quinta-feira, 4 de setembro de 2014

IX Kipupa Malunguinho - Coco na Mata do Catucá - Nós somos o Povo da Jurema e Merecemos Respeito!


IX Kipupa Malunguinho - Coco na Mata do Catucá
Nós somos o Povo da Jurema e Merecemos Respeito!

10 anos do Quilombo Cultural Malunguinho

INFORMAçÕES GERAIS DO IX KIPUPA MALUNGUINHO

Mais um ano vamos celebrar juntos a força da memória do Reis Malunguinho na Jurema Sagrada. O Nosso herói negro/índio pernambucano tem nos abençoado muito com tantas lutas vencidas a nosso favor, afinal a luta em prol do Povo da Jurema é nossa e precisamos somar e agregar mais e mais. Nosso nono ano de atividade coletiva é motivo de orgulho para as comunidades tradicionais de terreiro, pois com muita luta, estamos conseguindo (mesmo que com todas as dificuldades óbvias) desmarginalizar a Jurema de seu processo histórico de exclusão no campo da pesquisa acadêmica e por conseqüência no campo da mentalidade das demais religiões, pessoas etc. Tudo isso com a ciência sagrada da Jurema, que nos dá forças para prosseguirmos nesta estrada de muita luta e alegrias, de trabalho e empoderamento de nosso povo.

Este ano o Kipupa homenageia Mãe Biu do Portão do Gelo (Severina Paraíso da Silva) pelo seu centenário. Somar com o Povo Xambá nos orgulha, pois a figura da liderança feminina de Mãe Biu nos representa a todas e todos na luta por nossa religião. Sua história e resistência são exemplos de perseverança e orgulho religioso. Ela merece todas as homenagens, foi uma grande e importante iyalorixá que com sua fé ajudou sua comunidade a resistir de forma plena e fortemente preservada dentro dos fundamentos de sua nação.

Atrações artísticas:

Lançamento do CD – Sobô Nirê – “Meu Labor da Mata” com toadas de Malunguinho cantadas por diversos artistas:

Shows:
Bojo da Macaíba
Grupo Bongar
Karynna Spinnely
Chinelo de Iaiá
Lucas dos Prazeres
Coco dos Pretos
Grupo Raízes do Xambá

As homenagens do Prêmio “Mourão Que Não Bambeia” pelos seus grandes feitos pela Jurema Sagrada vão para:

Mãe Biu do Xambá – Comemorando seu centenário
Mãe Eugênia Chang
Mãe Beatriz de Malunguinho
Mestra Mãe Biu de Alhandra
Professor Dr. Sandro Guimarães de Salles
Mãe Rosita de Tupinanji
Mãe Leonildes de Sibamba

Contamos com a participação de todas e todos para juntos fazermos o maior encontro de juremeiros e juremeiras do Brasil, nas matas sagradas do antigo quilombo do Catucá.

Para entender tudo sobre o Kipupa, leiam o texto do pesquisador Alexandre L’Omi L’Odò em seu blog: 


Informações sobre o evento (leiam tudo para não terem dúvidas):

R$: 25 reais o valor para comprar os bilhetes dos ônibus + DVD do Filme Malunguinho – Comprar no Mercado de São José, Box de Eliane. Ou, comprar nas mãos dos coordenadores.
Ou, R$: 15 reais apenas a passagem no transporte, sem o DVD do filme.

Cada terreiro pode organizar seus próprios ônibus individualmente. Façam isso, pois não pretendemos organizar todos os ônibus mais.

Quem vai de CARRO, KOMBI, VAN, ETC. terá que se encontroar com todos às 8h da manhã em frente à Prefeitura de Abreu e Lima para juntos entrarem na mata. Não entrem sós, pois podem se perder, o caminho é longo e confuso. Haverá sinalização no caminho da mata, mas mesmo assim, não arrisquem!

 Também, mesmo quem vai de carro ou de transporte individual pode contribuir com os R$: 15 reais, ou mais, já que o evento é feito com a contribuição de todas e todos.

O local principal de saída dos ônibus é no Memorial Zumbí dos Palmares, Pátio do Carmo no Recife às 7h da manhã. Sem atrasos. O retorno é às 18h.

Alguns terreiros estão se organizando para saírem ônibus de suas casas, quem quiser se agregar em alguns destes terreiros, se articulem individualmente e falem com os juremeiros e juremeiras responsáveis. Neste caso não precisam falar conosco.

