étnicorracial do Estado de Pernambuco Estadual / Representante do NEAB-UFRPE.
11h Debate
11h30min Relato de Experiência ( Possíveis Parceiros Col. Anglo, Prof Cristina Marques (Rede Municipal de Ensino do Recife)  e Célia Cabral (Rede Estadual de Ensino de Pernambuco)
12h30min Encerramento / Sorteios
Local – Clube Ipiranga – São Lourenço da Mata
Público Alvo – Professores, Gestores, Coordenadores, Lideranças, Alunos dos Cursos de Formação de Professores.

19h Seminário “ Refletindo e Praticando  Educação Étnicorracial o Tempo Todo, Todo Tempo... 

Local: Auditório do CODAI
Público Alvo – Professores do EJA, Coordenadores, Gestores:
Apoio Secretaria de Educação de São Lourenço da Mata, Professora Cristina Marques Rede Municipal do Recife

Terça-Feira   13/09

13h30min Vídeo Debate – Exibição do Vídeo ¨Malunguinho,  Histórico e Divino
13h50min Debate – Comentários e Mediação Profº João Monteiro,  Coordenação Profª Marly

14h30min Hora do Conto – Personagem Mestre Zuavo ¨ Contando Histórias de Nossa História!
Com o Arte Educador Anderson Santos
Local – Escola Municipal Paulo Gomes – Lot. São João e São Paulo
Público Alvo – Alunos do Ensino Fundamental II, Professores, Gestores, Comunidade

Quarta-feira  14/09

18h30min Seminário Preparatório da 5ª Caminhada dos Terreiros de Pernambuco

Tema Caminhada dos Terreiros; Compromisso de Todos e Todas! Caminhando Juntos Contra a Intolerância Religiosa, o Racismo e Pelo Respeito à Diversidade
Exposição e Debate Coordenação da Associação Caminhada dos  Terreiros de Pernambuco
Mediação  Coordenação da Afro Educação
Local Câmara Municipal de São Lourenço da Mata
Público Alvo – Sacerdotisas, Sacerdotes, Membro das Religiões de Matriz Africana, Afro-Brasileira e Indígena; Jurema,  Umbanda, Simpatizantes.

Quinta-feira  15/09

09h Audiência Pública  ¨ Leis 10.639/03 e 11.645/08 Onde Estamos; Onde Queremos Chegar...
Desafios Para Efetiva Implementação ¨  Parceiros Vereador Profº Genildo Machado – Drª Maria Bernadete GT Racismo do Ministério Público de Pernambuco –  Profº Jorge Arruda Secretário Executivo do CEPIrR - Drº Manoel Moraes GAJOP – Profº José Amaro Secretário Municipal de Educação de São Lourenço da Mata  -  Coordenação Fórum Permanente de Educação, Diversidade Étnicorracial do Estado de Pernambuco
Local Câmara Municipal de São Lourenço da Mata – PE
Público Alvo – Comunidade em Geral

Sexta-feira 16/09

13h30min Mostra Cultural e Exposição  ¨ Comidas Populares que vem do Sagrado ¨
13h30min Abertura da Exposição, Boas vindas dos representantes das Casas de Religião de Matriz Africana, Afro-Brasileira e Indígena. 

14h30min Início da Mostra Cultural ( Possíveis Parceiros Coral Cantando Yorubá, Teatro Malunguinho, Coco , Maracatu, Frevo, Samba Regee,  Afoxé)
14h30min Apresentação do Coral
15h15min Afoxé
16h Capoeira
16h45min Maracatu
17h30min Coco de Roda
18h15min Samba Regee
19h Frevo
19h45min Encerramento
Local: Clube Ipiranga – São Lourenço da Mata
Público Alvo Comunidade em Geral

Apoio

Prefeitura Municipal de São Lourenço da Mata, CEPIR, Câmara Municipal de Sâo Lourenço da Mata, Vereador Genildo Machado, Ministério Público de Pernambuco, GAJOP, Secretaria de Educação do Estado de Pernambuco, QCM – Quilombo Cultural Malunguinho, Casas de Religião de Matriz Africana, Afro-Bresileira e Indígena, Núcleo Afro da Prefeitura do Recife, Diretoria da Igualdade Racial do Recife, Centro da Juventude de São Lourenço da Mata, PROJOVEM/SLM, SINDUPROM, Roberto o Amigo Fiel Presidente do Clube Ipiranga, NEABI/UFRPE, Professora Cristina Marques.

Atenção 

Todos os eventos são GRATUITOS e as inscrições para os seminários devem ser feitas através do email alexandredias358@gmail.com.   

Na exposição  ¨Comidas Populares Que Vem do Sagrado ¨  Haverá Degustação Grátis.

