sexta-feira, 8 de julho de 2016

EREM Professor Cândido Duarte ganha Pé de Jurema

Print do site da Secretaria de Educação de PE.

EREM Professor Cândido Duarte ganha Pé de Jurema
Essa é a primeira vez que a espécie é plantada em uma unidade de ensino público no país

Matéria da Assessoria de imprensa da Secretaria de Educação de PE
Publicada em 09 de Junho de 2016.

A Escola de Referência em Ensino Médio Professor Cândido Duarte, localizada no bairro de Apipucos, realizou nesta quinta-feira (09) o plantio de uma muda de Jurema, planta com grande significado para seguidores das religiões de matriz indígenas brasileiras. Essa é a primeira vez que uma Jurema é plantada em uma unidade de ensino público no Brasil. A ação foi realizada em comemoração à Semana do Meio Ambiente.

O ato foi considerado religioso e cultural por também homenagear o rei Malunguinho, que é um herói negro que viveu no Século XIX. Na ocasião, houve uma palestra com Alexandre L’Omi L’Odò, historiador e membro do Quilombo Cultural Malunguinho, que também é sacerdote do candomblé e juremeiro. Alexandre tratou o tema com os estudantes a fim de quebrar preconceitos e mitos existentes a respeito da religião. “Hoje foi um dia muito especial para a escola e também para a memória do povo indígena de matriz africana no Brasil. Pela primeira vez estamos plantando, oficialmente, um pé de Jurema, que representa um patrimônio imaterial do povo indígena em um espaço público de educação. É um símbolo importante na luta contra intolerância religiosa, o racismo institucional”, fala L’Omi L’Odò.

O objetivo da atividade é fazer uma reflexão sobre a importância da preservação da natureza e o conhecimento sobre as religiões Afro-indígenas combatendo, assim, o preconceito e a discriminações. 

As religiões Afro-indígenas brasileiras têm a natureza como expressão maior do sagrado e, portanto, precisam da natureza preservada para as realizações das suas práticas religiosas. “Com base na lei 12.635/2007, que defende a questão da inclusão da religião Afro-indígena nas escolas, pensamos em realizar esta ação para fortalecer essa questão e contribuir para o meio ambiente”, pontua Eda Cabral, gestora da unidade.

“Foi uma experiência muito gratificante, uma ação de conscientização de forma democrática que serviu para que fossem quebrados os preconceitos dos jovens em relação à religião”, pontua o estudante do segundo ano, Cláudio Batista.

Link da matéria no site da Secretaria de Educação do Estado de Pernambuco: http://www.educacao.pe.gov.br/portal/?pag=1&cat=18&art=2933#!prettyPhoto[artigo2933]/1/

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

Secretaria de Educação do Estado de Pernambuco dá visibilidade à Plantio de Pé de Jurema Sagrada

Print da postagem da Secretaria de Educação de PE sobre o Plantio do Pé de Jurema no EREM Cândido Duarte. Post do facebook.

Secretaria de Educação do Estado de Pernambuco dá visibilidade à Plantio de Pé de Jurema Sagrada

Você sabia que a Escola de Referência em Ensino Médio Professor Cândido Duarte, localizada no Recife, foi a primeira unidade de ensino da rede pública estadual a realizar o plantio de uma muda de Jurema na escola? A planta tem grande significado para os seguidores das religiões de matriz indígena. A atividade movimentou estudantes e professores e fez parte das ações da Semana do Meio Ambiente. 

#MeioAmbiente
#JuremaNaEscola

Fotos de Alyne Pinheiro.

Link da matéria na página do facebook da Secretaria de Educação de PE: https://www.facebook.com/secretariadeeducacaodepernambuco/posts/1121980114524866

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Pedagogias do pluralismo e da luta contra o racismo e intolerância

 Alexandre L'Omi L'Odò com as alunas Gessylene Leite de Oliveira (à esquerda) e Aldiene Ferreira da Silva (à direita) que defenderam o TCC sobre a Jurema Sagrada. 

Pedagogias do pluralismo e da luta contra o racismo e intolerância

Hoje, dia 30 de junho na faculdade UVA - Universidade Vale do Acaraú, no centro do Recife, foram defendidos três TCC’s - trabalhos de conclusão de curso de licenciatura em pedagogia sob a competente orientação da professora doutoranda Ana Carolina Coimbra.

Os trabalhos abordaram de forma muito bem construída questões ligadas as tradições de matrizes indígenas e africanas, numa perspectiva de fortalecimento da lei federal 11.645/08, que obriga o ensino da história da África, dos afro descendentes e indígenas nas escolas.

Fui convidado pela professora, para estar presente neste importante momento que marcou sua despedida da faculdade, já que ela partirá para aprofundamentos de seus estudos em um doutorado em Portugal, tratando de pesquisas ligadas aos indígenas do Nordeste de Pernambuco. Também, fui um dos entrevistados no trabalho de suas alunas que abordou a Jurema Sagrada, e por estes dois motivos jamais deixaria de estar presente neste momento que no meu ponto de vista se tornou histórico devido a sua importante representação na reversão dos valores acadêmicos perante a história dos negros e negras e indígenas. Este tipo de contribuição é muito valiosa, e merece ser celebrada.

