sábado, 21 de julho de 2012

População saqueia e queima terreiros - Registros da intolerância religiosa contra o Povo de Terreiro

Digitalização de cabeçalho da matéria de 13/07/2012 - Folha de Pernambuco, caderno Grande Recife

População saqueia e queima terreiros
Violência foi motivada por assassinato de um menino durante um ritual macabro

O distrito de São Domingos, em Brejo da Madre de Deus, e Santa Cruz do Capibaribe amanheceram em alerta ontem. Logo nas primeiras horas da manhã uma onda de violência tomou conta das duas localidades. Moradores resolveram invadir, saquear e queimar casas usadas como terreiros, promovendo uma verdadeira ‘caça as bruxas’ contra pais-de-santo e espíritas. Foi difícil conter os revoltosos que agiam de forma simultânea em pontos distintos. A população envolvida nos arrastões justificavam as ações de vandalismo como uma “vingança” pela morte do menino Flanio da Silva Macedo, de 9 anos, vítima de um ritual macabro.

Residência de uma pai-de-santo, em São Domingos, ficou parcialmente destruída. Foto de Aguinaldo Lima.
 
Pelo menos sete casas de pessoas ligadas ao candomblé ou espiritismo foram os alvos. Entre elas as residências dos quatro acusados pelos crimes: Genival Rafael da Costa, 63 anos, a mulher dele, Maria Edileuza Silva, 51 anos, Ednaldo Justos dos Santos, 33, e Edilson da Costa Silva, 31. Na rua São Marcos, onde fica a casa de Edilson, aproximadamente 500 pessoas chegaram e destruíram tudo. Entre as cinzas, vários restos de imagens religiosas, velas, perfumes e outros elementos usados em rituais. Os vizinhos da casa estavam assustados com a ação contra a casa. “Isso é vandalismo. O que é ruim eles queimam, mas o que é bom ele roubam. Sabemos que a morte da criança foi triste, mas a violência não justifica mais violência”, denunciou uma dona de casa que preferiu não ter o nome divulgado.

Em outro ponto de São Domingos mais terror. Na rua Chile outra casa foi queimada, desta vez o prédio pertencia a um pai-de-santo conhecido por “Bisolo”, que fugiu ao saber que seria alvo da violência. “Acharam várias fotos deles bebendo sangue de animais, um caderno com nomes de várias mulheres, fotos também”, contou a costureira Vânia Cristovão, 26. O capoeirista José Roberto, 45 anos, também esteve presente nesta casa depois do quebra-quebra e ainda achou várias outras coisas como charuto, cachimbo, caneca com a inscrição “Exu”. “Isso está causando pânico aqui. Que paguem aqueles que devem, mas não pode generalizar”, frisou.

Os arrastões nas ruas só foram contornados com o incremento de homens e a chegada e dois helicópteros da Secretaria de Defesa Social (SDS). O comandante interino da Polícia Militar na região, capitão Josivaldo de Moura, pediu o reforço de policiamento de 60 homens vindos do Recife e Caruaru. Um ônibus do Batalhão de Choque e equipes da Companhia Independente de Operações Especiais (Cioe) também deram reforço na segurança. Assim que chegaram na região, as polícias especializadas já se dirigiram ao centro Ofranon do Amanhecer, um dos locais atacados. No espaço mais destruição e revolta dos seguidores do centro. Para manter a paz na cidade, o capitão Josivaldo de Moura informou que o reforço do policiamento continuará hoje.


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Na matéria impressa há maiores informações sobre esta perseguição absurda contra os Povos de Terreiro. Precisamos reagir urgente! O jornal após nossas pressões, nesta mesma matéria publicou uma janelinha (Saiba Mais) com informações obtidas após nossas discussões com a editoria.

Veja:

Digitalização de parte da matéria acima. Informação concedida ao público após pressões.


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

População revoltada destrói terreiros e centro doutrinário no Agreste - Registros da Intolerância ao Povo de Terreiro de Pernambuco

Digitalização de chamada de capa do Jornal Diário de Pernambuco de 12/07/2012.

População revoltada destrói terreiros e centro doutrinário no Agreste 

Morte de menino de nove anos em ritual de magia negra gerou revolta na população que quer linchar os envolvidos

Publicação: 12/07/2012 19:01 Atualização: 13/07/2012 01:54
 
Nesta quinta-feira (12), sete terreiros de umbanda e um centro doutrinário espiritualista foram invadidos e saqueados por populares em São Domingos, no Brejo da Madre de Deus e em Santa Cruz do Capibaribe. Na última cidade, até mesmo um Vale do Amanhecer, centro de doutrina espiritualista cristã, foi alvo da ira da população. Um funcionário do local, que preferiu não se identificar, chegou a ser agredido pelos populares. O centro só não foi incendiado porque policiais militares conseguiram impedir os manifestantes.

A revolta popular começou depois que o corpo de Flânio da Silva Macedo foi encontrado na tarde desta terça-feira (10). O menino de apenas nove anos foi encontrado com mãos e pés amarrados, calça abaixada e cabeça decepada, ladeado por garrafas de bebidas, velas e bonecos de vodu. Desaparecido desde o dia 1º, ele foi localizado em uma estrada no Sítio Olho D'Água. Quatro suspeitos já foram presos. A população quer linchá-los. Segunda a polícia, o mandante do crime já foi identificado, mas não localizado.