REALIZAÇÃO – AFRO EDUCAÇÃO 
COORDENAÇÃO - PROFº ALEXANDRE DIAS

______________________________
Publico aqui programação completa da III Semana de Malunguinho em São Lourenço da Mata/PE. É muito bom ver que um trabalho iniciado por nós do Quilombo Cultural Malunguinho esteja ganahando o mundo. Isso é bom para o povo negro e indígena do Brasil. Nos faz muito felizes ver que a Lei Malunguinho - 13.298/07, deu origem a uma lei municipal, de indêntico conteúdo, articulada pela Afro Educação, especialmente pelo Prof. Alexandre Dias, que deu seu sangue para ver a memória de Malunguinho também ser reconhecida em seu município. Parabéns e vamos vivenciar e praticar nossa cultura e religiosidade com consciência e discussão, contribuindo para a desmistificação dos valores afro e ind'igenas descendentes em nossa sociedade. Axé e Salve a fumaça do Reis!!


Alexandre L'Omi L'Odò.
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Malunguinho no Imaginário dos Pernambucanos - Escola Estadual Mariano Teixeira comemorando a Lei Malunguinho 13.298/07.


ESCOLA MARIANO TEIXEIRA
PROJETO DIDÁTICO
MALUNGUINHO NO IMAGINÁRIO DOS PERNAMBUCANOS

SEMANA DA VIVÊNCIA DA CULTURA AFRO-PERNAMBUCANA
12 A 16 DE SETEMBRO DE 2011

PROGRAMAÇÃO

12/09/11 - (13h30) Abertura da Exposição sobre a cultura Afro-Pernambucana
                  Local: rol de entrada da Escola Mariano Teixeira

12/09/11 – (14h às 16h) As manifestações da cultura negra e indígena
                    Palestrante: Célia Cabral da Costa Arruda
                    Local: CTE (Central de Tecnologia) da Escola Mariano Teixeira

13/09/11 – (14h10; 15h10 e às 16h30)
                  Apresentação doTeatro de Fantoches Baobá  
                  Tema: Malunguinho, o herói pernambucano
                  Local: CTE da Escola Mariano Teixeira

14/09/11 – (14h às 15h) Instituição Quilombo Cultural Malunguinho
                    Palestrantes: Alexandre L’Omi L’Odò e João Monteiro
                    Convidado de honra: Mestre Galo Preto
                   Local: CTE da Escola Mariano Teixeira

14/09/11 – (15h40) Apresentação de coco de roda
       Coordenadora Sueli Duarte e seus alunos
                  Local: CTE da Escola Mariano Teixeira

15/09/11 – (Turnos: manhã, tarde e noite)
                  Baú das Descobertas: releituras dos povos indígenas e africanos
                  cultura pernambucana, diversidade, ação, respeito e cidadania
                  Local: Biblioteca Clarice Lispector da Escola Mariano Teixeira

16/09/11 – (14h às 16h) Poetas negros/ Artistas pernambucanos
                   Palestrante: Célia Cabral da Costa Arruda
                  Local: CTE da Escola Mariano Teixeira

16/09/11 – (17h30) Apresentação de capoeira grupo SHALLON
                    Professor Marcelo
                    Local: pátio da Escola Mariano Teixeira 

 Apoio Institucional: Quilombo Cultural Malunguinho.


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Axexê de Pai Edu - Nota Oficial do Palácio de Iemanjá

 
Pai Edu e Juliana Barbosa da Silva (Filha) em momento de discontração. Foto: Acervo Palácio de Iemanjá. 

Axexê de Pai Edu 
Nota Oficial do Palácio de Iemanjá

Antes de mais nada, gostaria de pedir desculpas ao Povo de Terreiro em nome do Palácio de Iemanjá e dos filhos e filhas de Santo desta mesma casa; por todo transtorno causado em torno do Axexê de meu Pai, o senhor, Eduim Barbosa da Silva (Pai Edu).

Venho por meio desta, esclarecer “novamente” os fatos. Aproveito a oportunidade para além de anunciar a data oficial da realização do Axexê, e, também explicar o porquê da demora do mesmo. Contudo também, discorrer sobre a situação atual do Terreiro.

Logo digo também que o Palácio de Iemanjá já vinha enfrentando problemas há algum tempo, como muitos sabem, porém sem detalhes. Tais problemas que se agravaram com a convalescência (mais de quatro anos) e posterior falecimento de Pai Edu, triste fato ocorrido no dia 04 de maio de 2011. Sendo assim, essa citada situação foi parte fundamental das dificuldades de organização interna do egbé e causa fundamental do atraso na realização do Axexê.

Todo esse processo particular e interno do Palácio implicou em desagradáveis boatos e comentários a respeito da nossa conduta religiosa, expondo dessa forma, mais uma vez, a nós, do Palácio de Iemanjá, nos pondo em embaraçosas situações.

Além das já comentadas divergências e conflitos, o Terreiro também enfrenta um sério problema jurídico com a Prefeitura Municipal de Olinda, que se agrava a cada dia pela ausência de compreensão da importância histórica dessa casa e de nossa religião afro e indígena descendente. Mas, já estão sendo tomadas as providencias cabíveis, confrontadas por mim mesma.

Anuncio aqui o dia 10 de setembro de 2011, como a data oficial do Axexê do senhor Eduim Barbosa da Silva (Pai Edu), que será eternizado como grande Esá (ancestral ilustre) de nossa tradição, na citada data, renascendo assim para o Òrun.

