domingo, 26 de junho de 2011

O coco irresistível de Galo Preto - Matéria do jornal Diário de Pernambuco 24 de junho de 2011.

 
 Galo Preto faz show após sessão do filme

O coco irresistível de Galo Preto
 Documentário de Wilson Freire sobre o menestrel é exibido hoje, no Nascedouro de Peixinhos

Anna Cavalcanti – Especial para o Diário
Fotos: Alexandre L’Omi/Divulgação.

O documentário Galo Preto, o menestrel do coco, dirigido pelo cineasta e roteirista Wilson Freire, ganha exibição especial nesta sexta-feira, às 19h, dentro da programação de São João da Refinaria Multicultural de Peixinhos. O filme aborda de maneira surpreendente e cativante a história e o trabalho de Tomaz Aquino Leão Cavalcanti, popularmente conhecido como Galo Preto.

O artista, que é um verdadeiro patrimônio vivo da cultura brasileira, unindo os títulos de cantador, coquista, repentista, embolador, músico, compositor, percussionista e jazz man..., dará seu show após o filme.

O documentário passa por todas as etapas da vida de mestre, desde seu nascimento em 1935, no hoje conhecido Quilombo de Santa Isabel, no município de Bom Conselho de Papa Caças, até a retomada da carreira. Inclui ainda o longo período em que passou afastado dos palcos.

Com depoimentos de amigos e pessoas importantes ligadas ao artista, a narrativa prende, emociona, diverte e embala com suas canções. Revela a admiração e o respeito devotados a Galo, como artista e como pessoa.


“Ele não é um cantor de coco. Ele é um mestre coquista”, é dessa forma que Alexandre L’Omi L’Odò se refere a Galo Preto. A diferença entre as duas denominações é que cantor de coco, escreve, decora e canta, mas Galo Preto não, ele é autêntico improvisador, seus temas são selecionados na hora, frequentemente sugeridos pela platéia, e, a partir daí, surgem letras rápidas e bem elaboradas.

O filme, que tem 46 minutos de duração, levou três anos para ser totalmente concluído. Surgiu dos esforços do diretor Wilson Freire e do produtor Alexandre L’Omi L’Odò em eternizar e destacar a história do Mestre Galo Preto e, conseqüentemente, a história e o legado do próprio coco. L’Odò ainda pretende lançar um livro sobre a vida do artista, porém ainda não há previsão de lançamento.

O local da estréia, o Nascedouro de Peixinhos foi escolhido pelo fato do mestre ter sido um dos fundadores da área por volta da década de 1950. Como resposta a essa ligação, o público espera ansioso o tão aguardado documentário.

Galo Preto também está bastante empolgado com o resultado do DVD. Sempre bem humorado, o coquista improvisa na hora uma embolada, fazendo graça com a situação: “Fizeram um documentário com o Mestre Galo Preto/ o que foi dito e aceito sem ter contradição/ daqui o que é claro e o que tenho feito/ é tratar com tal respeito a cultura nordestina/ por isso que não se subestima a ida do povo ao Nascedouro/ vai ser conveniente cabra cantar o repente/ com versos que são um estouro!”.

No palco também haverá apresentações dos grupos O Coco e a Resposta, Coco de Mazurca e o Coco Raízes de Arcoverde, todos farão homenagens ao coquista. O DVD Galo Preto, o menestrel do coco será vendido por R$ 20.

Aos 75 anos e no momento se apresentando com o grupo O Tronco da Jurema, o mestre pernambucano continua cheio de disposição e criatividade, provas de que ainda há muita estrada pela frente; a cultura agradece... Então, vida longa ao mestre!
  
O que eu tenho feito é tratar com respeito a cultura nordestina
Galo Preto, mestre coquista que se apresenta hoje em Peixinhos.

 Diário de Pernambuco – Recife, sexta-feira, 24 de junho de 2011. E8 – VIVER.