Os juremeiros e juremeiras devem ir com roupa tradicional da Jurema, homens de calça, camisa e chapéu. As mulheres de saias coloridas, torso ou chapéu. Levem seus cachimbos, maracás, ilús, pandeiros e todos os objetos que acharem necessário. Vamos fazer uma festa bonita com o colorido tradicional da Jurema. Vamos manter vivas nossa raízes, a começar pelas roupas que são nossa identidade.

Quem desejar levar oferendas para Malunguinho fiquem a vontade, desde que sejam oferendas perecíveis, pois cuidamos muito da Mata Sagrada e não admitimos poluição no local. Portanto, confeitos, balas e doces: tirar das embalagens de plástico. Bebidas só o líquido é permitido oferecer (as garrafas recolher), Alguidares serão recolhidos após os atos de oferenda, Cigarro, é proibido deixar as piolas no chão. Animais não serão imolados no local. Favor respeitar todas estas normas.

É PROIBIDO ACENDER VELAS DENTRO DA MATA. No altar de Malunguinho haverá local para firmarem seus pontos de luz.

O Kipupa é um evento cultural e religioso, e por estes motivos, quem não for da religião, favor não tirar camisa no local, não usar drogas, não entrar na mata para outros fins que não sejam louvar Malunguinho e a Jurema Sagrada. Estaremos atentos com vigilantes no local para manter o respeito à tradição da Jurema.

O Kipupa não é um “piquenique na mata”, portanto, não fiquem bêbados e não vão na intenção de arrumar qualquer tipo de problema, briga etc. Malunguinho estará recebendo suas oferendas juntos com as demais entidades e divindades. Cuidado...

Os fotógrafos profissionais que forem ao evento, assim como os que irão filmar, avisamos que todo material feito/captado no local deve ser repassado posteriormente (semana seguinte) em alta qualidade ao Quilombo Cultural Malunguinho, nas mãos de seus coordenadores. Não permitiremos fotografar sem esta condição.

No local haverá comida e bebida a vontade para vender. A comunidade da Mata do Engenho Pitanga II é nossa parceira e colocam bastante comida variada à venda. Portanto, não se preocupar com comida. Quem quiser levar sua comida fique a vontade.

Não será permitido adentrar o rio dentro da mata, pois o local é de difícil acesso e não garantiremos socorro lá.

HAVERÁ AMBULÂNCIA (UTI MÓVEL) NO LOCAL E SEGURANçA.

HAVERÃO BANHEIROS QUÍMICOS PARA TODOS E TODAS

As pessoas podem levar suas faixas e homenagens à Jurema e ao encontro sem nenhuma restrição.

O local do Som será aberto para intervenções de terreiros, portanto fiquem a vontade para se expressarem.

É PROIBIDO USAR DROGAS NO EVENTO COMO UM TODO!

Vamos fazer uma linda festa como todo ano tem sido. Com paz, harmonia, fá e amor. Malunguinho tem dado muitas graças para os que o procuram. Portanto, vamos de coração aberto para celebrar a vida e nossos ancestrais negros e indígenas com a força da união da Jurema Sagrada. Todo este ato é uma luta contra o racismo!

O Kipupa é um ato para unir e organizar o Povo da Jurema, portanto, não vamos ter nenhuma vergonha de “baixar” nossos caboclos e caboclas, mestres e mestras, trunqueiros etc. este é um dia de liberdade religiosa para a Jurema, vamos colocar toda nossa ciência pra fora, vamos fumaçar e celebrar juntos!

Sobô Nirê Mafá Reis Malunguinho!!
Trunfa Riá!!!

Contatos:

81. 8887-1496 / 9525-7119 / 9428-7898 / 9955-9951

Produção e Coordenação

Alexandre L’Omi L’Odò – alexandrelomilodo@gmail.com
Ricardo Nunes -
João Monteiro – dundunmonteiro@yahoo.com.br


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com 

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

7° Semana Estadual da Vivência e Prática da Cultura Afro Pernambucana - Lei Malunguinho 13.298/07


7° Semana Estadual da Vivência e Prática da Cultura Afro Pernambucana - Lei Malunguinho 13.298/07
Efetivando e Implementando as leis federais 10.6397/03 e 11.645/08

A sétima Semana Estadual da Vivência e Prática da Cultura Afro Pernambucana, Lei Malunguinho 13.298/07, será realizada mais um ano pela Escola Estadual EREM Mariano Teixeira no bairro de Areias no Recife/PE.

