sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Atenção: Representantes de religiões de matriz africana recebem certificado - Uma crítica a fazer...


Atenção: Representantes de religiões de matriz africana recebem certificado
Uma crítica.

Bom pessoal postei aqui este vídeo para provocar uma discussão sobre o que se pode ver e ouvir nesse registro audiovisual. Nessa reportagem, da TV Globo Nordeste podemos presenciar falas que vão contra toda uma concepção de religião, principalmente as de matrizes africanas e indígenas, já que fica claro o posicionamento em tornar os terreiros em "pontos turísticos". Magoou-me muito ver que a vulnerabilidade de algumas de nossas sacerdotisas e sacerdotes, alimentam loucuras como essas, que a cada dia vem se forjando e proliferando em nosso Estado. O povo de terreiro tem que se conscientizar que relações "Casa Grande e Senzala", onde migalhas, como certificados sem nenhum critério são distribuídos, entre outras ações, só levam nossa comunidade religiosa ao mais profundo caminho da cegueira política e insuficiência em sua cidadania, além de colocar os religiosos em posição vergonhosa perante ao Estado, que de longe está preocupado com o avanço e o fortalecimento real desse público, nos vendo como meros objetos para manipulação.

Ainda ouço por alguns isso: “é melhor isso que nada”, ou “antes não existia na da dessas coisas para nosso povo, temos que aproveitar”. Mas na verdade, o povo de terreiro está sem rumo. Não consegue identificar qual o seu papel nesse jogo e muito menos consegue realizar críticas e autocríticas satisfatórias nos meios de discussão coletiva, e, isso é muito preocupante.

Sempre foi tradição do povo de terreiro resistir, lutar, alimentar milhares com seu axé e comida, dar caminho aos sem caminho e agregar. Hoje, em Pernambuco, assistimos um movimento altamente contraditório se formando, onde pessoas de dentro da religião, e outros recém-convertidos por interesses políticos, dão personalidade e ânima a um pensamento imergido no neo-colonialismo e na faculdade do embranquecimento, tornando-nos não representados, quando achamos que estamos sendo representados perante o “sistema”, anulando-nos, quando achamos que existimos...

Preciso ouvir o povo de terreiro se pronunciar, falar, berrar, se mover, se acordar... Pois, como seguem as coisas, creio que precisaremos de mais 500 anos para nos libertar das amarras cruéis do cristianismo e do ocidente que nos escravizou e escraviza com essas ações ditas “políticas do povo de terreiro”.

PS: desculpem o tamanho da tela do video, mas o código "embed", não me permitiu editar para ficar menor. Mas dá pra ver sem cortes o conteúdo da reportagem.

Alexandre L’Omi L’Odò.
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

sábado, 27 de agosto de 2011

Brazilian Reggae Music - No Eufrásio Barbosa dia 03/09!!


Brazilian Reggae Music - No Eufrásio Barbosa dia 03/09!!


Publico aqui, a pedido de Laura, uma argentina linda que se tornou parceira, o evento que a tras de volta às terras pernambucanas para poder nos vermos mais uma vez com muito Reggae!! Imperdível e só 20 reais... Ó o texto ai embaixo... Publiquei integral como ela mesmo escreveu. Muito bom.
 
"Levei a sério o "VOLTE SEMPRE" de vocês, jijiji, espero vocês lá(no Eufrásio)  comigo nessa noite especial. Dia 3/9  acho que vou chegar em Recife e posso vender antecipadas pessoalmente, outra boa desculpa pra ver vocês!

Man vê Que PROMOÇÃO: Os primeiros Ingressos Ganham um Cd. Duas das atrações nacionais mais pedradas, que nunca tinham apresentado seu trabalho solo em Recife depois de sairem da banda que fundaram, Leões de Israel, Solano e Dada se apresentarão pela primeira vez na em PE. Se tu bebes tu tens SKOL ou DEVASSA à R$3,00! Se não bebes, tens água, suco ou refrigerante por um preço acessível, sem exploração. Se tu comes carne vermelha, galinha essas coisas tu tens acesso a isso por um preço acessível. Se não comes carne, tens comida Natural ( I tal), culinária Rastafari, de excelente qualidade por um preço acessível. Nos intervalos das bandas, se quiseres descançar ao ar livre, tens o jardim do Eufrásio. Se não quiseres a VJ Laura, da Argentina, vai estar rodando uns vídeos bem massa ao mesmo tempo que o Dj Ras Oreia bota um som roots. Além disso, a Tabacaria Boa Vista estará sorteando uns "brinquedinhos" e acessórios pra quem fuma. Sem contar com o TRATAMENTO, sim irmão, o tratamento é o X da questão, porque essas pessoas que estão fazendo esse evento, tocam, vivem e gostam de Reggae e não querem só teu dinheiro não mano, querem te receber bem e fazer com que você volte pra casa feliz da vida e satisfeito de ter curtido ao máximo a noite tanto pelas atrações, pelo acesso que você tem ao que quer consumir (PREÇO $), pela não superlotação do local (não serão vendidas mais do que 2500 entradas), como também pelo cuidado que nós temos com o público. Você vai sair de lá realizado e dizendo: Graças a Deus que eu posso apoiar essa idéia. Resumindo: 20 reais por isso tudo é uma tremenda Promoção!!!"

Gracias Alexandre.
Laura. 

