quarta-feira, 4 de julho de 2012

Alexandre L'Omi L'Odò candidato à Conselheiro de Políticas Culturais da Cidade do Recife na área de Patrimônio e Arquitetura

Alexandre L'Omi L'Odò palestrando. Foto de Jedson Nobre.

Alexandre L'Omi L'Odò candidato à Conselheiro de Políticas Culturais da Cidade do Recife na área de Patrimônio e Arquitetura

Olá pessoal, amigos e amigas, pessoas de terreiro e companheiros da área de Patrimônio. Venho através desta postagem em meu blog informar que estarei concorrendo à vaga de Conselheiro de Cultura do Recife no próximo dia 09 de julho de 2012. Conto com a ajuda dos parceiros e parceiras para agregar mais pessoas nessa votação. Infelizmente só poderão votar pessoas da área de Patrimônio e Arquitetura, tendo em vista a especificidade do tema.

Minha plataforma de propostas está totalmente voltada a uma gestão dinâmica, informativa, comunicativa e participativa. O tema do Patrimônio Imaterial será um dos principais nortes de minha gestão, e proporei que o povo de terreiro venha se juntar a estas discussões para garantir melhor visibilidade no Recife de suas imaterialidades e bens simbólicos. Também serei voz ativa nos processos em que os conselheiros forem convocados para defender seus temas específicos. Patrimônio hoje é um dos principais temas discutidos dentro das gestões de cultura, portanto, vale a pena encarar este processo de eleição para ser a voz dos meus e minhas no tema! 
Meu Número é o 51!

Meu concorrente é o irmão João Monteiro, historiador que ao longo dos últimos 20 anos vem também levando esta temática muito a sério no meio cultural da Cidade.

Vamos à luta!

Serviço:
 
ELEIÇÃO DO CONSELHO MUNICIPAL DE POLÍTICA CULTURAL para segmentos será realizada na próxima segunda-feira dia 09.06.2012, a partir das 09h às 19h, na DGTEC – Antigo Colégio Nóbrega.

Com exceção dos segmentos de MÚSICA, PRODUTORES, ARTES CÊNICAS E TRABALHADORES DA CULTURA.

Mais informações:
Conselho Municipal de Política Cultural
Pátio de São Pedro, casa 08

Provisoriamente na casa 04
Fone: 3355.3310 | 3355.3311


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

domingo, 24 de junho de 2012

Mestre Galo Preto | Palinha - no Toda Música - 23/06/2012


Mestre Galo Preto | Palinha - Toda Música - 23/06/2012 

Reportagem com o Mestre Galo Preto, gravada na Feira de Peixinhos, periferia de Olinda, exibida no quadro Palinha do programa Toda Música, que vai ao ar todo final de semana na TV Pernambuco e na TV Universitária do Recife. Mais informações www.todamusica.tv

Foi lindo ver em pleno São João o Mestre Galo Preto invadindo as telas de TV deste Estado pernambucano. A cultura popular a cada dia vem ocupando melhores espaços na mídia e no mercado fonográfico. Isso se deve ao grande trabalho de produtores e produtoras que com muita garra, desprendimento, amor e inteligência vem desenvolvendo as carreiras destes artistas mais que especiais de nosso Brasil. Parabéns a TVPE e a TVU pela proposta digna de levar à mídia conteúdos tão indispensáveis. Bariká!

 
Alexandre L'Omi L'Odò
Produção do Mestre Galo Preto
alexandrelomilodo@gmail.com

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Mestre Galo Preto no Toda Música - Na TVU-Recife, canal 11, domingo (24/06) às 20h30

Mestre Galo Preto no Toda Musica. Foto: Divulgação.

 Mestre Galo Preto no Toda Música - Na TVU-Recife, canal 11, domingo (24/06) às 20h30

Sabe o que Mestre Galo Preto, Racionais, Zé Brown e Maggo Mc têm em comum? A rima! Do rap ao repente, do coco à embolada, o Toda Música vai fazer uma viagem sonora ao mundo do ritmo e da poesia.