A bela atividade organizada, produzida e sustentada por todos estes anos pela guerreira professora Célia Cabral, é um dos melhores exemplos que Pernambuco tem em relação à efetivação da implementação das Leis Federais 10.639/03 e 11.645/08.

A Lei Malunguinho foi criada para além de dar visibilidade e reconhecimento estadual à figura histórica e divindade da Jurema Sagrada Malunguinho, foi pensada também para fortalecer e ajudar as escolas e outras instituições de ensino do Estado a implementarem as citadas leis.

Pena termos apenas a Escola Mariano Teixeira nesta luta (ou não). Portanto, já é um bom indício do que pode vir a acontecer com outras escolas que se dispuserem a copiar este excelente exemplo com seus professores e gestores na luta contra o racismo e pela valorização da história e cultura africana, indígena e afrodescendente do Brasil no currículo escolar. Lembro que a efetiva4ão destas leis são obrigatórias e mais de 99% das escolas não a implementam no nosso país. Este é um dado frustrante, mas que estamos lutando para reverter com exemplos como o da Professora Célia Cabral.

A Semana Estadual da Vivência e Prática da Cultura Afro Pernambucana ainda contará com outras atividades realizadas pelo Quilombo Cultural Malunguinho, entre elas o curso de Juremabioética e Afrobioética ministrado pelo teólogo afro Jayro Pereira de Jesus (de 22 à 27 de set.), e também o IX Kipupa Malunguinho, o grande encontro nacional do Povo da Jurema que acontecerá dia 28 de setembro do corrente ano.

Segue programação do EREM Mariano Teixeira 2014:

EREM MARIANO TEIXEIRA
SEMANA ESTADUAL DA VIVÊNCIA E PRÁTICA DA CULTURA
AFRO-PERNAMBUCANA (Lei Estadual 13.298/07)

De 12 a 18 de Setembro de 2014

PROGRAMAÇÃO:
 DIA 12/09/14 (sexta-feira):
Abertura com a Gestora Jacqueline Maux
Palestra sobre a Cultura Afro-pernambucana
Professora Célia Cabral e alunos do 1º e 2º anos
Convidados:
Coordenadores da Instituição Quilombo Cultural Malunguinho: Alexandre L’Omi L’Odò, João Monteiro, Líder comunitária da Vila Cardeal Silva: Fátima Monteiro
Local: CTE da Escola
Horário: 14h20

DIA 13/09/14 (sábado) e 14/09/14 (domingo)
Acessar o site www.qcmalunguinho.blogspot.com ; a direção, coordenação, professores, alunos, funcionários e comunidade escolar para deixar uma mensagem para a Instituição Quilombo Cultural Malunguinho discutindo os temas afro pertinentes à Semana de Malunguinho.

DIA 15/09/14 (segunda-feira)
Exibição e debate sobre o Filme Malunguinho
Alunos do 1º e 2º ano, professores, coordenação, direção, comunidade escolar e convidados
Local: CTE da Escola
Horário: 10h30 e 14h30

DIA 17/09/14 (quarta-feira)
Alunos protagonistas em ação: músicas, danças, poesias, é a Cultura Afro-pernambucana em destaque
Local: CTE da Escola
Horário: 10h30 e 16h30

DIA 18/09/14 (quinta-feira)
Cuminância: Roda de diálogos
- Apresentação Teatro de Fantoches Baobá
Tema: Malunguinho, herói pernambucano, às 16h30
Professora: Célia Cabral e alunos do 1º, 2º e 3º ano
- Capoeira: Grupo Cobra com Mestre Marcelo, às 17h20
Convidados:
Fátima Monteiro (Líder comunitária da Vila Cardeal Silva)
João Monteiro (historiador)
Alexandre L’Omi L’Odò (historiador)
Samuel da Luz (gerente da Igualdade Racial da Prefeitura da Cidade do Recife)
Fátima Oliveira do GETERÊ (Grupo de trabalho em Educação das Relações Étnico raciais da Prefeitura da Cidade do Recife)
Local: pátio da Escola
Horário: 16h20 à 17h40
Encerramento: Gestora Jacqueline Maux, coordenação, professores e convidados

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

Professora Célia Cabral Uma mestra na arte de lutar contra o racismo na escola

 Professora Célia Cabral na Escola Mariano Teixeira apresentando culminância da Semana de Malunguinho 2013. Foto/Acervo QCM.

