sábado, 15 de abril de 2017

Malunguinho, herói anônimo dos quilombos - Primeira matéria de Jornal sobre o Reis do Catucá

Digitalização da matéria - Jornal do Commercio, 21 de Maio de 2000, Cidades, p. 8.

Cumprindo a missão do Quilombo Cultural Malunguinho de informar, formar e empoderar o Povo da Jurema com informações de qualidade, compartilho este achado histórico importante, que transcrevi de meus arquivos pessoais. Esta foi a primeira matéria em um jornal que tratou do tema da pesquisa do professor PhD em História Marcus Carvalho. No texto, poderemos ter acesso a importantes informações que nos ajudarão a entender mais a história e o contexto cultural/religioso de Malunguinho.  Aproveitem, compartilhem. Este texto é fantástico. Já avançamos muito desde estes tempos na compreensão da figura histórica e divina Malunguinho, mas esta matéria é incrível. Sobô Nirê Mafá #ReisMalunguinho!

 Malunguinho, herói anônimo dos quilombos

HISTÓRIA Há poucos registros sobre o mais procurado líder dos escravos no Estado no Século 19. Ele comandava refugiados do Catucá, na Mata Norte. 

Jornal do Commercio, 21 de Maio de 2000, Cidades, p. 8.
Cleide Alves

Líder quilombola mais temido em Pernambuco nas primeiras décadas do século 19, o negro Malunguinho é dono de uma história singular, porém praticamente anônima. Basta dizer que o Conselho de Governo, principal órgão consultivo da província e que deu origem a Assembléia Legislativa, gastou uma reunião inteira discutindo um possível ataque dos escravos refugiados na Floresta do Catucá (Mata Norte, entre Recife e Goiana) ao Recife. A suposta invasão aconteceria em 1827, comandada por Malunguinho.

Na ata da reunião (29/01/1927), o governo provincial oferece um prêmio pela prisão dos três principais chefes dos quilombos do Catucá: 100 mil réis pela cabeça de Malunguinho, 50 mil réis por Valentim e a mesma quantia para Manoel Gabão. “Cem mil réis, na época, foi a maior quantia já oferecida pela captura de alguém vivo ou morto em Pernambuco”, observa o professor do Programa de Pós Graduação em História da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Marcus Carvalho.

Além da recompensa, foi determinado que todos os negros apanhados nos quilombos fossem vendidos ou mandados por seus donos para fora da província, “para o Sul, além Rio São Francisco, e para o Norte, além do Parnaíba”. A ata da reunião está no acervo do Arquivo Público Estadual.

Segundo Marcus Carvalhos, a data do início da ocupação da Floresta do Catucá não é precisa, mas os movimentos políticos e sociais exerceram influência. “Muitos escravos devem ter aproveitado a Insurreição Pernambucana (1817) e fugiram para as matas, pois vários donos de engenhos localizados nas proximidades do Catucá faziam parte da revolta”, explica. Ele informa que os quilombos do Catucá (ou do Malunguinho) foram atacados sistematicamente pela polícia.

Há registro de diligências policiais em 1821 e 1824 e o líder mais citado em todas é Malunguinho. Numa das tentativas de acabar com os quilombos foram presos 63 negros. As diligências menores eram feitas com cerca de 60 soldados e jagunços, enquanto que as maiores chegavam a 700 homens. “Em 1824, o governo chegou a usar as tropas do Exército que tinham vindo do Rio de Janeiro para combater os rebeldes da Revolta de 1817”.

O professor acrescenta que os quilombolas mantinham contato com outros negros (familiares e amigos) que viviam nos engenhos e nas cidades. Além de ajudar os escravos fugitivos com gêneros alimentícios, essas pessoas informavam aos quilombolas sobre as diligências. “Era comum a polícia chegar nas matas e encontrar casas, mocambos e lavouras recém abandonadas, mas nenhum negro”.

O coração dos quilombos do Catucá ficava numa região conhecida como Cova de Onça, entre Olinda e Igarassu, na antiga margem do Rio Paratibe. Os escravos fugiam do Recife e dos Engenhos da Mata Norte, formando pequnas comunidades no Catucá.