Os Racionais MC’s estiveram no Recife e fizeram um show que transformou o teatro da UFPE numa verdadeira “pista”. No Mundo Música tem um passeio no centro do Recife. Tila conversa com Mcs e emboladores pra descobrir quais são os pontos em comum entre a embolada nordestina e a batida urbana do Hip Hop. Quem guia ela é Zé Brown e Maggo Mc.

Mestre Galo Preto, parceiro de Jackson do Pandeiro, Arlindo dos Oito Baixos, Luiz Gonzaga e Jacinto Silva, dá uma palhinha em casa.
Assista na TVPE, sábado (23/06) às 19h e na TVU-Recife, canal 11, domingo (24/06) às 20h30


Acesse o site do Toda Música: http://todamusica.tv

Alexandre L'Omi L'Odò
Produção do Mestre Galo Preto
alexandrelomildoo@gmail.com

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Convite - Reabertura do Ilé Iyemojá Ògúnté. Festa de Iyemojá e Xangô dia 30 de junho de 2012


Reabertura do Ilé Iyemojá Ògúnté - Festa de Iyemojá e Xangô dia 30 de junho de 2012

O Ilé Iyemojá Ògúnté nas pessoas de sua iyalorixá Mãe Lu – Omitòógún, e de seu babalorixá Alapiní Sr. Paulo Braz – Ifátòógún, tem a honra de convidá-los a compartilhar conosco da reabertura oficial do Ilé, após reforma, com a saída de Iyawò de Sílvio André de Iyemojá Ògúnté e as renovações de Odú de Júnior de Xangô, Paulinho de Ogian, João Monteiro de Xangô Aduban e Alexandre L’Omi L’Odò de Oxum.

A Casa é de tradição nagô, das mais tradicionais. A festa será dedicada a Iyemojá Ògúnté, que vai receber sua panela no mar, e também será festejado o Orixá Xangô, patrono do mês vigente.

Será um prazer receber todas e todos neste momento de agregação familiar do axé e de fortalecimento de nossa memória ancestral africana e indígena.

Serviço:

Festa a realizar-se no dia 30 de junho de 2012 às 21h pontualmente.
Endereço: Rua Abdon Lima 86. Água Fria – Recife/PE- CEP: 52120-480
(Click no convite para ler texto integral).

Informações:  81. 3449-3066 / 8838-1152 / 8887-1496


Alexandre L'Omi L'Odò
Integrante do Ilé Iyemojá Ògúnté
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com 

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Especialização em História e Cultura Afro-Brasileira na UNICAP


Especialização em História e Cultura Afro-Brasileira na UNICAP


INSCRIÇÃO 01/06 a 30/07/2012
RESULTADO DA SELEÇÃO
01/08/2012
MATRÍCULA
03 a 10/08/2012
PREVISÃO DE INÍCIO DAS AULAS – 15/08/2012
 ____________________

CARGA HORÁRIA
  • 360 h/a
OBJETIVO
  • Qualificar os profissionais, através de uma formação continuada, ao nível de pós-graduação lato sensu, no campo do ensino e da pesquisa, acerca da história e cultura afro-brasileira.
PÚBLICO ALVO
  • Profissionais das áreas de História, Ciências Sociais, Comunicação, Educação, Turismo, e afins.
NÚMERO DE VAGAS
  • 40
DURAÇÃO DO CURSO
  • 16 meses
 DIAS DE AULA
  • Quartas-feiras das 19h às 22h e sábados das 8h às 13h.