Professora Célia Cabral
Uma mestra na arte de lutar contra o racismo na escola

A Semana Estadual da Vivência e Prática da Cultura Afro Pernambucana – Lei Malunguinho 13.298/07, é um elo que foi criado para fortalecer a corrente da luta contra o racismo no Brasil. Uma lei que surgiu a partir da proposta do Quilombo Cultural Malunguinho, e foi discutida junto com os diversos movimentos negros e de terreiro de Pernambuco. A lei foi apresentada pelo Deputado Estadual Isaltino Nascimento em 2007 e aprovada como símbolo da luta do povo da Jurema/de terreiro em prol de reconhecimento aos seus heróis negros indígenas marginalizados pela história.

A materialização e efetivação desta lei, hoje só pode ser vista de fato na Escola Estadual Mariano Teixeira, no bairro de Areias, Recife/PE.

A bela atividade organizada, produzida e sustentada por sete anos ininterruptos é realizada pela guerreira professora Célia Cabral, ou Célia Malunguinho, como ficou conhecida após toda esta luta pelo fortalecimento da ideia política de uma sociedade sem racismo e de uma escola não eurocentrada, ou ocidentalizada nos conteúdos curriculares. Este é um dos melhores exemplos que Pernambuco tem em relação à efetivação da implementação das Leis Federais 10.639/03 e 11.645/08, que tem na Lei Malunguinho um “reforço” para sua implementação, que é obrigatória, e que mais de 98% das escolas no Brasil não a efetivam como deveriam, infelizmente.

Professora Célia Cabral apresentando o teatro de fantoches (Malunguinho, Herói Pernambucano). Escola Mariano Teixeira 2012. Foto/Acervo QCM.

A Professora Célia Cabral, é um orgulho para o povo negro, indígena e de terreiro do país. Ela faz a diferença onde atua. É uma professora comprometida com a causa da extinção do racismo e é ativa na luta por uma escola menos embranquecida e racista. Ela é “Mourão Que Não Bambeia”! Nós aplaudimos seu trabalho que merece ser copiado por todas as escolas que estejam comprometidas com a mudança de paradigmas históricos preconceituosos e racistas.

Salve Célia Malunguinho, Célia Baobá, Célia de Xangô, Célia da Jurema, Célia guerreira da educação! Axé!

Alexandre L’Omi L’Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com 

domingo, 31 de agosto de 2014

Alexandre L’Omi L’Odò realiza palestra na FAFIRE com tema “A Jurema Merece Respeito – Religião de Matriz Indígena no Contexto Social e Teológico”


Alexandre L’Omi L’Odò realiza palestra na FAFIRE com tema
“A Jurema Merece Respeito – Religião de Matriz Indígena no Contexto Social e Teológico”

Estarei, no próximo dia 18 de setembro de 2014 às 19h, realizando mais uma palestra comemorando a Semana Estadual da Vivência e Prática da Cultura Afro Pernambucana – Lei Malunguinho 13.298/07.

O tema central da palestra é: “A Jurema Merece Respeito – Religião de Matriz Indígena no Contexto Social e Teológico”.

Abordarei alguns temas transversais como racismo, intolerância religiosa, política e povo de terreiro, e abriremos para nossa tradicional troca de saberes entre alunos, professores e outros participante.

Compareçam e vamos celebrar os 10 anos do Quilombo Cultural Malunguinho na pisada do fortalecimento do conhecimento de nosso povo.
Sobô Nirê!!!

Serviço:

Local: FAFIRE

Palestra:
A Jurema Merece Respeito – Religião de Matriz Indígena no Contexto Social e Teológico

Palestrante:
Alexandre L’Omi L’Odò – Historiador, sacerdote juremeiro e aborisá Jeje Nagô, membro do Comitê Nacional de Respeito à Diversidade Religiosa da Presidência da República. www.alexandrelomilodo.blogspot.com 

Entrada Gratuita.

Informações: 81. 9955-9951 / 9525-7119


Alexandre L’Omi L’Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

Curso de Extensão - Introdução ao Estudo da Juremobioética / Afrobioética Capacitação introdutória para Povo de Terreiro


Em comemoração aos 10 anos do Quilombo Cultural Malunguinho

Curso de Extensão
Introdução ao Estudo da Juremobioética / Afrobioética
Capacitação introdutória para Povo de Terreiro

Prof. Jayro Pereira de Jesus

Carga horária: 60 – 44 h/a presencial e 16h para elaboração de trabalho de conclusão

Período: De 22 à 27 de setembro de 2014
Turnos: Tarde e noite

Locais: Arquivo Público Estadual Jordão Emerenciano
Rua do Imperador, 371 – Santo Antônio – Recife/PE (só turno da noite)

Núcleo Afro: Pátio de São Pedro, Santo Antônio – Recife/PE (só turno da tarde)

30$ taxa para material didático

Será entregue certificado para quem cumprir mais de 75% da carga horária do curso.

