sexta-feira, 10 de abril de 2009

Naná Vasconcelos desabafa sobre a política cultural de PERNAMBUCO.

Foto: Alexandre L'Omi L'Odò.


“Ninguém aqui sabe o que eu faço”

"... o que acontece aqui é que o nosso secretário de Cultura não tem educação, e o de Educação não tem cultura." Naná Vasconcelos
"... ninguém quer realmente tirar crianças da rua." Naná Vasconcelos

“Ninguém aqui sabe o que eu faço”

Por: Marcella Sampaio

Ele não foi o homenageado oficial do Carnaval Multicultural do Recife, mas sem sombras de dúvida é um dos nomes mais exponenciais do período momesco da capital pernambucana. Há oito anos no comando da abertura da folia recifense, Naná Vasconcelos foi um dos artistas mais reverenciados durante o desfile das agremiações. No Galo da Madrugada, pôde-se ver claramente a importância que o percussionista tem para a cultura local. Presente no evento apenas para brincar, surpreendeu-se ao ser reverenciado por todos os artistas que passaram em frente ao camarote em que estava.

Apesar das homenagens espontâneas, o músico, eleito por sete vezes o melhor percussionista do mundo pela revista americana Down Beat, lamenta só ser lembrado pelos conterrâneos apenas durante o carnaval. Sem mágoas, Naná não vê o caso como discriminação, apenas como um problema cultural que acomete todos os músicos do Estado.

Com senso crítico apurado, o percussionista conta que além de participar da abertura do carnaval a única coisa que faz aqui é se esconder. Ele não é o único e enumera diversos artistas como Lenine, Alceu Valença, Mestre Ambrósio, Nação Zumbi, Cordel do Fogo Encantado que sem ter opção e espaço, deixaram a terra natal para ir morar em outros lugares. “Pernambuco não sabe vender os seus valores. Falta uma visão de mercado para a cultura local, pois a maior parte do que acontece na música brasileira vem daqui, mas os artistas têm que ir morar no Sul para sobreviver. Na Bahia os artistas fazem sucesso em outro canto, mas moram lá. Não temos oportunidade aqui e se ficarmos, morreremos de fome. O ex-governador Antônio Carlos Magalhães costumava dizer nas rádios, ‘você está na Bahia, você tem que tocar música baiana’. Aqui não toca música dos pernambucanos.”

Naná credita a situação aos responsáveis pela coordenação cultural. A solução seria aprender a vender o produto e por em prática uma visão que valorize as tradições locais, mas também tenha cuidado para não descaracterizar os costumes.

O fato é tão lamentável para o percussionista que chega até prejudicar a qualidade do carnaval multicutural, que tem condições de ter um esquema de som mais adequado. “Hoje o carnaval é prejudicado porque a tecnologia é pobre. Eu faço a abertura há oito anos e nunca foi feito um DVD decente para propagar essa multiculturalidade que tanto se fala. Isso acontece porque tem um lado coronel aqui que não nos deixa crescer. Sinto falta de uma visão de mercado que dê condições tecnológicas para as pessoas escutarem bem toda essa miscigenação cultural.”

A situação ficou ainda pior este ano devido à chuva. Apenas na abertura três geradores foram queimados, deixando o palco escuro. Mesmo com os incidentes o percussionista e os 600 batuqueiros deram continuidade ao show. O esforço não foi nem sequer lembrado pelo secretário de Cultura do Recife, Renato L, e causou revolta ao músico. “Ele não teve a sensibilidade de dizer que a coisa ultra-humana fomos nós que ficamos debaixo da chuva para não deixar a abertura desmoronar.”

Mas a situação ainda não está perdida e Naná acredita que para a valorização acontecer é preciso encontrar um jovem que renove o departamento de cultura e turismo, pois em Pernambuco há coisas que são únicas. E quando o assunto é o Estado o músico logo compara as tradições locais às da Bahia e do Rio de Janeiro, os quais não conseguem diversificar.

A Bahia é conhecida apenas pelos trios e para participar é necessário ter abadá. No Rio de Janeiro só há as escolas de samba. O diferencial é que lá eles contam com uma tecnologia de ponta graças aos patrocínios que o percussionista tanto cobra. “Somos multiculturais, fazemos um carnaval espetacular, mas nas revistas nacionais só aparecem os eventos do Rio de Janeiro e da Bahia. Eu acho que o que acontece aqui é que o nosso secretário de Cultura não tem educação, e o de Educação não tem cultura.”