Os trabalhos apresentados foram:

1 – Salve a Jurema Sagrada! Respeito à Diversidade Religiosa na Educação. Realizado pelas alunas Aldiene Ferreira da Silva, Aparecida Jéssica Ferreira da Silva e Gessylene Leite de Oliveira.

2 – Historicidade do Povo Kambiwá: Lutas e Resistência pela Identidade Étnica. Realizado pelas alunas Cineide Maria de Lima e Josélia Nascimento de Amorim da Silva.

3 – Histórias Africanas e Afro Brasileiras: Reconhecimento e Valorização para a Educação. Realizado pela aluna Elizabeth S. Cruz Oliveira.

A noite foi das mulheres. Elas, professoras agora formadas, vão dar caminho nas escolas a uma educação menos excludente e racista. Seus trabalhos apresentados de forma brilhante e com conteúdo muito válido, já indicam caminhos para um mestrado ou doutorado. Espero que elas sigam esta estrada, pois precisamos de muitos mais exemplos na pedagogia de combate ao currículo branco imposto pelo Estado.

Povo de terreiro, alunas e professora celebrando a vitória das defesas de TCC.

As análises (orientações estendidas) feitas pela professora mestra em educação Maria do Carmo Oliveira, e também pelo professor doutorando em história social Leandro Patrício enriqueceram a noite com aprofundadas colaborações aos trabalhos apresentados. Foi rica demais a troca de saberes. Presenciar noites raras assim para mim é sempre um prazer, já que na busco na luta também dos meus irmãos e irmãs energias para reforçar as minhas lutas, e assim foi.

O trabalho apresentado sobre a Jurema, trouxe importante contribuição para as propostas de aula sobre diversidade religiosa. Elas mostraram de forma firme o quão rica é esta religião e a sua contribuição social cosmológica. Elas contribuíram na laboriosa missão de contribuir para que a Jurema saia do ostracismo acadêmico ao qual foi colocada. Este TCC merece respeito!

A professora Ana Carolina está de parabéns por orientar trabalhos tão interessantes e importantes para todos e todas. Realmente a missão de formar pedagogas capacitadas foi executada com primazia.

Professora doutoranda Ana Carolina Coimbra. Foto de Alexandre L'Omi L'Odò.

A UVA é uma instituição particular que tem grande presença de estudantes de fé “evangélica”. Já ouvi inúmeras críticas à práticas intolerantes destes e dessas que ali discriminavam as pessoas de outras religiões. Acredito que a noite hoje, serviu para mostrar o quão grande é a ignorância destes e destas. E que com informação e criticidade pode-se romper a barreira espinhosa do racismo e da intolerância.

A presença de membros das religiões de matriz africana e indígena (vestidos adequadamente e que também foram entrevistados), além da pertinente presença do índio Fulni-ô Boró e sua esposa, tornou a noite forte e cheia de axé e ciência. Encontros maravilhosos e ampliação de horizontes para nossos povos. Senti-me contemplado em tudo, afinal, comungar de dias como hoje nos faz ter esperança no futuro.

Parabéns professora Ana. Você mostrou e continuará mostrando para o que veio! Sua missão é grande e você tem competência para dar conta. Obrigado por estar junto na jornada da luta por direitos iguais e respeito à diversidade. Obrigado também pelo cocá e quaquí, adorei os presentes religiosos indígenas. Adorei também o aió que sua Alina indígena me deu. Farei meus rituais com ele. Salve a fumaça!

#JuremanaEscola
#EducaçãoAntiRacismo
#PedagogiadaLibertação

Alexandre L’Omi L’Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

domingo, 26 de junho de 2016

Salve meu São João Xangô Comunitário!

Alexandre L'Omi L'Odò na saída do Acorda Povo. Foto de Joannah Flor.

Salve meu São João Xangô Comunitário!
Agradecimentos

Só agora tive tempo para escrever algumas linhas de agradecimento aos membros da Casa das Matas do Reis Malunguinho, meus afilhados e afilhadas, filhos e filhas, amigos e amigas e parceiros de luta, que me ajudaram a realizar os 30 anos do Acorda Povo de Peixinhos. Realmente estou muito feliz e realizado. Esperei 28 anos para que esta Bandeira viesse pra minha casa e lutei pra dar a maior dignidade possível para a conclusão do ciclo religioso do qual fui guardião durante um ano.