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Publico aqui matéria feita por Anna Cavalcanti, que com suas palavras e pesquisa, descreveu o mestre e seu trabalho com muita atenção e respeito. Adoramos a matéra. Como o link na internet, no site do Diário só est acessível para acinantes do Jornal, decidi colocar aqui o texto integral. Agradecemos também à André Dib, por ter dado atenção às minhas insistências em solicitar uma cobertura a este evento de cinema pernambucano. Axé e salve a nossa fumaça sagrada da Jurema. O evento foi lindo e com um grande público participante.

 
Capturas de tela do site www.diariodepernambuco.com.br, do dia 24 de junho de 2011 - Caderno VIVER. 

Alexandre L'Omi L'Odò
Produtor 
alexandrelomilodo@gmail.com

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Lançamento e exibição do Filme "Galo Preto, O Menestrel do Coco"


Gente, publico aqui o cartaz oficial de nossa festa. Contamos com a presença de todas e todas! Simbora pisar o coco de raiz, Peixinhos espera todo mundo com paz e alegria. Axé e salve a fumaça da Jurema Sagrada, salve Xangô!

Programação

19h - Lançamento e exibição do Filme "Galo Preto, O Menestrel Do Coco".
20h - Coco de Mazurca
21h - Coco Raízes de Arcoverde
22h - Mestre Galo Preto
23h - Coco e a Resposta 

Veja o Trailer do filme:



Alexandre L'Omi L'Odò.
Produção.
81. 8887-1496
alexandrelomilodo@gmail.com

sexta-feira, 17 de junho de 2011

"Galo Preto, O Menestrel Do Coco" - Release Oficial do Filme


Release do Filme/Documentário
“Galo Preto, O Menestrel do Coco”.

Nascido em 1935, no hoje reconhecido Quilombo de Rainha Isabel no município de Bom Conselho de Papa Caças, agreste meridional de Pernambuco, cresceu o menino Galo Preto, que herdou de sua família toda tradição do coco sertanejo e brejeiro,  também  da  poesia  de  repente  e  embolada.  Típico cantador de coco, resguarda  em  si  o  traço  genético  da  percussão  e  da  criatividade  virtuosa do repente, além da história dos seus antepassados, cantadores tradicionais.   

O filme/documentário, “Galo Preto, o Menestrel do Coco”, 46’min., do cineasta e roteirista  Wilson  Freire,  conta  a  história  do  senhor  Tomaz  Aquino  Leão, Mestre Galo Preto, que é o último representante vivo e ativo da tradição do coco do  Quilombo  de  Rainha  Isabel  e  da  tradição  de  sua  família.  Com  roteiro  e pesquisa  surpreendentes,  cheio  de  surpresas  e  informações  preciosas,  que remontam  à  história  do  ritmo  musical  conhecido  como  coco  e  da  música popular  no  país,  trazendo  à  luz,  personagens  incríveis  de  seu  convívio, este documento  audiovisual  torna-se  uma  peça  indispensável  para  o  avanço  do reconhecimento dos grandes mestres negros e  índios das culturas  tradicionais. Além de ser um elemento que garante a preservação da memória deste singular artista que fez do coco e da embolada, enfim, da música, sua vida. Aos 75 anos de  idade,  o Mestre Galo  Preto,  continua  ativo  e  criativo,  dando  à  cultura que pertence, a perspectiva de  continuidade e, é acima de  tudo, um patrimônio de todos os brasileiros, merecendo este reconhecimento.  

O filme, ainda, revela segredos guardados há décadas e remonta uma linha do tempo  do  negro  na  mídia  nacional,  sobretudo  na  resistência  do  coco, como elemento  de  auto-estima  e  referência  da  música  pernambucana  para a construção de novos  rumos no mercado musical das décadas de  1960  a  1990.
Este registro nos traz informações valiosas de pesquisa e das relações artísticas culturais entre os pernambucanos.

O Mestre Galo Preto aceitou  realizar este  filme para garantir a  salvaguarda de sua história e tradição, que como missão de vida, pretende deixar para os mais novos,  para  que  nunca  morra  esta  cultura  que  ele  mesmo  diz  ser “negra/indígena e pernambucana de seus ancestrais”.