COORDENAÇÃO
  • Prof. Zuleica Dantas Pereira Campos, Pós-Doutorado em Ciências da Religião
ESTRUTURA CURRICULAR
  • Metodologia científica
  • Relações entre o Brasil, Portugal e África
  • Didática de Ensino Superior: o negro nos livros didáticos de História do Brasil
  • Religiões afro-brasileiras
  • Teorias interpretativas do sincretismo afro-católico no Brasil
  • Patrimônio e cultura material afro-brasileira
  • Símbolos religiosos e culturais afro-brasileiros
  • Movimentos negros e resistência na sociedade brasileira
  • Raça e saúde no Brasil
  • Seminário de Monografia
 CORPO DOCENTE
  • Newton Darwin de Andrade Cabral, Doutor
  • Jorge Ricardo de C. Michiles, Especialista
  • Silvania Maria Maciel, Mestra
  • Zuleica Dantas Pereira Campos, Doutora
  • Sergio Sezino Douets Vasconcelos, Doutor
  • Emanuela Sousa Ribeiro,Doutora
  • Rosalira dos Santos Oliveira, Doutora
  • Susan Lewis, Doutora
  • Carlos Alberto da Cunha Miranda, Doutor
  • Alfredo Sotero Alves Rodrigues, Mestre
Visitem o site e tirem todas as dúvidas:



Este curso é muito importante para a realidade dos dias atuais da educação nacional. Se especializar no tema da cultura africana e afrodescendente se faz necessrio para professores e professoras que desejam ocupar melhores espaços no campo da educação. O investimento vale a pena em todos os níveis.
 

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Cadê o Coco no São João do Recife 2012?

 Dança do coco no VI Kipupa Malunguinho. Foto de Joannah Luna.
 
Cadê o Coco no São João do Recife 2012?

CADÊ O COCO NO SÃO JOÃO DO RECIFE 2012? Acabei de escrever na página da Prefeitura Do Recife: "Pessoal da programação do São João da Prefeitura Do Recife. Como vocês se propõem a realizar um São João com o slogan “São João tradicional, a gente faz na Capital” e invisibilizam o COCO que é uma manifestação junina mais que tradicional, e sim um traço de nossa cultura nordestina? Gente, ver só o nome de Dona Selma do Coco explicitado na programação é deprimente. Ainda anunciam um tal de Encontro de Coco do Recife onde não tem nome de ninguém... O coco precisa de espaço. É uma das formas musicais mais populares deste Estado todo e vocês fazem isso? Cadê o Mestre Galo Preto nos palcos de referência?, cadê Ferrugem?, cadê Zeca do Rolete? Cadê Zé Neguinho do Coco entre tantos outros grupos que fazem de Recife uma capital movimentada nos finais de semana nos bairros... Não acredito que estou em RECIFE".

Olhem a programação completa neste link:

Após esta reflexão publicada por mim no facebook da Prefeitura do Recife e em minha página, muita gente se colocou criticamente e se disponibilizou a ir até a Prefeitura conversar com a Fundação de Cultura sobre esta exclusão absurda. Os grupos, mestres e pessoas interessadas já estão se organizando para ir até lá. Espero que com esta ação, possamos ainda inverter esta situação que nos envergonha e nos alarma sobre a falta de respeito total com esta forma de cultura tão forte em nossa cidade. O coco, para muitos que não sabem, foi um dos ritmos e música mais cantados por Luiz Gonzaga. O que ele fez foi apenas colocar sanfona e dar outra vestimenta a ele, mas a forma estava lá... Portanto, de forma nenhuma se justifica  esta ausência dos grupos, mestres e mestras na programação do São João 2012, dizendo que estariam homenageando nosso querido Luiz Gonzaga e que o forró será o privilegiado ocupando todos os palcos e espaços. 


Para quem não sabe, a música Pisa no Pilão, é apenas uma dentre tantas outras músicas cantadas por Luiz Gonzaga que é coco, com outra roupagem.

Vergonha é uma boa palavra para simbolizar este momento para a cultura popular em Pernambuco!


Alexandre L'Omi L'Odò
Produtor Cultural e Músico Pernambucano
alexandrelomilodo@gmail.com

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Nova Casa, Novo Caminho de Odú, Vida Nova no Axé

Alexandre L'Omi L'Odò aos pés da Família de Pai Adão. Foto de Laila Santana.

Nova Casa, Novo Caminho de Odú
Vida Nova no Axé

Não poderia deixar de registrar este momento tão importante em minha vida aqui, compartilhando com os amigos e amigas. Hoje, dia 06 de Junho de 2012 dei mais um grande passo de mudança e fortalecimento no meu caminho de Odú, no culto aos Orixás, em minha vida religiosa junto a Oxum e Ògún.