Em uma situação favorável, o músico diz que pode criticar e falar a realidade da cultura no Estado porque não depende do mercado local, já que tem uma carreira de sucesso lá fora. E ainda acrescenta que não adianta nem tentar espaço em Pernambuco porque se for fazer show aqui em um teatro ninguém vai porque o povo está acostumado a vê-lo tocar de graça para multidões. Além do mais ninguém conhece o seu trabalho. “Eu sou um personagem, ninguém aqui nunca ouviu o que realmente faço. Nunca tive a oportunidade de tocar aqui, a primeira vez que me deram foi no Virtuosi, mas nem pude mostrar tudo porque o projeto foi cortado. As pessoas só sabem quem eu sou pelo maracatu, não fazem idéia que eu tenho trabalho solo. Eu posso mostrar a minha arte em São Paulo em outros cantos do mundo, mas não aqui.”

INOVAR É PRECISO
Irreverente, o músico, que sofreu influência da música erudita de Heitor Villa-Lobos e do roqueiro Jimi Hendrix, defende que para um artista se destacar no contexto atual é preciso ter diferencial. A receita para o sucesso é a mistura do eletrônico com o cultural, os dois juntos dão uma coisa original, verde e amarela, como ele mesmo consagra.

Quando o assunto é o cenário brasileiro, o percussionista é enfático ao dizer que tudo é muito parecido. “Temos artistas de qualidade, que sempre tiveram, mas não têm nada de novo. Parece axé que você não consegue saber quem é quem. Todo mundo tem uma voz muito parecida, Ana Carolina parece com a voz de Cássia Eller. Fica tudo muito igual, vira uma moda, um modismo que tem o mesmo tipo de arranjo. Para um novo artista aparecer ele tem que ter uma coisa original, se não fica um lugar comum.”

Desse bolo, Naná destaca alguns que ainda conseguem se diferenciar do todo, entre eles estão Ivete Sangalo, Milton Nascimento, Vitor Araújo, Siba e Dj Dolores. Internacionalmente, ele lembra do nome de Amy Winehouse. “Ela tem uma coisa original, que não é tão tecnológica e parece antiga.”

EXTERIOR AINDA CONTINUA NA PAUTA

Apesar de nunca ter pensando em ir morar no exterior, Naná Vasconcelos conta que as coisas foram acontecendo ocasionalmente. Programado para ir participar do festival Brasil tocando Rio, na capital fluminense, o artista acabou desembarcando na sua carreira pelo mundo afora. Lá conheceu Milton Nascimento e logo depois foi na companhia dele à Argentina. De lá seguiu para Nova Iorque e depois para Paris. Nos últimos dois destinos deparou-se com o sucesso ao descobrir que tinha um algo diferente do que os americanos e europeus estavam acostumados a ouvir.

Apesar de ter passado mais de 10 anos morando no exterior, o percussionista explica que nunca perdeu a identidade e por isso se tornou famoso lá fora. A carreira até hoje é reconhecida e é a fonte que lhe dá frutos. Todo período de primavera/verão, Naná retorna à Europa para realizar uma série de concertos nos festivais.

O músico voltou a estabelecer relações mais próximas com o cenário musical brasileiro a partir da direção artística do festival Panorama Percussivo Mundial (Percpan) em Salvador. “Quando estive no Brasil para dirigir esse evento tomei um susto e vi muita criança na rua. Isso me fez querer fazer alguma coisa. Criei o projeto ABC das Artes e o ABC Musical, mas o primeiro durou um pouco mais de dois anos em Olinda e o outro de vez em quando eu retomo, quando o governo dá oportunidade. Mas, no geral os projetos não deram certo porque ninguém quer realmente tirar crianças da rua. Você vai à Brasília todo mundo aplaude, mas como não tem retorno imediato ninguém quer patrocinar.”

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Muitos criticaram, outros apoiaram as colocações do Mestre Naná Vasconcelos. Eu prefiro dizer que antiguidade as vezes é posto e que concordo com meu Mestre, que sabe o que fala e entende muito bem e com experiência as deficiências de nossa indústria cultural pernambucana, isso é, se existe alguma indústria cultural por aqui!

Alexandre L'Omi L'Odò.

Percussionista - Produtor Fonográfico e Cultural

Sacerdote Iyawò.



sábado, 4 de abril de 2009

Malunguinho no Cine PE 2009

O documentário, Malunguinho, O Rei da Jurema O Guerreiro do Catucá será exibido no Cine PE 2009 e está concorrendo ao prêmio de melhor documentário da mostra este ano.
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Sendo o Cine PE o maior evento de Cinema do Estado de Pernambuco, onde diversos vídeos, documentários, longas e curtas metragens do Brasil e do mundo são exibidos, o documentário dos jornalistas João Batista Jr., Diogo Mendes e Luíz Otávio, Malunguinho, O Rei da Jurema O Guerreiro do Catucá, após ter concorrido com diversos curtas na pré-eliminatória, venceu a fase, será exibido e está concorrendo ao prêmio de melhor documentário na mostra.