Primeiramente gostaria de agradecer ao axé de Xangô e Malunguinho que me deram força para levar a frente com alegria e ciência esta tradição de meu bairro. Também agradeço à consideração de minha iyalorixá (pérola negra do nagô pernambucano) Mãe Maria Lúcia Felipe Tia Lú que veio cantar pra meu pai Exú e o homenageado da festa, Xangô, em nossa casa. Seu louvor nagô abençoou a noite com a força dos ancestrais yorubás. Com tanto axé, também vierem outras pessoas do "santo", como nossa mãe pequena Babizinha Costa Nascimento e Thalysson seu filho. Agradeço a presença valiosa de meu mestre professor ogan André Malê de Olufan que veio cantar o coco e fazer parte dos rituais. Obrigado à Rinaldo De Aquino Souza, meu amigo irmão de décadas que tocou para alegrar os orixás e também à Mamão Xambá, que além de ter colocado o som da festa (por um precinho de amigo) também tocou os ilús para Xangô. Obrigado á Willy Peixe, pelo apoio na percussão, e à Leo do Peixe também. Obrigado ainda para os demais membros da religião de matriz africana e indígena do bairro, como Ló de Xangô, Dona Maria de Oxum etc. Adupé. Uma casa forte se prova assim, quando agrega pessoas de fato do axé e da jurema.

Tenho que fazer um agradecimento mais que especial à todos os meus afilhados e afilhadas, filhos e filhas e amigos que contribuíram na realização da nossa procissão. Obrigado à Ricardo Nunes, afilhado e amigo de vida que juntos movemos montanhas e pegamos no pesado para realizar meus loucos sonhos e lutas. Sua parceria é sempre de luz. Obrigado demais por ter dado de presente o trio de forró de Sr. Antônio para animar a festa. A comunidade adorou e até penso em mantermos um forró dentro do bairro... Imagina!! Obrigado à Catarina Falcão pela sempre empoderada colaboração cheia de amor e fé. Você é muito especial nessa luta "cambona" e ekeji do ilé. Obrigado mais que especial à Maria Betânia, afilhada de ouro que é criativa e ativa nos afazeres do axé. Sua decoração ficou linda e encantou à todas e todos. Sua contribuição foi perfeita, cheia de boas energias. Fiquei muito feliz (só não gostei de você não ter ficado até o fim, mas lhe entendo). Obrigado à Mari Vasconcelos pela colaboração importante para o desenvolvimento de nossa atividade, você abriu caminhos. Obrigado à Joannah Flor por todas as colaborações imprescindíveis e sobre tudo pelo registro fotográfico geral do Acorda Povo, com certeza suas fotos a partir do dia que foram tiradas se tornaram patrimônios da história de nosso bairro. obrigado á Kamilla da Costa pela sempre amiga e parceira colaboração. Sua contribuição foi fundamental como sempre. Obrigado à Leo Luna, Maria Clara Luna e meu amor Florzinha Luna pela presença e contribuição, vocês juntos emanam muito boas energias. Obrigado à Lígia Costa pela importante contribuição e presença com alegria e axé. obrigado à Henrique Falcão pela sempre boa energia nos trabalhos e concentração que me ajuda a fazer as coisas melhores. Obrigado á Vanessa Farias, Andreia Silva e Ekeji Cinha de SP pela parceria de sempre. Obrigado à Marcilio da Costa, afilhado firmado que esteve junto para compartilhar desse momento de comunhão de nosso axé. Obrigado á Ramon Sr Demetrio pela ajuda, que mesmo não aparecendo no dia estava conosco de coração. Obrigado à Sujaan Isabel e Andréa Mota pela contribuição e parceria de sempre, que Xangô as cubram de vitórias. Obrigado à minha mãe Ray Santos e minha avó Dona Lourdes que me ajudaram muito nos afazeres de tudo. À minha avó uma ressalva especial por ter feito um munguzá tão gostoso. Obrigado à Ayama Dhyan pela presença e pela contribuição nessa luta. Obrigado à Geane Brito por ter trazido seu fogo para a nossa fogueira sagrada. Obrigado à Aline Brito por ter segurado o tombo até o final comigo e os demais afilhados nos cânticos e ritmo do Acorda povo, foi muita energia positiva. Obrigado à Dona Nininha pelas ajudas dadas na organização das coisas no final da festa. Obrigado á toda vizinhança que com carinho acolhei nossa atividade religiosa com amor e paciência.

Faço um agradecimento super especial à Renato Simoes e à sua amiga que foram de muito bom grado e de coração aberto para minha casa, vindos de Piedade/Recife para enfeitar o andor do Sr. São João. Articulados pela já citada Maria Betânia, que em uma inspiração genial o convocou para fazer esta arte. De fato foi uma obra de arte cheia de carinho. Todo mundo elogiou e agora você ficará sendo nosso decorador oficial, te prepara (hahhaahhah).Que Xangô e minha mãe Oxum junto com Reis Malunguinho lhe abençoe. Muito obrigado mesmo, és um profissional de valor.

Faço um agradecimento mais que especial ao GCASC - Grupo Comunidade Assumindo Suas Crianças por ter mantido viva esta tradição por estes 30 anos. Vocês são um exemplo de verdadeira dedicação à cultura de Peixinhos. Estamos juntos. Obrigado à Dona Nilza, Ori Almeida, Dadado San Kaiowá, Anjinha, Van, Mira (que fez nosso maravilhoso cuscuz recheado que ficou uma delícia), Nenzinha, Fernanda Alves e todas e todos que fazem esta instituição. Vocês são necessários para a comunidade. Se esqueci alguém aqui desculpe.