Graças a Oxum, não entrei no candomblé por necessidades de doenças, falta de trabalho, azar, depressão ou problemas espirituais. Apenas fui levado por ela mesmo a me iniciar, sendo presenteado de forma grandiosa por ela que me deu tudo que precisei, e ainda um tanto mais para ajudar outras pessoas também a se iniciar. Ela própria me encaminhou. E também decidi assumir esta identidade religiosa por ter fé no axé, por ter fé na Jurema e por ter ancestralidade negra e indígena. E assim até hoje sigo, com muito respeito a tudo que se refere a estas religiões, me realizando completamente em ser integrante destes cultos, que me fortalecem e me dão a possibilidade de conhecer mais sobre mim mesmo nesta existência.

Desde bem jovem, 12 ou 13 anos, andei por  muitos lugares, conheci muitos universos e ainda vou conhecer outros infinitos, portanto sei selecionar o que pode me fortalecer e me fazer vibrar energia de construção coletiva para muito além do umbigo do terreiro que venha a participar... O candomblé e a Jurema pra mim não são religiões, são cosmovisões de mundo, são algo além do ritual e das receitas "mágicas", é um movimento político e ideológico, uma forma de viver fora do Ocidente cristão, estando dentro dele. É um oásis de vida. Por isso não quero uma religião para me tornar uma pessoa triste, preocupada, pesada, não livre. Quero uma religião para me dar alegrias e me ajudar a encontrar com meu eu e com meus ancestrais. Religião, para mim não é algo decisivo a ponto de me destruir ou fazer destruir por ela, o que de fato para mim é fundamental e vital é a consciência, o direito de me conhecer, de me respeitar e respeitar o universo que me circula. Gosto mesmo é de estar livre em minha fé, sem submissões desnecessárias, muito menos ter que compartilhar de ideologias e práticas que não identifico como sérias ou dignas para seguir ou compactuar. Portanto, meu caminho é estar comigo, e com o que acredito holisticamente.

Aos mais de 18 anos que participei de minha antiga casa de axé e de Jurema, o Ilé Oyá T'Ògún  que me acolheu durante todo este tempo tenho o mais profundo agradecimento. Lá pude aprender muitas coisas, e ensinar outras. Foram anos bons, de sonhos e alegrias, sobre tudo nos dez primeira anos. Mas chegou a hora de sair. De encontrar outros caminhos, de conhecer e aprender novas coisas no axé e na Jurema, de olhar o nagô mais de perto. Oxum demorou a me dar o sinal, mas enfim delegou a mim a égide de meu próprio destino, e a ela agradeço este direito natural meu.

Hoje mesmo adentrei as portas do Ilé Iyémojá Ògúnté, casa de tradição nagô do renomado babalorixá Malaquias Felipe da Costa, conhecido hoje como Ojé Bií, um Esá de grande força em nossa tradição pernambucana. Levei comigo todas as minhas insígnias e fundamentos, história e desejos. Lá fui acolhido pelo querido, a quem admiro muito, o sacerdote Paulo Braz Felipe da Costa - Ifátòógún, e pela sacerdotisa Mãe Lu de Iyemojá Ògúnté - Omitòógún, que juntos com sua comunidade fizeram todos os rituais de boas vindas tradicional do nagô. Me senti feliz, de olhos abertos, vibrando alegrias... Era hora, e Oxum fez-se presente para nos agraciar com seu axé grandioso de mãe que não abandona o filho nunca. Sempre soube que ela não deixaria de ouvir um filho para realizar os desejos de outrem. Axé iyá mi, adupé! Porém, Oxum há de olhar e vigiar, pelos desnecessários atos de vilipêndio sacerdotal cometidos por ventura contra ela e comigo.