O ritual será regido pela tradição Nagô de Pernambuco, pelos sacerdotes Jacy Felipe da Costa Pai Cicinho (Obá Rindé) e Paulo Braz Felipe da Costa (Omo Babá L’àiyé – Ifá T’Òogún), filhos sanguíneos do grande Esá Ojé Bíi (Malaquias Felipe da Costa), último sacerdote de pai.

Peço encarecidamente a todas e todos que quiserem participar do ritual, que se sintam a vontade para irem ao Palácio nesse dia, porém, como se trata da conclusão de um ciclo ritual fúnebre no candomblé, e não um evento público social, sendo uma “obrigação” que exige um significativo grau de seriedade e respeito, nós do Palácio de Iemanjá queremos que sejam obedecidas as regras de comportamento, ética e respeito para que sejam evitadas situações desagradáveis.

Por favor, irem todas e todos de branco absoluto, com roupas compostas. Para quem conheceu o querido Pai Edu e desejar presenteá-lo, podem levar comidas que ele gostava; bebidas que ele degustava e presentes que desejarem dedicar-lhe nessa liturgia.

O Axexê começará as 8h da manha e seguira pelo dia inteiro.

08 de Setembro de 2011.


Juliana Barbosa da Silva.
(Filha Caçula)
Palácio de Iemanjá – Olinda/PE
juliana.bison@gmail.com

__________________________

Publico aqui em meu blog texto oficial e integral da Nota do Axexê de Pai Edu. Foi-me solicitado tornar pública esta informação pelo Palácio de Iemanjá. Com prazer atendo este pedido carinhoso de todas e todos que estão na casa, lutando para conquistar dias melhores para a preservação da memória do Nagô e da Jurema de Pernambuco. Salve Pai Edu, peço meu Kolofé e Benção. Axé e salve seu Zé Pilintra na Jurema Sagrada.


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com 

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Visita do Sociólogo Francês Michel Maffesoli ao tradicional terreiro de Jurema e Nagô de Dona Dora

 
 Ritual do Borí. Foto Alexandre L'Omi L'Odò.  

Visita do Sociólogo Francês Michel Maffesoli ao tradicional terreiro de Jurema e Nagô de Dona Dora

Registro aqui, momento importante para a história do Terreiro de Dona Dora. Com prazer, decidi escrever algo para marcar esse evento de articulação internacional do povo de terreiro com a academia francesa.

Na noite do dia 03 de setembro de 2011, o Terreiro de Oyá Egunitá (Oficialmente chamado de “Mensageiros da Fé”), foi realizada uma cerimônia de Borí (ritual de dar comida à cabeça). De forma inesperada, recebemos a ilustre visita do sociólogo francês Michel Maffesoli (informações sobre ele abaixo do texto), da universidade de Sorbonne, no Terreiro de Dona Dora, no Jordão Baixo/PE. O Quilombo Cultural Malunguinho, por ter um histórico de luta pela preservação dos valores culturais das religiões de matrizes indígenas e africanas (Jurema e candomblé, etc.), foi acionado na pessoa do historiador João Monteiro pela Dra. em antropologia e consultora do Museu do Homem do Nordeste/PE, Ciema, para apresentar uma casa tradicional ao francês. Também contamos com a presença da Dra. Danile Pitta, professora representante do tema "imaginário" na UFPE, que veio acompanhando o Sr. Maffesoli, para ajudar na tradução do francês para o povo do terreiro. Ambos foram muito bem recebidos pela hospitalar Dona Dora, que com simplicidade regeu o ritual do Borí juntou ao sacerdote Sandro de Jucá.

Professor Maffesoli e Professora Daniele Pitta, próximos a porta do Peji do terreiro. Foto Alexandre L'Omi L'Odò.

A cerimônia foi muito bonita. Casa cheia, visitantes de diversas partes do Brasil (MG, SP, BA), todos de branco presenciaram um dos rituais mais bonitos e complexos do culto aos Orixás.
Recém chegado da França, para um congresso de antropologia, o professor Maffesoli, assistiu uma parte do ritual com muita atenção e olhar técnico de análise. Embora que cansado, pois mal havia chegado ao Brasil, foi logo visitar o terreiro e ficou até mais da metade do ritual, que durou cerca de 3h. Muito simpático, deixou a casa acompanhado da Dra. Pitta, despedindo-se sutilmente, para não atrapalhar os rituais. Todo vestido de branco, respeitando as normas da casa, o professor saiu inspirado do local, levando boas impressões do culto aos Orixás em terras pernambucanas.

Michel Maffesoli. Foto de Alexandre L'Omi L'Odò.

O aspecto do poder feminino ficou muito evidenciado em todos os momentos do ritual. Iyalorixás como Mãe Terezinha Bulhões de Iyemojá, Mãe Nenzinha do Acorda Povo, Mãe Silvia de Iyemojá, entre outras patentes antigas da casa, contribuíram de forma ativa em toda liturgia. Esta ação das Iyalorixás mostraram de forma clara o papel imprescindível do axé da mulher no culto nagô.