Alexandre L'Omi L'Odò
alexandrelomilodo@gmail.com

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Ensáio Fotográfico com o Mestre Galo Preto. Fotos de João Rogério Filho

 Mestre Galo Preto. Foto de João Rogério Filho.

 Ensáio Fotográfico com o Mestre Galo Preto. Fotos de João Rogério Filho.

Hoje, dia 24 de agosto de 2011, o Mestre Galo Preto participou de um ensáio fotográfico realizado pelo fotógrafo João Rogério Filho, da F4, seu Estúdio. Com muita experiência e competência, o fotógrafo conseguiu arrancar do Mestre Galo Preto, uma vasta possibilidade de formas e poses. Com muita satisfação, o Mestre, esbanjou elegância e simpatia, características permanentes dele. Em breve as novas fotos de divulgação estarão nos sites oficiais de Galo Preto.  Ficaram lindas... Aguardem.

Mestre Galo Preto e João Rogério Filho discutindo poses e formas. Foto de Alexandre L'Omi L'Odò.

Alexandre L'Omi L'Odò
Produção.
alexandrelomilodo@gmail.com

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Vamos ajudar a Feira da Música do Ceará - A música independente tem força pra isso!

Clamor Manifesto - Feira 10 from Coletivo Fórceps on Vimeo.

Vamos ajudar a Feira da Música do Ceará - A música independente tem força pra isso!
Todo pessoal da Música do Brasil, de todos os gêneros, por favor, vejam esse vídeo e colcaborem com a Feira da Múscia do Ceará, pois este evento é o maior atual parceiro da música independente nacional, Se liguem!!! Vamos colabroar urgente! Entrem no site: http://catarse.me
"Somos o Estado"!
 Alexandre L'Omi L'Odò - Produção do Mestre Galo Preto e Músico 
alexandrelomilodo@gmail.com

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Convite para a festa de Jurema de Dona Rosa, a Pombojira organizadora dos meus caminhos.


Convite para a festa de Jurema de Dona Rosa, a Pombojira organizadora dos meus caminhos.

Todas e todos convidados para a festa desta Pombojira magnífica. Minha Iyalorixá mãe Lúcia de Oyá T'Ogùn tem o prazer de realizar a mais de 40 anos esta festa. É um orgulho compartilhar deste axé da Jurema com todos.

Por favor só vão com roupas adequadas para se visitar uma casa de Jurema. Homens com calça comprida e camisa composta e mulheres de saia e blusa composta. Todos com tons de vermelho e preto se possível.

Alexandre L'Omi L'Odò
Egbomi de Oxum e Juremeiro
Ilé Oyá T'Ogùn
alexandrelomilodo@gmail.com

sábado, 13 de agosto de 2011

Mestre Galo Preto - Matéria Jornal do Commércio 24 de junho 2011, sobrer lançamento de seu filme.

Publico aqui mais uma matéria sobre o Mestre Galo Preto do Jornal do Commércio 24 de junho 2011, sobrer lançamento de seu filme.

Se faz importante registrar na intenet estes raros momentos de divulgação da música e cultura tradicional brasileira.

Visitem o Mestre na Rádio Oi Novo Som:  

Alexandre L'Omi L'Odò
Produção
alexandrelomilodo@gmail.com

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Pós Graduação em Ciências da Religião


Pós Graduação em Ciências da Religião

Vejam a a grade deste curso, está fantstica. É muito importante aos sacerdotes e sacerdotisas do candomblé e Jurema se dedicarem a estes estudos para ampliar seu horizinte de conhecimento sobre as religiões. Olhem o folder e se inscrevam.

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

domingo, 7 de agosto de 2011

Re-consagração de Malunguinho - Uma transmissão familiar de ancestralidade e ciência na Jurema

 Malunguinho. Festa da Lavadeira 2011.  Foto de Thiago Angelin Bianchetti.
  Re-consagração de Malunguinho 
Uma transmissão familiar de ancestralidade e ciência na Jurema

*Alexandre L’Omi L’Odò

Cheguei à minha casa pensando em registrar em texto a vivência que tive com a Jurema. Vi coisas bonitas e senti coisas importantes... Este é um texto de registro histórico.

Hoje, dia 06 de agosto de 2011, foi a data da re-consagração de Malunguinho, um fato histórico de sucessão hierárquica na Jurema. Todo acontecido religioso foi possível por causa do juremeiro João Folha, já renascido para a espiritualidade. Um dos mais tradicionais e antigos juremeiros da região do Jordão Baixo no Recife/PE, falecido no dia 15 de maio 2011 de complicações cardíacas, deixando o terreiro “Mensageiros da Fé”, casa regida pela cabocla Iracema, com mais de 43 anos de funcionamento, sendo o mais antigo terreiro de Jurema e culto nagô deste bairro. O terreiro também é regido pela divindade Malunguinho, que tem um espaço especial no terreno, sendo o único que “mora só”, com culto próprio e específico. Malunguinho foi o regente de Seu João Folha, que era filho de Xangô com Oxum, mas tinha no culto da Jurema sua maior sustentação e fé.

O templo se estabeleceu na localidade que há 70 anos era conhecida como Sítio das Cacimbas e, depois se tornou popular com o nome de “Bica de Seu João Folha”, terras da família de Dona Dora, que há quatro gerações se mantém residindo.  

Dona Dora. Mestra Juremeira e Iyalorixá. Foto Diego Nigro.

