segunda-feira, 13 de outubro de 2008

III Kipupa Malunguinho, Coco na Mata do Catucá 2008


III Kipupa Malunguinho, Coco na Mata do Catucá.
Tradição, cultura, discussão e Religiosidade em matas fechadas!


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O Quilombo Cultural Malunguinho, convida para o III Kipupa Malunguinho, Coco na Mata do Catucá. Evento que leva para Matas fechadas do antigo Quilombo do Catucá (século XIX), o antigo Quilombo dos Malunguinhos, Palestras, Religiosidade da Jurema Sagrada e muito Coco de raiz, com os mestres e mestras de nossa cultura de tradição.

Informações gerais:

III Kipupa Malunguinho, Coco na Mata do Catucá.
Tradição, cultura, discussão e Religiosidade em matas fechadas!


Data: 26 de outubro de 2008
Local: Matas fechadas do Engenho Pitanga, Abreu e Lima – PE – Brasil
Horário: Saída as 7h da manhã.
Saída dos ônibus: Largo do Carmo, Avenida Dantas Barreto – Recife
Nascedouro de Peixinhos, AV. Brasília s/n, Peixinhos – Olinda
Contribuição: R$:10.00.

Programação: Palestra às 9h Tema: Acais, uma perspectiva de preservação da história da Jurema Sagrada do Brasil, a Jurema como Religião Primaz do Brasil.
Recital de Poesias Negras 10h45min.
Cerimônia religiosa (Gira de Jurema na mata, com sacerdotisas e sacerdotes, e índios ) 11h30min.
Descida de mata à dentro: Coco com os mestres e mestras: Mestre Galo Preto (www.myspace.com/mestregalopreto), Dona Elisa do Coco, Índios de Jatobá (Sertão de PE) e sacerdotes e sacerdotisas da Jurema Sagrada. 12h30min.
Volta do coco e alimentação (continuação do coco no sítio).
Retorno 17h.

Trajes: Mulheres: Saia Cumprida (colorida ou branca) e blusa a gosto (em cores claras ou colorida).
Homens: Calça cumprida e camisa (coloridas ou brancas), chapéu se possível.

*Na ocasião estaremos realizando a filmagem do documentário sobre Malunguinho, e algumas pessoas podem ser solicitadas a dar entrevista.

O traje na cor preta não será aceito.


Leve seu pandeiro e seu axé!
Juremeiros levar suas “Gaitas".
Tod@s podem Participar!

**Alimentação por conta do evento (comida típica da Jurema de Malunguinho).
*Leve sua água e seu lanche.

O *Kipupa Malunguinho, tradição criada em 2006 pelo Quilombo Cultural Malunguinho, com intenção de celebrar a memória do líder quilombola Malunguinho (em especial o João Batista, morto em 18 de setembro de 1835) em terras e matas de seu antigo quilombo O Catucá. Trazendo a representatividade das tradições culturais negras e indígenas brasileiras, o evento compõe uma experiência de troca de saberes e de contato com a sociedade e a religiosidade da Jurema Sagrada e o coco, com diversos artistas e mestres a realizarem o maior evento em matas fechadas do Brasil.

*(a palavra Kipupa, vem do tronco lingüístico do Kimbundo, uma das principais línguas faladas em Angola-África, e significa “agregação”, “união”, “coesão”, “encontro” de pessoas em prol de algum objetivo, que no nosso caso é a união e agregação de sacerdotes, artistas, acadêmicos, representantes políticos, estudantes e interessados para celebração e vivência, na memória, tradição e reflexão do papel do negro/índio na história e construção do país, reverenciando sempre a ancestralidade nossa).



Contatos e Produção: Alexandre L’Omi L’Odò e João Monteiro
Informações: + 55 81 8887.1496/ 9428.4898

Incrições: quilombo.cultural.malunguinho@gmail.com
Blog: qcmalunguinho.blogspot.com

(enviar: nome completo, RG, entidade (terreiro) e contatos).
Vagas limitadas!

domingo, 31 de agosto de 2008

NOVA VIDA AO NOSSO MESTRE SAUSTIANO. AXÊXÊ DA CULTURA PERNAMBUCANA!


O RECOMEÇO É ALGO SURPREENDENTE. AGORA MEU MESTRE, E, MESTRE DE TANTOS TERÁ QUE APRENDER E ENSINAR NA NOVA VIDA, NO MUNDO DA VERDADE!