Malunguinho, de acordo com Marcus Carvalho, é o aportuguesamento da palavra Malungo, de origem banto e que significa “canoa grande”. Malungo é traduzido também como “companheiro” e serve para identificar as pessoas que vieram no mesmo navio negreiro. “É um laço muito forte”.

Nos documentos da polícia não há registro da morte ou captura de Malunguinho. O quilombo foi dizimado por volta de 1830. Um dos fatores que mais contribuíram foi a criação da Colônia Amélia, formada por soldados de origem germânica que haviam lutado na Guerra da Cisplatina. Como o governo queria acabar com os quilombos, ofereceu terras aos soldados na Floresta do Catucá. “Os soldados não sabiam que a área já era ocupada pelos negros. No confronto, a família alemã Cristiane foi massacrada”.

Líder negro do século 19 é cultuado como divindade

No culto da Jurema, Malunguinho é uma entidade de grande poder, que se manifesta de três formas bastante distintas: Exu, Caboclo e Mestre. O primeiro representa o mensageiro, fazendo o elo de ligação da linha da Jurema com as pessoas. O segundo é a figura do guia, o principal protetor dos iniciados no culto. O terceiro representa alguém que teve existência real na terra.

A Jurema, segundo o pesquisador Hildo Leal da Rosa, é um culto religioso de origem Indígena (existe no Brasil desde o século 16), mas que também carrega elementos afros (negros) e cristãos (brancos). “Malunguinho é uma entidade que fala pouco e não demora muito quando incorpora. Suas palavras são meio truncadas como uma criança falando, e a língua mistura português com outro idioma”, diz Hildo Leal.

Durante o culto, as mensagens trazidas pela entidade são repassadas a um médium. “Quando a pessoa está com um problema sério e precisa de uma proteção grande, uma das primeiras entidades chamadas para ajudar é Malunguinho”, diz o pesquisador. Trazido como um Exu muito forte, Malunguinho também é invocado nas cerimônias para levar embora os outros exus.

Antes de começar as cerimônias, o grupo sempre pede proteção a Malunguinho. “Isso é uma história muito bonita. O povo pega um herói popular que existiu de verdade, guerreiro, líder dos negros e o coloca no olimpo das divindades”, acrescenta o historiador Marcus Carvalho. Várias cantigas usadas no culto da Jurema citam o nome de Malunguinho.

“Subir ao panteão das divindades é talvez a maior homenagem que um povo pode prestar aos seus heróis”, destaca Marcus Carvalho na publicação O Quilombo de Malunguinho, o rei das matas de Pernambuco (Liberdade por um fio/História dos quilombos no Brasil, editado pela Companhia das Letras). Para Marcus Carvalho, a unidade entre a divindade e o guerreiro da floresta do Catucá é evidenciada em uma cantiga que cita um antigo aparato militar usados pelos quilombolas, os estrepes.

Marcus Carvalho explica que estrepes eram paus pontudos fincados no chão, as armadilhas ou expostos, para impedir os ataques dos soldados aos quilombos. “Muitos soldados caíam nas armadilhas ao perseguir os negros. Vem daí a expressão ‘se estrepar’”, observa. “O Malunguinho da Jurema, que tem o poder de tirar os estrepes do caminho, é, portanto, a recriação simbólica do próprio Malunguinho do Catucá, o verdadeiro rei das matas de Pernambuco”, escreve o historiador na mesma publicação.

Cantigas da Jurema que citam Malunguinho

“Malunguinho portal de ouro
Malunguinho portal de espinho cerca, cerca
Malunguinho tira os estrepes do caminho”.

“Na mata só tem um
é o rei Malunguinho
o rei dos espinhos
na mata é Malunguinho”.

“Firmei meu ponto sim
no meio da mata sim
salve a coroa de Rei Malunguinho
das matas é Rei Malunguinho
das matas é rei
Rei das matas é Malunguinho
Mas eu sou preto e gosto dos pretinhos
Salve a coroa do Rei Malunguinho”.