A Secretaria de Defesa Social (SDS) está reforçando a segurança nas cidades para tentar amenizar a fúria dos moradores. Cerca de três mil pessoas estão espalhadas pelo distrito de São Domingos e prometem parar o distrito até que a polícia prenda todos os suspeitos. Foram enviados dois helicópteros da SDS para a cidade. Houve reforço ainda de equipes da Companhia Independente de Operações e Sobrevivência na Área de Caatinga (Ciosac), Grupo de Ações Táticas Itinerantes (Gati), Companhia Independente de Operações Especiais (Cioe) e da Tropa de Choque.

Os presos são: Ednaldo Justo dos Santos, o Pai Nau, de 33 anos; Edilson da Costa, conhecido como pai Deni, de 31 e Genival Rafael Costa, o Pai Veio, de 63 anos; além da  companheira dele Mara Edileuza Silva, de 51 anos.

  
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Publico aqui matéria do Diário de Pernambuco. Vamos observar  forma como a mídia está tratando o caso...

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomildoo@gmail.com

domingo, 15 de julho de 2012

Oficina "COCO-DE-VOLTA" com o Mestre Galo Preto e participação de Alexandre L'Omi L'Odò no FIG - Festival de Inverno de Garanhuns 2012

Mestre Galo Preto. Foto de Aluísio Moreira.
 
Oficina "COCO-DE-VOLTA" com o Mestre Galo Preto e participação de Alexandre L'Omi L'Odò no FIG - Festival de Inverno de Garanhuns 2012

O projeto idealizado pelo produtor e coquista Alexandre L'Omi L'Odò, com objetivo de repassar conhecimentos aprofundados sobre o coco, sua história e contexto através de oficinas de troca de saberes, será ministrada pelo Mestre Galo Preto e terá primeira execussão no FIG 2012.
Assim como existem as diversas formas de nomear os estilos de coco no nordeste como: coco-de-embolada, coco-de-roda etc., nasce a partir do pensamento e intenção de preservação da memória do coco, a termologia “coco-de-volta”, termo que pretende contribuir para a rememorização do significando do que é o coco autêntico dos tempos de outrora, dos antigos cantadores, dos grandes mestres e mestras desta arte nordestina. O “Coco-de-Volta”, tem o desejo de ocupar espaço no hoje para reeducar a juventude que não teve oportunidade de aprender esta tradição com seus mais velhos. Com este desejo desafiador, o Mestre Galo Preto propõe, junto com seu aluno Alexandre L’Omi L’Odò, uma oportunidade de trocar saberes e informações importantes históricas e culturais sobre os diversos estilos de coco dominados pelo Sr. Tomaz Aquino Leão, o professor e Patrimônio Vivo de Pernambuco Mestre Galo Preto. 

Contamos com sua presença!

Serviço: 

Oficina "COCO-DE-VOLTA" com o Mestre Galo Preto e participação de Alexandre L'Omi L'Odò no FIG - Festival de Inverno de Garanhuns 2012. 

De 16 a 20 de julho das 14 as 18h. 

Local: Aesga - Av. Caruaru, 508, Heliópolis. Anexo Santa Sofia: Rua do Magano, 419, Alto do Magano. 

20 vagas. 

Vamos redescobrir o coco tradicional!!

Curtam o Mestre Galo Preto no Facebook: http://www.facebook.com/Mestre-Galo-Preto

Visitem o site do FIG

http://www.fig2012.com



Alexandre L'Omi L'Odò
Produção do Mestre Galo Preto
alexandrelomilodo@gmail.com 

sábado, 14 de julho de 2012

Adeptos do Candomblé estão indignados

Matéria do jornal Folha de Pernambuco de 14-07-2012. Caderno REGIONAL, p. 4. QCM na luta contra intolerância religiosa. Alexandre L'Omi L'Odò, João Monteiro e Carlos Tomaz.
 RegionalAdeptos do Candomblé estão indignados

14/07/2012 - THOMAZ VIEIRA  (jornalista)

Os atos de vandalismo cometidos pela população na região do crime de Flanio, de 9 anos, provocaram indignação entre os adeptos do Candomblé. O coordenador do Quilombo Cultural Malunguinho (entidade que representa os povos de terreiro e o povo negro), Alexandre L’Omi L’Odò, disse que o órgão já se articula junto a instituições de Direitos Humanos e estuda iniciar ação judicial coletiva por danos morais.

A grande reclamação dos religiosos é que os acusados pelo crime foram tidos como praticantes do Candomblé, o que não é verdade. “O Candomblé é uma religião que agrega muito as pessoas. Daí, indivíduos mal-intencionados usufruem disso para se aproveitar da carência das pessoas”, denuncia Alexandre. Ele conta, inclusive, que o processo de formação de líderes da crença é bem rígido e dura vários anos.

 João Monteiro, Alexandre L'Omi L'Odò e Carlos Tomaz, Representantes do Quilombo Cultural Malunguinho. Foto de Hesíodo Góes.

Para o historiador João Monteiro, o fato de a polícia ter apresentado, erroneamente, os suspeitos como pais de santo teria causado a reação de ódio na sociedade. “Quando a polícia prende esses marginais e os coloca com seus títulos sacerdotais em vez de seus nomes, demonstra o despreparo dos agentes no trato desses temas”, afirma. Ele aponta que o Governo desenvolve um programa de combate ao preconceito dentro das instituições públicas, mas que o mesmo não funciona adequadamente.