Registrar, em audiovisual, parte desta história e oralidade é contribuir para que essa  memória  se  mantenha  viva  e  dinâmica,  que  ela  possa  dar  luz  a  novos pensamentos, que ela possa contribuir para a perpetuação do coco.

Lançamento Oficial: 24 de Junho de 2011 – Nascedouro de Peixinhos às 19h.
 Informações: 55 81 8887-1496 / alexandrelomilodo@gmail.com 
 Valor para compra: R$: 20


Ficha técnica do Filme/Documentário “Galo Preto, O
Menestrel do Coco”.

Roteiro e Direção: Wilson Freire
Pesquisa, produção e pós-produção: Alexandre L’Omi L’Odò
Produção: Fernando Lucas
Produção Executiva: Hamilton Costa Filho
Fotografia: Hamilton Costa Filho, Marcelo Pedroso, Mariano Pickman,
Mariano Maestre, Daniel Aragão e Léo
Assistentes: Andrenalina, Rafael Cabral e Pá
Som Direto: Rafael Travassos, Philipe Cabeça e Nicolau
Edição e Montagem: Alessandra Patrícia e Herivelton Santos
Finalização: Pingo
Realização: Cabra Quente Filmes, Bode Espiatório Filmes e Quilombo Cultural
Malunguinho.
Apoio: Candeeiro Filmes, Alexandre L’Omi L’Odò Produções e TRANSCOL.

Prefeitura da Cidade do Recife: Um projeto aprovado pelo SIC (Sistema de
Incentivo à Cultura) do Recife 2008.

Fotos: Roberta Guimarães.

 
Alexandre L'Omi L'Odò
Produção.
alexandrelomilodo@gmail.com

I Seminário Nacional Religiões Afro-Brasileiras e Tecnologias em Saúde - Em Rondônia



I Seminário Nacional Religiões Afro-Brasileiras e Tecnologias em Saúde
 
A Associação Centro de Cultura Negra e Religiosidade Afro Amazônica e Rede Nacional de Religiões Afro-brasileira e Saúde convidam aos que tiverem interessados em participar do  I Seminário Nacional Religiões Afro-Brasileiras e Tecnologias em Saúde que acontecerá nas dependências do Hotel Rondon na Cidade de Porto Velho Rondônia que as inscrições estão abertas e que enviem suas fichas de inscrição para o e-mail: admsilvestre@yahoo.com.br.
Obs: As inscrições são limitadas
 
I Seminário Nacional Religiões Afro-Brasileiras e Tecnologias em Saúde: Programação:
Dia 14 de julho de 2011
16h - presente para as deusas das águas
19h - Abertura do seminário
20h – Lançamento da Cartilha: Os terreiros enquanto espaço de promoção da saúde -  folhas que curam
20:30h – Coquetel e apresentação cultural
 
Dia 15 de julho de 2011
09h – Conversa Afiada:  XIV Conferência Nacional de Saúde: acesso e acolhimento com qualidade, um desafio para o SUS
Jurema Werneck
Arnaldo Marcolino
Denise Reinhart
Coordenador: José Marmo da Silva
 
11h - Painel 1: Tecnologias em saúde e o saber da tradição afro-brasileira:  desafios e perspectivas
Palestrantes: Makota Valdina
Robson Rogério Cruz
Coordenação: Mãe Nilce de Oyá
 
12:30h -  Almoço
 
14h – Salas de Conversa
Sala 1 -  Tratamento com células tronco
Sala 2 -  Aborto e direitos reprodutivos 
Sala 3 –Corpo e sexualidades: transexuais e transgêneros
Sala 4 – Transplantes
Sala 5 – Biotecnologia
 
16:30h – Resumo das Salas de Conversa
 
Dia 16 de junho de 2011
09h -  Implicações sociais e éticas das novas tecnologias em saúde
Palestrantes: Ministério da Saúde
Volnei Garrafa
Jurema Werneck
 
12:30h -  Almoço
 
14h – Comunicação: Utilização da propriedade intelectual no campo da saúde
Expositora: Renata Reis – REBRIP e ABIA
 
15:30h – Os terreiros como espaço de controle social das terapias e tecnologias em saúde
Expositores: Pai Celso de Oxaguian
Ekédi Lucia Xavier
 
17:00h – Encerramento
 
Dia 17 de julho de 2011
Encontro dos Orixás 
O QUE ME PREOCUPA, NÃO SÃO OS GRITOS DOS INOCENTES. MAS O SILÊNCIO DOS PODEROSOS.