O terreiro foi fundado por Dona Dora, “filha de santo” do falecido Genival Francisco de Araújo, da Rua Orubatanga, no Córrego da Gameleira/Recife, e depois de Seu Luiz da Guia (Luiz José de Santana), que hoje se encontra com 98 anos de idade. E Seu João Folha, em 17 de abril de 1968 no mesmo local onde hoje está estabelecido. Mas, Dona Dora já tinha culto pelo menos há cinco anos antes em um local no mesmo Sítio de sua família, próximo a atual localidade.

Os motivos da abertura da casa foram os problemas de saúde que abateram a sacerdotisa, a pressionando a fundar o local onde suas divindades e entidades iriam ter morada definitiva. Oyá Egunitá, seu “Orixá de cabeça”, o Mestre Zé Malandro, Galo Preto, Mestra Georgina, Seu Tranca Rua das Almas entre outras e outros, fizeram da Rua Fernandes Belo, n° 611, o caminho para ajudar os necessitados, trazendo a cura e a iniciação, dando caminho e orientação, ajudando a preservar a memória dos índios e negros que deixaram essa missão para ela e tantos outros.

Foram 55 anos de casados. Tiveram 9 filhos, mais de 16 netos e 7 bisnetos. Dentre estes e estas está Rosemary de Fátima, conhecida como Mary, filha de Oxum e herdeira do axé de Malunguinho. Casada com filhos, ela foi a escolhida pela Jurema para perpetuar a ciência de seu pai, que tinha em Malunguinho uma fé incondicional, mesmo não o recebendo em seu corpo com manifestações espirituais, ele cultuava Malunguinho com tanto afinco e adoração que as pessoas até o questionavam brincando: “o senhor fala mais em Malunguinho que em Deus”... Dona Dora ainda diz: “o Deus dele era Malunguinho, pois ele tinha tanto amor por ele que tenho certeza que ele está feliz com sua filha o ter herdado, inclusive manifestando-se, trazendo sua ciência para todos verem”.   

O fato da transmissão familiar da ciência é uma circunstância não muito comum dentro dos terreiros de Jurema. O que assistimos frequentemente é quando um juremeiro ou juremeira antigo ou antiga morre, seus objetos rituais e sua história são jogados fora pelos seus filhos e netos e sacerdotes responsáveis. Os motivos desta atrocidade cultural são os mais diversos como a responsabilidade em ficar cultuando algo que não é seu, não ter ninguém da família pertencente a religião, até mesmo o desrespeito completo com a ancestralidade e a falta de conhecimento sobre os procedimentos corretos dos rituais. Isso vem fazendo grande parte da história da Jurema se apagar e cair no completo ostracismo. Mas com o caso de Seu João Folha foi diferente, sua história se manteve viva na família com toda legitimidade e consciência. 

Mary. Filha carnal de Dona Dora e herdeira da ciência de Seu João Folha. Foto Alexandre L'Omi L'Odò.

Desde pequena Mary vinha se “manifestando” com Malunguinho, e Dona Dora já pressentia que este iria ficar na casa, para segurar o axé do terreiro, através de sua filha que iria ficar responsável pelos assentamentos de seu pai. Fato este que, todos os filhos e filhas e freqüentadores do terreiro celebraram com muita alegria, pois Malunguinho se confirmou e pronunciou publicamente dirigindo-se ao sacerdote Sandro de Jucá, responsável pelas suas cerimônias e culto e a Dona Dora, estar “muito satisfeito com as oferendas ofertadas a ele”. Ele dançou, brincou, celebrou, cantou, comeu, bebeu e fumou, saudou seus protegidos e agradeceu. E de fato, a força de Malunguinho se fez presente no barracão. Todos sentiram a forte energia que emanou de dentro da casa onde ele mora. Frutas, bebidas, fumos, velas e animais compuseram suas oferendas. Assim se fez parte da re-consagração de Malunguinho, que agora passa a ser zelado por Mary. As armas e símbolos da divindade (preaca, estrela de seis pontas, volta de ave-maria, cipó de japecanga, cachimbo e sementes) foram repassadas pela antiga Juremeira Dona Rita de Malunguinho, que tem 74 anos de iniciada no culto à Jurema e 89 anos de idade. Ela, que é irmã de Jurema e de axé de Sandro de Jucá, também de Seu João Folha, sendo eles iniciados pelo falecido Grivaldo de Xangô, conhecido como Pai Brivaldo de Xangô, discípulo do Mestre Zé da Pinga, formalizaram um ato familiar do mesmo axé e ciência, firmando laços de consideração religiosa pelos irmãos mais velhos que tem o direito de repassar objetos sagrados aos mais novos.   

Malunguinho "manifestado" em Mary. Foto de Alexandre L'Omi L'Odò.

 
Mary, recebendo as armas de Malunguinho pela juremeira Dona Rita de Malunuginho. Foto de Alexandre L'Omi L'Odò.

 
Confraternização. Mary e Dona Rita de Malunguinho. Foto de Alexandre L'Omi L'Odò. 

 
Mary firmando na Cidade de Malunguinho. Foto Alexandre L'Omi L'Odò.

Como é de tradição das casas mais antigas de Jurema e Candomblé (Xangô) de Pernambuco cultuar Exú no mês de agosto, a Casa de Dona Dora não poderia deixar de realizar os rituais e liturgias de sempre, pois mesmo a Casa estando de luto pelo falecimento de Seu João, Malunguinho solicitou suas “abrigações” e permitiu que os rituais dos Trunqueiros/Exús fossem todos realizados, mesmo que sob a regra do silêncio dos Ilús (instrumentos sagrados de percussão), sendo permitido apenas o uso das macas e palmas de mão para dar o ritmo aos cânticos rituais.