Inscrições
Mandar solicitação para email: alexandrelomilodo@gmail.com
Ou ligar para: 81. 9525-7119 (TIM) / 8887-1496 (Oi)
Você receberá um email com a ficha de inscrição que deverá preencher e mandar de volta para L’Omi L’Odò.

Realização: Quilombo Cultural Malunguinho, L’Omi L’Odò Produções – Pesquisas e Consultorias, Ministério da Saúde, Egbé Orun Àyé, ATRAI e ESTAF

Apoio: Arquivo Público Estadual Jordão Emerenciano, Ilé Iyemojá Ògúnté, Núcleo Afro da Prefeitura do Recife, Palácio de Iemanjá e Casa das Matas do Reis Malunguinho.


Atividade da 7° Semana Estadual da Vivencia e Prática da Cultura Afro Pernambucana – Lei estadual 13.298/07 (Lei Malunguinho).


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com 

sábado, 30 de agosto de 2014

Release - Curso de Juremabioética e Afrobioética com Professor Jayro Pereira de Jesus - em PE

Professor Jayro Pereitra de Jesus - Teólogo Afro Indígena. Foto da CULTINE/Divulgação.

POVO DE TERREIRO DA TRADIÇÃO DA JUREMA (JUREMABIOÉTICA) E DE MATRIZ AFRICANA DE RECIFE E REGIÃO METROPOLITANA TERÃO CAPACITAÇÃO EM AFROBIOÉTICA

Em comemoração dos 10 anos do Quilombo Cultural Malunguinho, decidimos fortalecer mais ainda o Povo Tradicional de Terreiro com informação de qualidade na 7° Semana Estadual da Vivência e Prática da Cultura Afro Pernambucana (Lei Malunguinho 13.298/07).

Visando contribuir para o Povo de Terreiro na perspectiva de qualificar e alterar a esfera pública das Tradições de Matriz Africana e Indígena, será ofertado de 22 a 27 de setembro de 2014, o curso de capacitação introdutória em JUREMOBIOÉTICA e AFROBIOÉTICA para o Povo de Terreiro da Jurema Sagrada (Juremaafrobioética) das Tradições de Matriz Africana da cidade de Recife e região metropolitana. É tarefa igualmente do curso, habilitar adeptos das Tradições da Jurema, de Matriz Africana e Afro-Umbandista para atuarem mediante massa crítica nos Conselhos Municipais de Saúde e nos Comitês de Bioética de Hospitais, Universidades (controle afrosocial), etc. 

Ofertado pela EGBÉ ÒRUN ÀIYÉ (Associação Afro-Brasileira de Estudos Teológicos e Filosóficos das Culturas Negras) pela Associação Nacional de Teólogos e Teólogas Afrocentrados/as da Tradição de Matriz Africana, Afro-Umbandista e Indígena, bem como pela Escola de Filosofia e Teologia Afrocentrada (ESTAF), e também pelo Quilombo Cultural Malunguinho e a L’Omi L’Odò Produções – Pesquisas e Consultorias (estas duas últimas organizadoras do curso em PE) a capacitação visa abordar os valores éticos e morais da vida humana e em geral de acordo com visão de mundo dos povos africanos trazidos para o Brasil compulsoriamente e dos povos indígenas.

O curso sobre JUREMOBIOÉTICA/AFROBIOÉTICA é uma proposta que visa trazer à tona a gama axiológica e pressupostos ontológicos negro-africanas para dialogar com as demandas contemporâneas no que concerne a doação de órgãos, transplantes, aborto, tratamento de fertilização, clonagem, células-troncos, embriões à luz da afroética, bem como da Afrobioética e pesquisas com seres humanos, Afrobioética, mulheres negras e de Terreiros, pressupostos afrofilosóficos e afroteológicos, afrobiodireito, pressupostos civilizatórios africanos e a dignidade humana, questões de identidade de gênero de acordo com os postulados da cosmovisão africana e indígena, entre outros conteúdos que serão abordados no curso.             

O curso abrirá espaço ainda para a discussão da ética dentro da Jurema e dos cultos de matrizes africanas e umbandistas.