Agradeço de forma ampla à presença de Dona Zuleide DE Paula DA Silva, ativista de nossa comunidade há anos, ela também fundadora do Acorda Povo, escritora que fez o único livro sobre o nosso bairro veio com alegria celebrar conosco os 30 anos desta tradição. Sua presença nos enobreceu à todas e todos. És uma inspiração e fiquei mais que feliz por sua vinda. A senhora me emociona sempre! Te amo. peço todos os dias pela sua saúde. Ainda tens muito o que contribuir para o bairro e para a nossa história.

Agradeço à Elisa Do Coco por também manter viva a tradição do Acorda Povo na comunidade de Condor e Cabo Gato dentro de Peixinhos. Pela primeira vez os dois Acorda Povo se encontraram na madrugada do dia 23/06. foi emocionante. Agradeço à todas divindades por termos conseguido registrar em fotografia este momento. Foi memorável!! Axé total. Kabiesilé!

Agradeço à Secretaria da Mulher e Direitos humanos de Olinda, especialmente à diretoria de Assuntos Religiosos nas pessoas de Donana Cavalcanti e Pai Cleyton de Oxum que disponibilizaram parte das flores para nos ajudar a fazer nosso andor.

Enfim, agradeço à toda comunidade de Peixinhos que como sempre comparece em massa (mais de 700 pessoas na rua) para celebrar coletivamente este momento tão esperado todo ano.

Desejo felicidades e sucesso para a Sra. Valúzia da Rua do Cajueiro que recebeu a bandeira neste ano e que será a partir de agora a guardiã por um ano do nosso sagrado comunitário.

O que mais acho belo nesta cultura que levamos à frente, é a alegria de mantermos viva uma procissão dançante que é tão antiga quanto o período colonial. A cada ano maior e mais bela. A cada momento se fortalecendo e afastando a possibilidade de sua extinção. Que se propague o Acorda Povo por todos os bairros. Vamos acordar para a necessidade de preservar nossos patrimônios históricos culturais materiais e imateriais!

Juntos podemos sempre mais! Ubuntu!

Salve São João!
Kabiesilé Obá Xangô!
Sobô Nirê Mafá Reis Malunguinho!
Axé e Salve a Jurema Sagrada!

#AcordaPovodePeixinhos
#AlexandreLOmiLOdò
#GCASC
#XangôeSãoJoão

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
Casa das Matas do Reis Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Memória do Povo da Jurema - IX Kipupa Malunguinho na Rede Globo Nordeste



Memória do Povo da Jurema - IX Kipupa Malunguinho na Rede Globo Nordeste

Reportagem da Rede Globo Nordeste de 19/09/2014 retratando o IX Kipupa Malunguinho, Coco na Mata do Catucá, "o maior encontro de juremeiros e juremeiras do Brasil".

Disponibilizo aqui no meu canal para podermos ter mais acesso aos arquivos e memórias de nossa luta por valorização e fortalecimento da Jurema Sagrada.


Sobô Nirê Mafá!

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

Jurema Sagrada, uma religião de matriz indígena do Nordeste do Brasil



Jurema Sagrada, uma religião de matriz indígena do Nordeste do Brasil

Re-publico aqui no nosso blog a matéria/vídeo feita com muito carinho e atenção do Jornal Folha de Pernambuco. Agradeço a bela abordagem da jornalista Priscila Costa e a produção de fotografias e audiovisual de Bruno Campos. Materiais como este devem circular para contribuir na diminuição do racismo e da intolerância religiosa causada pela ignorância e falta de oportunidade da população.


Compartilha!

#JuremaSagrada
#Catimbó
#PovodaJurema

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com 

domingo, 19 de junho de 2016

O meio ambiente e o divino

Alexandre L'Omi L'Odò é sacerdote da Jurema Sagrada: "Só alcançamos o sagrado quando nos aproximamos da natureza". Foto de Bruno Campos.

O meio Ambiente e o divino

A natureza é o altar para muitas religiões de matriz afro-indígena, como a umbanda e a Jurema Sagrada

Matéria de Priscila Costa
Folha de Pernambuco, 19 de junho de 2016. Cotidiano, p. 4.

Do cajado, feito do tronco da jurema, o discípulo ganha forças. Nas plantas extraídas do pé de aroeira, busca-se a limpeza espiritual e a cura. A fumaça, que vem da queima das ervas, é a alma que viaja até os ancestrais. A natureza é o altar para muitas religiões de matriz afro-indígena, que encontram no meio ambiente a ligação com o divino. Não é à toa que a expressão em Yorùbá “Kò sí ewé, kò sí omi, kò sí òrìsà” quer dizer “Sem folha, sem água, não existe orixá”. Esse equilíbrio surge da convivência harmoniosa entre todos os seres vivos, dos quais o homem é apenas uma pequena semente. E o sagrado pode estar, sim, no mundo natural que nos cerca.