A associação do termo “magia negra” ao crime e à religião também revoltou os povos de terreiro. Para o membro do Fórum Estadual de Educação Étnico-Racial de Pernambuco, Carlos Tomaz, a expressão é, além de tudo, racista. “Mesmo que inconscientemente, tudo relacionado à etnia negra é tido como ruim”, reclama. O termo vem, na verdade, da Idade Média, das práticas de culto ao demônio originadas de religiões de matriz europeia.

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Devido as solicitações de disponibilisação do texto da matéria, digitei e posto aqui.
*Acima texto integral do jornal Folha de Pernambuco de 14-07-2012. Caderno REGIONAL, p. 4. Quilombo Cultural Malunguinho na luta contra intolerância religiosa. Na foto João Monteiro, Alexandre L'Omi L'Odò e Carlos Tomaz. 


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

sexta-feira, 13 de julho de 2012

O Povo de Terreiro não Pratica Sacrifícios Humanos!

Digitalização de parte da matéria do Jornal do Commercio de 12/07/2012, Cadernos Cidades, p. 3. Título da reportagem: "Morte em ritual macabro e cruel". Fala de Alexandre L'Omi L'Odò. Acervo.
 
O Povo de Terreiro não Pratica Sacrifícios Humanos!

Nós, Povos Tradicionais de Terreiro, integrantes da Jurema Sagrada, do Candomblé, da Umbanda, do Terecô, do Batuque, do Tambor de Mina Jeje e Nagô, do Xangô Pernambucano, da Kimbanda, Rezadeiras, Oradores do Nordeste, Catimbozeiros, Pajés, não praticamos sacrifícios humanos em nossas liturgias e rituais. Nossas teologias não concebem a morte humana como caminho para alcançar qualquer benefício na vida e, desconhecemos qualquer ritual pertinente a esta prática condenável.  Expugnamos completamente estes atos absurdos de assassinato em nome de qualquer Deus, deus, religião ou prática ritualística de seitas. Somos contra estas psicopatias cruéis e não aceitamos as acusações que nos direcionam a polícia e a mídia Pernambucana (escrita e televisiva) no caso do menino (Fânio da Silva Macedo) de 9 anos de idade assassinado e degolado cruelmente no Brejo da Madre de Deus/PE, e em tantos outros.

Nossas religiões prezam pela vida, pela saúde, pelo bem estar, pelo desenvolvimento social e sempre esta presente onde o Estado não chega, garantindo também alimentação aos que por ventura não tenham... Os terreiros são templos religiosos de matrizes africanas e indígenas que recebem milhares de pessoas todos os dias para promover a ajuda e aliviar os desesperados. Respeitamos a vida e a natureza, respeitamos o universo e todos os elementos que o materializa, portanto, a prática de assassinato de um ser humano para oferendas  é completamente impossível acontecer em nossas concepções teológicas e práticas religiosas.

Não praticamos "magia negra", desconhecemos estas práticas de origem européia. Nossas divindades e entidades em nada tem haver com a forma ritual destes povos.  Também não cultuamos demônios, diabos ou o satanás. Esta divindade cristã sequer são conhecidas pela nossa teologia que não faz menção aos textos bíblicos e consequentemente ao imaginário maniqueísta do céu e do inferno. Somos outra cultura, de outros povos, com outra formação. Mesmo ainda vivenciando os resquícios do sincretismo religioso com o catolicismo, e utilizando alguns termos cristãos, não praticamos nem acreditamos nestas divindades.

Queremos que a mídia tome uma postura adequada, e sobre tudo informativa/educativa, com conteúdo consistente, não racista e preconceituoso  em relação as nossas religiões! Os terreiros destruídos no Brejo da Madre de Deus são o resultado concreto de um sistema de má informação à população através destes meios de mídia que deram uma conotação completamente errada ao contextualizar os assassinos do garoto como pais de santo. O próprio termo "pai de santo" não é utilizado mais por nós, povos de terreiro. Este termo caiu em desuso sendo substituído pelos termos originais: babalorixá (para designar o sacerdote masculino) e iyalorixá (para designar a sacerdotisa feminina), ou ainda juremeiro e juremeira para os sacerdotes do culto da Jurema Sagrada.

Ressaltamos que o babalorixá ou iyalorixá, ou o juremeiro e a juremeira, são sacerdotes e sacerdotisas que passam por uma formação extremamente rígida de 7 e 14 anos estudando e vivenciando os conhecimentos africanos e indígenas para poder professar e presidir as práticas religiosas e poder ter um terreiro aberto. Muitos psicopatas se passam por estes religiosos e de forma irresponsável abrem terreiro e enganam as pessoas necessitadas de orientação, pessoas que estão fragilizadas por seus problemas e necessidades. Portanto, a mídia deve se preocupar sim em averiguar e pesquisar as pessoas de quem eles estão falando, averiguar a história deles e conferir com o povo de terreiro sério, quem são estes supostos "pais de santo", não apenas publicar de forma inresponsável que estes cruéis pertencem a nossa religião. Este foi um erro grave da mídia e da polícia, que acarretou em um crime histórico contra as comunidades tradicionais de terreiro do Brejo da Madre de Deus e consequentemente de todo Brasil. Este fato foi um dano moral coletivo cometido contra todos nós pertencentes as religiões de matrizes africanas e indígenas! Isso deve ser reparado urgentemente com indenizações às casas destruídas, prisão dos vândalos envolvidos e punição e retratação pública e explícita da mídia e da polícia. O Estado brasileiro tem que nos dar esta resposta o quanto antes, ou nós todos, de todo Brasil, entraremos com uma ação de dano moral coletiva no STF. Vamos nos organizar, relatar, registrar todo o fato para termos mais argumentos a nosso favor. Mas o que foi feito não se apaga. Portanto, vamos juntar o que resta de nós e prosseguir firmes nessa luta por respeito!