A foto acima que gosto de intitular como "Aos pés do Nagô pernambucano" foi tirada no dia 06 de Dezembro de 2011 na ocasião da celebração da coroação do Rei e da Rainha do Maracatu Raízes de Pai Adão. O evento que foi produzido pelo Quilombo Cultural Malunguinho, teve como principal objetivo além das coroações e celebração religiosa, a congregação do povo de terreiro que compareceu para firmar esta união e momento histórico para nossa tradição pernambucana. A fotógrafa responsável por toda cobertura da coroação foi Laila Santana, que com muito carinho me concedeu esta fotografia que demarca para mim um momento de grande realização religiosa e de trabalho como produtor e coordenador geral de eventos. Na foto, respectivamente estão da esquerda para a direita: Pai Cicinho de Xangô (Obarindè), Pai Paulo Braz Ifátòógún (meu babalorixá), Mãe Zite de Oxum Ipondá e Mãe Lu de Iyemojá Ògúnté (minha Iyalorixá), todos filhos carnais de Ojé Bií (Sr. Malaquias Felipe da Costa) e netos consequentemente do famoso babalorixá Pai Adão, e Eu aos pés deles.

Não poderia deixar de agradecer aos amigos que me ajudaram nesta transição importante:

Obrigado a Oxum,Ògún, Exú, Orunmilá, Oyá, Iyemojá Ògúnté, Orixalá e Obá, por terem me sustentado todo tempo.

Obrigado a minha "trunqueira sagrada, por onde eu peço socorro" o Rei Malunguinho, dono também de meu destino na Jurema. Obrigado à Arranca-Toco, à Boiadeiro de Jurema, à Mestra Paulina da Rede Rasgada, à Meu Avô Silvino Paulo dos Santos e seu mestre que hoje anda comigo. Um obrigado especial ao mestre Mané da Pinga, do querido sacerdote Pai Mecias da Rua das Moças, que a um ano antes havia me dado o recado.

Obrigado aos amigos de verdade - João Monteiro que me ajudou a pensar sobre este processo. À Sandro de Jucá que na hora da necessidade confiou em mim e me acompanhou nesta guerra. À Arthur de Iyemojá, que foi comigo no terreiro me ajudar a pegar meus assentamentos para levar embora. Obrigado à Ana de Oyá, pelo apoio. Obrigado a Flávio de Exú, que afinado com Oxum, soube me dar o recado espiritual na hora certa. Obrigado à Marcelo Nêgo de Brasília, por ter me dado também o recado espiritual na hora certa. Obrigado a Dona Dora, por ser uma juremeira forte e de ciência ao meu lado. Obrigado à Juliana Bison, por ter me apoiado também. Obrigado a Leandro de Xangô por ter acompanhado o processo. Obrigado ao queridíssimo professor Jayro Pereira de Jesus por todo apoio ideológico e filosófico. Obrigado à Mano, meu padrasto e axogun do terreiro, por ter conversado comigo sobre o assunto de forma acolhedora, e obrigado à mim, por ter confiado em mim para poder mudar o que não estava certo. Axé, axé e axé.

Salve a fumaça e a Jurema!


Alexandre L'Omi L'Odò
Iyawò e juremeiro
alexandrelomilodo@gmail.com

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Fogo Segredo


 Carnaval de Recife 2007. Foto de Alexandre L'Omi L'Odò.

Fogo Segredo.

Nunca mais havia percebido teu reflexo no tenro espelho dos egos
Guardado dentro de grades de água
Nas superfícies do mais fundo ínfimo
Com ares de céus livres de olhos

Vi-te como uma surpresa
Que surgiu do imaginável
Do fogo segredo
Que ninguém sabe pra onde vai...

Vi pedras atiradas
Os tetos todos trincaram
A chuva veio ao cais
Curvou-me a lembrança
Portanto estavas de fato lá...

Como algo estranho
Me levei a ver uma foto
Sem lembrar dos dias nem das horas
Dos presentes passados incolores
Dos silenciosos surdos dos tambores
Da fria queimadura do tempo

Vi teu sorriso mudado...
Até mais bonito e mais feio
Sem definição certa nem incerta
Porém estavas lá
Na minha surpreendente imaginação
Nas cores do som preto do trovão seco
No intacto conto dos mares doces...

Feliz aniversário Rita!
31/05/2012.