Sacerdote da Jurema Sagrada e do candomblé Jeje-Nagô desde os tempos de criança, Alexandre L’omi L’odò carrega a sua entidade no sobrenome. “L’omi L’odò” significa “das águas dos rios”, em louvor a Oxum, seu orixá. “Só alcançamos o sagrado quando nos aproximamos da natureza, o que inclui pedra, água, folha, raiz, caule, frutos e o nosso próprio corpo. Somos a morada verdadeira da natureza”. A vida em torno do juremeiro ou catimbozeiro, explica L’omi L’odò, é como a própria árvore. “Somos o tronco, as folhas, os galhos, a flor. Que um dia vai tombar, mas voltará dando frutos e levando a cura”, diz. É na mata do Engenho Pitanga II, em Abreu e Lima, na RMR, onde a Jurema Sagrada, representada por uma árvore, é reverenciada.

Digitalização da matéria impressa da Folha de Pernambuco.

Os cânticos ganham ritmo com o barulho das sementes presentes dentro do maracá (chocalho). O fumo mestre, preparado com até 28 ervas, é a ponte de chegada às entidades que defendem o terreiro - índios, pajés, caciques. Um dos elementos mais sagrados durante um ritual é o momento de beber o vinho da Jurema Sagrada. Sua essência vem das entrecascas da raiz da árvore misturada a outras ervas.
Antepassados

As várias religiões que existem hoje no Brasil com origem nos antepassados afro-indígenas, como a própria Jurema Sagrada, Umbanda e o Candomblé, segundo o professor do Departamento de História da UFPE, Severino Vicente, são produtos de rearranjos culturais da época da escravidão colonial brasileira, na qual o sincretismo religioso existia como forma de resistência para que a população negra pudesse manter sua fé.

“O sincretismo é uma característica de toda religião porque nenhuma surge do nada. Mas, neste caso específico, há uma cultura de resistência ao colonialismo”, afirma o estudioso.  
Existem orixás ligados às plantas de água: aquelas que têm as folhinhas mais verdinhas, mais gordinhas ou plantas que crescem dentro d’água e nas beiras dos rios. Por exemplo, aquele jasmim que nasce em charco e na beira das cachoeiras é oferecido a Oxum. Há espécies relacionadas ao inchaço, à amamentação e ao parto, que seriam plantas femininas ligadas a Iemanjá e Oxum. As que ardem e queimam são de Exu, que é o fogo. Xangô também é fogo e suas plantas são quentes. As plantas da terra, de grande porte, remetem a Oxóssi, como a aroeira, o cajueiro e a mangueira.
Porém, essa relação do homem com a natureza requer cuidados. É o que explica o Egbomi de Iemanjá, Marconi Bispo. “Tomar um banho, por exemplo, tem várias vertentes. Uma delas é purificar. Mas há outras implicações: banhar quem? purificar do quê? E por quê? Não há receita pronta. Todo pai e mãe de santo deveriam ter esse cuidado.” Segundo Bispo, antes de tudo é preciso saber qual orixá rege a pessoa para saber quais as ervas escolher para o banho.
Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Plantio de Jurema em escola pública - Matéria impressa do Diario de Pernambuco

Digitalização da matéria impressa. Acervo de Alexandre L'Omi L'Odò.

Plantio de Jurema em escola pública

Marcionila Teixeira.
Diário de Pernambuco de Quinta feira 09/06/2016. Caderno Local, página B2.

Transcrição integral da matéria:

RELIGIÃO

Uma muda de jurema, planta comum no Nordeste brasileiro e de grande significado para os seguidores da religião de matriz indígena de mesmo nome, será plantada nesta quinta-feira, pela primeira vez, em uma unidade de ensino pública do Brasil. O ato marca a Semana do Meio Ambiente na Escola de Referência em Ensino Médio Professor Cândido Duarte, em Apipucos, no Recife. O ato religioso e cultural também acontece em homenagem ao rei Malunguinho, líder da luta por liberdade de negros, negras e indígenas no Quilombo do Catucá, no século XIX.

Além de promover um debate sobre a relação das religiões de matrizes indígenas e africanas com o meio ambiente, o professor de geografia e direitos humanos, Rodrigo de Lima, também pretende marcar a data combatendo a intolerância religiosa e racial dentro da unidade de ensino, formada por 300 alunos do 1° ao 3° ano do ensino médio.

Rodrigo, que é catequista da Igreja Católica, costuma chamar o Quilombo Cultural Malunguinho, instituição voltada à informação, pesquisa e formação na cultura e prática afro indígena brasileira, para palestras na escola. “Sempre discutimos a consciência negra. Sigo a linha da teologia da libertação e considero importante quebrar a discriminação religiosa e racial. Temos muitos alunos evangélicos e católicos e há dois anos já estamos discutindo o tema”, explica.

Alexandre L’Omi L’Odò, sacerdote da Jurema e fundador do Quilombo Cultural Malunguinho, fará palestra sobre a contribuição das religiões afro-indígenas para a preservação ambiental. Em seguida, estará à frente do ritual de plantio da jurema no terreno da escola, que será acompanhado pelos alunos. "Este pé de Jurema será plantado como símbolo de esperança na luta contra o racismo e a intolerância religiosa, assim como para fortalecer o respeito à diversidade e garantir no espaço da escola um patrimônio de memória viva dos povos indígenas que nesta terra já habitavam antes da chegada dos colonizadores brancos e dos negros e negras escravizados", reflete Alexandre. 