A casa de Malunguinho (cancela), também foi apresentada ao sociólogo. Também foi informado sobre os eventos que estão por acontecer em breve, como o VI Kipupa Malunguinho e a III Semana Estadual da Vivência e Prática da Cultura Afro Pernambucana - Lei 13.298/07. Ficou muito interessado em ir às matas, mas infelizmente seus compromissos o levaram de volta ao seu país muito cedo, não dando tempo para ele desfrutar outras experiências com a religiosidade negra/indígena de Pernambuco. Mas, ele voltará, esperamos. Pois o nosso "imaginário" é forte e tem força para ser discutido em nível amplo com a academia, junto ao povo de terreiro.

Um fato interessante foi quando duas pesquisadoras de outros Estados chegaram ao terreiro. Sem saber que o professor estaria lá, tiveram uma reação de surpresa. Pois jamais esperariam a presença de alguém tão importante naquela noite no terreiro. A mestranda Mariana (SP e MG), ficou muito impressionada. Tentou fazer tietagem, mas infelizmente não conseguiu tirar uma foto com um dos autores mais importantes das ciências humanas do século XX e XXI. 

Conversei um pouco com ele. Troquei algumas palavras em francês e lhe ofereci comida e água... Portanto, não aceitou, pois o dendê poderia lhe prejudicar, pela falta de costume de ingerir comida de terreiro.

 Da esquerda para a direita: Daniele Pitta, Michel Maffesoli, Pai Lula de Ogodô e Alexandre L'Omi L'Odò. (Desconsiderar data na foto). Foto de Sandro de Jucá.


Michel Maffesoli, João Monteiro e Daniele Pitta em frente ao terreiro. Foto de Alexandre L'Omi L'Odò.


Informações sobre o Professor:

Michel Maffesoli (Graissessac, 14 de novembro de 1944) é um sociólogo francês, considerado como um dos fundadores da sociologia do quotidiano e conhecido por suas análises sobre a pós-modernidade, o imaginário e , sobretudo, pela popularização do conceito de tribo urbana.


Antigo aluno de Gilbert Durand, é professor da Université de Paris-Descartes – Sorbonne. Michel Maffesoli construiu uma obra em torno da questão da ligação social comunitária e a prevalência do imaginário nas sociedades pós-modernas.


É secretário geral do Centre de recherche sur l'imaginaire e membro do comitê científico de revistas internacionais, como Social Movement Studies e Sociologia Internationalis.

Recebeu o Grand Prix des Sciences Humaines da Academia Francesa em 1992 por seu trabalho La transfiguration du politique.


É vice-presidente do Institut International de Sociologie (I.I.S.), fundado em 1893 por René Worms, e membro do Institut universitaire de France - I.U.F. (Fonte: Wikipedia).

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Atenção: Representantes de religiões de matriz africana recebem certificado - Uma crítica a fazer...


Atenção: Representantes de religiões de matriz africana recebem certificado
Uma crítica.

Bom pessoal postei aqui este vídeo para provocar uma discussão sobre o que se pode ver e ouvir nesse registro audiovisual. Nessa reportagem, da TV Globo Nordeste podemos presenciar falas que vão contra toda uma concepção de religião, principalmente as de matrizes africanas e indígenas, já que fica claro o posicionamento em tornar os terreiros em "pontos turísticos". Magoou-me muito ver que a vulnerabilidade de algumas de nossas sacerdotisas e sacerdotes, alimentam loucuras como essas, que a cada dia vem se forjando e proliferando em nosso Estado. O povo de terreiro tem que se conscientizar que relações "Casa Grande e Senzala", onde migalhas, como certificados sem nenhum critério são distribuídos, entre outras ações, só levam nossa comunidade religiosa ao mais profundo caminho da cegueira política e insuficiência em sua cidadania, além de colocar os religiosos em posição vergonhosa perante ao Estado, que de longe está preocupado com o avanço e o fortalecimento real desse público, nos vendo como meros objetos para manipulação.

Ainda ouço por alguns isso: “é melhor isso que nada”, ou “antes não existia na da dessas coisas para nosso povo, temos que aproveitar”. Mas na verdade, o povo de terreiro está sem rumo. Não consegue identificar qual o seu papel nesse jogo e muito menos consegue realizar críticas e autocríticas satisfatórias nos meios de discussão coletiva, e, isso é muito preocupante.

Sempre foi tradição do povo de terreiro resistir, lutar, alimentar milhares com seu axé e comida, dar caminho aos sem caminho e agregar. Hoje, em Pernambuco, assistimos um movimento altamente contraditório se formando, onde pessoas de dentro da religião, e outros recém-convertidos por interesses políticos, dão personalidade e ânima a um pensamento imergido no neo-colonialismo e na faculdade do embranquecimento, tornando-nos não representados, quando achamos que estamos sendo representados perante o “sistema”, anulando-nos, quando achamos que existimos...

Preciso ouvir o povo de terreiro se pronunciar, falar, berrar, se mover, se acordar... Pois, como seguem as coisas, creio que precisaremos de mais 500 anos para nos libertar das amarras cruéis do cristianismo e do ocidente que nos escravizou e escraviza com essas ações ditas “políticas do povo de terreiro”.

PS: desculpem o tamanho da tela do video, mas o código "embed", não me permitiu editar para ficar menor. Mas dá pra ver sem cortes o conteúdo da reportagem.