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Gente, com uma programação tão instigadora dessas, me dá até dó de não poder me fazer presente nas discussões deste seminário. Espero que os organizadores possam nos disponibilizar os relatórios de todas as discussões. O povo de terreiro precisa muito discutir questões como Aborto e direitos reprodutivos, Corpo e sexualidades: transexuais e transgêneros, Transplantes e Biotecnologi, pois estes assuntos são como um espinho na nossa garganta, que engasga e merece ser de vez desentalado de nós. Conto com esses relatórios!
 
Alexandre L'Omi L'Odò.
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

terça-feira, 14 de junho de 2011

I Seminário Municipal do Coco em Olinda



Convidamos vocês para participar do  
I Seminário Municipal do Coco.
 
Programação 
segunda feira 20 de junho.

16h Abertura

16h30min- Roda de Dialogo: Origem, Historia e Protagonistas da Cultura do Coco.
Convidados: Coquistas de Olinda.

17h30min- Roda de Dialogo: O Coco de Roda como Patrimônio Imaterial.
Convidados: FUNDARPE: Eduardo Sarmiento, IPHAN: Clarice Muhlbauer Futuro e Claudio Cavalcanti, Secretaria de Patrimônio e Cultura de Olinda: Secretaria Márcia Maria da Fonte Souto, pesquisadores da UFPB.

18h15min- O Coco: Ritmo, Loa, Dança e Arte.
Convidados: Coquistas de Olinda.

19h- Homenagem aos Coquistas.

19h15min- Exibição do filme: “O Coco, A Roda, O Pneu e O Farol” de Mariana Brennand.

Local:
Biblioteca Pública de Olinda
Av. Liberdade, 100 – Carmo
Olinda – PE

Organizam: Icei Brasil, Prefeitura de Olinda, Secretaria de Patrimônio e Cultura de Olinda.

Foto do Flyer: Luca Barreto.

Contamos com a sua presença!
Favor divulgar entre seus contactos

Telefone de contacto ICEI Brasil: 3493-9990/ 8822-1438 (Mariana, Paula)
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Posto aqui programação do I Seminrio do Coco em Olinda. Que todos e todas, adoradores dessa cultura que movimenta nossos circuitos de diversão se façam presentes para podermos discutir e brincar com a legria nossa tradição.

Salve a fumaça da Jurema.

Alexandre L'Omi L'Odò.
Coquista, Músico e Produtor
alexandrelomilodo@gmail.com

sábado, 11 de junho de 2011

Kipupa Malunguinho em Exposição na Universidade de Brasília - UNB


Kipupa Malunguinho em Exposição na Universidade de Brasília - UNB

Lançamento do ciclo de projeções de documentários e de mostras fotográficas do Iris - Laboratório de Imagem e Registro de Interações Sociais (DAN/UnB).

Com as fotografias feitas no período de sua pesquisa acadêmica em Pernambuco, o mestre em antropologia pela UNB, Pedro Stoekcli Pires, mostra o V Kipupa Malunguinho e parte de sua história nesta exposição. O público terá a oportunidade de conhecer um dos movimentos mais importantes de resistência do povo da Jurema do Brasil, que acontece sempre todos os anos em setembro (mês de Malunguinho) no Catucá, matas do Engenho Utinga, Pitanga II, Abreu e Lima - Pernambuco. A fumaça está bem repersentada com as fotos de Pedro, de fato ele resistrou a face mais profunda de nossa tradição e religiosidade.

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho.
alexandrelomilodo@gmail.com

terça-feira, 7 de junho de 2011

Nota de Esclarecimento sobre Axexê do sacerdote Pai Edú

 "O primeiro a botar a cara nas ruas". Pai Edú cantando para Iemanjá em uma das suas procissões para este Orixá na década de 1970.