A muda tem um metro e pode atingir cinco metros de altura com sete metros de copa. “A jurema sagrada é deusa- mãe, é o centro de tudo na religião. É de onde tiramos toda a força e enregia da natureza para trabalhar na religião. Os indígenas do Nordeste conheciam a planta muito antes dos colonizadores”, explica.

Em 2005, a professora de história Célia Arruda plantou um baobá, árvore de origem africana, na Escola de Referência de Ensino Médio (EREM) Mariano Teixeira, em Areias, Zona Oeste do Recife, para trabalhar também temas relacionados ao meio ambiente e à cultura negra. (Marcionila Teixeira).


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Muda de Jurema será plantada pela primeira vez em escola pública

Sacerdote da Jurema L'Omi L'Odò com a Jurema aos pés. Foto de Rafael Martins/DP.

Muda de Jurema será plantada pela primeira vez em escola pública
Árvore é símbolo principal de religião de matriz indígena de mesmo nome

Matéria de Marcionila Teixeira.
Foto de Rafael Martins/DP.
Diário de Pernambuco, 08 de Junho de 2016. Local.

Uma muda de jurema, planta comum no Nordeste brasileiro e de grande significado para os seguidores da religião de matriz indígena de mesmo nome, será plantada nesta quinta-feira, pela primeira vez, em uma unidade de ensino pública do Brasil. O ato marca a Semana do Meio Ambiente na Escola de Referência em Ensino Médio Professor Cândido Duarte, em Apipucos, no Recife. O ato religioso e cultural também acontece em homenagem ao rei Malunguinho, líder da luta por liberdade de negros, negras e indígenas no Quilombo do Catucá, no século XIX.

Além de promover um debate sobre a relação das religiões de matrizes indígenas e africanas com o meio ambiente, o professor de geografia e direitos humanos, Rodrigo de Lima, também pretende marcar a data combatendo a intolerância religiosa e racial dentro da unidade de ensino, formada por 300 alunos do 1° ao 3° ano do ensino médio.

Rodrigo, que é catequista da Igreja Católica, costuma chamar o Quilombo Cultural Malunguinho, instituição voltada à informação, pesquisa e formação na cultura e prática afro indígena brasileira, para palestras na escola. “Sempre discutimos a consciência negra. Sigo a linha da teologia da libertação e considero importante quebrar a discriminação religiosa e racial. Temos muitos alunos evangélicos e católicos e há dois anos já estamos discutindo o tema”, explica.

Alexandre L’Omi L’Odò, sacerdote da Jurema e fundador do Quilombo Cultural Malunguinho, fará palestra sobre a contribuição das religiões afro-indígenas para a preservação ambiental. Em seguida, estará à frente do ritual de plantio da jurema no terreno da escola, que será acompanhado pelos alunos. "Este pé de Jurema será plantado como símbolo de esperança na luta contra o racismo e a intolerância religiosa, assim como para fortalecer o respeito à diversidade e garantir no espaço da escola um patrimônio de memória viva dos povos indígenas que nesta terra já habitavam antes da chegada dos colonizadores brancos e dos negros e negras escravizados", reflete Alexandre. 

A muda tem um metro e pode atingir cinco metros de altura com sete metros de copa. “A jurema sagrada é deusa- mãe, é o centro de tudo na religião. É de onde tiramos toda a força e enregia da natureza para trabalhar na religião. Os indígenas do Nordeste conheciam a planta muito antes dos colonizadores”, explica.

Em 2005, a professora de história Célia Arruda plantou um baobá, árvore de origem africana, na Escola de Referência de Ensino Médio (EREM) Mariano Teixeira, em Areias, Zona Oeste do Recife, para trabalhar também temas relacionados ao meio ambiente e à cultura negra. A árvore é um dos símbolos do movimento negro no Brasil. Hoje, a lei 11.645, que altera a 10.639, inclui o ensino da cultura e tradições indígenas nas escolas.


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

Primeiro Pé de Jurema plantado em uma escola pública no Brasil


Primeiro Pé de Jurema plantado em uma escola pública no Brasil

Nesta quinta feira (09/06/2016) às 14h no EREM Professor Cândido Duarte em Apipucos/Recife, será plantado o Primeiro Pé de Jurema em uma escola pública no Brasil. Este ato religioso e cultural será em homenagem ao Reis Malunguinho, líder da luta por liberdade de negros, negras e indígenas no Quilombo do Catucá (século XIX).

Estou  muito feliz e com enorme orgulho em ser instrumento nessa missão importante de reversão de valores históricos. A escola é o espaço dessas transformações!

Muda de Jurema que será plantada em homenagem aos Reis Malunguinho. Foto de Alexandre L'Omi L'Odò.

Este pé de jurema será plantado como símbolo de esperança na luta contra o racismo e a intolerância religiosa, assim como para fortalecer o respeito à diversidade e garantir no espaço da escola um patrimônio da memória viva dos povos indígenas que nesta terra já habitavam antes da chegada dos colonizadores brancos e dos negros e negras escravizados.