A palavra Bioética é uma bricolagem advinda de ética e vida (bio) significando a grosso modo “ética da vida” ou ética aplicada à vida. Quando se acrescenta mais uma palavra aqui no caso “afro” antecedendo a bricolagem e por sua vez compondo uma tríplice (tri) colagem visa situar a África, como nascedouro do ser humano, berço da civilização e o Egito africano como a fonte da civilização ocidental (NASCIMENTO, Elisa Larkin. Introdução às antigas civilizações Africanas. In: ___. A matriz africana no mundo. São Paulo: Selo Negro, 2008, p. 56).

A capacitação já fora realizada na capital pernambucana e no Rio de Janeiro no ano de 2013 com apoio do Ministério da Saúde (DAGEP/SEGEP) e neste ano de 2014 realizou-se inicialmente nas cidades de Belém (PA), Palmas e Porto Nacional (TO) e novamente Recife e, em seguida pela segunda vez no Rio de Janeiro, contando com os apoios da SEPPIR e novamente do Ministério da Saúde através dos órgãos DAGEP e SEGEP.        
                       
O facilitador da capacitação é Prof. Jayro Pereira de Jesus (Ògìyán Kalafò Olorode), Teólogo de Formação e Teólogo Afrocentrado de Visão Mundo Africana, Afro-Umbandista e Indígena, Licenciado em Ciências Religiosas e Presidente da ATRAI.  A capacitação conta com o apoio da SEPPIR/SECOMT.    

Evento: Capacitação Introdutória em JUREMABIOÉTICA/AFROBIOÉTICA para Povo de Terreiro
Data: 22 a 27 /09 de 2014
Horário: Tarde e noite de 2ª
 a 6ª  e no sábado o dia todo
Local de realização: Arquivo Público Estadual e Núcleo Afro

Maiores informações: Com Alexandre L’Omi L’Odo pelos fones: (81) 9525-7119/8887-1496; email: alexandrelomilodo@gmail.com

Apoio: Arquivo Público Estadual Jordão Emerenciano, Prefeitura do Recife (Núcleo Afro) e Terreiro Casa das Matas do Reis Malunguinho e Palácio de Iemanjá.

Alexandre L’Omi L’Odò
Quilombo Cultural Malunguinho

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

10 anos do Quilombo Cultural Malunguinho - Lutando e Unindo o Povo da Jurema!


10 anos do Quilombo Cultural Malunguinho - Lutando e Unindo o Povo da Jurema!

Dez anos se passaram... Quando olhamos para trás, vemos que nossa existência valeu a pena. A Jurema nos ajudou em tudo... Nos fortalecendo na luta contra a invisibilidade desta religião que ainda hoje é massacrada pela academia e por pessoas sem entendimento teológico. Mas estamos firmes na luta, pois não há força contrária que consiga derrubar a fé de um grupo de pessoas que querem mudar uma realidade histórica. Que mais dez anos venham, e mais e mais 10, 20, 30, 100... Se nosso corpo aqui não estiver, nosso egún ou espírito estará para ajudar ao Povo da Jurema.

Conseguimos tirar Malunguinho da invisibilidade histórica e religiosa. Conseguimos fazer uma lei estadual, conseguimos fazer muitos cursos, palestras e levar a Jurema ao conhecimento de todo Brasil e mundo... Vencemos barreiras... Construímos lutas belíssimas... Trabalhamos forte... Hoje até a academia está voltada para a Jurema como nunca esteve para pesquisá-la... Até tese de doutorado será defendida ainda este mês com o tema do Quilombo Cultural Malunguinho... Conseguimos realizar o maior encontro de Juremeiros da história de nossa religião... Conseguimos também estar juntos em Alhandra e ajudar àquele lugar importantíssimo a suplantar e despertar perante suas dificuldades. Chegamos primeiro em alguns lugares para discutir e somar. Conseguimos ter Griôs, pessoas de suma importância para nós... Conseguimos trazer para perto mestres antigos que estavam esquecidos... Colaboramos com conferências e congressos até mesmo internacionais. Publicamos artigos científicos e continuamos estudando... Firmamos nossa Jurema na força e na forja quente desta luta. Firmamos a fumaça no tempo, e conseguimos agregar...

Estamos só no começo da trajetória. Pois enquanto vida eu tiver, estarei firme e sem abalos na caminhada desta história. 

Este será um ano especial. Vamos aprender Tupi, vamos aprender mais ainda yorùbá, vamos ter palestras, cursos e formações em espaços acadêmicos. Vamos visitar terreiros (como sempre fizemos), e vamos nos abraçar com os juremeiros e juremeiras que desejam contribuir. Salve a ciância e salve Malunuginho, patrono mestre desta luta e causa!