Alexandre L'Omi L'Odò
alexandrelomilodo@gmail.com

quinta-feira, 24 de maio de 2012

"Vamos Salvar a Jurema" Ato Político em defesa dos Pés de Jurema da Mestra Jardecilha em Alhandra/PB.


"Vamos Salvar a Jurema"
Ato Político em defesa dos Pés de Jurema da Mestra Jardecilha em Alhandra/PB. 

 A partir da atitude e chamado de João Paulino, neto carnal da Mestra Jardecilhapar (conheça a história da Mestra Juremeira neste link: http://qcmalunguinho.blogspot.com.br/2012/05/sos-mestra-jardecilha-allandrapb.html), nós do QCM - Quilombo Cultural Malunguinho, decidimos nos organizar em Pernambuco com o Povo da Jurema para ajudar nesta luta de todos nós. Querem destruir/matar os antigos Pés de Jurema (Cidades dos mestres) deste terreiro histórico e, já foram derrubados criminosamente 3. Não podemos deixar acontecer o que ocorreu com o ACAIS, que foi destruído de forma covarde por pessoas intolerantes. Temos que cuidar de nossos patrimônios materiais e imateriais, defender nossa história! Vamos lutar juntos neste encontro de ciência, fé e fumaça! Sobô Nirê! 

Informações e Roteiro (Ler com atenção): 

06h: Saída do Memorial Zumbi dos Palmares (Largo do Carmo do Recife).

08h: Celebração da missa na igrejinha do Acaes de nossa Senhora Menina.

09:30h: Toré de Jurema em volta da “cidade” (tumulo) do Mestre Flósculo, celebrando a memória dos nossos ancestrais e chamando a força da Jurema para esta luta.

12:00h: Almoço (por conta de cada um).

14:00h: Visita ao templo da Mestra Jardecilha. Ver os pés históricos de Jurema.

17:00h: Retorno a Recife.


É importante que os juremeiros e juremeiras que decidirem participar vão de roupa adequada ao culto à Jurema e levem seus instrumentos, "gaitas", fumos e firmações.

O valor de R$ 25, deve ser pago a organização do ato político até o dia 05 de junho. O dinheiro deve ser entregue em mãos. é importante dizer que este valor será para pagar o ônibus contratado para esta viagem interestadual.

São apenas 50 lugares no ônibus. Portanto, quem desejar ir deve nos enviar um email para quilombo.cultural.malunguinho@gmail.com com os dados: 

Nome Completo
RG
Nome do Terreiro que Participa
Fone

Será divulgado aqui a listagem das pessoas que vão. E da mesma forma também será dito quando encerrar as inscrições.

Dúvidas, entrar em contato com:

Alexandre L'Omi L'Odò - 81. 8887-1496 (Oi)
João Monteiro - 81. 9428-4898 (Claro)


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Querem deturpar as discussões sérias sobre a Jurema Sagrada

Preacas (arcos-e-flechas de guerra) de Caboclo na Jurema. Foto de Laila Santana.

  Querem deturpar as discussões sérias sobre a Jurema Sagrada

É claro que as discussões religiosas e políticas entorno da Jurema Sagrada são coisas recentes no campo do diálogo e autoconhecimento do povo de terreiro. Se muito, tem dez anos que este tipo de discussão vem sendo fomentada e levada pelo QCM - Quilombo Cultural Malunguinho, entidade que nos meados de 2004 iniciou um processo de fortalecimento destas temáticas a partir do personagem negro Malunguinho, que é uma divindade da Jurema Sagrada e também um herói negro/índio da história de Pernambuco. Neste tempo (2004), a entidade chamava-se ainda de Grupo de Estudos Malunguinho, que tinha como objetivo promover encontros entre a academia e do povo de terreiro para discutirem juntos temas da teologia, história, cultura, política e transcendência, entre outros temas, no espaço do Arquivo Público Estadual Jordão Emerenciano, o APEJE. Neste local repousam parte fundamental da documentação histórica de todo Estado de PE.