Estou realizado pela vitória dessa luta política de nosso Povo da Jurema e de terreiro em geral. Chegar até aqui é sinônimo de muita luta e resistência.

Parabéns ao EREM Professor Cândido Duarte e ao professor Rodrigo Correia de Lima pela oportuna convocação exatamente na semana do meio ambiente.

Será um dia histórico!

Juremeiros e juremeiras COMPAREçAM com seus trajes típicos e elementos da religião para juntos fazermos o ritual.

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com  

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Professor PhD em História Marcus Carvalho é abordado em questões do Concurso público para Soldado da Polícia Militar do Estado de Pernambuco

Professor Marcus Carvalho. Foto de Joelson Souza. 2015.

Professor PhD em História Marcus Carvalho é abordado em questões do Concurso público para Soldado da Polícia Militar do Estado de Pernambuco

Conteúdos da história dos africanos e afrodescendentes de Pernambuco caíram na prova de seleção de 1.500 (mil e quinhentos) soldados da Polícia Militar do Estado. No edital regulamentado pela Portaria Conjunta SAD/SDS N° 25 de 09 de Março de 2016, cujo prova foi no último domingo dia 29 de Maio, contou também com duas questões sobre os indígenas e outras duas questões sobre a cultura de PE.

Ao ler as duas questões sobre a história dos africanos e afrodescendentes em uma prova de seleção de policiais militares, pude como professor de história ter um pouco de esperança com os futuros soldados que estarão nas ruas da Cidade para “nos defender”. Ter exigido o estudo destes conteúdos em um edital tão procurado, é também uma forma de reparação (muito pequena mas válida) contribuindo para o ampliar do entendimento dos “concurseiros” sobre uma parte da história da África e dos afrodescendentes no Brasil. Isso fortalece a luta pela implementação das leis federais 10.639/2003 e 11.645/08 que instituem como obrigatório o ensino da história dos africanos, afrodescendentes e indígenas nas instituições escolares e de formação de todo país.

Pude averiguar o conteúdo da “prova Azul”, após ser surpreendido por Mariana, uma amiga, que carinhosamente fez questão de me mostrar sua prova e ler para mim as questões que tratavam do conteúdo da extensa e valiosa pesquisa do Professor PhD em História Marcus Carvalho. Com muito entusiasmo, sabendo que eu iria adorar saber sobre isso, ela fez a leitura das questões 41 e 42, cujos conteúdos abordavam os fatos da escravidão - a primeira tratava da fuga e resistência de escravizados(as), e a segunda travava da lei de 1831 (Lei Feijó) que extinguia o tráfico escravista no Brasil [...].

Conteúdos bastante interessantes, levando em consideração que eles aludiam ao entendimento de que a população negra nunca foi passiva e sempre construiu estratégias de sobrevivência lutando contra os opressores (afastando o antigo pensamento que os negros e negras sempre foram passivos ao processo escravocrata), e também, mostrando que os crimes e violações de direitos contra esta mesma população sempre foi algo considerado como normal (até hoje é em certo modo). Ambas as questões complexas para quem nunca estudou tais conteúdos negados pelos currículos oficiais das escolas, mas válidas para despertar a criticidade das mentes dominadas pela história dos brancos colonizadores europeus que sempre foram incutidas na nossa cabeça desde o início da vida escolar.

A contribuição dada para todos nós pelo professor Marcus Carvalho é imensa. Sem ele não teríamos hoje um entendimento amplo sobre a luta por liberdade da população negra em Pernambuco. Gostei de ver sua obra sendo abordada com tanto respeito dentro de um concurso público de importante relevância para nosso Estado.

É entusiasmante ver um amigo/professor sendo reconhecido assim. Mais que merecido! Orgulho em viver no mesmo tempo histórico que este grande mestre da academia.O professor Marcus Carvalho é um companheiro de luta das antigas. Com ele aprendi e continuo aprendendo como ser historiador de verdade. Aprendo como olhar a história por baixo e mostrar os fatos que a historiografia ainda insiste em esconder de todos nós. Ele é um guerreiro da história local. Um grande pesquisador de documentos antigos que ninguém quer colocar a mão por causa dos fungos... Espelharei-me sempre neste exemplo de pesquisador.

Gostaria muito que também tivessem caído questões sobre Malunguinho. Imagina...! Mas outros concursos virão e poderemos nos surpreender com questões que possam muito mais ensinar do que avaliar.

Para compartilhar e aprendermos todos juntos, decidi digitar na íntegra as duas questões (41 e 42) que caíram na prova. A página é a 16 do “caderno azul”, APROVEITEM, nunca é demais o saber.

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Salve a fumaça!

*As respostas estão no final da postagem. Mas antes de vê-las tenta pensar e responder, vai valer a pena.