Alexandre L’Omi L’Odò.
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

sábado, 27 de agosto de 2011

Brazilian Reggae Music - No Eufrásio Barbosa dia 03/09!!


Brazilian Reggae Music - No Eufrásio Barbosa dia 03/09!!


Publico aqui, a pedido de Laura, uma argentina linda que se tornou parceira, o evento que a tras de volta às terras pernambucanas para poder nos vermos mais uma vez com muito Reggae!! Imperdível e só 20 reais... Ó o texto ai embaixo... Publiquei integral como ela mesmo escreveu. Muito bom.
 
"Levei a sério o "VOLTE SEMPRE" de vocês, jijiji, espero vocês lá(no Eufrásio)  comigo nessa noite especial. Dia 3/9  acho que vou chegar em Recife e posso vender antecipadas pessoalmente, outra boa desculpa pra ver vocês!

Man vê Que PROMOÇÃO: Os primeiros Ingressos Ganham um Cd. Duas das atrações nacionais mais pedradas, que nunca tinham apresentado seu trabalho solo em Recife depois de sairem da banda que fundaram, Leões de Israel, Solano e Dada se apresentarão pela primeira vez na em PE. Se tu bebes tu tens SKOL ou DEVASSA à R$3,00! Se não bebes, tens água, suco ou refrigerante por um preço acessível, sem exploração. Se tu comes carne vermelha, galinha essas coisas tu tens acesso a isso por um preço acessível. Se não comes carne, tens comida Natural ( I tal), culinária Rastafari, de excelente qualidade por um preço acessível. Nos intervalos das bandas, se quiseres descançar ao ar livre, tens o jardim do Eufrásio. Se não quiseres a VJ Laura, da Argentina, vai estar rodando uns vídeos bem massa ao mesmo tempo que o Dj Ras Oreia bota um som roots. Além disso, a Tabacaria Boa Vista estará sorteando uns "brinquedinhos" e acessórios pra quem fuma. Sem contar com o TRATAMENTO, sim irmão, o tratamento é o X da questão, porque essas pessoas que estão fazendo esse evento, tocam, vivem e gostam de Reggae e não querem só teu dinheiro não mano, querem te receber bem e fazer com que você volte pra casa feliz da vida e satisfeito de ter curtido ao máximo a noite tanto pelas atrações, pelo acesso que você tem ao que quer consumir (PREÇO $), pela não superlotação do local (não serão vendidas mais do que 2500 entradas), como também pelo cuidado que nós temos com o público. Você vai sair de lá realizado e dizendo: Graças a Deus que eu posso apoiar essa idéia. Resumindo: 20 reais por isso tudo é uma tremenda Promoção!!!"

Gracias Alexandre.
Laura. 

Alexandre L'Omi L'Odò
alexandrelomilodo@gmail.com

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Ensáio Fotográfico com o Mestre Galo Preto. Fotos de João Rogério Filho

 Mestre Galo Preto. Foto de João Rogério Filho.

 Ensáio Fotográfico com o Mestre Galo Preto. Fotos de João Rogério Filho.

Hoje, dia 24 de agosto de 2011, o Mestre Galo Preto participou de um ensáio fotográfico realizado pelo fotógrafo João Rogério Filho, da F4, seu Estúdio. Com muita experiência e competência, o fotógrafo conseguiu arrancar do Mestre Galo Preto, uma vasta possibilidade de formas e poses. Com muita satisfação, o Mestre, esbanjou elegância e simpatia, características permanentes dele. Em breve as novas fotos de divulgação estarão nos sites oficiais de Galo Preto.  Ficaram lindas... Aguardem.

Mestre Galo Preto e João Rogério Filho discutindo poses e formas. Foto de Alexandre L'Omi L'Odò.

Alexandre L'Omi L'Odò
Produção.
alexandrelomilodo@gmail.com

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Vamos ajudar a Feira da Música do Ceará - A música independente tem força pra isso!

Clamor Manifesto - Feira 10 from Coletivo Fórceps on Vimeo.

Vamos ajudar a Feira da Música do Ceará - A música independente tem força pra isso!
Todo pessoal da Música do Brasil, de todos os gêneros, por favor, vejam esse vídeo e colcaborem com a Feira da Múscia do Ceará, pois este evento é o maior atual parceiro da música independente nacional, Se liguem!!! Vamos colabroar urgente! Entrem no site: http://catarse.me
"Somos o Estado"!
 Alexandre L'Omi L'Odò - Produção do Mestre Galo Preto e Músico 
alexandrelomilodo@gmail.com

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Convite para a festa de Jurema de Dona Rosa, a Pombojira organizadora dos meus caminhos.


Convite para a festa de Jurema de Dona Rosa, a Pombojira organizadora dos meus caminhos.

Todas e todos convidados para a festa desta Pombojira magnífica. Minha Iyalorixá mãe Lúcia de Oyá T'Ogùn tem o prazer de realizar a mais de 40 anos esta festa. É um orgulho compartilhar deste axé da Jurema com todos.