Todo ritual foi regido pelo juremeiro e babalorixá Sandro de Jucá e pela iyalorixá e Mestra juremeira Dona Dora, que como sempre, deram o tom adequado aos ritos, trazendo informações/elucidações e boa energia. Foi feita a limpeza de agosto tradicional com as aves e velas e todos cantaram toadas de limpeza:

“É na Jurema, é na Jurema, to me limpando é na Jurema”...

Os cachimbos acesos, fumaçando os desejos, levando à Jurema os pensamentos, estiveram presentes todo o tempo nos rituais, com a variação do uso do fumo preto e do fumo mais suave. 

Juremeiro Sandro de Jucá, abrindo os cânticos no quarto de Malunguinho. Foto Alexandre L'Omi L'Odò.

A fala de Sandro sobre a família de Dona Dora e as responsabilidades no terreiro com a continuidade das práticas após o falecimento de seu fundador, reuniu antes de iniciar as imolações todos dentro do salão da Jurema. A fala foi de fundamental importância para informar aos presentes e aos filhos Ricardo Gonçalves e Luiz Gonçalves e ao neto Luiz Carlos Jr. Que com a “ausência” de Seu João, as práticas tradicionais da casa não mudariam em nada. Todas as normas estruturadas por Seu João durante sua gestão no terreiro se manterão completamente, sendo sempre relembradas por Sandro e Dona Dora. Agora Seu João é um Esá (ancestral ilustre) no Balé - Ilé Ibó Akú (casa de adoração aos mortos) do terreiro, e de lá vigiará as atividades dentro da casa. Sandro ainda colocou que “a casa não é dele”, e que ele está ali apenas para dirigir os rituais e organizar as funções referentes a um babalorixá e juremeiro. Sandro, pediu para que os filhos carnais de Dora estivessem sempre presentes na casa para observar de perto o que acontecia e que eles dêem força a sua mãe, pois ela está sofrendo opressão de uma de suas filhas que é evangélica neopentecostal, que está tentando convertê-la para que ela feche o terreiro e venda o terreno para dividir o dinheiro entre os herdeiros. As investidas dessa filha têm perturbado Dona Dora demais. E isso compromete as praticas dela, pois dentro de sua própria casa ela esta sofrendo a intolerância religiosa e o preconceito. Os filhos se comprometeram em ajudar e concordaram com a conversa toda. Depois dessa reunião, os trabalhos começaram com muita animação, invocando os Trunqueiros, como Seu Tranca Rua, que foi o primeiro a receber as homenagens em seu mês.

Sandro de Jucá (ao centro de vermelho) discursando ao terreiro. Sentada Dona Dora, em pé seus dois filhos. Foto Alexandre L'Omi L'Odò.

 
Neto Luiz Carlos Jr e filhos Ricardo Gonçalves e Luiz Gonçalves. Foto Alexandre L'Omi L'Odò.

Os rituais seguiram tranquilamente, com muita participação dos presentes. Depois dos Trunqueiros, os rituais foram dedicados à Malunguinho, com a re-consagração de Mary e depois veio a vez das pombojiras, que animaram o salão com suas características sedutoras e dinâmicas. Contudo, a festa foi bonita de observar, mas faltava um dos responsáveis - o Seu Vira Mundo, também conhecido como Bate Porteira. Ele “desceu” em Sandro de Jucá próximo a meia noite e ai a festa foi completa... O coco tomou conta do salão, puxado pelo Seu Vira. Eu cantei, Seu Vira cantou, depois chegou o Seu Zé Malandro, Mestre da sacerdotisa, que também entoou cocos conhecidos.  Seu Vira Mundo entoou um coco característico da espiritualidade de um trunqueiro de Jurema e deixou o salão a prestar atenção:

“Na minha Cidade existe três reinados encantados, um é feio, outro é bonito e o outro é mal-assombrado”...

Pai Lula de Ogodô, babalorixá responsável pelo axexê de seu João Folha também cantou e relembrou os antigos cocos cantados por seu pai carnal, nos tempos que o levava para “os cocos” de Recife adentro... O terreiro todo celebrou a vida junto aos mestres e pombojiras que estavam presentes no salão. A cena em si foi muito bonita, pois nela tinha uma harmonia e uma consciência muito clara de que o povo de terreiro encara a vida assim como encara a morte, e esta visão filosófica se traduziu com a pisada forte do coco, ritmo, cântico e dança do nordeste brasileiro e as palmas de mão com as respostas. Uma banda musical de maracás, abês, e um balde se fez no momento e pessoas que em sua vida cotidiana, como médicos, professores entre outros, não se relacionam com a liberação do corpo e da alegria interna de existir, se revelaram tocadores e dançarinos alegres, soltos e vibrando na energia da Jurema. Entidades e pessoas vivas, celebrando juntos à vida, em uma demonstração perfeita, contida de toda teoria antropológica da observação, fenomenologia, semiótica etc... Traduzida em uma frase: “A Jurema abala, e seus discípulos não tombam”.