Hoje vemos disfarçada de discussão uma série de críticas destrutivas a este trabalho histórico do QCM. Coisas como, “Vocês querem ser os donos da Jurema”, “Vocês são o IMETRO da Jurema”, “Malunguinho pra baixar nos terreiros vai ter que pagar pedágio a vocês”, e mais um monte de absurdos que só explicitam o despreparo total e o nível de discussão de nosso povo em encarar temáticas e problematizações objetivas sobre religião e ética em nosso meio.

Recentemente, um caso chamou muito a atenção da mídia na internet, em especial no facebook, uma rede social virtual. Um de nossos irmãos da Jurema postou uma fotografia onde expunha um homem “manifestado” com a Mestra Paulina, vestido como mulher, sendo segurado por mais 3 homens. A princípio, sabemos que as práticas da Jurema dentro dos terreiros tem se transformado de forma bastante estranha e descaracterizada nos últimos anos. E também compreendemos que estas transformações são fruto da péssima formação dentro dos terreiros. O que impera hoje neste meio é o ego e a auto-lógica de fazer e recriar a religião de forma irresponsável, descompromissada com a ancestralidade e a história. Uma espécie de auto-recriação do mundo espiritual, mítico, místico e religioso...

Como quase não há mais pessoas antigas dispostas a ensinar, os mais jovens se sustentam na lógica de fazer a coisa por suas próprias mãos, ou por suas próprias lógicas psicológicas... E é óbvio que isso deturpa a tradição. Isso degenera o patrimônio imaterial que é a Jurema e também vulgariza uma prática ancestral de cura e de cosmovisão de mundo.

Dentro deste contexto, ao criticarmos na internet certos tipos de absurdos afro indígenas teológicos, somo nivelados a baixarias distintas por parte de pessoas que enxergam estas críticas provocativas nossas como algo ofensivo e destrutivo meramente. Não avaliam nem racionalizam o sentido de contribuir na tentativa de reconstrução da identidade perdida nem da lógica de irmanação que propomos com estas atitudes. Sempre empobrecem a temática dizendo assim: “Vão cuidar de suas casas”... Querendo dizer para não nos metermos na vida deles... Como se a religião fosse uma coisa particular de cada casa... E ainda se vitimizam, afirmando que os perseguimos, fazendo um jogo para esconder seus equívocos.

Esta lógica de individualização cosmológica é absurda e até criminosa. Como pode eu dizer que dentro de minha casa eu posso fazer o que quero com a Jurema, sendo a Jurema uma religião de todos e todas? Partindo destas observação, podemos abrir um precedente enorme de discussões intelectuais e religiosas sobre o tema.

Entendemos as limitações postas historicamente para todo povo indígena e negro neste país. Compreendemos onde estamos e com quem estamos, mas isso não pode ser considerado um elemento válido para pormos panos mornos nestas discussões. Não podemos ser omissos com o sério problema da ameaça de extinção que nossa religião está sofrendo. Temos que reagir.

Muitos afirmam: “Deixa isso pra lá, esse povo é tudo burro e ignorante”... Ou ainda dizem: “Vocês são doidos em falar certas coisas, se fosse eu ficava calado”. Não acreditamos nestas afirmações, sabemos que este povo tem saber e ciência, portanto, condições de crescer nas discussões e entendimentos sobre a própria religião. Para nós, o preocupante, assim como afirmou Martin Luther King é: “O que me (nos) preocupa não é o grito dos fortes e sim o silencio dos fracos”... E, é este silêncio que nos condena ao lugar dos fracos e oprimidos, atmosfera que não queremos nos inserir nem nos manter. Assim como revela o provérbio: “O silêncio é a virtude dos fracos”, podemos interpretar que o grande silencio que paira sobre este tema por parte de pessoas sérias da religião advém de sua condição de histórico-psicológica de inferioridade, descrença e despreocupação total com o futuro da religião. Isso sim nos estimula a tentar muito mais ainda trazer a Jurema para um espaço de discussão ampliado. Para tentar contribuir concretamente para salvá-la. Vamos tentar fazer isso em futuros (breves) projetos nossos que pretendem trazer todo este povo pela primeira vez para contribuir em um pensamento coletivo da nossa gente.