Sobô Nirê!

"Parabéns na Jurema, parabéns". QCM!!!

Arte e designe: Nino Souza.

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com 

terça-feira, 8 de abril de 2014

DENÚNCIA - Polícia investiga incêndio e destruição de imagens em terreiro de candomblé em Goiana



DENÚNCIA

Polícia investiga incêndio e destruição de imagens em terreiro de candomblé em Goiana

***

O responsável pelo terreiro é o babalorixá conhecido como Pai Dedo, que acredita ser vítima de intolerância religiosa

Publicado em 08/04/2014, às 12h19

Atualizada às 15h15

A polícia investiga a depredação e incêndio ocorridos em um terreiro de candomblé na madrugada da segunda-feira, dia 1º de abril, em Goiana, na Zona da Mata Norte pernambucana. O local de culto à entidade Jurema teve suas dependências tomadas pelas chamas e várias imagens sagradas foram quebradas. O responsável pelo terreiro é o babalorixá conhecido como Pai Dedo.

Pai Dedo acredita que foi vítima de racismo e intolerância religiosa. Ele contou que apesar de deixar o terreiro em escombros, os bandidos não levaram nenhum objeto de valor. No local, havia geladeira, televisão, botijão de gás, joias e peças valiosas.

Na porta da casa, duas fitas zebradas demarcam o isolamento feito pela polícia. Em uma dependência chamada 'Quarto da Jurema', diversos objetos foram incinerados, mas a 'mesa da Jurema' ficou intacta. A televisão teve seu visor partido, partes de plástico da geladeira ficaram completamente derretidas, bacias plásticas deformadas. O teto do imóvel estava escurecido pela fumaça do incêndio.

O caso ganhou a atenção do Comitê Nacional de Respeito à Diversidade Religiosa, que enviou seu representante local, Alexandre L'Omi L'Odò para reconhecer a situação de Pai Dedo. "Nós consideremos esse caso como uma agressão coletiva a todos os terreiros do Brasil. Nós iremos pressionar o governo até dar cabo de situações como essa", disse Alexandre. Apesar de o laudo policial não ter confirmado a motivação como intolerância religiosa, Alexandre antecipa sua opinião baseado nos indícios. "Todo esse fogo não foi causado por fósforos. Certamente o vândalo utilizou gasolina para dar início ao incêndio", comentou.

Fotos: Alexandre L'Omi L'Odò/Cortesia.

Alexandre disse que Pai Dedo era pessoa bem quista na comunidade, mas que alguns moradores chegaram a fazer abaixo-assinado contra as atividades realizadas no terreiro dele. "Nós iremos esperar a investigação da polícia, mas também vamos pressionar, pois sabemos que o tratamento dado a religiões de matriz afro-brasileira deixa a desejar. Eles não darão a importância que o caso necessita. Mas nós consideramos esse crime como motivado por racismo e intolerância religiosa", declarou Alexandre.

As investigações estão sendo conduzidas pela Delegacia de Goiana, onde o responsável é o delegado Diego Pinheiro. Por e-mail, a Polícia Civil informou que o inquérito ainda não foi concluído. "O delegado de goiana ainda está em diligência."

Fonte - JC Online: 

Alexandre L'Omi L'Odò
Comitê Nacional de Respeito à Diversidade Religiosa da Presidência da República
alexandrelomilodo@gmail.com

domingo, 6 de abril de 2014

Terreiro de Pai Dedo em Goiana/PE é Incendiado por vândalos - Crime de racismo e violência religiosa contra a Jurema Sagrada

Pai Dedo mostrando o B.O (boletim de ocorrência) em frente ao seu terreiro que está interditado.

Terreiro de Pai Dedo em Goiana/PE é Incendiado por vândalos - Crime de racismo e violência religiosa contra a Jurema Sagrada

Carta de repúdio à Intolerância Religiosa contra os terreiros de Jurema em Pernambuco e demais religiões tradicionais de terreiro – Caso do terreiro de Pai Dedo de Goiana:

No último dia 31 de Março de 2014, no passar da noite para a madrugada do dia 1° de Abril, o terreiro de Jurema Tenda do Caboclo Boiadeiro de Tupi Goiá e Ilê Axé Ogum Toperinan, localizado no município de Goiana/PE, foi incendiado criminosamente por pessoas até então desconhecidas. O terreiro foi queimado cruelmente, em um ato evidente de racismo e intolerância religiosa por vândalos que destruíram imagens de mestras e mestras, objetos pessoais e sagrados. A situação do terreiro é alarmante e nada foi roubado do local.