Por favor só vão com roupas adequadas para se visitar uma casa de Jurema. Homens com calça comprida e camisa composta e mulheres de saia e blusa composta. Todos com tons de vermelho e preto se possível.

Alexandre L'Omi L'Odò
Egbomi de Oxum e Juremeiro
Ilé Oyá T'Ogùn
alexandrelomilodo@gmail.com

sábado, 13 de agosto de 2011

Mestre Galo Preto - Matéria Jornal do Commércio 24 de junho 2011, sobrer lançamento de seu filme.

Publico aqui mais uma matéria sobre o Mestre Galo Preto do Jornal do Commércio 24 de junho 2011, sobrer lançamento de seu filme.

Se faz importante registrar na intenet estes raros momentos de divulgação da música e cultura tradicional brasileira.

Visitem o Mestre na Rádio Oi Novo Som:  

Alexandre L'Omi L'Odò
Produção
alexandrelomilodo@gmail.com

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Pós Graduação em Ciências da Religião


Pós Graduação em Ciências da Religião

Vejam a a grade deste curso, está fantstica. É muito importante aos sacerdotes e sacerdotisas do candomblé e Jurema se dedicarem a estes estudos para ampliar seu horizinte de conhecimento sobre as religiões. Olhem o folder e se inscrevam.

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

domingo, 7 de agosto de 2011

Re-consagração de Malunguinho - Uma transmissão familiar de ancestralidade e ciência na Jurema

 Malunguinho. Festa da Lavadeira 2011.  Foto de Thiago Angelin Bianchetti.
  Re-consagração de Malunguinho 
Uma transmissão familiar de ancestralidade e ciência na Jurema

*Alexandre L’Omi L’Odò

Cheguei à minha casa pensando em registrar em texto a vivência que tive com a Jurema. Vi coisas bonitas e senti coisas importantes... Este é um texto de registro histórico.

Hoje, dia 06 de agosto de 2011, foi a data da re-consagração de Malunguinho, um fato histórico de sucessão hierárquica na Jurema. Todo acontecido religioso foi possível por causa do juremeiro João Folha, já renascido para a espiritualidade. Um dos mais tradicionais e antigos juremeiros da região do Jordão Baixo no Recife/PE, falecido no dia 15 de maio 2011 de complicações cardíacas, deixando o terreiro “Mensageiros da Fé”, casa regida pela cabocla Iracema, com mais de 43 anos de funcionamento, sendo o mais antigo terreiro de Jurema e culto nagô deste bairro. O terreiro também é regido pela divindade Malunguinho, que tem um espaço especial no terreno, sendo o único que “mora só”, com culto próprio e específico. Malunguinho foi o regente de Seu João Folha, que era filho de Xangô com Oxum, mas tinha no culto da Jurema sua maior sustentação e fé.

O templo se estabeleceu na localidade que há 70 anos era conhecida como Sítio das Cacimbas e, depois se tornou popular com o nome de “Bica de Seu João Folha”, terras da família de Dona Dora, que há quatro gerações se mantém residindo.  

Dona Dora. Mestra Juremeira e Iyalorixá. Foto Diego Nigro.

O terreiro foi fundado por Dona Dora, “filha de santo” do falecido Genival Francisco de Araújo, da Rua Orubatanga, no Córrego da Gameleira/Recife, e depois de Seu Luiz da Guia (Luiz José de Santana), que hoje se encontra com 98 anos de idade. E Seu João Folha, em 17 de abril de 1968 no mesmo local onde hoje está estabelecido. Mas, Dona Dora já tinha culto pelo menos há cinco anos antes em um local no mesmo Sítio de sua família, próximo a atual localidade.

Os motivos da abertura da casa foram os problemas de saúde que abateram a sacerdotisa, a pressionando a fundar o local onde suas divindades e entidades iriam ter morada definitiva. Oyá Egunitá, seu “Orixá de cabeça”, o Mestre Zé Malandro, Galo Preto, Mestra Georgina, Seu Tranca Rua das Almas entre outras e outros, fizeram da Rua Fernandes Belo, n° 611, o caminho para ajudar os necessitados, trazendo a cura e a iniciação, dando caminho e orientação, ajudando a preservar a memória dos índios e negros que deixaram essa missão para ela e tantos outros.

Foram 55 anos de casados. Tiveram 9 filhos, mais de 16 netos e 7 bisnetos. Dentre estes e estas está Rosemary de Fátima, conhecida como Mary, filha de Oxum e herdeira do axé de Malunguinho. Casada com filhos, ela foi a escolhida pela Jurema para perpetuar a ciência de seu pai, que tinha em Malunguinho uma fé incondicional, mesmo não o recebendo em seu corpo com manifestações espirituais, ele cultuava Malunguinho com tanto afinco e adoração que as pessoas até o questionavam brincando: “o senhor fala mais em Malunguinho que em Deus”... Dona Dora ainda diz: “o Deus dele era Malunguinho, pois ele tinha tanto amor por ele que tenho certeza que ele está feliz com sua filha o ter herdado, inclusive manifestando-se, trazendo sua ciência para todos verem”.   