Exigimos Respeito!!

Cataloguei todos os 14 programas exibidos na mídia pernambucana desde o dia 10/07, quando iniciou este processo. Na segunda feira dia 16/07, será exibida uma entrevista realizada a partir de nossa atitude de solicitar ao programa um resposta ao povo. Fomos ao Ilé Iyemojá Ògúnté, casa de tradição nagô junto a Mãe Lu de Iyemojá Ògúnté, Bárbara Costa e Sandro de Jucá contribuir na defesa do Povo de Terreiro. Para acompanhar o caso e entender a questão com maiores detalhes, vejam os vídeos exibidos na televisão pernambucana (em ordem de exibição do primeiro ao último) através do programa de Cardinot:














 

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Absurdos contra as religiões tradicionais de terreiro do Brejo da Madre de Deus/PE

Matéria do Jornal do Commercio de 12/07/2012. Caderno Cidades, p. 3. Fala de Alexandre L'Omi L'Odò esclarecendo os fatos.

Absurdos contra as religiões tradicionais de terreiro do Brejo da Madre de Deus/PE

Hoje, dia 12/07/2012, a cidade do Brejo da Madre de Deus, no Agreste de Pernambuco acordou como se estivesse voltado no tempo... Um espírito equivocado e selvagem de caça as bruxas, com um perfil totalmente de Idade Média contagiou seu povo que movidos pela pura ignorância, racismo e preconceito, invadiram 6 terreiros de Jurema e Candomblé destruindo os templos como se isso resolvesse o caso do garoto Jânio da Silva Macêdo, menino de 9 anos de idade que foi assassinado brutalmente, tendo sua cabeça decepada por um torniquete e violentado sexualmente em um suposto ritual cruel de sacrifício humano, praticado por ditos "pais de santo".

Esta situação alarmante e criminosa da população, levou movimentos dos povos de terreiro do Brasil todo a se articularem para combater este absurdo contra as religiões tradicionais de terreiro. Até a Ouvidoria Geral Federal entrou em contato conosco para tomar as devidas providências legais juntos aos órgãos de justiça e direitos humanos.

A denúncia feita por ALexandre L'Omi L'Odò, coordenador do Quilombo Cultural Malunguinho, no facebook, repercutio, e muita gente está sabendo do caso e compartilhando a notícia para que mais pessoas possam ajudar neste caso terrível de perseguição injusta aos terreiros e seu povo. Irmãos como o Alexandre de Oxalá, coordenador da Rede Afrobrasileira Sociocultural de Brasília e o amigo Babalorixá Alberto Jorge Silva entre tantos outros e outras de Brasil a fora que estão fazendo suas denúncias aos órgãos competentes.

Temos que combater estas práticas de vandalismo covarde. A polícia terá que investigar o caso e punir os vândalos. A polícia também foi culpada quando colocou crachazes com citando o termo Pai... nos acusados e os expondo à mídia. Isso foi intolerância religiosa completa e cruel. não podemos deixar isso calado. A mídia por sua vez, completamente despreparada, publica termos pejorativos e confundem o povo de terreiro com psicopatas assassinos. Nesta história muita gente tem culpa e o Estado deve tomar as devidas providências.

Imagem dos acusados do crime cruel do Brejo da Madre de Deus com crachás identificando eles como "Pai" de santo. Equivoco racista e intolerante da Polícia Civil de PE. Acervo.
 
isso tudo é, e está sendo um DANO MORAL COLETIVO, ao povo de terreiro de todo Brasil. Além das casas que sofreram o terror da invasão e da destruição dos seus objetos sagrados, que tero que ser indenizadas por este crime sofrido, os nossos valores religiosos foram vilipendiados em seu âmago, não cabendo nenhuma tolerância nossa a este caso!

Vamos nos unir irmãos e irmãs de axé e de Jurema. Vamos combater a intolerância religiosa brutal, que cresce a cada dia em nosso país por causa de uma mídia que dá conceções publicas a Igrejas que ensinam como ser um ser humano racista e intolerante.


A matéria tem o título original: "Morte em ritual macabro e cruel". O texto digitalizado no início da postagem historia o caso. Para ler melhor, clik na imagem e veja ela em tamanho grande.

Axé, salve a fumaça!!
Sobô Nirê.


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Conselho de Políticas Culturais do Recife tem novos representantes na área de Patrimônio e Arquitetura

João Monteiro e Alexandre L'Omi L'Odò - novos conselheiros de cultura do Recife. Foto de Leandro Tavares.