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Entrevista sobre Teologia Afro com o Teólogo Jayro Pereira de Jesus



Entrevista sobre Teologia Afro com o Teólogo Jayro Pereira de Jesus

O Povo de Terreiro precisa ouvir essa entrevista linda do omo Ogiyàn, teólogo afro e professor Jayro De Jesus. Ele é um dos maiores intelectuais negros de nossa religião e precisa ser ouvido e compreendido. É nosso dever publicar conteúdos de grande relevância para ampliar a percepção de mundo e a criticidade afro indígena de nosso povo. Compartilhem, este vídeo tem axé!

Abaixo, texto original desta postagem no canal do YouTube do Cultne. O vídeo encontra-se neste link: https://www.youtube.com/watch?v=TUUOZT-ffEA&t=708s e também no link de meu canal do Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=7RsBlCoKKa8 

Programa exibido em 01 de abril de 2017 na TV Alerj tendo como convidado o teólogo e professor Jayro Pereira de Jesus..
CULTNE NA TV é um programa para TV que utiliza a riqueza do acervo Cultne além de novos conteúdos num mix de leveza e informação sobre cultura negra. O programa Cultne na TV está no ar na TV ALERJ, uma TV a cabo pertencente ao poder legislativo do Estado do Rio de Janeiro.

Exibição semanal o Cultne na TV traz para a televisão uma importante contribuição para a diversidade da imagem veiculada na mídia brasileira. O programa vai dar aos telespectadores da TV Alerj a oportunidade de se informar, se emocionar, desconstruir preconceitos, a partir de fatos da história contemporânea do movimento negro no Brasil.

O programa é uma parceria da TV Alerj, com o Acervo Digital de Cultura Negra, tendo sido contemplado com os recursos do Edital Viva o Cinema da Rio Filme/ Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro em 2015..

CULTNE, site que reúne um grande conteúdo audiovisual de importantes momentos da história recente dos afros brasileiros. São momentos que retratam as manifestações culturais, artísticas e esportivas, um material que contribui para o ineditismo do programa.
Divididos em dois blocos e com duração de vinte e oito minutos, o programa tem o formato de entrevista em estúdio. O apresentador Ricardo Brasil, e o convidado, vão ficar cara a cara, num papo envolvente. O apresentador conduz a entrevista tendo como fio condutor, a exibição de vídeos em um tablet. São vídeos onde o convidado aparece atuando em algum episódio histórico, ou de fatos que tenham relevância com história de vida do entrevistado. A ideia é contextualizar a história e aprender com ela.

O programa é direcionado a todo e qualquer público, independente de classe social, raça, idade, religião e sexo. É uma atração que vai dar a oportunidade a todos e a todas, de conhecer o passado para repensar o presente.

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Obrigado a JF Neto por ter me ajudado a subir este vídeo.

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

Documentário Coquistas de Olinda Contra as DST/AIDS



Documentário Coquistas de Olinda Contra as DST/AIDS - Parte I



Documentário Coquistas de Olinda Contra as DST/AIDS - Parte II

Documentário Coquistas de Olinda Contra as DST/AIDS

Capa documentário Coquistas de Olinda Contra as DST-AIDS - Frente. 

Capa documentário Coquistas de Olinda Contra as DST-AIDS - Fundo.

Texto oficial do DVD

As doenças sexualmente transmissíveis, DST/AIDS, são um problema de saúde pública mundial. Nos países em desenvolvimento, como o Brasil, requerem, por parte do poder público, maior atenção e disposição para combatê-las. 

A Prefeitura Municipal de Olinda, através de sua Secretaria de Saúde, reuniu artistas populares, os novos coquistas, para que fizessem de seus cantos e vozes, uma arma eficaz nesta guerra contra estes males. O resultado está ai: Um DVD revelando todo processo criativo desses artistas, arautos do povo olindense. 

Que ele sirva de instrumento de educação para as populações vulneráveis a esta pandemia, as DST/AIDS.