Nota de Esclarecimento sobre Axexê do sacerdote Pai Edú


Em virtude do falecimento do histórico e ilustre sacerdote do “candomblé” nagô e da Jurema/umbanda de Pernambuco, o Sr. Eduim Barbosa da Silva (Pai Edú), desagradável situação ocorrida no dia 04 de maio de 2011, venho prestar esclarecimentos e dar atenção devida, que o fato merece, sobre tudo no tocante a questões de seus rituais fúnebres (Axexê).

Houve, entorno desta situação, significativa exposição da minha casa (Palácio de Iemanjá), do nome do meu Pai e, também um considerável constrangimento da minha pessoa.

Eu, não apenas como integrante do “povo de terreiro’’, jovem de terreiro, nascida e criada no axé e na Jurema, mas também como filha de um respeitável e virtuoso babalorixá e juremeiro nato; tendo dessa forma o amplo poder de falar e agir em nome da casa sem qualquer intervenção de terceiros adjuntos. Logo declaro que nenhum tipo de ritual fúnebre (Axexê) foi realizado para meu pai AINDA, pois eu e os iniciados (Iyalorixás, Babalorixás, Babá kekerê, Egbomis, Ogans, Iyabás, Juremeiros e Juremeiros e umbandistas etc.) do Palácio de Iemanjá estamos nos organizando administrativamente e financeiramente para a realização dos rituais, além dos processos burocráticos que a casa precisa estabilizar.

A gravidade do fato se dá pelo envolvimento do nome do meu pai e logicamente o nome da casa de forma explicitamente desrespeitosa por parte de diversos integrantes dos terreiros, em especial alguns babalorixás conhecidos. Não citarei nomes, pois isso implicaria em agravar ainda mais uma situação que desgasta-se por si só e expõem nossas discussões sobre ética, moral e respeito na nossa religião. Expressando a ausência destas e a falta de escrúpulos de pessoas que tentam de qualquer forma, até mesmo as mais desesperadoras e bizarras, obter algum mérito através de meios não apenas desonestos e desrespeitosos ao povo de terreiro, mas também à MEMÓRIA DO MEU PAI e a essência litúrgica do nosso culto. Quero dizer que qualquer boato a respeito da realização do Axexê, que não tenha sido oficialmente comunicado pela casa, deverá ser totalmente desconsiderado.

Relato aqui a ocorrência de um fato antiético de uma pessoa que se mostra amplamente desprovida de senso comum de moral. Uma atitude que implicaria até mesmo numa representação de acusação em juízo por danos morais. Pois foi divulgada uma data e local inverídicos para o acontecimento do Axexê.

Digo também que NENHUM babalorixá entrou em acordo ou foi convidado por nós do Palácio de Iemanjá para fazer o Axexê. Pois este, será realizado por aqueles que tem a AUTÊNTICA  LEGITIMIDADE PARA FAZÊ-LO sendo eles os sacerdotes: Jacy Felipe da Costa (Pai Cicinho de Xangô) e o Sr. Paulo Brás Felipe da Costa (Omo Babál’àiyé – Ifá T’òógún). Pois estes senhores sendo da rama do Sítio de Pai Adão (Opeatoná) descendentes diretos do mesmo, e filhos biológicos de Malaquias Felipe da Costa (Ojé Bíi), último sacerdote de meu Pai, explicando assim o porquê da autonomia; pois meu pai foi iniciado no Sítio de Pai Adão por José Romão da Costa (Ojó Okunrin), tendo “renovado” o axé com o Sr. Malaquias, após o falecimento de Seu Zé Romão.

Peço encarecidamente que qualquer dúvida que tenham sobre estes fatos, sintam-se a vontade para entrar em contato com alguém da casa que possa verdadeiramente dar informações sem nenhum equívoco. E aproveito para dizer que nós do Palácio de Iemanjá, comunicaremos oficialmente via internet em breve a data e o local do Axexê.