MESTRE SALUSTIANO É A ALMA DE UMA IDENTIDADE CULTURAL, INDISCUTIVELMENTE INSUBSTITUÍVEL E INDELÉVEL DA MEMÓRIA COLETIVA E DA VIVENCIA ARTÍSTICA CRIATIVA E DINÂMICA DO POVO PERNAMBUCANO.

POVO ESTE QUE DA MESMA FORMA QUANDO PENSA EM PERCUSSÃO VÊ NANÁ VASCONCELOS COMO ÚNICA IMAGEM ASSOCIADA, VERÃO PRA SEMPRE E DIRETAMENTE A IMAGEM DO GRANDE MESTRE SALUSTIANO QUANDO FALAREM, PENSAREM, SONHAREM E ATÉ INFLAMAREM OS PEITOS COM O PATRIOTISMO AO CITAREM A CULTURA BRASILEIRA COMO ESTIGMA SANGUÍNEO NOSSO.

NA FORMA VERDADEIRA DA CULTURA QUE O BRASIL TEM, NA VERDADEIRA FORMA DE ARTE, NA VERDADEIRA FORMA DE VIVER ARTE E TRANSPIRAR CULTURA NORDESTINA, SEMPRE SERÁ LEMBRADO MEU PROFESSOR DOS ANOS 98 E 99 NAS ESCOLAS DE PEIXINHOS, MEU BAIRRO, A ENSINAR VIDA E DIGNIDADE, RABECA E O QUE É VERDADEIRAMENTE NOSSO PATRIMÔNIO E CULTURA.

AGRADEÇO A ELE E A EXISTÊNCIA A POSSIBILIDADE DE SER CONTEMPORÂNEO DE UM TEMPO QUE NOSSO ESTADO SE VIU NO TOQUE MOURO, CATIMBOZEIRO E RURAL DE SUA RABECA ENCANTADA.!

E NA NOSSA RELIGIÃO NEGRA, NO MEU XANGÔ, NO JEJE PERNAMBUCANO SAUDAMOS ASSIM OS NOSSOS ANCESTRAIS ILUSTRES QUE RENASCEM PARA UMA NOVA VIDA:

ÌYÁ MI ÁSÈSÈ! (MINHA MÃE É MINHA ORIGEM!)

BABA MI, ASÈSÈ! (MEU PAI É MINHA ORIGEM!)

OLÓRUN UM MI ÁSÉSÈ O O! (OLORUN É MINHA ORIGEM!)

KI NTOO BÒ ÒRÌSÀ À È. (CONSEQÜENTEMENTE, ADORAREI MINHAS ORIGENS ANTES DE QUALQUER OUTRO ORIXÁ.)

GBOGBO ÁSÉSÈ TINU ARA. (TODOS ÁSÈSÈ NO INTERIOR DE NOSSO CORPO...)

IBÁ MOJUBÁ MESTRE SALUSTIANO, A ORIGEM DE UMA NOVA ERA PARA A CULTURA PERNAMBUCANA. SALVE A NOVA VIDA.

LEMBRO AINDA UMA ANTIGA COMPOSIÇÃO MUSICAL MINHA DO ANO DE 1993:
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NO TRONCO DO JUREMÁ
MESTRE SALÚ SE BAIXOU,
TOCANDO A SUA RABECA A TODOS ELE ENCANTOU
MARCANDO COM BRAÇO FORTE O SEU MARACATÚ,
ACORDOU POESIA
VIVA A MESTRE SALÚ! (...)
(EM RÍTMO DE BAQUE SOLTO...)
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ALEXANDRE L'OMI L'ODò.
ETERNAS SAUDADES E REVERÊNCIAS...

ALEXANDRELOMILODO@HOTMAIL.COM

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

O SILÊNCIO DOS MESTRES. Sobre a destruição de um patrimônio em Alhandra

A História

Até meados do século XVII, toda história da Paraíba ocorreu ao sul da sua zona litorânea. Essa é, sobretudo, a história dos índios que lá habitavam e do contato destes com os colonizadores. Alhandra, antiga aldeia Arataguy, esteve diretamente ligada a esta história, tendo se tornado, em 1758, a primeira vila da capitania. Ao norte do referido município, está localizada a propriedade do Acais. Trata-se de uma das duas propriedades que pertenceram a tradicional família do último regente indígena do litoral sul da Paraíba, Inácio Gonçalves de Barros, pai da prestigiosa mestra Maria do Acais, falecida em 1937.