João Veiga
Secretário de Saúde de Olinda

Ficha Técnica

Documentário de 2008

Coquistas participantes:

Mestre Galo Preto
Dona Selma do Coco
Dona Célia do Coco
Aurinha do Coco
Mestra Ana Lúcia do Coco
Zeca do Rolete
Arnaldo do Coco

Técnicos e Produção:

Roteiro e Direção - Wilson Freire
Produção e Fotografia - Hamilton Costa Filho
Assistente - Andrenalina
Edição - Danúbia Dantas e Mary Gabis
Pós Produção - Pingo
Realização - Cabra Quente Filmes 
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Faço esta rara publicação por entender a importância da preservação deste importante documentário que registra vários coquistas da cidade de Olinda compondo cocos com letras que educam e dão grito de combate contra às DST/AIDS. É um trabalho inédito e muito interessante. Já faziam cinco anos que eu havia publicado em duas partes este audiovisual em meu canal do YouTube e só agora me dei conta que não havia feito uma publicação mais ampla sobre. Aqui está, com a intenção de dar acesso ao grande público a  estes importantes conteúdos da cultura popular, democratizando o acesso a memória.

No filme algumas das grandes mestras do coco já nos deixaram, como Dona Selma do Coco e Dona Célia do Coco. A estas importantes artistas deixo minha eterna homenagem. Saudades eternas daquelas com quem tanto aprendi.

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho 
alexandrelomilodo@gmail.com

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Obrigado - Da série, poesias de L'Omi

OBRIGADO

Obrigado por acometer-me de grande amor
Obrigado por acordar-me com relâmpagos
Obrigado por construímos dores
Obrigado por conservarmos ardores
Obrigado por me ter tomado anos
Obrigado por ter visto os mundos comigo
Obrigado por se permitir amar
Obrigado por pular no abismo belo do sonho
Obrigado por mergulhar em suas dores
Obrigado por mergulhar em suas dores
Obrigado por conceder teu sossego e amor
Obrigado por menstruar nossa vida
Obrigado por ser forte e digna de admiração
Obrigado por ter me dado amor de verdade
Obrigado por ter me despertado profundo amor
Obrigado por ter me ensinado a pensar sobre
Obrigado por ter me dado teu sabor
Obrigado no que de mais belo tem o axé
Obrigado por ter me dito verdades
Obrigado por ter me batido com ódio
Obrigado por não enxergar-me
Obrigado por não teres esperado
Obrigado por me dares um filho que nunca tive
Obrigado por ter ocupado com beleza minha casa
Obrigado por me morderes e me dar voadoras
Obrigado por ter chorado em minha cama
Obrigado por ter me ajudado em algumas coisas
Obrigado por me ouvir e ter seguido algumas orientações
Obrigado por ter se dado e me dado prazer no dia da morte
Obrigado por ter me beijado no carro de João naquele dia
Obrigado por ter me feito dormir horas
Obrigado pelos livros
Obrigado pelas andadas até aqui
Obrigado por você ter ternura
Obrigado por você ser tão irracional
Obrigado por você me querer como objeto
Obrigado por me amar plenamente
Obrigado por ter sido amada por mim de verdade
Obrigado por ser bi
Obrigado por me entender por ser bi
Obrigado por construir seu mundo com força
Obrigado por te ajudar naquilo que te fortalece
Obrigado por não teres tempo
Obrigado por sua juventude
Obrigado por sua alma
Obrigado pelas luzes que nasceram de nós
Obrigado pela entrega sábia e necessária
Obrigado pelo pulo em meus braços
Obrigado por me fazer feliz tantas vezes
Obrigado pelas toalhas molhadas em minha cama
Obrigado por ter feito da minha casa a sua
Obrigado por ter cegado e se emburrecido
Obrigado pelo que sou hoje
Obrigado pelas desculpas não ouvidas
Obrigado pelas traições
Obrigado pelo sexo gostosíssimo
Obrigado pela boa pegada no meu pau
Obrigado pelos orgasmos que te dei
Obrigado por Zé Pilintra
Obrigado pela pedra que levaste
Obrigado pelo carinho
Obrigado pelas macumbas
Obrigado por me fazer fluir
Obrigado por tudo que não foi
Obrigado por tudo que será
Obrigado pela segurança de nossa amizade
Obrigado por nos entendermos tão bem
Obrigado por apoiarmos a safadeza de ambos 
Obrigado pelas fotos
Obrigado pelo explorar de nosso sexo
Obrigado pelos ciúmes
Obrigado pelos não ciúmes
Obrigado por ter me feito esquecer Rita em partes
Obrigado por sermos tão íntimos
Obrigado por nos conhecermos de verdade
Obrigado por não me perdoar
Obrigado por me amar
Obrigado por falar mal de mim
Obrigado por não me respeitar
Obrigado pelo silêncio
Obrigado por ter me feito achar coisas
Obrigado por ter me esperado noites
Obrigado por ter feito escândalos
Obrigado por ter me enchido o saco
Obrigado por me ligar pra saber como eu estava
Obrigado por ter confiado em mim
Obrigado pelo que fizemos juntos
Obrigado pela energia doida
Obrigado por me guiar
Obrigado por me deixar chorar
Obrigado pelo simples ato do riso
Obrigado pelo que me fazes sentir ainda
Obrigado pelas lembranças que não cessam
Obrigado pelas lágrimas que ainda derramei
Obrigado pelas belezas que nascemos no nosso mundo perfeito e imperfeito
Obrigado pelo coração ferido e sofrido
Obrigado por me usar
Obrigado por extrair sem prazer de mim
Obrigado pelo seu sono enorme
Obrigado por tudo
Obrigado pelo hoje e pelo ontem
Obrigado pelo amanhã e pela nossa vida.