Conselho de Políticas Culturais do Recife tem novos representantes na área de Patrimônio e Arquitetura

É com muita satisfação que anuncio aqui os dois nomes que a partir de hoje assumem a temática de Patrimônio e Arquitetura do Conselho Municipal Políticas Culturais da Cidade do Recife: Alexandre L'Omi L'Odò e João Monteiro.

Também outras diversas áreas da cultura tiveram seus representantes escolhidos pela sociedade em votação democrática.

Com a renovação do quadro do Conselho, Recife ganha mais fôlego para promover melhores e maiores atividades no campo da cultura da Cidade. E com isso, ganham todas e todos que de forma democrática escolheram seus representantes que vão fazer valer a outorga, pela sociedade, do cargo nas discussões do tema.

O historiador e pesquisador João Monteiro, em gestões anteriores já foi conselheiro. Chegando a ser o secretário geral do órgão. Hoje volta para prosseguir seu trabalho nas discussões pertinentes.

Alexandre L'Omi L'Odò, ativista social e cultural, sacerdote, pesquisador, e graduando em história pela UNICAP estreia agora nesta gestão na perspectiva de contribuir de forma ativa e comunicativa nos processos do Patrimônio Imaterial, Material e Arquitetura. 

Juntos, os dois experientes articuladores devem realizar um trabalho ao tamanho da necessidade que o tema exige. 

Também, com a entrada dos dois, os temas do Povo de Terreiro terão maior espaço para discussões na Cidade, já que até o momento o tema Patrimônio não tem dado conta desta grande parcela de nossa sociedade. Segundo os dados da Pesquisa Socioeconomica e cultural das casas tradicionais de terreiro, em Recife e Região Metropolitana existem em funcionamento mais de 1.450 terreiros, dados do MDS e UNESCO.

Sobô Nirê!
Salve a fumaça!
Ore iyé iyé oooooo!
Kawo Kabiesilé!

Alexandre L'Omi L'Odò.
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

domingo, 8 de julho de 2012

Sortilegia

Sortilegia

Deitei de volta ao meu leito de injúrias vans cotidianas
Urbanismos velozes
Luzes férteis de sombra

Àquela sombra irreverente
Que me afoga e desrespeita
Comete-me à desfé

Sortilegia meus dias de sombra antigo...

*Data desconhecida.

Alexandre L'Omi L'Odò
alexandrelomilodo@gmail.com

English for life Courses, com o Prof. Alexandre Morais



English for life Courses - com o Prof. Alexandre Morais

Divulgo aqui o belo trabalho com a língua inglesa realizado pelo competente e experiente professor Alexandre Morais. O curso vale muito a pena participar e o valor está muito bom em relação ao mercado. A copa vem ai gente, vamos nos prepara desde já.

Vejam os detalhes nos cartazes acima.


Alexandre L'Omi L'Odò
alexandrelomilodo@gmail.com

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Alexandre L'Omi L'Odò candidato à Conselheiro de Políticas Culturais da Cidade do Recife na área de Patrimônio e Arquitetura

Alexandre L'Omi L'Odò palestrando. Foto de Jedson Nobre.

Alexandre L'Omi L'Odò candidato à Conselheiro de Políticas Culturais da Cidade do Recife na área de Patrimônio e Arquitetura

Olá pessoal, amigos e amigas, pessoas de terreiro e companheiros da área de Patrimônio. Venho através desta postagem em meu blog informar que estarei concorrendo à vaga de Conselheiro de Cultura do Recife no próximo dia 09 de julho de 2012. Conto com a ajuda dos parceiros e parceiras para agregar mais pessoas nessa votação. Infelizmente só poderão votar pessoas da área de Patrimônio e Arquitetura, tendo em vista a especificidade do tema.

Minha plataforma de propostas está totalmente voltada a uma gestão dinâmica, informativa, comunicativa e participativa. O tema do Patrimônio Imaterial será um dos principais nortes de minha gestão, e proporei que o povo de terreiro venha se juntar a estas discussões para garantir melhor visibilidade no Recife de suas imaterialidades e bens simbólicos. Também serei voz ativa nos processos em que os conselheiros forem convocados para defender seus temas específicos. Patrimônio hoje é um dos principais temas discutidos dentro das gestões de cultura, portanto, vale a pena encarar este processo de eleição para ser a voz dos meus e minhas no tema! 
Meu Número é o 51!

Meu concorrente é o irmão João Monteiro, historiador que ao longo dos últimos 20 anos vem também levando esta temática muito a sério no meio cultural da Cidade.

Vamos à luta!

Serviço:
 
ELEIÇÃO DO CONSELHO MUNICIPAL DE POLÍTICA CULTURAL para segmentos será realizada na próxima segunda-feira dia 09.06.2012, a partir das 09h às 19h, na DGTEC – Antigo Colégio Nóbrega.

Com exceção dos segmentos de MÚSICA, PRODUTORES, ARTES CÊNICAS E TRABALHADORES DA CULTURA.