--> Questões sobre a história dos africanos e afrodescendentes em Pernambuco – prova da polícia militar 2016/PE:

41. Durante os três séculos, nos quais vigorou a escravidão no Brasil, a resistência de escravos tanto de origem africana quanto de origem indígena foi constante e tomou as mais diversas formas. No século XIX, quando a escravidão brasileira viveu seu apogeu com o maior afluxo de escravos africanos, o crescimento das cidades fez multiplicar nelas não apenas o número de escravos mas também as formas de resistência, que se diversificavam cada vez mais. E, se as fugas sempre foram as mais famosas e emblemáticas dessas formas de resistência, nunca foram as únicas. Sobre elas, diz o historiador Marcus Carvalho:

“Nunca faltaram fugas de escravos no Recife. Alguns se aproveitavam dos cortes de o Capibaribe fazia entre os bairros para se evadirem dentro própria cidade em busca de dias melhores. Existem ainda casos mostrando o outro lado da história: fugas do Recife para o interior, ou até para fora da província, buscando a distância do senhor ou a proximidade de parentes, amores, amigos e pessoas da mesma etnia ou nação” (CARVALHO, M. J. M. Liberdade: Rotinas e Rupturas do Escravismo no Recife, 1822-1850. Recife: Ed. Universitária da UFPE, 2010, p. 176).

Tendo em vista esse cenário, assinale a alternativa INCORRETA.

A) O quilombo do Catucá, situado nas margens do Recife, na primeira metade do século XIX, caracterizou-se por ser um espaço de resistência contra a escravidão, que cresceu beneficiando-se dos muitos conflitos interno das próprias elites escravistas, principalmente nas chamadas insurreições liberais.

B) Construções culturais, como a capoeira, o maracatu, e mesmo o culto a determinados santos católicos, como São Benedito e Nossa Senhora do Rosário, foram importantes formas de resistência cotidiana, elaboradas por escravos e ex-escravos nas margens da sociedade escravista e mesmo em suas instituições mais importantes, como a Igreja Católica.

C) Com o crescimento da escravidão urbana no Recife do século XIX, começaram a se desenvolver novas formas de fugas, como as chamadas ‘fugas de portas a dentro’, quando um escravo urbano fugia de seu dono, mas permanecia na mesma cidade, agora servindo a um novo senhor com o qual havia estabelecido um processo de negociação.

D) O quilombo do Catucá, situado nas margens do Recife, na primeira metade do século XIX, cresceu associado a esse centro urbano, beneficiado das fugas de escravos do Recife e canaviais da região, chegando também a se expandir sobre toda região antes dominada por seu predecessor, o quilombo de Palmares.

E) O trabalho escravo nos canaviais também gerava resistência, fosse na forma de revoltas e assassinatos de feitores, fosse na forma de sabotagem da produção.


42. O “desembarque de Sirinhaém” em 1855, em Pernambuco, teria sido apenas mais um dos vários episódios de contrabando de escravos, caso não tivesse dado errado. Tudo começou quando o comandante do palhabote (espécie de embarcação também utilizada para o tráfico atlântico de escravos), invés de ancorar no engenho de João Manuel de Barros Wanderley, acabou parando nas terras do seu vizinho. Este, por sua vez, prontamente denunciou o caso às autoridades. A notícia acabou ganhando grande destaque na imprensa, por ter sido o último negreiro apreendido na costa brasileira com cativos africanos a bordo.

(CARVALHO, M. J. M de. O desembarque nas praias: o funcionamento do tráfico de escravos depois de 1831. Revista de História, São Paulo, n° 167, julho/dezembro 2012, pp. 223-260).

Em relação ao tráfico de escravos em Pernambuco, assinale a alternativa CORRETA.

A) Embora a lei antitráfico tenha entrado em vigor desde 1831, as autoridades imperiais nada fizeram para deter o comércio ilegal nos portos das capitais provinciais. Exemplo disso foi o porto do Recife, que não teve seu cotidiano alterado, no que tange ao comércio atlântico de escravos.

B) Embora conhecida como “Lei para inglês ver”, a Lei de 1831 contribuiu bastante para frear o ímpeto dos traficantes. Exemplo disso é que, em finais da década de 1830 e durante a década de 1840, o número de escravos que ingressaram na Província de Pernambuco diminuiu de forma vertiginosa.

C) O desembarque de cativos africanos nos portos naturais das diversas praias que ficavam na Província de Pernambuco, mas distante o suficiente para dificultar a vistoria das autoridades imperiais, foi uma estratégia desenvolvida pelos atores que participavam do contrabando de africanos, para continuar fornecendo cativos para a capitania.

D) Embora muito alarmado pela imprensa provincial e nacional, o “Desembarque de Sirinhaém” pode ser considerado uma exceção, pois a forte fiscalização da coroa impedia que fatos como este fossem corriqueiros.

E) Por ser, à época do “Desembarque de Sirinhaém”, uma província com forte tendência abolicionista, Pernambuco quase não recebia mais escravos. Além disso, os políticos e as elites latifundiárias estavam mais interessados em fomentar a vinda de mão de obra livre do exterior, principalmente a dos chineses.     

Respostas: 41 – D, 42 – C.

Alexandre L’Omi L’Odò
Historiador e mestrando em Ciências da Religião
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

Quilombo Cultural Malunguinho

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Entidade cultural da resistência negra pernambucana, luta e educação através da religião negra e indígena e da cultura afro-brasileira!