Contudo, quase um século após ter sido elevada à categoria de vila, Alhandra se manteve como aldeia indígena, como mostram documentos e diversos relatos da época, a exemplo do registro feito por Henry Koster¹, que por lá passou na primeira metade do séc. XIX. Os aldeamentos na região foram considerados oficialmente extintos em 1862. Trinta anos depois, contrariando os dados oficiais que proclamavam o desaparecimento dos índios, Joffily², em 1892, registrou a predominância do que chamou de “typo indígena puro”, que na Paraíba só seria encontrado na Bahia da Traição e em Alhandra.

O passado indígena, ao longo da história, foi perdendo suas referências. Parte desta memória, no entanto, foi mantida através do culto da jurema, fenômeno religioso, cuja complexidade vem desafiando historiadores e antropólogos. Para a comunidade de juremeiros de Pernambuco e Paraíba, Alhandra tem sido considerada o berço desta tradição. A propriedade do Acais, onde viveram os mestres descendentes do último regente dos índios da região, é considerada o símbolo maior do culto. Lócus de importantes estudos sobre o tema, a fazenda e seus moradores foram descritos, direta ou indiretamente, por nomes como Gonçalves Fernandes³, Roger Bastide[4], Arthur Ramos (5), além de pesquisadores mais recentes, como Vandezande (6), na década 1970, e Salles (7) nos ultimos anos.

O Lugar

O Acais é visitado freqüentemente por pesquisadores e religiosos, vindos de diversas partes do Brasil e até de outros países. A fazenda está localizada ao oeste de Alhandra, as margens da antiga estrada João Pessoa/Recife. Possui uma casa grande, um coreto e, na parte mais alta da fazenda, a capela de São João Batista. Por trás da capela, encontra-se uma escultura de um tronco de jurema, feita em concreto, na década de 1950, sobre o túmulo do mestre Flósculo, filho de Maria do Acais. Por trás da casa grande, vê-se uma das “cidades” da jurema mais antigas (consiste em um ou mais pés de jurema, considerados moradias dos antigos mestres), com aproximadamente um século de existência. No local, encontram-se raízes de antigas juremas, que são mantidas junto aos novos arbustos.

O silêncio

Nos últimos anos, após ficar desabitado, o Acais necessitou de reformas urgentes, tendo o coreto e parte da casa grande em ruínas. Com o falecimento da última proprietária, Maria das Dores, neta de Maria do Acais, os problemas aumentaram. A situação mobilizou pesquisadores, moradores da região e diversas entidades religiosas de João Pessoa e Recife (inclusive um deputado do PT de Pernambuco, que esteve na área acompanhado de vários juremeiros) empenhados na reforma e manutenção da propriedade. Neste mês de agosto, quando se revelou o novo proprietário da fazenda, com exceção da capela e o túmulo do mestre Flósculo, que estão localizados no lado oposto do resto da fazenda, separados pela estrada, o que restou da propriedade foi destruído, juntamente com os pés de jurema (as “cidades”) que lá existiam. O cenário é de devastação e indignação.

Outras Palavras

É possível reerguer a casa e o coreto a partir dos alicerces e parte do piso que foram mantidos, até mesmo reutilizando parte do material retirado das suas próprias ruínas (vale salientar que este pouco que restou deve-se à intervenção de pessoas de João Pessoa e Recife, que para lá se deslocaram assim que foram informados da destruição). Os pés de jurema e as raízes seculares estão sob os escombros de outras plantas, inclusive uma enorme mangueira, ambas derrubadas na mesma ocasião. Normalmente, ao lado dos antigos pés de jurema que compõem as cidades, e que com o tempo morrem, novos são plantados, garantindo, deste modo, a continuidade destes santuários. É possível, portanto, reconstruir, com a ajuda dos mestres locais, o santuário que lá existia. Uma vez recuperada a fazenda, ela deve finalmente receber os cuidados próprios de um patrimônio: placas informativas, segurança, manutenção, enfim, ser inserida em um projeto e uma discussão ampla, que inclua diversos setores da comunidade local, seus legítimos representantes, e que contribua com a implementação de uma educação patrimonial na região. Mas temos que agir rápido. Caso contrário, o Acais terá o mesmo destino de outros lugares considerados sagrados para os juremeiros de Alhandra, que, sob a omissão do Estado, desapareceram para dar lugar ao plantio da cana e outras lavouras.