Logo, pronuncio com a legitimidade jurídica que tenho na condição de filha que, não tolerarei mais nenhum outro tipo de abuso que constranja a Casa e desrespeite a memória do meu pai.

Digo também que a atitude de não citar nomes não tira a credibilidade desse texto, muito menos a veracidade do fato, pois a voluntária exposição se deu pela existência de provas materiais que comprovam o fato pelo constrangimento e danos morais.
  
Atenciosamente,

Olinda, 31 de Maio de 2011. 

Juliana Barbosa da Silva
81. 3429-1064 / 8871-0057

__________
Ha pedido de Juliana e das pessoas de sua casa, publico aqui esta nota. Em breve publicarei a data oficial do axexê. Axé e adupé.

Alexandre L'Omi L'Odò.
Quilombo Cultural Malunuginho
alexandrelomilodo@gmail.com

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Uma Vida Kipupa - João José Reis (UFBA)

Kipupa Malunguinho, o povo da Jurema Sagrada entrando no Catucá. Foto de Adeíldo Massapê.

Uma Vida Kipupa

João José Reis*

Fui levado ao Kipupa por meu amigo Marcus Carvalho, professor de História da UFPE. Marcus escreveu páginas que, antes deste Kipupa, eu já tinha lido sobre Malunguinho, o líder quilombola e senhor das matas do Catucá que atormentou os escravistas do Recife e seus arrabaldes no século XIX. Malunguinho se transformaria numa entidade espiritual cultuada pelo povo de santo em Pernambuco. Até aí eu sabia. Marcus também me disse, ao me convidar para o Kipupa, que Malunguinho era o dono da festa. O que não sabia era que a invenção do Kipupa, pelo que entendi, resultou em parte do interesse gerado pelas pesquisas desse grande historiador. É um excelente exemplo de boas relações entre universidade e sociedade, entre cultura acadêmica e cultura popular.


Professor João José Reis ao Lado de Juarez  (camisa amarela) e Prof. Marcus Carvalho (braços cruzados) Foto de Anne Cleide.

Kipupa tem tudo a ver. Nada como cultuar um espírito guerreiro para enfrentar a batalha do dia a dia, que hoje inclui a luta contra a intolerância religiosa em reação à atitude de alguns grupos evangélicos que agridem com palavras e atos os adeptos das religiões afro-brasileiras em todo o país. O Kipupa me impressionou como símbolo e atitude de resistência, um verdadeiro movimento político construído em torno de uma festa que celebra a abundância, a solidariedade e, é claro, celebra Malunguinho.


Prof. João Reis ao fundo, na gira de abertura do V Kipupa Malunguinho, Setembro de 2010. Foto de Anne Cleide.

Em minha cidade, Salvador, onde o candomblé é tão forte, não temos coisa como o Kipupa. Seria bacana que existisse algo parecido em cada canto do país, porque o exemplo dessa festa, dessa bonita manifestação cultural e religiosa precisa ser imitado. Acho até que o termo Kipupa tem vocação pra virar adjetivo do que acontece de bom no mundo: uma pessoa kipupa, uma amizade kipupa, uma comida kipupa, um terreiro kipupa, uma festa kipupa, uma vida kipupa... Ah uma vida kipupa, é tudo que a gente quer!
  
Professor João José Reis


*Professor Titular de História do Brasil da Universidade Federal da Bahia, autor de Rebelião Escrava no Brasil: a história do levante dos Malês (1835).


_____________
Para nós do Quilombo Cultural Malunguinho, ter recebido o professor e historiador João José Reis em nossa festa anual foi uma honra muito grande. Sua presença nos deu a possibilidade de receber um texto tão carinhoso como este que escreveu. Nós agradecemos e que nos anos vindouros, a UFBA possa vir ao evento. O Kipupa, é um evento que tem como objetivo, agregar pessoas entorno de Malunguinho e da Jurema Sagrada, para poder de diversas formas, contribuir para o avanço na luta contra o preconceito, o racismo, a intolerância religiosa e a discriminação. O Kipupa também é um espaço para as pessoas irem para se curar, vivenciar sua fé plenamente, mergulhar no mais profundo sentimento de pertencimento à tradição da Jurema. A cada ano, crescemos mais, o povo (de todos os segmentos), intelectuais, artistas, jornalistas, gente de todo país se voltam às matrizes afro indígenas, dentro da mata fechada para saudar a ancestralidade.