O fato da transmissão familiar da ciência é uma circunstância não muito comum dentro dos terreiros de Jurema. O que assistimos frequentemente é quando um juremeiro ou juremeira antigo ou antiga morre, seus objetos rituais e sua história são jogados fora pelos seus filhos e netos e sacerdotes responsáveis. Os motivos desta atrocidade cultural são os mais diversos como a responsabilidade em ficar cultuando algo que não é seu, não ter ninguém da família pertencente a religião, até mesmo o desrespeito completo com a ancestralidade e a falta de conhecimento sobre os procedimentos corretos dos rituais. Isso vem fazendo grande parte da história da Jurema se apagar e cair no completo ostracismo. Mas com o caso de Seu João Folha foi diferente, sua história se manteve viva na família com toda legitimidade e consciência. 

Mary. Filha carnal de Dona Dora e herdeira da ciência de Seu João Folha. Foto Alexandre L'Omi L'Odò.

Desde pequena Mary vinha se “manifestando” com Malunguinho, e Dona Dora já pressentia que este iria ficar na casa, para segurar o axé do terreiro, através de sua filha que iria ficar responsável pelos assentamentos de seu pai. Fato este que, todos os filhos e filhas e freqüentadores do terreiro celebraram com muita alegria, pois Malunguinho se confirmou e pronunciou publicamente dirigindo-se ao sacerdote Sandro de Jucá, responsável pelas suas cerimônias e culto e a Dona Dora, estar “muito satisfeito com as oferendas ofertadas a ele”. Ele dançou, brincou, celebrou, cantou, comeu, bebeu e fumou, saudou seus protegidos e agradeceu. E de fato, a força de Malunguinho se fez presente no barracão. Todos sentiram a forte energia que emanou de dentro da casa onde ele mora. Frutas, bebidas, fumos, velas e animais compuseram suas oferendas. Assim se fez parte da re-consagração de Malunguinho, que agora passa a ser zelado por Mary. As armas e símbolos da divindade (preaca, estrela de seis pontas, volta de ave-maria, cipó de japecanga, cachimbo e sementes) foram repassadas pela antiga Juremeira Dona Rita de Malunguinho, que tem 74 anos de iniciada no culto à Jurema e 89 anos de idade. Ela, que é irmã de Jurema e de axé de Sandro de Jucá, também de Seu João Folha, sendo eles iniciados pelo falecido Grivaldo de Xangô, conhecido como Pai Brivaldo de Xangô, discípulo do Mestre Zé da Pinga, formalizaram um ato familiar do mesmo axé e ciência, firmando laços de consideração religiosa pelos irmãos mais velhos que tem o direito de repassar objetos sagrados aos mais novos.   

Malunguinho "manifestado" em Mary. Foto de Alexandre L'Omi L'Odò.

 
Mary, recebendo as armas de Malunguinho pela juremeira Dona Rita de Malunuginho. Foto de Alexandre L'Omi L'Odò.

 
Confraternização. Mary e Dona Rita de Malunguinho. Foto de Alexandre L'Omi L'Odò. 

 
Mary firmando na Cidade de Malunguinho. Foto Alexandre L'Omi L'Odò.

Como é de tradição das casas mais antigas de Jurema e Candomblé (Xangô) de Pernambuco cultuar Exú no mês de agosto, a Casa de Dona Dora não poderia deixar de realizar os rituais e liturgias de sempre, pois mesmo a Casa estando de luto pelo falecimento de Seu João, Malunguinho solicitou suas “abrigações” e permitiu que os rituais dos Trunqueiros/Exús fossem todos realizados, mesmo que sob a regra do silêncio dos Ilús (instrumentos sagrados de percussão), sendo permitido apenas o uso das macas e palmas de mão para dar o ritmo aos cânticos rituais.

Todo ritual foi regido pelo juremeiro e babalorixá Sandro de Jucá e pela iyalorixá e Mestra juremeira Dona Dora, que como sempre, deram o tom adequado aos ritos, trazendo informações/elucidações e boa energia. Foi feita a limpeza de agosto tradicional com as aves e velas e todos cantaram toadas de limpeza:

“É na Jurema, é na Jurema, to me limpando é na Jurema”...

Os cachimbos acesos, fumaçando os desejos, levando à Jurema os pensamentos, estiveram presentes todo o tempo nos rituais, com a variação do uso do fumo preto e do fumo mais suave. 

Juremeiro Sandro de Jucá, abrindo os cânticos no quarto de Malunguinho. Foto Alexandre L'Omi L'Odò.