Axé e te respeito!

Para J.B.
17/12/2012.

Alexandre L’Omi L’Odò.
alexandrelomilodo@gmail.com 

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Babá Paulo Braz Ifátògún - Matéria da Revista Aurora 2013



Babá Paulo Braz Ifátògún 
Matéria da Revista Aurora - 2013

Com matéria de Marcionila Teixeira e fotografia/registro audiovisual de Alcione Ferreira, este é um dos raros registros públicos do histórico sacerdote Babá Paulo Braz Ifátòógún. 

Esta matéria que consta de três páginas na publicação da Revista Aurora do dia 05 de Março de 2013 e registro audiovisual publicado no link: http://aurora.diariodepernambuco.com.... traz com sensibilidade parte dos saberes africanos do Alapini que fez história em Pernambuco, por ser um dos últimos grandes anciãos da tradição nagô. 

Pai Paulo Braz, faleceu no último dia 27 de Dezembro de 2016, levando consigo uma das maiores e mais expressivas bibliotecas negras de nosso tempo. 

Axé!
Kolofé!

Alexandre L'Omi L'Odò 
Filho de axé e eterno admirador de seus saberes ancestrais. 
alexandrelomilodo@gmail.com

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

50 anos de axé de Mãe Lu Omitòógún - Iyemojá Ògúnté Mi, firme como uma Montanha!


50 anos de axé
Àjòdún Àádota

Iyemojá Ògúnté Mi, firme como uma montanha!

Foi em um Janeiro de 1966 que uma jovem negra de apenas 16 anos, filha de Iyemojá Ògúnté, se iniciou na tradição nagô de seus avós e pais em rituais de muito segredo e discrição. Lá no passado, em um período de grande perseguição às religiões afro que a doce adolescente nasceu para o Orixá.

Teve em sua cabeça as fortes mãos da Sra. Maria Vicentina da Costa, a Tia Vicência - Ifádayrò  (de Iyemojá Sesú), sua iyalorixá, filha adotiva de Ignês Joaquina da Costa – Ifatinuké, e teve como pai (no ritual) Olofin Oduduwá, “padrinho” do Sítio de Pai Adão.

Participaram deste ritual, seu pai carnal Malaquias Felipe da Costa – Ojé Bií, e como “padrinhos” Paulo Braz Felipe da Costa – Ifátòógún (seu irmão carnal) e o Sr. Toinho do Monte. Sua “madrinha” foi Tia Mãezinha – Iyamidè, filha carnal de Pai Adão, que dela cuidou dentro do Peji do Sítio junto com Tia Vicência nos dias de seu resguardo religioso.

Sua trajetória, iniciou mesmo na Jurema Sagrada, quando nos antigos tempos do Nagô, era necessário primeiro confortar os caboclos e caboclas para se ter a permissão para “fazer o santo”. Consagrada para o Caboclo Viturino e o mestre Antônio, tinha em sua mãe carnal a maior escola possível nesta “ciência mestra”, já que a Sra. Leônidas Joaquina da Costa - Omisèun era uma grande juremeira, herdeira da tradição indígena de seus pais e avós.