Alexandre L'Omi L'Odò
Coordenador do QCM
alexandrelomilodo@gmail.com

Labi-hidro - Marina Ferreira

Labi-hidro, desenho/pintura de Marina Ferreira - UNICAP.

Labi-hidro

Hoje ganhei um presente inusitado: Uma pintura feita com hidrocor em um papel parecido com um cartão postal. Esta arte singela e muito interessante, é da minha companheira de curso (História - UNICAP) Marina Ferreira, uma menina negra linda, cheia de axé (percebe-se). Ao olhar o desenho/pintura, me deparei com um labirinto coloridíssimo, cheio de saídas e não saídas, de vais e vens, de conturbação e serenidade... Cores e mais cores... Um rio, uma mata pegando fogo, a mente brincando consigo mesma, uma árvore vista por dentro... Olhar e ver é algo sempre inovador, pois o que vi foi arte.  

Não tinha nome o presente, daí o batizei de Labi-hidro, em uma alusão direta ao labirinto e ao hidrocor que coloriu e desenhou esta obra. 

Obrigado Marina, são simples coisas que falam muito sobre quem somos. Beijos.


Alexandre L'Omi L'Odò.
Aluno de História da UNICAP.

“Ele mobilizou a mocidade negra, é um exemplo de esforço e de resistência. Foi a figura essencial do movimento”, Mãe Stella de Oxossi, ialorixá.

 
Abdias Nascimento 
 
“Ele mobilizou a mocidade negra, é um exemplo de esforço e de resistência. Foi a figura essencial do movimento”, Mãe Stella de Oxossi, ialorixá.

Decidi não escrever muito sobre a partida para Orun do queridíssimo guerreiro visionário Abdias Nascimento. Apenas faço minhas as palavras de Mãe Stella de Oxóssi, que com pucas linhas sintetizou muita coisa importante a se dizer.

Ele desde sempre foi um exemplo. Todos nós devemos seguir os pensamentos deste intelectual que nos presenteou com a arte de ser e viver negro. Contudo, se ele se iniciou no culto aos Orixás algum dia em sua vida, teremos mais um ilustre Esá, um Babá Egún dos mais celebrados como herói na luta pela liberdade do povo negro.

Axexê Mojubá Abdias Nascimento. É Bariká Òlorún Fè Malè! 

Alexandre L'Omi L'Odò.
Quilombo Cultural Malunguinho.

sábado, 21 de maio de 2011

Mini-seminário sobre Culturas de Matrizes Africanas e Indígenas na Escola Estadual Engenheiro Lauro Diniz no IPSEP, Ibura - Recife.

Alunos, Alunas e professores da Escola Lauro Diniz.

Escola Estadual Engenheiro Lauro Diniz recebe Mini-seminário sobre Culturas de Matrizes Africanas e Indígenas

Ah convite da Professora Micheline Pina, e com a indicação de Valéria Costa, doutoranda pela UFBA, fui à Escola Estadual Engenheiro Lauro Diniz, no bairro do IPSEP - Recife, para realizar mais uma etapa do processo de formação e informação na cultura e prática afro indígena brasileira, missão do Quilombo Cultural Malunguinho, entidade que coordeno junto ao historiador João Monteiro a mais de sete anos.

Com o tema: Seminário sobre Culturas de Matrizes Africanas e Indígenas, levei o acervo de informações e imagens organizadas por mim em um Power Point para apresentar aos alunos do I e II períodos da Escola. Foram basicamente 12 alunos que participaram, representando suas salas. O sentido do seminário, foi levar informações organizadas para que eles e elas pudessem produzir trabalhos no campo da história e cultura para em outro momento apresentarem na própria entidade.

Os alunos e alunas filmaram e anotaram tudo.