Acordei no terreiro. Dormi no salão dos Orixás, local separado do salão da Jurema. Dona Dora não me deixou ir embora às 1h30min da manhã, forrando pra mim um colchão no chão com o Alá de Oyá, pano que cobre o Orixá em suas saídas de quarto no culto nagô em PE. Foi uma enorme satisfação, poder contar com o respeito, cuidado e confiança de uma sacerdotisa tão antiga como ela. Acordei às 7h, ao som de uma chata música evangélica, que saia do celular de Beto de Iyemojá, que só dorme escutando este tipo de música, pois diz que lhe dá sono e relaxa. Pode isso? Rsrs.

Tomei um cafezinho esperto feito no fogão à lenha com um pãozinho e queijo preparados pelas iyabás da casa e logo fui embora, pensando em escrever este texto, para registrar minha alegria em poder viver junto a pessoas tão especiais e religiosas como as que pude estar. Este foi o melhor presente antecipado de aniversário que pude me dar.

________________________________ 

*Alexandre L’Omi L’Odò - Graduando em História pela UNICAP, Egbomi de Oxun, Juremeiro e coordenador do Quilombo Cultural Malunguinho.

Este texto foi construído com entrevistas consedidas por Dona Dora e Sandro de Jucá.

Dedico este texto à Seu João Folha e a Malunguinho, pelo axé que me banharam.


Alexandre L'Omi L'Odò
alexandrelomilodo@gmail.com

domingo, 31 de julho de 2011

Show do Mestre Galo Preto. Hoje, 01 de agosto no Ponto Cem Reis, no centro de João Pessoa/PB - 23h. Gratis!! Bora?

 Mestre Galo Preto - Foto de Alexandre L'Omi L'Odò.
 
Show do Mestre Galo Preto Na Paraíba
Hoje, 01 de agosto 
Local: Ponto Cem Reis - No centro de João Pessoa/PB
23h. Gratis!
Bora? É a Festa das Neves!

Alexandre L'Omi L'Odò
Produção
alexandrelomilodo@gmail.com

domingo, 24 de julho de 2011

Uma fala unificada da Jurema Sagrada é possível?

 Mãe Terezinha Bulhões firmando Jurema aos pés da Cidade de Maria do Acaes. Alhandra/PB 2008. Foto de Mariana Lima.*


Uma fala unificada da Jurema Sagrada é possível?
Observações sobre a Jurema e os posicionamentos  de seu povo no 5° Encontro Pernambucano de Mulheres de Terreiro

*Alexandre L'Omi L'Odò. 

Ao participar do 5° Encontro Pernambucano de Mulheres de Terreiro, que aconteceu de 20 a 22 de julho de 2011 no Auditório do Ministério Público de PE, Centro Cultural Rossini Alves Couto, no centro do Recife, pude assistir pessoalmente a uma das falas mais arbitrárias sobre a Jurema que já pude assistir.

No último dia do evento (22/07), na mesa de encerramento que reuniu diversas representações dos segmentos das religiões de matrizes africanas e indígenas, estiveram personalidades como Mãe Nice de Oyá, da Casa Branca do Engenho Velho/BA, e a Makota Valdina/BA, que deram falas surpreendentes neste encerramento. 

Com a falta de representatividades da Umbanda e da Jurema Sagrada na mesa, a coordenadora do evento, Vera Baroni, convidou as mulheres presentes, que fossem destes segmentos para tomar assento. Representando a Umbanda não foi ninguém infelizmente, e para representar a Jurema Sagrada foi a senhora Nice (Aurenice), que é cultuadora da Jurema.

Na fala desta última, pudemos assistir uma retórica das mais arbitrárias possíveis em relação à Jurema e aos seus conceitos teológicos. Mesmo eu sendo muito jovem de idade quanto de idade de iniciação, pude me deparar com uma fala que desconstrói de forma irresponsável um trabalho de mais de sete anos do Quilombo Cultural Malunguinho e dos juremeiros e juremeiras que durante este tempo puderam dar contribuições para o fortalecimento desta religião no cenário político e das discussões teológicas. Mesmo podendo ouvir falas como: "é importante ter falas que criam um contra ponto às já estabelecidas", ou "a fala dela foi diferente, e meio arrogante, mas foi boa", pude perceber que o povo da Jurema, está ainda longe de chegar a uma compreensão do que é de fato esta religião e sua importância no atual cenário das religiões de terreiro.

Sei que as fontes de pesquisa são poucas, e que os antigos Juremeiros e Juremeiras estão falecendo sem deixar os conhecimentos desta religião bem estruturados em seus discípulos, mas nada disso nos impede que possamos buscá-la na essência e podermos construir um entendimento coletivo bem construído no tocante a sua essência teológica e ética, também, à sua história. Estudar a Jurema se faz muito necessário hoje, pois precisamos entendê-la mais, registrá-la mais, para darmos novos rumos e salvaguardarmos o que restou dela.

Falas como "o juremeiro não usa ilú (instrumento para realizar os toques nos terreiros de Pernambuco)", ou que "o juremeiro tem que ter a fumaça circulando em sua cabeça", deixou a platéia de babalorixás e iyalorixás, juremeiros e juremeiras, umbandistas e convidados em polvorosa. Pude ouvir diversos comentários, como por exemplo, o que "ela é louca é?", "ela não sabe de nada...", “ela não é filha de quem ta dizendo", "a fala dela é muito agressiva" etc. Vi pessoas o tempo todo criticando e observando com atenção o que ali naquele momento acontecia... O que mais marcou essa situação toda, foi que ela foi convidada como representante da Jurema de Pernambuco, enquanto mulher. Isso me preocupou muito...

