sábado, 21 de maio de 2011

Mini-seminário sobre Culturas de Matrizes Africanas e Indígenas na Escola Estadual Engenheiro Lauro Diniz no IPSEP, Ibura - Recife.

Alunos, Alunas e professores da Escola Lauro Diniz.

Escola Estadual Engenheiro Lauro Diniz recebe Mini-seminário sobre Culturas de Matrizes Africanas e Indígenas

Ah convite da Professora Micheline Pina, e com a indicação de Valéria Costa, doutoranda pela UFBA, fui à Escola Estadual Engenheiro Lauro Diniz, no bairro do IPSEP - Recife, para realizar mais uma etapa do processo de formação e informação na cultura e prática afro indígena brasileira, missão do Quilombo Cultural Malunguinho, entidade que coordeno junto ao historiador João Monteiro a mais de sete anos.

Com o tema: Seminário sobre Culturas de Matrizes Africanas e Indígenas, levei o acervo de informações e imagens organizadas por mim em um Power Point para apresentar aos alunos do I e II períodos da Escola. Foram basicamente 12 alunos que participaram, representando suas salas. O sentido do seminário, foi levar informações organizadas para que eles e elas pudessem produzir trabalhos no campo da história e cultura para em outro momento apresentarem na própria entidade.

Os alunos e alunas filmaram e anotaram tudo.

Segundo a fala da professora Micheline, os alunos, tinham grande resistência em tratar estes temas, por considerarem coisas do "diabo", ou coisas obscuras, que davam medo e repugnância. Na verdade o que todos eles e elas sentiam nada mais é do que o racismo histórico brasileiro e a intolerância religiosa construída durante toda história do país, que colocou as culturas do negro e do índio no patamar da inferioridade nos campos sociais, culturais, religiosos e filosóficos. Como todos e todas sabem, o lema dos cristãos e colonizadores era: "O negro e o índio não tem alma", portanto, quem não tem alma não é gente, é objeto e pode ser manipulado como queira... Este pensamento antigo e retrógrado ainda paira de forma disfarçada nas nossas mentes, portanto, para alunos e alunas adolescentes, se faz imprescindível ações como essa, promovida no dia 20 de maio de 2011 na biblioteca da instituição.

Na imagem - Candomblé e suas Nações: Dona Olga de Alaketu, gilberto Gil, Mãe Stella de Oxóssi, mãe Biu do Porto do Gelo (Xambá).

Os comentários foram diversos entre os meninos e meninas de todas as salas. Quando viram um homem (Eu) chegar todo de branco, com um colar amarelo no pescoço, com chapéu etc. Foram até perguntar a diretora se a Escola ia virar um "Xangô", ou se na biblioteca estava "rolando macumba"... Muitos deles foram brechar pela porta o que estava acontecendo lá dentro da sala... Este fato me alarmou mais uma vez para o quanto nossas escolas estão carentes da implementação oficial e integral das leis federais 10.649/03 e 11.645/08, que estabelecem as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena”.

O termo "Macumba", "Xangô" e "Catimbó" foram desmistificados no seminário.

A "Diáspora Africana" foi demonstrada e debatida entre os alunos.

Propus a professora Micheline levar esta proposta para a diretora. Além da implementação das duas citadas leis, ainda sugeri que a Escola implementasse também a lei Malunguinho, de número 13.298/07, a lei estadual da Vivência e Prática da Cultura Afro Pernambucana, proposta pelo Quilombo Cultural Malunguinho e diversas entidades dos movimentos negros de Pernambuco. A professora adorou a idéia e se responsabilizou em encaminhar esta proposta. Ainda convidei a Escola a participar do VI Kipupa Malunguinho, Coco na Mata do Catucá, evento que neste ano acontecer no dia 18 de setembro. 

Os elementos do culto da Jurema Sagrada foram demosntrados como forma conscientizar os alunos sobre seus significados teológicos.

 
A árvore sagrada também foi demonstrada com imagens.

Fui ainda entrevistado pelo aluno ... sobre o significado do que é Orixá e outras divindades. Gravaram e anotaram muitas informações. Espero que os trabalho sejam bem legais e que a partir do dia deste seminário, entre nós todos, o racismo, a intolerância religiosa e o preconceito tenham pelo menos diminuído, e que a consciência sobre o que são as culturas e religiões de matrizes africanas e indígenas estejam fortalecidas e desmistificadas na cabeça de todos que participaram deste momento.

O professor de teatro Marivaldo Buarque de Holanda, a professora Jaqueane Abreu e a funcionária Cristina (bibliotecária) também participaram e contribuíram muito nas discussões. Foi de fato um momento rico de troca de saberes entre alunos, professores, e funcionários da Escola. Pretendemos ainda este ano voltar a realizar mais uma destas ações no local, estamos já negociando.

Veja mais fotos do evento:
 
 Alunos e professores.
 
Na biblioteca da Escola, entre livros e trabalhos de alunos, discutimos juntos racismo, preconceito, intolerância religiosa e cultura.

 
 A participação de todos e todas foi muito interessante.

 A professora Micheline instigou bastante as discussões com questionamentos e relatos sobre sua vivência na Escola.

 Professores, alunas e alunos.

Alexandre L'Omi L'Odò.
Graduando em História - UNICAP.
Coordenador do Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com 

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