Mais informações:
Conselho Municipal de Política Cultural
Pátio de São Pedro, casa 08

Provisoriamente na casa 04
Fone: 3355.3310 | 3355.3311


Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

domingo, 24 de junho de 2012

Mestre Galo Preto | Palinha - no Toda Música - 23/06/2012


Mestre Galo Preto | Palinha - Toda Música - 23/06/2012 

Reportagem com o Mestre Galo Preto, gravada na Feira de Peixinhos, periferia de Olinda, exibida no quadro Palinha do programa Toda Música, que vai ao ar todo final de semana na TV Pernambuco e na TV Universitária do Recife. Mais informações www.todamusica.tv

Foi lindo ver em pleno São João o Mestre Galo Preto invadindo as telas de TV deste Estado pernambucano. A cultura popular a cada dia vem ocupando melhores espaços na mídia e no mercado fonográfico. Isso se deve ao grande trabalho de produtores e produtoras que com muita garra, desprendimento, amor e inteligência vem desenvolvendo as carreiras destes artistas mais que especiais de nosso Brasil. Parabéns a TVPE e a TVU pela proposta digna de levar à mídia conteúdos tão indispensáveis. Bariká!

 
Alexandre L'Omi L'Odò
Produção do Mestre Galo Preto
alexandrelomilodo@gmail.com

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Mestre Galo Preto no Toda Música - Na TVU-Recife, canal 11, domingo (24/06) às 20h30

Mestre Galo Preto no Toda Musica. Foto: Divulgação.

 Mestre Galo Preto no Toda Música - Na TVU-Recife, canal 11, domingo (24/06) às 20h30

Sabe o que Mestre Galo Preto, Racionais, Zé Brown e Maggo Mc têm em comum? A rima! Do rap ao repente, do coco à embolada, o Toda Música vai fazer uma viagem sonora ao mundo do ritmo e da poesia.

Os Racionais MC’s estiveram no Recife e fizeram um show que transformou o teatro da UFPE numa verdadeira “pista”. No Mundo Música tem um passeio no centro do Recife. Tila conversa com Mcs e emboladores pra descobrir quais são os pontos em comum entre a embolada nordestina e a batida urbana do Hip Hop. Quem guia ela é Zé Brown e Maggo Mc.

Mestre Galo Preto, parceiro de Jackson do Pandeiro, Arlindo dos Oito Baixos, Luiz Gonzaga e Jacinto Silva, dá uma palhinha em casa.
Assista na TVPE, sábado (23/06) às 19h e na TVU-Recife, canal 11, domingo (24/06) às 20h30


Acesse o site do Toda Música: http://todamusica.tv

Alexandre L'Omi L'Odò
Produção do Mestre Galo Preto
alexandrelomildoo@gmail.com

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Convite - Reabertura do Ilé Iyemojá Ògúnté. Festa de Iyemojá e Xangô dia 30 de junho de 2012


Reabertura do Ilé Iyemojá Ògúnté - Festa de Iyemojá e Xangô dia 30 de junho de 2012

O Ilé Iyemojá Ògúnté nas pessoas de sua iyalorixá Mãe Lu – Omitòógún, e de seu babalorixá Alapiní Sr. Paulo Braz – Ifátòógún, tem a honra de convidá-los a compartilhar conosco da reabertura oficial do Ilé, após reforma, com a saída de Iyawò de Sílvio André de Iyemojá Ògúnté e as renovações de Odú de Júnior de Xangô, Paulinho de Ogian, João Monteiro de Xangô Aduban e Alexandre L’Omi L’Odò de Oxum.

A Casa é de tradição nagô, das mais tradicionais. A festa será dedicada a Iyemojá Ògúnté, que vai receber sua panela no mar, e também será festejado o Orixá Xangô, patrono do mês vigente.

Será um prazer receber todas e todos neste momento de agregação familiar do axé e de fortalecimento de nossa memória ancestral africana e indígena.

Serviço:

Festa a realizar-se no dia 30 de junho de 2012 às 21h pontualmente.
Endereço: Rua Abdon Lima 86. Água Fria – Recife/PE- CEP: 52120-480
(Click no convite para ler texto integral).

Informações:  81. 3449-3066 / 8838-1152 / 8887-1496


Alexandre L'Omi L'Odò
Integrante do Ilé Iyemojá Ògúnté
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com 

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Especialização em História e Cultura Afro-Brasileira na UNICAP


Especialização em História e Cultura Afro-Brasileira na UNICAP


INSCRIÇÃO 01/06 a 30/07/2012
RESULTADO DA SELEÇÃO
01/08/2012
MATRÍCULA
03 a 10/08/2012
PREVISÃO DE INÍCIO DAS AULAS – 15/08/2012
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CARGA HORÁRIA
  • 360 h/a
OBJETIVO
  • Qualificar os profissionais, através de uma formação continuada, ao nível de pós-graduação lato sensu, no campo do ensino e da pesquisa, acerca da história e cultura afro-brasileira.
PÚBLICO ALVO
  • Profissionais das áreas de História, Ciências Sociais, Comunicação, Educação, Turismo, e afins.
NÚMERO DE VAGAS
  • 40
DURAÇÃO DO CURSO
  • 16 meses
 DIAS DE AULA
  • Quartas-feiras das 19h às 22h e sábados das 8h às 13h.

COORDENAÇÃO
  • Prof. Zuleica Dantas Pereira Campos, Pós-Doutorado em Ciências da Religião
ESTRUTURA CURRICULAR
  • Metodologia científica
  • Relações entre o Brasil, Portugal e África
  • Didática de Ensino Superior: o negro nos livros didáticos de História do Brasil
  • Religiões afro-brasileiras
  • Teorias interpretativas do sincretismo afro-católico no Brasil
  • Patrimônio e cultura material afro-brasileira
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Este curso é muito importante para a realidade dos dias atuais da educação nacional. Se especializar no tema da cultura africana e afrodescendente se faz necessrio para professores e professoras que desejam ocupar melhores espaços no campo da educação. O investimento vale a pena em todos os níveis.
 

Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
alexandrelomilodo@gmail.com

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Cadê o Coco no São João do Recife 2012?

 Dança do coco no VI Kipupa Malunguinho. Foto de Joannah Luna.
 
Cadê o Coco no São João do Recife 2012?

CADÊ O COCO NO SÃO JOÃO DO RECIFE 2012? Acabei de escrever na página da Prefeitura Do Recife: "Pessoal da programação do São João da Prefeitura Do Recife. Como vocês se propõem a realizar um São João com o slogan “São João tradicional, a gente faz na Capital” e invisibilizam o COCO que é uma manifestação junina mais que tradicional, e sim um traço de nossa cultura nordestina? Gente, ver só o nome de Dona Selma do Coco explicitado na programação é deprimente. Ainda anunciam um tal de Encontro de Coco do Recife onde não tem nome de ninguém... O coco precisa de espaço. É uma das formas musicais mais populares deste Estado todo e vocês fazem isso? Cadê o Mestre Galo Preto nos palcos de referência?, cadê Ferrugem?, cadê Zeca do Rolete? Cadê Zé Neguinho do Coco entre tantos outros grupos que fazem de Recife uma capital movimentada nos finais de semana nos bairros... Não acredito que estou em RECIFE".

Olhem a programação completa neste link:

Após esta reflexão publicada por mim no facebook da Prefeitura do Recife e em minha página, muita gente se colocou criticamente e se disponibilizou a ir até a Prefeitura conversar com a Fundação de Cultura sobre esta exclusão absurda. Os grupos, mestres e pessoas interessadas já estão se organizando para ir até lá. Espero que com esta ação, possamos ainda inverter esta situação que nos envergonha e nos alarma sobre a falta de respeito total com esta forma de cultura tão forte em nossa cidade. O coco, para muitos que não sabem, foi um dos ritmos e música mais cantados por Luiz Gonzaga. O que ele fez foi apenas colocar sanfona e dar outra vestimenta a ele, mas a forma estava lá... Portanto, de forma nenhuma se justifica  esta ausência dos grupos, mestres e mestras na programação do São João 2012, dizendo que estariam homenageando nosso querido Luiz Gonzaga e que o forró será o privilegiado ocupando todos os palcos e espaços. 


Para quem não sabe, a música Pisa no Pilão, é apenas uma dentre tantas outras músicas cantadas por Luiz Gonzaga que é coco, com outra roupagem.

Vergonha é uma boa palavra para simbolizar este momento para a cultura popular em Pernambuco!


Alexandre L'Omi L'Odò
Produtor Cultural e Músico Pernambucano
alexandrelomilodo@gmail.com

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Nova Casa, Novo Caminho de Odú, Vida Nova no Axé

Alexandre L'Omi L'Odò aos pés da Família de Pai Adão. Foto de Laila Santana.

Nova Casa, Novo Caminho de Odú
Vida Nova no Axé

Não poderia deixar de registrar este momento tão importante em minha vida aqui, compartilhando com os amigos e amigas. Hoje, dia 06 de Junho de 2012 dei mais um grande passo de mudança e fortalecimento no meu caminho de Odú, no culto aos Orixás, em minha vida religiosa junto a Oxum e Ògún.

Graças a Oxum, não entrei no candomblé por necessidades de doenças, falta de trabalho, azar, depressão ou problemas espirituais. Apenas fui levado por ela mesmo a me iniciar, sendo presenteado de forma grandiosa por ela que me deu tudo que precisei, e ainda um tanto mais para ajudar outras pessoas também a se iniciar. Ela própria me encaminhou. E também decidi assumir esta identidade religiosa por ter fé no axé, por ter fé na Jurema e por ter ancestralidade negra e indígena. E assim até hoje sigo, com muito respeito a tudo que se refere a estas religiões, me realizando completamente em ser integrante destes cultos, que me fortalecem e me dão a possibilidade de conhecer mais sobre mim mesmo nesta existência.

Desde bem jovem, 12 ou 13 anos, andei por  muitos lugares, conheci muitos universos e ainda vou conhecer outros infinitos, portanto sei selecionar o que pode me fortalecer e me fazer vibrar energia de construção coletiva para muito além do umbigo do terreiro que venha a participar... O candomblé e a Jurema pra mim não são religiões, são cosmovisões de mundo, são algo além do ritual e das receitas "mágicas", é um movimento político e ideológico, uma forma de viver fora do Ocidente cristão, estando dentro dele. É um oásis de vida. Por isso não quero uma religião para me tornar uma pessoa triste, preocupada, pesada, não livre. Quero uma religião para me dar alegrias e me ajudar a encontrar com meu eu e com meus ancestrais. Religião, para mim não é algo decisivo a ponto de me destruir ou fazer destruir por ela, o que de fato para mim é fundamental e vital é a consciência, o direito de me conhecer, de me respeitar e respeitar o universo que me circula. Gosto mesmo é de estar livre em minha fé, sem submissões desnecessárias, muito menos ter que compartilhar de ideologias e práticas que não identifico como sérias ou dignas para seguir ou compactuar. Portanto, meu caminho é estar comigo, e com o que acredito holisticamente.