Referências Bibliográficas
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¹ KOSTER, Henry. Viagens ao Nordeste do Brasil. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1942.
² JOFFILY, Irenêo. Notas sobre a Parahyba. Rio de Janeiro: Tipografia do Jornal do Comércio, 1892.
³ FERNANDES, A. Gonsalves. O Folclore Mágico do Nordeste. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1938.
4 BASTIDE, Roger. Imagens do Nordeste Místico em Branco e Preto. Rio de Janeiro: Edições O Cruzeiro, 1945.
5 RAMOS, Artur. o Negro Brasileiro. Recife: Editora Massangana, 1988.
6 VANDESANDE, René. Catimbó. Dissertação apresentada ao P.I.M.E.S. do I.F.C.H da Universidade Federal de Pernambuco. Recife, 1975.
7 SALLES, Sandro Guimarãe de. À Sombra da Jurema: a tradição dos mestres juremeiros na Umbanda de Alhandra. AntHropológicas. Vol. 15 (1), p. 99-121, Ed. da UFPE, 2004.

Sandro Guimarães de Salles PPGA/UFPE























engajados na resolução deste equivoco sinistro histórico, junte-se a esta luta, salve a Jurema e sua História.
Quilombo Cultural Malunguinho, 173 anos Resistindo!


alexandrelomilodo@hotmail.com

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Pastor que converteu criminoso é acusado de preconceito religioso contra o candomblé




Um pastor da Igreja Evangélica Assembléia de Deus Trabalhadores da Última Hora fez o que o governo, apesar de toda a carga de impostos que cobra, não faz: reabilitar um criminoso. O Pr. Isaías da Silva Andrade recebeu em sua igreja Rodrigo Carvalho Cruz, conhecido como "Tico", acusado como autor de roubo e a morte do turista italiano George Morassi, em novembro de 2007. Ali, Tico recebeu o Evangelho e aceitou Jesus.


Em seguida, o pastor aconselhou o criminoso arrependido a se entregar para a polícia. Lá chegando, porém, o próprio pastor caiu vítima de acusações criminais - por causa das tendências politicamente corretas. Ele foi denunciado pelo MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) por prática de preconceito religioso contra as entidades do candomblé.


A denúncia, encaminhada para o juiz Flávio Marcelo Fernandes, da 37ª Vara Criminal da Comarca da capital, é de autoria da promotora Márcia Teixeira Velasco.
Citando a reportagem "Ladrão se entrega com Bíblia na mão" do jornal 'Meia Hora' (edição de 27 de novembro de 2007), a denúncia do MP-RJ diz que o pastor Isaías da Silva Andrade "praticou, de forma livre e consciente, discriminação ou preconceito de religião". Ao fazer uma declaração sobre Tico, o pastor disse:
"Ele estava possuído por uma legião de demônios, como o Exu Caveira e o Zé Pilintra. Fizemos uma libertação nele e o convencemos a se entregar hoje".
O pastor disse isso nas dependências da DC-Polinter, onde acompanhava a apresentação de Tico à polícia.


Na opinião da promotora, o candomblé e seus praticantes "foram atingidos diretamente com a declaração racista e discriminatória, eis que o denunciado vilipendiou entidades espirituais da matriz africana, com a espúria finalidade de proteção de autor de nefasto crime".
O processo foi auxiliado por Leonardo Chaves, subprocurador Geral de Justiça de Direitos humanos.


O caso, que está sendo acompanhado pela Comissão de Combate à Intolerância Religiosa, é o primeiro onde um pastor é denunciado criminalmente por discriminar religiões afro-brasileiras como o candomblé. Se condenado, o pastor pode pegar de dois a cinco anos de detenção.


Nós, povos das religiões de matrizes africanas e indígenas temos que estarmos muito vigilantes, pois a intolerância é nosso grande desafio a vencer.

Salve a Justiça de Malunguinho e de Xangô. Cadeia nos criminosos e em quem nos vilipendia por política de degeneração e dinheiro.

O que você acha do ocorrido?



quarta-feira, 30 de julho de 2008

Malunguinho, primeira Divindade Negra Espiritual a ter uma lei estadual!

Sabemos e é claro que Pernambuco em sua história, tem uma dívida gigantesca com todo povo negro e afro descendente, além dos indígenas que hoje ainda sofrem com as percas de suas terras.