Será mesmo que todos os terreiros de Jurema estão errados em realizarem suas práticas como o fazem estes anos todos? Na fala da senhora Aurenice ficou claro que muitas destas práticas não são coisas de juremeiro ou juremeira. Tiro como exemplo a casa de Mãe Biliu que tem 105 anos de idade e mais de 90 anos de Jurema, que ainda trabalha (recebe em terra) com seu caboclo Manuel de Ororubá. Na casa dela, se toca Ilú na Jurema... Ela usa torso... E pratica a Jurema bem antes, muito tempo antes, de muitos de nós todos. Será que isso não quer dizer nada mesmo? Será que isso não é um indício de que a Jurema tem forma litúrgica? Acho bom refletirmos...

Outra coisa que pude também assistir foi a omissão ou passividade dos juremeiros e juremeiras da Paraíba, que estavam presentes em certa quantidade e não se pronunciaram em nada. Fiquei tentando entender os motivos, mas não pude achar nenhum satisfatório para mim. Pois jamais veria alguém falar de minha religião de forma errônea ou precipitada sem intervir, sobretudo para tentar construir algum entendimento válido às pessoas que ainda não conhecem o culto da Jurema como uma religião. Ainda para que estas pessoas não pudessem levar ou aprender conceitos e informações equivocadas, que não refletem uma realidade contemporânea.

Só não tomei uma atitude de intervenção naquele momento, mesmo tendo descido até a primeira fileira de cadeiras para pedir a fala, porque, respirei algumas vezes para não tornar daquele momento um burburinho com discussões severas sobre as concepções discutidas. Também, não o fiz porque após a fala da Makota Valdina, que de certa forma legitimou a fala da Aurenice, mesmo sem que esta legitimação fosse fundamentada nos conhecimentos sobre a Jurema e sua realidade, fala que ela mesma disse "estamos ainda conhecendo estas religiões e diversidade", tentei me acalmar e deixar em silêncio minhas indignações. Apenas por respeito às mais velhas e mais velhos presentes e ao equilíbrio (paz) do evento como um todo.

Mas, contudo, este ocorrido me deixou muito inquieto e me pôs a refletir sobre a Jurema como uma religião que está de fato perdida entre nós mesmos. Isso é uma infelicidade. Pois o que podemos conferir no dia a dia dessa batalha por fortalecimento e reconhecimento da Jurema como uma "Religião que Merece Respeito", é que o povo da Jurema está ainda em processo lento de discussão sobre suas temáticas todas. Estes mais de sete anos de trabalho do Quilombo Cultural Malunguinho, foram importantes para despertar estas discussões e conferir aos juremeiros e juremeiras uma perspectiva de construção fundamental para o caminhar nesta luta que ainda precisará de muitos anos para se equilibrar, no mínimo.

Olhar e observar é bom. Meus ensinamentos dentro da Jurema são estes: "o mundo só é ruim para quem não sabe esperar", e isso naquele momento me fez refletir e ficar apenas esperando... Olhando os outros e outras, vendo o quanto essa luta é importante para a dignificação de nossos ancestrais, que lá no passado, nas tribos indígenas e nas casas de Jurema construíram uma história de muita força e importância. Este é o tesouro, que devemos cuidar como se fosse um filho ou filha em nossos braços, sem vacilar e deixá-los cair. 

Uma fala unificada e fortalecida do povo da Jurema Sagrada um dia será possível, espero. Mas para isso precisamos discutir sem deixar os egos e as "tradições" nos consumirem e nos cegarem.

E hoje, ao escrever estas linhas lembrei deste segmento de Jurema cantado para invocá-la:

"Cadê a força da Jurema, onde é que ela está? Ta no tronco da Jurema, ta na Cidade Real (...)".

_____________________________
*Foto que registra um dos últimos momentos em que uma juremeira firma Jurema aos pés da Cidade (árvore de Jurema Preta onde foi firmada a ciência da Jurema de Maria do Acais) de Maria do Acaes em Alhandra na Paraíba. Este registro foi possível através da organização do 1° Encontro de Juremeiros em Alhandra - "Vamos Salvar o Acaes", organizado pelo Quilombo Cultural Malunguinho em 2008. Após este evento, este patrimônio do povo da Jurema foi destruído por tratores pelo dono atual das terras do Sítio do Acaes. Este fato foi um crime histórico à memoria e ao patrimônio material e imaterial da Jurema Sagrada. 

*Alexandre L'Omi L'Odò - Juremeiro e Egbomi, estudante de História pela UNICAP. 

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

quarta-feira, 6 de julho de 2011

5º Encontro Pernambucano das Mulheres de Terreiro e 1º Encontro Nordestino das Mulheres de Terreiro 2011

 
5º Encontro Pernambucano das Mulheres de Terreiro e 1º Encontro Nordestino das Mulheres de Terreiro 2011
Prezad@s Amig@s,

Encaminho convite e Ficha de Inscrição para participação no 5º Encontro Pernambucano das Mulheres de Terreiro e 1º Encontro Nordestino das Mulheres de Terreiro. Solicito que seja divulgado junto a sua lista de contatos. As Fichas preenchidas deverão ser encaminhadas para o seguinte endereço: www.mulheresdeterreiro.pe@gmail.com até o dia 15 de julho.