Segundo a fala da professora Micheline, os alunos, tinham grande resistência em tratar estes temas, por considerarem coisas do "diabo", ou coisas obscuras, que davam medo e repugnância. Na verdade o que todos eles e elas sentiam nada mais é do que o racismo histórico brasileiro e a intolerância religiosa construída durante toda história do país, que colocou as culturas do negro e do índio no patamar da inferioridade nos campos sociais, culturais, religiosos e filosóficos. Como todos e todas sabem, o lema dos cristãos e colonizadores era: "O negro e o índio não tem alma", portanto, quem não tem alma não é gente, é objeto e pode ser manipulado como queira... Este pensamento antigo e retrógrado ainda paira de forma disfarçada nas nossas mentes, portanto, para alunos e alunas adolescentes, se faz imprescindível ações como essa, promovida no dia 20 de maio de 2011 na biblioteca da instituição.

Na imagem - Candomblé e suas Nações: Dona Olga de Alaketu, gilberto Gil, Mãe Stella de Oxóssi, mãe Biu do Porto do Gelo (Xambá).

Os comentários foram diversos entre os meninos e meninas de todas as salas. Quando viram um homem (Eu) chegar todo de branco, com um colar amarelo no pescoço, com chapéu etc. Foram até perguntar a diretora se a Escola ia virar um "Xangô", ou se na biblioteca estava "rolando macumba"... Muitos deles foram brechar pela porta o que estava acontecendo lá dentro da sala... Este fato me alarmou mais uma vez para o quanto nossas escolas estão carentes da implementação oficial e integral das leis federais 10.649/03 e 11.645/08, que estabelecem as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena”.

O termo "Macumba", "Xangô" e "Catimbó" foram desmistificados no seminário.

A "Diáspora Africana" foi demonstrada e debatida entre os alunos.

Propus a professora Micheline levar esta proposta para a diretora. Além da implementação das duas citadas leis, ainda sugeri que a Escola implementasse também a lei Malunguinho, de número 13.298/07, a lei estadual da Vivência e Prática da Cultura Afro Pernambucana, proposta pelo Quilombo Cultural Malunguinho e diversas entidades dos movimentos negros de Pernambuco. A professora adorou a idéia e se responsabilizou em encaminhar esta proposta. Ainda convidei a Escola a participar do VI Kipupa Malunguinho, Coco na Mata do Catucá, evento que neste ano acontecer no dia 18 de setembro. 

Os elementos do culto da Jurema Sagrada foram demosntrados como forma conscientizar os alunos sobre seus significados teológicos.

 
A árvore sagrada também foi demonstrada com imagens.

Fui ainda entrevistado pelo aluno ... sobre o significado do que é Orixá e outras divindades. Gravaram e anotaram muitas informações. Espero que os trabalho sejam bem legais e que a partir do dia deste seminário, entre nós todos, o racismo, a intolerância religiosa e o preconceito tenham pelo menos diminuído, e que a consciência sobre o que são as culturas e religiões de matrizes africanas e indígenas estejam fortalecidas e desmistificadas na cabeça de todos que participaram deste momento.

O professor de teatro Marivaldo Buarque de Holanda, a professora Jaqueane Abreu e a funcionária Cristina (bibliotecária) também participaram e contribuíram muito nas discussões. Foi de fato um momento rico de troca de saberes entre alunos, professores, e funcionários da Escola. Pretendemos ainda este ano voltar a realizar mais uma destas ações no local, estamos já negociando.

Veja mais fotos do evento:
 
 Alunos e professores.
 
Na biblioteca da Escola, entre livros e trabalhos de alunos, discutimos juntos racismo, preconceito, intolerância religiosa e cultura.

 
 A participação de todos e todas foi muito interessante.

 A professora Micheline instigou bastante as discussões com questionamentos e relatos sobre sua vivência na Escola.

 Professores, alunas e alunos.

Alexandre L'Omi L'Odò.
Graduando em História - UNICAP.
Coordenador do Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com 

Quilombo Cultural Malunguinho

Quilombo Cultural Malunguinho
Entidade cultural da resistência negra pernambucana, luta e educação através da religião negra e indígena e da cultura afro-brasileira!