Espero que este caso não seja mais um entre tantos que o Estado Brasileiro não dá suporte devido e nem ajuda a resolver as questões envolvidas, perpetuando a impunidade. Contudo, a criminalização dos casos de racismo e intolerância religiosa tem que se transformarem em metas concretas do Estado para contribuir efetivamente na extinção destes crimes que são cometidos cotidianamente contra a fé do outro de forma livre e inconsequente, talvez por se haver uma compreensão coletiva de que tais crimes não levam ninguém à cadeia. Evidencio que tais crimes ocorrem cotidianamente contra os terreiro de matriz africana e indígena, crimes estimulados muitas vezes por outras religiões que estimulam este tipo de violência contra os direitos humanos.

Imagem do Mestre Zé Pilintra com a cabeça decepada pelos vândalos. Prova de ódio religioso.

Convoco todo povo de terreiro do Brasil e demais religiões que desejam lutar a favor do respeito à diversidade religiosa e lutar conseqüentemente contra a intolerância religiosa para rediscutir este tema recorrente entre nós, e que estas imagens sejam compartilhadas por todos e todas que desejam ajudar na luta contra crimes desta natureza, revelando a face cruel do que é de fato a intolerância religiosa, e que esta destrói vidas e causa traumas profundos em suas vítimas.

Como membro do Comitê Nacional de Respeito à Diversidade Religiosa, saí de Recife para oferecer algum suporte ao juremeiro e babalorixá Pai Dedo, no intuito de compreender o que havia ocorrido em seu templo. Conversamos bastante e ele expôs toda questão e nos apresentou o contexto/panorama deste crime. Foi feito um B.O. (boletim de ocorrência) e a Polícia Militar está encaminhando os processos com empenho.

Porta do terreiro interditada pelos bombeiros. Há risco de desabamento no local. Ainda estão averiguando a situação predial.

Resto dos objetos sagrados do quarto da Jurema que foram atingidos.

Televisão depredada. Não roubaram nada do local. Apenas destruíram o templo.

Quarto onde eram guardadas as roupas do axé e da Jurema. Totalmente destruído.

Cozinha do terreiro totalmente destruída.

Estou chocado com o que vi naquele local. E fiquei muito feliz com a fé que encobre o Pai Dedo, que mesmo tendo seu patrimônio destruído, estava firme em sua fé na Jurema. Um fato impressionante, e que merece destaque, foi que a mesa sagrada da Jurema não foi queimada. Mesmo envolta de fogo, sequer o pano que a cobria foi queimado. Os assentamentos dos mestres e mestras, os troncos de Jurema, os príncipes e princesas etc. Tudo cheio de cinzas, mas inteiros e firmados. Isso nos fortaleceu na esperança de saber que nossos encantados e ancestrais estão ao nosso lado nos protegendo e nos incentivando nesta luta. O Juremeiro também foi orientado a ligar ao DISK 100 para registrar o caso neste espaço de combate aos crimes contra os direitos humanos, e assim foi feito.

Sequência de imagens que mostram como ficou o quarto da Jurema Sagrada após o incêndio. Atenção à mesa da Jurema. Totalmente preservada.




Se a mídia não veicula esta informação, cumpro meu papel de cidadão e disponibilizo fotos e dados para que pelo menos os que por aqui passarem se informarem da real situação do Povo de Terreiro no Brasil.

Mesmo perante a tamanha violência contra o sagrado em seu terreiro, Pai Dedo não perde a fé e continua dizendo que vai reconstruir tudo de novo.

Muito traumatizado com o ocorrido, Pai Dedo lamenta as percas materiais de seu patrimônio, fruto de muito trabalho.

Pai Dedo e eu em momento de reflexão sobre o caso de intolerância religiosa sofrida.

Fachada do terreiro.

Salve a fumaça! O trabalho do Quilombo Cultural Malunguinho está firme e continua com força e fé na luta contra a intolerância religiosa e o racismo! Sobô nirê!

Alexandre L’Omi L’Odò 
Membro do Comitê Nacional de Respeito à Diversidade Religiosa da Presidência da República
alexandrelomilodo@gmail.com

Quilombo Cultural Malunguinho

Quilombo Cultural Malunguinho
Entidade cultural da resistência negra pernambucana, luta e educação através da religião negra e indígena e da cultura afro-brasileira!