Vera Baroni
Ìyàbasé Ilè Obá Aganjú Okoloyá
Informações ligue: 99773743/86241123

_____________

Republico aqui informativo do Encontro das Mulheres de Terreiro de Pernambuco com muito orgulho, pois vejo que este projeto é digno e merece ser valorizado pelo povo de terreiro. Salve as mulheres, seu axé e ciência.

Alexandre L'Omi L'Odò
Iyawò e Juremeiro
alexandrelomilodo@gmail.com

Convite - Festa da Oxum no Ilé Oyá T'Ògún (minha casa)


Convite - Festa da Oxum no Ilé Oyá T'Ògún (minha casa)

Olá irmãos e irmãs de religiões (Jurema e culto aos Orixás) e amigos em geral, encaminho convite do xirê da minha mãe Oxum que acontecerá dia 10 de julho (domingo) no Ilé Oyá T'Ogùn, casa de Mãe Lúcia de Oyá, minha Iyalorixá. 

Por favor irem com roupas apropriadas para frequentar um terreiro de candomblé. Homens sem torsos na cabeça e saias e, mulheres com saias e roupa composta.

Endereço no corpo do convite virtual. Contaos para maiores informações: 81. 8887-1496

Axé.

Alexandre L'Omi L'Odò.
Iyawò de Oxum
alexandrelomilodo@gmail.com

terça-feira, 5 de julho de 2011

Mestre Borel - A ancestralidade negra em Porto Alegre - Em memória.


Mestre Borel - A ancestralidade negra em Porto Alegre - Em memória.

Coloco aqui um vídeo que mostra o Pai Borel dando aula de história sobre a presença do negro no RS. É uma ótima oportunidade para ver um pouco deste mestre que fez de sua vida a luta pela religião de matrizes africanas e afirmação da existência da cultura negra no sul do país. O Batuque do RS, no dia 04 de julho de 2011, pperdeu uma dasi maiores memórias desta tradição e religião. Espero que o povo de terreiro se manifeste e contribuam de alguma forma para uma maior imortalização da memória de Pai Borel, pois ele merece uma estátua em sua memória, de bronze em pleno centro da cidade, além de dar nome à escolas, à instituições e ter marcado em seu Estado um dia em sua memória no calendário oficial, através de uma lei estadual. Xangô brada hoje nos céus para receber no Orún este grande ancestral nosso, esse Esá de grande valor e dignidade.

Oni Iwá Pélé...

Àsè babá mi!

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo.blogspot.com

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Emoção com o coco pernambucano nunca é demais! "Coco de improviso e a poesia solta no vento"

Realizadores do filme e do evento pousando para registro. Foto: Alexandre L'Omi L'Odò.

Emoção com o coco pernambucano nunca é demais! "Coco de improviso e a poesia solta no vento"

Hoje tive o prazer de ir ao lançamento do documentário "Coco de improviso e a poesia solta no vento", filme roteirizado e dirigido por Natália Lopes, no cinema da Fundaj. Cheguei no final da sessão, pois ainda uso transporte público para me locomover... rsrsrs. Bom, fizeram outra exibição, já que o curta tem 25 minutos de duração. Gente, me emocionei demais, até chorei escondido por alí pra ninguém ver no escurinho do cinema.Me sinto realizado quando vejo os mais velhos, donos dos nossos poucos saberes que temos hoje sobre o coco sendo valorizados e imortalizados em audiovisual. 

 Mestre Galo Preto,  Zeca do Pandeiro e Ruy Pereira, grandes mestres da tradição do coco pernambucano. Foto: Alexandre L'Omi L'Odò.

Gerações se encontrando. Guitinho da Xambá, Adiel Luna, Mestre Galo Preto, Zeca do Pandeiro e Mestre Ruy. Foto de Alexandre L'Omi L'Odò.

A fotografia linda, o som muito bem colocado, o roteiro gostoso e o conteúdo mágico. Simplesmente assim. Poder também ter visto os personagens do filme na sala de cinema e poder estar com eles e conhecê-los foi lindo. Fiquei deslumbrado com o saber do Mestre Ruy, que com seus 83 anos deu show de pisada e rítmo no doc. O Mestre Galo Preto ficou também muito feliz com o trabalho apresentado, adorou conhecer os velhos mestres e se comprometeu em ir visitá-los em loco, pois ele adora conhecer bons coquistas. Com os mestres, Galo se envolveu e conversou, trocou idéias, brincou um pouco e pode compartilhar também de seu saber de vida... Hoje, o coco celebrou mais um filho que o imortalizará no mundo do cinema pernambucano e mundial.

Parabéns a todas e todos que fizeram parte deste filme e um axé especial para Adiel Luna, que no doc. foi como uma corrente que se ligou ao passado, colocando os mestres a vontade para mostrarem o que de mais precioso eles tem, sua alma (sua cultura).

Sealve a Jurema Sagrada, que também vibra com esta vitória do coco!
Vida longa aos Mestres!

 Eu e Mestre Ruy Pereira, me apaixonei, pois ele de fato tem a cultura do coco na alma! Uma oportunidade dessas não se perde, registro mesmo rsrs. Obrigado mestre!!

Alexandre L'Omi L'Odò
Amante do coco
alexandrelomilodo@gmail.com

12° Encontro Pernambucano de Coco


PETROBRAS E MINISTÉRIO DA CULTURA APRESENTAM

12º ENCONTRO PERNAMBUCANO DE COCO

O 12º Encontro Pernambucano de Coco, acontecerá em 2011 nos seguintes municípios pernambucanos e nas respectivas datas: Ipojuca - Porto de Galinhas (Praça Beira Mar), nos dias 01 e 02 de julho de 2011. Olinda - Praça do Carmo, nos dias 08 e 09 de julho de 2011.