Ela ainda herdou a tradição da fé em Nossa Senhora da Conceição (sincretizada com Iyemojá nos cultos de matriz africana de Pernambuco), santa católica que sempre foi adorada por Pai Adão, pelo seu Pai e hoje por ela com profundo amor, devoção e fervor. Aprendeu a rezar o mês mariano e zela pela imagem de Maria, que tem mais de 180 anos de existência, pois pertenceu a Pai Adão no passado.

É isso mesmo, a menina herdou a tradição da tríplice pertença religiosa. A Jurema, a Tradição Nagô e o Catolicismo Popular vivem harmonicamente em seus caminhos do axé. Seu cosmo é regido por este universo xenofílico.

A menina cresceu e se demonstrou uma grande iyalorixá. Com sorriso largo, carisma sem igual, suavidade nas palavras, sabedoria nos conselhos dados, humildade religiosa e devoção ímpar, ela trouxe para junto de si centenas de filhos e filhas que a amam e comungam de sua trajetória de vida com felicidade. Ela tem mão odara, e quem se banha em suas águas, conhece o bem e a beleza da vida afroreligiosa.

Hoje, a Sra. Maria Lucia Felipe da Costa, Mãe Lu Omitòógún, de 65 anos de idade, sacerdotisa mor do Ilé Iyemojá Ògúnté, é na linhagem hierárquica nagô a iniciada à Ògúnté mais antiga viva do Sítio de Pai Adão. É professora formada em Letras/Inglês e pós-graduada em história das artes, mãe de uma única filha carnal chamada Bárbara (atual mãe pequena do terreiro) e professora de uma escola de referência no Recife.

Ela é oceânica! Mulher de grande respeito. Cuidadora e criadeira de muitos filhos adotivos. Arrimo de família. Guerreira e sonhadora. Consciente de seu papel como mulher negra, milita na causa ainti-racismo. Ensina que devemos lutar por nossos direitos e vai à luta com seus filhos, pois é uma mãe sem igual. Ela compra as brigas dos filhos sim, encara a guerra e vence as batalhas que a vida nos traz. Ela segura em nossas mãos. Ela nos acaricia e acolhe. Na beira de sua cama choramos nossas mágoas. Ela também chora com a gente. Ela nos abraça e nos faz ter a certeza que sempre poderemos contar com sua força maternal de grande sacerdotisa.

Mãe Lu é nossa Iyemojá, a grande mãe. Nela tudo é seio farto. Nela mora o sossego do mar calmo em dias de paz.

“Iyemojá a to f’ara ti bi oké – Firme como uma montanha”!
Tití àiyé!

No dia 26 de Novembro de 2016, celebraremos em nosso terreiro seus 50 anos de iniciação religiosa com o Presente (Panela) de Iyemojá e a saída de dois iyawò. Neste ato, vamos vibrar, louvar, celebrar o dom de termos esta grande mulher como nossa mãe e também de termos Ògúnté Mi como nossa regente soberana nos caminhos de odú.

Convidamos todas e todos. Axé!

Alexandre L’Omi L’Odò.
Omo Orixá - Historiador e Mestrando em Ciências da Religião.
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com 

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Baobá será plantado no EREM Cândido Duarte em Recife

Alexandre L'Omi L'Odò no momento de recebimento da muda do Baobá em frente a Faculdade de Direito de Recife. Foto de Fernando Baobá.


Baobá será plantado no EREM Cândido Duarte em Recife

Ja está em mãos o gracioso Pé de Baobá Africano que será plantado dia 18 de Novembro na EREM Cândido Duarte em Apipucos/Recife. 



Foi nessa escola que plantei junto com meus irmãos e irmãs o primeiro Pé de Jurema Sagrada em uma escola pública no Brasil. 

Agradeço a parceria de sempre do Amigo Fernando Batista, ou Fernando Baobá, como prefiro chamá-lo, que doou esta árvore rara para servir como símbolo da luta contra o racismo e a intolerância religiosa na escola pública. 

Olha ai Rodrigo Correia de Lima, já consegui. Agora espero que consigamos plantar com a devida dignidade e respeito. Axé e salve a fumaça! 

Foto de Fernando Baobá.