Mas é bom saber, que um guerreiro do passado (especialmente do século XIX), vem tomando por lei os seus direitos de ter sua história reconhecida pelo mesmo Estado que o assassinou, e também uma reparação a todos de seu Quilombo, os Quilombolas de Malunguinho, os Quilombolas da nossa Mata Norte dos meados do XIX, século de revoluções e transformações nacionais.

Hoje onde eram terras de resistência, de lutas por liberdade e por terras, existe um longo e calamitoso caos social, e o rio que foi também morto por este processo de exclusão das classes que construíram este país também grita por salvação e direitos de viver (a este oxum já está providenciando a devida reparação).

E hoje já podemos visualizar um futuro mais digno para toda esta história que em outroras foi fonte de história e orgulho para todos nós hoje.

O trabalho do Quilombo Cultural Malunguinho, vem despertando e cobrando a atenção do estado de Pernambuco para esta reparação histórica e também a este resgate da dignidade destas terras e rio que se estendem das margens do Rio Beberibe entre Olinda e Recife e se estende até o município de Goiana, sendo 12 municípios atravessados nesta larga dominação dos Quilombos do Líder Malunguinho até o seu simbólico fim territorial.

Um das grandes vitórias já alcançadas pelo Quilombo Cultural Malunguinho e outros movimentos em especial os terreiros de Jurema e Xangô (candomblé) de Pernambuco, foi a aprovação pela Assembléia Legislativa do Estado da lei 13.298/07 a lei da Vivencia e da Prática da Cultura Afro Pernambucana, proposta por nós destes movimentos e apresentada pelo Dep. Estadual Isaltina Nascimento.

E só Malunguinho mesmo, em sua personalidade divina de Exú para fazer esta lei ser aprovada em uma assembléia que sabemos que tem um número altíssimo de evangélicos que a todos os dias discriminam e votam contra projetos que possam beneficiar o povo de Terreiro ou os povos étnicos e afro descendentes.

Foi Ele mesmo que o fez. A lei foi aprovada e apresento por intero, e é como um recado da nossa Jurema Sagrada, que em seu bojo quer dizer o seguinte: Acredite, pois mesmo com todos contra nós a força da espiritualidade que é nossa parceira concretiza os nossos sonhos se eles tiverem mérito!


LEI Nº 13.298, DE 21 DE SETEMBRO DE 2007.
Ementa:
Institui no calendário oficial do Estado de Pernambuco a Semana Estadual da Vivência e Prática da Cultura Afro-Pernambucana.

O PRESIDENTE DA ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE PERNAMBUCO:
Faço saber que tendo em vista o disposto nos §§ 6º e 8º do artigo 23, da Constituição do Estado, o Poder Legislativo decreta e eu promulgo a seguinte Lei:
Art. 1º Fica instituída a semana do dia 18 de setembro como a Semana Estadual da Vivência e Prática da Cultura Afro-Pernambucana, como reconhecimento do resgate histórico do líder quilombola Malunguinho, morto em combate em 18 de setembro de 1835.
Art. 2º As comemorações da Semana Estadual da Vivência e Prática da Cultura Afro-Pernambucana, ocorrerão no período de 12 a 18 de setembro.
Art. 3º A Semana Estadual da Vivência e Prática da Cultura Afro-Pernambucana poderá ser comemorada através da realização de atividades sobre a História da África e História Afro-Brasileira; Cultura de resistência do povo negro no Brasil; História das religiões de matriz africanas; História dos Quilombos no Brasil e em Pernambuco; Relações de Gênero e Transgêneros; discriminação e preconceito racial.
Art. 4º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Art. 5º Revogam-se as disposições em contrário.
Assembléia Legislativa do Estado de Pernambuco,
em 21 de setembro de 2007.
GUILHERME UCHÔA
Presidente
O PROJETO QUE ORIGINOU ESTA LEI É DE AUTORIA DO DEPUTADO ISALTINO NASCIMENTO COM O QUILOMBO CULTURAL MALUNGUINHO E OS MOVIMENTOS ARTICULADOS
REPUBLICADO

QUILOMBO CULTURALMALUNGUINHO HISTÓRICO E DIVINO, 173 ANOS RESISTINDO!QUILOMBO.CULTURAL.MALUNGUINHO@GMAIL.COM
A COMEMORAÇÃO DE TODO POVO DE TERREIRO E DAS CULTURAS TRADICIONAIS DE PERNAMBUCANO FOI COM A TRADICIONAL FUMAÇA SAGRADA DA JUREMA E MUITA MAZURCA PARA MALUNGUINHO!