Aos mais de 18 anos que participei de minha antiga casa de axé e de Jurema, o Ilé Oyá T'Ògún  que me acolheu durante todo este tempo tenho o mais profundo agradecimento. Lá pude aprender muitas coisas, e ensinar outras. Foram anos bons, de sonhos e alegrias, sobre tudo nos dez primeira anos. Mas chegou a hora de sair. De encontrar outros caminhos, de conhecer e aprender novas coisas no axé e na Jurema, de olhar o nagô mais de perto. Oxum demorou a me dar o sinal, mas enfim delegou a mim a égide de meu próprio destino, e a ela agradeço este direito natural meu.

Hoje mesmo adentrei as portas do Ilé Iyémojá Ògúnté, casa de tradição nagô do renomado babalorixá Malaquias Felipe da Costa, conhecido hoje como Ojé Bií, um Esá de grande força em nossa tradição pernambucana. Levei comigo todas as minhas insígnias e fundamentos, história e desejos. Lá fui acolhido pelo querido, a quem admiro muito, o sacerdote Paulo Braz Felipe da Costa - Ifátòógún, e pela sacerdotisa Mãe Lu de Iyemojá Ògúnté - Omitòógún, que juntos com sua comunidade fizeram todos os rituais de boas vindas tradicional do nagô. Me senti feliz, de olhos abertos, vibrando alegrias... Era hora, e Oxum fez-se presente para nos agraciar com seu axé grandioso de mãe que não abandona o filho nunca. Sempre soube que ela não deixaria de ouvir um filho para realizar os desejos de outrem. Axé iyá mi, adupé! Porém, Oxum há de olhar e vigiar, pelos desnecessários atos de vilipêndio sacerdotal cometidos por ventura contra ela e comigo.

A foto acima que gosto de intitular como "Aos pés do Nagô pernambucano" foi tirada no dia 06 de Dezembro de 2011 na ocasião da celebração da coroação do Rei e da Rainha do Maracatu Raízes de Pai Adão. O evento que foi produzido pelo Quilombo Cultural Malunguinho, teve como principal objetivo além das coroações e celebração religiosa, a congregação do povo de terreiro que compareceu para firmar esta união e momento histórico para nossa tradição pernambucana. A fotógrafa responsável por toda cobertura da coroação foi Laila Santana, que com muito carinho me concedeu esta fotografia que demarca para mim um momento de grande realização religiosa e de trabalho como produtor e coordenador geral de eventos. Na foto, respectivamente estão da esquerda para a direita: Pai Cicinho de Xangô (Obarindè), Pai Paulo Braz Ifátòógún (meu babalorixá), Mãe Zite de Oxum Ipondá e Mãe Lu de Iyemojá Ògúnté (minha Iyalorixá), todos filhos carnais de Ojé Bií (Sr. Malaquias Felipe da Costa) e netos consequentemente do famoso babalorixá Pai Adão, e Eu aos pés deles.

Não poderia deixar de agradecer aos amigos que me ajudaram nesta transição importante:

Obrigado a Oxum,Ògún, Exú, Orunmilá, Oyá, Iyemojá Ògúnté, Orixalá e Obá, por terem me sustentado todo tempo.

Obrigado a minha "trunqueira sagrada, por onde eu peço socorro" o Rei Malunguinho, dono também de meu destino na Jurema. Obrigado à Arranca-Toco, à Boiadeiro de Jurema, à Mestra Paulina da Rede Rasgada, à Meu Avô Silvino Paulo dos Santos e seu mestre que hoje anda comigo. Um obrigado especial ao mestre Mané da Pinga, do querido sacerdote Pai Mecias da Rua das Moças, que a um ano antes havia me dado o recado.

Obrigado aos amigos de verdade - João Monteiro que me ajudou a pensar sobre este processo. À Sandro de Jucá que na hora da necessidade confiou em mim e me acompanhou nesta guerra. À Arthur de Iyemojá, que foi comigo no terreiro me ajudar a pegar meus assentamentos para levar embora. Obrigado à Ana de Oyá, pelo apoio. Obrigado a Flávio de Exú, que afinado com Oxum, soube me dar o recado espiritual na hora certa. Obrigado à Marcelo Nêgo de Brasília, por ter me dado também o recado espiritual na hora certa. Obrigado a Dona Dora, por ser uma juremeira forte e de ciência ao meu lado. Obrigado à Juliana Bison, por ter me apoiado também. Obrigado a Leandro de Xangô por ter acompanhado o processo. Obrigado ao queridíssimo professor Jayro Pereira de Jesus por todo apoio ideológico e filosófico. Obrigado à Mano, meu padrasto e axogun do terreiro, por ter conversado comigo sobre o assunto de forma acolhedora, e obrigado à mim, por ter confiado em mim para poder mudar o que não estava certo. Axé, axé e axé.

Salve a fumaça e a Jurema!


Alexandre L'Omi L'Odò
Iyawò e juremeiro
alexandrelomilodo@gmail.com

Quilombo Cultural Malunguinho

Quilombo Cultural Malunguinho
Entidade cultural da resistência negra pernambucana, luta e educação através da religião negra e indígena e da cultura afro-brasileira!