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

Palestra de Alexandre L'Omi L'Odò no Paço do Frevo discute Dia da Consciência Negra


Palestra de Alexandre L'Omi L'Odò no Paço do Frevo discute Dia da Consciência Negra

Dia 20 de novembro (domingo) dia da Consciência negra às 16h, irei dar uma palestra com o tema: "13 de Maio X 20 de Novembro" no Paço do Frevo no Recife Antigo.


Esta atividade também conta com Karynna Spinelli que fará um show super especial momento. Vai ser lindo. Vamos debater o racismo e afirmar nossa identidade afro indígena neste grande dia de luta! Axé!! 

Nos ajudem a divulgar compartilhando. Vem enegrecer suas idéias. Axé.

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultual Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

Roda de Diálogos da Língua Yorùbá com Alexandre L'Omi L'Odò


Roda de Diálogos  da Língua Yorùbá com Alexandre L'Omi L'Odò

No dia 19 de Novembro, véspera do dia da Consciência Negra, às 16h, estarei realizando uma roda de diálogos sobre a língua yorùbá e seu contexto histórico. Vai sem um excelente momento para promovermos uma rica troca de saberes sobre esta língua tão bem conservada dentro dos terreiros de todo Brasil. 

Compareçam. Maiores informações visitem o evento no facebook: https://www.facebook.com/events/1607392952895100/ 

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

A inocência e o cachimbo de Jurema - Um registro do Kipupa Malunguinho

A inocência e o cachimbo. Foto de Allan Luna.

A inocência e o Cachimbo de Jurema - Um registro do Kipupa Malunguinho

Recebi um lindo e afetuoso presente no Kipupa Malunguinho deste ano. Esta fotografia tão forte e representativa me foi entregue emoldurada e assinada pelo fotógrafo Allan Luna. Ele registrou um momento único. Uma criança pegando um cachimbo de Jurema e não querendo entregar ao pai ou avô... Com um olhar marcante e uma expressão de emocionar. Uma circusntancia cheia de significados...

Ao observarmos a imagem podemos divagar e debater tantas densidades de informações e significados que o click de Allan acaba que entra para os anais de nossa história da jurema como um dos registros mais bonitos e interessantes.

É isso que queremos. É por isso que lutamos: Pela preservação de nossa memória com beleza e qualidade.

Essa criança quando crescer vai ter nesta imagem uma memória única de parte fundamental de sua vida religiosa. Ela já tem trajetória... A criança já nasceu pra ser o que é. Um juremeiro firmado desde berço. Não sei seu nome... Não sei quem são seus pais. És pro um dia poder entregar esta mesma fotografia à família para guardarem com carinho uma lembrança do nosso Kipupa.

Obrigado Allan Luna por este presente. Que a Jurema e Reis Malunguinho o abençoe na sua caminhada de vida. Venha nos fotografar mais. Precisamos de seus clicks.

Sobô Nirê Mafá!


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

O Povo de Axé quer Babá Paulo Braz Ifátòógún como Patrimônio Vivo de Pernambuco

Babá Paulo Braz. Foto de Marcelo Curia. MDS. 2010.

O povo de Axé quer o Babá Paulo Braz Ifátóògún como Patrimônio Vivo de Pernambuco


Nosso Babá Alapini Paulo Braz Ifátòógún está concorrendo ao Premio do Registro do Patrimônio Vivo de Pernambuco 2016. Ele é uma proposta muito relevante para que este edital reconheça pela primeira vez um Mestre de Matriz Africana, um Mestre dos saberes de terreiro, um Mestre da cultura yorùbá no Brasil.

Vamos vibrar positivamente e compartilhar muito as informações do nosso sacerdote para que o Conselho Estadual de Políticas Culturais de Pernambuco enxerguem ele com bons olhos e faça essa justiça história para o povo de terreiro.

Salve Babá. O senhor é um diamante da nossa cultura e religião. Axé!

#PaiPauloBrazNossoPatrimônioVivodePernambuco!

Foto de Marcelo Curia.

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

Quilombo Cultural Malunguinho

Quilombo Cultural Malunguinho
Entidade cultural da resistência negra pernambucana, luta e educação através da religião negra e indígena e da cultura afro-brasileira!