domingo, 22 de julho de 2012

Povo de terreiro de Pernambuco protesta na mídia contra as acusações de prática de sacrifícios humanos

 
 Quilombo Cultural Malunguinho e Ilé Iyemojá Ògúnté reunidos para discutir acusações contra povo de terreiro no programa de Cardinot. Na foto: Sandro de Jucá, Mãe Lu Omitòógún, Alexandre L'Omi L'Odò e Bárbara Costa. Foto: Captura de Tela.

Povo de terreiro de Pernambuco protesta na mídia contra as acusações de prática de sacrifícios humanos

O Quilombo Cultural Malunguinho convocou o programa de Cardinot da TV Clube/Record (programa exibido em 16/07/2012) para prestar esclarecimento público e realizar defesa contra as acusações da mídia e da polícia referentes ao cruel sacrifício humano do menino Flânio de 9 anos do Brejo da Madre de Deus praticados supostamente por "pais e mães de santo". Gravamos o programa no Ilé Iyemojá Ògúnté, casa de tradição nagô dos netos biológicos de Pai Adão, em Água Fria/PE. Nós do QCM agimos imediatamente ao vermos neste programa a imagem das religiões de matrizes africanas e indígenas vilipendiadas vastamente pelas falas discriminatórias e infundadas dos atores do caso e dos apresentadores deste e também de outros programas sensacionalistas de algumas emissoras. O caso se tornou muito mais polêmico com o quebra de 7 terreiros e um templo do Vale do Amanhecer realizado por mais de 3 mil vândalos do local do crime. 

Alexandre L'Omi L'Odò fala sobre o termo "pai e mãe de santo" e diz que no candomblé nem na jurema se pratica sacrifícios humanos. Foto: Captura de tela.

A população, influenciada pela mídia e pelo racismo histórico brasileiro, se rebelou de forma criminosa expulsando os sacerdotes e sacerdotisas da Jurema e do culto aos Orixás da cidade violentamente. Este fato envergonhou e escandalizou a todos nós membros de terreiros de todo Brasil. A gravação deste programa, foi apenas uma tentativa de amortizar os efeitos absurdos provocados na mentalidade dos homens e mulheres do interior do Estado de Pernambuco, e também da Capital. Tendo a maior audiência de seu horário, e assistido pelas classes menos privilegiadas da pirâmide social, utilizamos o espaço para tentar contribuir com informação de qualidade para que as pessoas entendessem o que acontecia... Sabemos que este não é o melhor dos caminhos a tomar, mas também foi um caminho válido e de amplo alcance para as pessoas que precisavam escutar algo à contribuir em seu entendimento individual sobre as religiões de matrizes africanas e indígenas, consequentemente na quebra de preconceitos. Entendemos que este e outros programas podem ser sim, instrumentos de informação ao povo, mesmo que seus editores manipulem da forma que desejam as informações e nossas falas de acordo com seus interesses.  Demos uma entrevista de quase uma hora, com falas importantes e de acordo com o consenso nacional do povo de terreiro, infelizmente no programa só nos deram poucos segundos... Mas foi válido e importante sem dúvidas.

Sacerdotiza Mãe Lu Omitòógún defendendo a religião de matrizes africanas. Foto: Captura de tela.

Juremeiro Sandro de Jucá fala da importância da criança para o candomblé e para a Jurema. Foto: Captura de tela.

Com tanta violência e ódio retro-alimentado por estes programas, por membros de outras religiões que satanizam nossas práticas teológicas e, da despreparada polícia, tivemos que reafirmar em nossas falas que não praticamos sacrifícios humanos e que não somos adeptos de "rituais macabros nem de magia negra". A repercussão das falas foi completamente positiva, muita gente entrou em contato para elogiar, agradecer e pegar mais informações sobre os fatos. 

Estudante Bábara Costa faz explanação sobre o que é a religião de matrizes africanas e indígenas. Foto: Captura de tela.

Infelizmente não consegui os códigos (embed) para postar os vídeos diretamente aqui no blog, mas os links estão em ordem para podermos ver como se deram as falas e a forma que o programa dirigiu o contexto de nossas reinvindicações coletivas. O link que mostra diretamente nossas falas é este: (http://www.cardinot.com.br/parte-4-o-caso-do-menino-de-9-anos-assassinado-em-brejo-da-madre-de-deus/), os demais links tratam da questão como um todo. É importante ver todos eles para podermos ter melhor conhecimento sobre todo fato e também observarmos a forma como nossa religião foi tratada pela mídia irrresponsável de Pernambuco que sequer questionou se os criminosos cruéis haveriam de ser de fato sacerdotes ou sacerdotisas de nossa religião afro indígena.

Assista ao programa:






Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

Um comentário:

carlosandre disse...

Parabéns pelas articulações políticas e pelos protestos!!!!!!!! É por aí! Resta encontrar um mínimo de unidade política no povo de terreiro. Não precisa haver unidade religiosa para haver unidade política. O adversário é forte e está unido. Unam-se também!! O QCM é um bom caminho. Abç, Carlos André.

Vídeos Negros nossos!!

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Entidade cultural da resistência negra pernambucana, luta e educação através da religião negra e indígena e da cultura afro-brasileira!