A fala de Sandro sobre a família de Dona Dora e as responsabilidades no terreiro com a continuidade das práticas após o falecimento de seu fundador, reuniu antes de iniciar as imolações todos dentro do salão da Jurema. A fala foi de fundamental importância para informar aos presentes e aos filhos Ricardo Gonçalves e Luiz Gonçalves e ao neto Luiz Carlos Jr. Que com a “ausência” de Seu João, as práticas tradicionais da casa não mudariam em nada. Todas as normas estruturadas por Seu João durante sua gestão no terreiro se manterão completamente, sendo sempre relembradas por Sandro e Dona Dora. Agora Seu João é um Esá (ancestral ilustre) no Balé - Ilé Ibó Akú (casa de adoração aos mortos) do terreiro, e de lá vigiará as atividades dentro da casa. Sandro ainda colocou que “a casa não é dele”, e que ele está ali apenas para dirigir os rituais e organizar as funções referentes a um babalorixá e juremeiro. Sandro, pediu para que os filhos carnais de Dora estivessem sempre presentes na casa para observar de perto o que acontecia e que eles dêem força a sua mãe, pois ela está sofrendo opressão de uma de suas filhas que é evangélica neopentecostal, que está tentando convertê-la para que ela feche o terreiro e venda o terreno para dividir o dinheiro entre os herdeiros. As investidas dessa filha têm perturbado Dona Dora demais. E isso compromete as praticas dela, pois dentro de sua própria casa ela esta sofrendo a intolerância religiosa e o preconceito. Os filhos se comprometeram em ajudar e concordaram com a conversa toda. Depois dessa reunião, os trabalhos começaram com muita animação, invocando os Trunqueiros, como Seu Tranca Rua, que foi o primeiro a receber as homenagens em seu mês.

Sandro de Jucá (ao centro de vermelho) discursando ao terreiro. Sentada Dona Dora, em pé seus dois filhos. Foto Alexandre L'Omi L'Odò.

 
Neto Luiz Carlos Jr e filhos Ricardo Gonçalves e Luiz Gonçalves. Foto Alexandre L'Omi L'Odò.

Os rituais seguiram tranquilamente, com muita participação dos presentes. Depois dos Trunqueiros, os rituais foram dedicados à Malunguinho, com a re-consagração de Mary e depois veio a vez das pombojiras, que animaram o salão com suas características sedutoras e dinâmicas. Contudo, a festa foi bonita de observar, mas faltava um dos responsáveis - o Seu Vira Mundo, também conhecido como Bate Porteira. Ele “desceu” em Sandro de Jucá próximo a meia noite e ai a festa foi completa... O coco tomou conta do salão, puxado pelo Seu Vira. Eu cantei, Seu Vira cantou, depois chegou o Seu Zé Malandro, Mestre da sacerdotisa, que também entoou cocos conhecidos.  Seu Vira Mundo entoou um coco característico da espiritualidade de um trunqueiro de Jurema e deixou o salão a prestar atenção:

“Na minha Cidade existe três reinados encantados, um é feio, outro é bonito e o outro é mal-assombrado”...

Pai Lula de Ogodô, babalorixá responsável pelo axexê de seu João Folha também cantou e relembrou os antigos cocos cantados por seu pai carnal, nos tempos que o levava para “os cocos” de Recife adentro... O terreiro todo celebrou a vida junto aos mestres e pombojiras que estavam presentes no salão. A cena em si foi muito bonita, pois nela tinha uma harmonia e uma consciência muito clara de que o povo de terreiro encara a vida assim como encara a morte, e esta visão filosófica se traduziu com a pisada forte do coco, ritmo, cântico e dança do nordeste brasileiro e as palmas de mão com as respostas. Uma banda musical de maracás, abês, e um balde se fez no momento e pessoas que em sua vida cotidiana, como médicos, professores entre outros, não se relacionam com a liberação do corpo e da alegria interna de existir, se revelaram tocadores e dançarinos alegres, soltos e vibrando na energia da Jurema. Entidades e pessoas vivas, celebrando juntos à vida, em uma demonstração perfeita, contida de toda teoria antropológica da observação, fenomenologia, semiótica etc... Traduzida em uma frase: “A Jurema abala, e seus discípulos não tombam”.

Acordei no terreiro. Dormi no salão dos Orixás, local separado do salão da Jurema. Dona Dora não me deixou ir embora às 1h30min da manhã, forrando pra mim um colchão no chão com o Alá de Oyá, pano que cobre o Orixá em suas saídas de quarto no culto nagô em PE. Foi uma enorme satisfação, poder contar com o respeito, cuidado e confiança de uma sacerdotisa tão antiga como ela. Acordei às 7h, ao som de uma chata música evangélica, que saia do celular de Beto de Iyemojá, que só dorme escutando este tipo de música, pois diz que lhe dá sono e relaxa. Pode isso? Rsrs.

Tomei um cafezinho esperto feito no fogão à lenha com um pãozinho e queijo preparados pelas iyabás da casa e logo fui embora, pensando em escrever este texto, para registrar minha alegria em poder viver junto a pessoas tão especiais e religiosas como as que pude estar. Este foi o melhor presente antecipado de aniversário que pude me dar.

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*Alexandre L’Omi L’Odò - Graduando em História pela UNICAP, Egbomi de Oxun, Juremeiro e coordenador do Quilombo Cultural Malunguinho.

Este texto foi construído com entrevistas consedidas por Dona Dora e Sandro de Jucá.

Dedico este texto à Seu João Folha e a Malunguinho, pelo axé que me banharam.


Alexandre L'Omi L'Odò
alexandrelomilodo@gmail.com

Quilombo Cultural Malunguinho

Quilombo Cultural Malunguinho
Entidade cultural da resistência negra pernambucana, luta e educação através da religião negra e indígena e da cultura afro-brasileira!