Chega de palavras presas, de dores engolidas a seco, de perdoar o erro dos amigos por pura falta de amor e respeito à Jurema. Temos que falar, respeitando claro, as pessoas. Sempre respeitamos.

Portanto, pedimos aos amigos e amigas que se unam entorno desta questão nossa. Vamos discutir, fomentar mais diálogos, ajudar as pessoas a compreender mais os nossos problemas e tentarmos juntos vencer estes absurdos que só nos expõem ao ridículo e ao infortúnio.

Enquanto uns dizem na internet que vão “colocar mais fotos de mestras travestidas e fechando”, temos que dizer que a Jurema é uma beleza desconhecida ainda por eles mesmos.

Salve a fumaça e vamos transcender este limite da ignorância! Abaixo a omissão.
"Vamos salvar a Jurema, que é de nossa obrigação"!
Sobô Nirê!


Alexandre L’Omi L’Odò.
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Palestra Joe Beasley



Palestra Joe Beasley 

Numa parceria entre a Fundação Joaquim Nabuco, o Consulado Norte-americano e a Faculdade Maurício de Nassau, será realizada no próximo dia 11/5/2012, no auditório Benicio Dias,  a palestra "Conectando os pontos, assegurando a verdadeira liberdade" para alem do século XXI  do lider ativista do Movimento dos Direitos Civis nos EUA, Senhor Joe Beasley. 
O norte-americano Joe Beasley, uma das lendas vivas do Movimento dos Direitos Civis nos EUA, nasceu nas plantações do estado da Georgia em 1936. Viveu em um mundo racialmente segregado. Atualmente é presidente da Fundação que tem seu nome e da African Ascension (Ascensão Africana): projeto criado por ele para construir uma rede relacionamentos entre descendentes africanos ao redor do mundo no sentido de fomentar iniciativas. É também Diretor Regional da Rainbow/PUSH Coalition: organização com fins sociais criada pelo também conhecido líder ativista dos Direitos Civis, reverendo Jesse Jackson. Já exerceu várias funções ao longo de sua vida, inclusive servindo a aeronáutica dos EUA durante 21 anos em missões em muitos países. No Brasil, foi um instrumento importante na formação da Universidade Zumbi dos Palmares em São Paulo. 

Contamos com sua presença!

Serviço:

Palestra com Joe Beasley
Local: Faculdade Mauricio de Nassau 
Data: 11/05/2012
15h
Grátis


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Lançamento do Resultado do Mapeamento dos Terreiros de Recife e Região Metropolitana - 07/05/2012


Lançamento do Resultado do Mapeamento dos Terreiros de Recife e Região Metropolitana - 07/05/2012

É com muita alegria, embora a demora, que acontecerá o lançamento oficial pelo MDS do livro Alimento: Direito Sagrado - Pesquisa Socioeconômico e Cultural de Povos e Comunidades Tradicionais de Terreiros. Este importante evento acontecerá na Universidade Católica de Pernambuco - UNICAP, Rua do Príncipe 610, no Bloco G, no auditório G1, no Centro do Recife. A publicação traz todo o resultado da pesquisa realizada em Recife e sua Região Metropolitana em 2010.

Foram mais de 1400 terreiros visitados pelos pesquisadores no período de três meses. 

Portanto, se faz fundamental a presença do Povo de Terreiro neste momento de celebração e reflexão sobre os resultados revelados no livro.

Ainda será entregue um CD com todos os terreiros e fotos mapeados.

Visitem o site e baixem o livro gratuitamente:

Site do Mapeamento:

Baixe aqui o livro: 


Serviço

O quê? - Lançamento oficial do Mapeamento dos Terreiros de Recife e RM
Quando? - Dia 07/05/2012
Que horas? Às 16h.
Local: UNICAP - Rua do Príncipe 610, no Bloco G, no auditório G1, no Centro do Recife.
Grátis. 


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

Quilombo Cultural Malunguinho

Quilombo Cultural Malunguinho
Entidade cultural da resistência negra pernambucana, luta e educação através da religião negra e indígena e da cultura afro-brasileira!