O evento que já é tradição no calendário das festas populares de Pernambuco e vem mantendo viva a cena do coco de roda da região.

O festival é tido como único no gênero, e foi aproado no 3° Edital Petrobras Cultural - Festivais de Música,
projeto patrocinado pela petrobrás com o incentivo do ministério da Cultura, através da Lei de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), que selecionou 23 projetos em todo Brasil.

Na série dos festivais independentes de música, são grandes as expectativas para o 12° Encontro Pernambuco de Coco. Na programação constam as seguintes ações: Aula Espetáculo e Oficina de Coco e Ciranda com os Mestres Griôs do Ponto de Cultura Farol da Vila Coco de Pontezinha, Roda de Mestres do Coco Pernambucano, Exposição Mestres do Coco Pernambucano (projeto de categoria artes visuais, vencedor do 1º Prêmio de Nacional de Expressões Culturais Afro-Brasileiras, patrocinada pela Petrobras, Ministério da Cultura e Cadon - RJ), Exibições de Vídeos (Cineclube).

Há 12 anos atrás, o projeto cultural Encontro Pernambucano de Coco, nasceu para resgatar, preservar e dar manutenção a manifestação e ao folguedo popular do coco na região nordestina, criando condições de Intercâmbio e sustentabilidade das matrizes culturais, regatando também a dança peculiar da brincadeira e também fortalecendo os grupos culturais existentes e em formação. É com esse perfil, que o Encontro Pernambucano de Coco vem levando adiante sua forma de atuação, e neste ano de 2011, com realização do festival em municipios pernambucanos distintos, o projeto vem contribuindo definitivamente para a cena regional da música popular, transformando e fortalecendo o coco em potencialidade cultural imaterial do Brasil.

Na comemoração dos 12 anos do Encontro Pernambucano de Coco, toda a programação do projeto acontecerá com acesso gratuito ao público em geral. Em Ipojuca/PE, durante dois dias, o festival será o atrativo a parte da Praia Mais Bonita do Brasil, Porto de Galinhas, conotando o coco de roda como produto de exportação e entretenimento, aos turistas e visitantes nacionais e internacionais de Pernambuco. 
Em Olinda/PE (Cidade Monumento, 1ª Capital da Cultura Brasileira e Patrimônio Cultural do Mundo), durante dois dias, o Encontro Pernambucano de Coco promoverá várias atividades sócio-culturais no sítio histórico do Carmo: Shows, Exposição, Cinema, Aula Espetáculo e Oficina Cultural e Roda com Mestres e Griôs. Contará ainda com a participação do Patrimônio Vivo e Comendadora da Ordem do Mérito Cultural '' Dona Selma do Coco'' e os Mestres Griôs Galo Preto, Goitá, Roberto Cocada, Dié, Guitinho, entre outros.

A Roda de Mestres abordará como discussão o Encontro Pernambucano de Coco e A ação Griô Nacional, com a participação de mestres, griôs, gestores público e da sociedade civil.

Maiores informações acesse: 

PROGRAMAÇÃO

12° ENCONTRO PERNAMBUCANO DE COCO

IPOJUCA – PORTO DE GALINHAS - PRAÇA BEIRA MAR

Sexta, 01/07/2011

14h00 – Exposição "Mestres do Coco Pernambucano".

20h00 - Shows – (Patativa e Topogigio, Coco Renascer, Grupo Cultura Indígena Fethxa e Coco de Praia).

Sábado, 02/07/2011

14h00 – Exposição "Mestres do Coco Pernambucano".

19h00 – Cinema na Praça com os Vídeos: "Mestre Galo Preto" e " A Hora do Coco".

20h00 - Shows – (Pinto do Mato e Maturi, Coco do Mestre Zezinho, Zé de Teté e A Cocada).

OLINDA – PRAÇA DO CARMO

Sexta, 08/07/2011

14h00 - Exposição ''Mestres do Coco Pernambucano''.

14h30 – Aula espetáculo e Oficina de Coco e Ciranda.

20h00 - Shows – (Coco do Mestre Goitá, Chinelo da Iaiá, Mestre Galo Preto e Aurinha e Rala Coco).

Exibição do Filme "Galo Preto, O Menestrel do Coco".

Sábado, 09/07/2011

14h00 - Exposição ''Mestres do Coco Pernambucano''.

14h30 – Roda de Mestres e Griôs.

19h00 – Cinema na Praça com os Vídeos: " Zé de Teté" e " A Hora do Coco".

20h00 - Shows – (Coco do Mestre Dié, Toadas de Pernambuco, Selma do Coco e Grupo Bongar).

__________ 
Gente, publico aqui programação oficial do 12° Encontro de Coco. Este é um ótimo momento para os reencontros entre os mestres e mestras desta tradição. Parabenizo a produção do Farol da Vila, pois eles especialmente na pessoa de Marcos levam a frente um projeto mais que necessário para a tradição do coco e seus artistas.


Alexandre L'Omi L'Odò
Produção do Mestre Galo Preto
alexandrelomilodo@gmail.com

Quilombo Cultural Malunguinho

Quilombo Cultural Malunguinho
Entidade cultural da resistência negra pernambucana, luta e educação através da religião negra e indígena e da cultura afro-brasileira!