SALVE MALUNGUINHO NA JUREMA E NA HISTÓRIA DE PERNAMBUCO!

Alexandre L'Omi L'Odò.

alexandrelomilodo@hotmail.com

domingo, 20 de julho de 2008

Malunguinho, Negro Guerreiro/Divino de Pernambuco

A liberdade e a terra eram o sonho dos Malunguinhos. No século XIX, parte das terras localizadas em Olinda eram improdutivas, fator que desencadeou a luta pelo desenvolvimento agrário. Unidos pelos mesmos ideais, grupos de resistência como os canoeiros que transportavam água limpa para o centro da província se uniram a negros, índios e inúmeros refugiados. O quilombo sempre foi um local de agregação e tolerância, recebendo pessoas das mais diversas crenças e etnias.

Pernambuco no século XIX viveu vários movimentos políticos. Da Revolução de Goiana, a Junta de Beberibe (1821), a Rebelião dos Romas (1829) e outros movimentos de libertação.
Um dos movimentos de maior representatividade foi o dos negros do Quilombo de Malunguinho, quilombo "urbano ou semi-urbano", localizado nas terras conhecidas atualmente, como Engenho Utinga no município de Abreu e Lima, liderava outros quilombos da Mata Norte, tornando-se o principal centro estratégico de resistência. Entre os anos de 1814 a 1837, implementaram varias ações contra o poder local constituído, naquele momento fragilizado pelos conflitos internos pelo poder e soberania.

Os Malunguinhos desenvolveram técnicas de guerrilha, conhecidas até hoje, como os estrepes, espécie de lança, feita em madeira bem afiada, que enterradas em buracos escondidos na mata, continham os invasores dos quilombos, desenvolviam e organizavam ações de colaboração mutua com outros quilombos.

Enfrentado inúmeras adversidades, superioridade bélica e política dos colonizadores e do poder local, que protagonizam sangrentas batalhas contra os refugiados, estes homens e mulheres lutaram com dignidade para desenvolver a vida social e econômica negra da época.

Malunguinho Histórico - Malunguinho é o título dado aos líderes quilombolas pernambucanos que no século XIX fizeram ferver a capital na luta por seus direitos. O último Malunguinho que se tem registro é o João Batista, um dos maiores lideres da historia do quilombo, assassinado em emboscada cruel na cidade de Igarassú, chamada ainda na época de Maricotinha, ficando sua morte como marco crucial para a destruição total do Catucá em 18 setembro 1835.

Os relatos da existência dos quilombos do Catucá estão ainda hoje no Arquivo público estadual de Pernambuco, em manuscritos, jornais da época, documentos de terras, mapas e relatórios da polícia provinciana documentos de todo o século XIX.
Malunguinho Divino - “Ele é preto, ele é bem pretinho, salve a coroa do Rei Malunguinho!”, esse cântico ainda soa nos terreiros de jurema nas localidades do Catucá. Vivo no imaginário religioso do nordeste, em especial no culto da Jurema Sagrada de Pernambuco, ele, ou eles, são conhecidos como Caboclo, Mestre e Exu.

O espaço do Catucá ainda é de Malunguinho, por existirem muitos cultos de Jurema nas localidades do quilombo, ele é conhecido até hoje como o Rei das Matas. É uma importante divindade neste culto, pois sua presença marca a abertura dos caminhos e a defesa da casa. Malunguinho ora estava em Olinda, ora era visto em Goiana, sendo estes aspectos difíceis de se entender, e justificados pela relação do Catucá com os segredos da fé negra e indígena. Assumindo o papel do mensageiro entre os mundos e o guardião, que continua até hoje na luta por liberdade, pois esta condição mesmo após morte é um eterno vir a ser, agregando novos Malungos para sua eterna guerra por direitos iguais para todos.

Alexandre L'Omi L'Odò
Salve Malunguinho
Bibliografia: Carvalho, Marcus J. M. de.
Liberdade: rotinas e rupturas do escravismo. Recife, 1822 - 1850
*Acista a este vídeo referente a Malunguinho:
João Monteiro e L'Omi L'Odò no Sopa Diário discutindo sobre o tema na tv.










Quilombo Cultural Malunguinho

Quilombo Cultural Malunguinho
Entidade cultural da resistência negra pernambucana, luta e educação através da religião negra e indígena e da cultura afro-brasileira!