O vídeo, que foi fruto da conclusão do curso de jornalismo (TCC) dos Diretores João Batista, Diogo Mendes e Luíz Otáviodo naUniversidade Católica de Peranmbuco (UNICAP) 2008, recebeu nota máxima da banca examinadora, que fizeram comentários de grande vailia sobre o filme e reafirmaram a importancia de tal documentário na contribuição da afirmação do papel do negro em Pernambuco no século XIX, além da importância histórica do tema, já que poucas pessoas conhecem Malunguinho como personagem forte da contrução da personalidade e forma de vida socio-político-cultural do Estado.

O documentário mostra a relação do Malunguinho Histórico, e o embate afirmativo do povo da Jurema Sagrada de Pernambuco na preservação da memória deste grande líder quilombola no imaginário da Jurema do Nordeste, deisificando-o e fazendo dele o Malunguinho Divino, o Rei da Jurema, título este pertencente unicamente a ele, pois é o único a se apresentar espiritualmente em três formas: Mestre, Caboclo e Exú dentro do culto. A relação fortimente indígena da divindade remonta claro a vivência cotidiana dos negros do Quilombo do Catucá com os índios dos entornos da localidade que se iniciava as margens do Rio Beberibe entre Recife e Olinda (próximo ao Nascedouro de Peixinhos) e se estendia até a Cidade de Goiana na Zona da Mata Norte pernambucana.

Em 18' minutos o publico poderá presenciar a mais requintada qualidade jornalística e cinematográfica já feita nos vídeos pernambucanos, contando com falas de muita importância e depoimentos de de professores como o Marcus Carvalho PHD em História e um dos primeiros a escrever sobre os Malungos do Recife em seu antológico e importantíssimo livro Liberdade - Rotinas e Rupturas do Recife 1822 a 1850, também a fala do Mestrendo em Ciências da Religião, o Historiador e agitador cultural Jõao Monteiro que tratará em sua dissertação o tema Malunguinho e sua deisificação. Babalorixás e Iyalorixás, Mestre e Mestras Juremeiras também tiveram suas falas garantidas no documentário, sacerdotes como Sandro de Jucá, Mãe Lúcia de Oyá deram um toque muito especial ao tema religiosidade, tema transversal e crucial do documentário.

O trilha sonora foi feito e produzido pelo Sacerdotando (Juremeiro e Iyawò), Percussionista, Produtor Fonográfico e Pesquisador Alexandre L'Omi L'Odò, que realizou grandes temas de percussão para compor o clima ideal para o vídeo. Participações como a do professor Sandro Guimarães de Sales (com seu violão de ouro) e do Mestre Galo Preto, além do Coral da Jurema Sagrada de Malunguinho, organizado pelo produtor do trilha, dão sem dúvidas uma cara de novidade e dinamismo à película. Diz o produtor do trilha que "lançaremos depois de terminar a produção o CD com o trilha completo, que está lindo, em especial porque registramos cantigas ainda não conhecidas e muito antigas de Malunguinho na Jurema".

Contando com o apoio integral, e até mesmo o "dedo no bolo" do Quilombo Cultural Malunguinho, a parceria na construção da obra foi super relevante, sabendo que os pesquisadores do Quilombo são os melhores especialistas no momento sobre Malunguinho, tanto histórico quanto Divino, pois todos da entidade são iniciados nos cultos afro indígenas e vivenciadores da construção da memória do líder Quilombola Malunguinho em PE. "O vídeo tem um perfil pedagógico, podendo se enquadrar perfeitamente ao uso da Lei 11.465/2008, e da lei estadual 13.298/2007 a lei da Semana da Vivência e da Prática da Cultura Afro Pernambucana, a lei de Malunguinho aprovada com total iniciativa na assembléia Legislativa do Estado de Pernambuco pelo Dep. Isaltino Nascimento e o Quilombo Cultural Malunguinho, com apoio de diversos movimentos culturais e sociais, e não poderemos perder esta oportunidade de passar ele nas escolas", diz Alexandre L'Omi L'Odò.

Contudo, a exibição do vídeo espera poder levar muitos Juremeiros, Povo de Terreiro, historiadores e pesquisadores além de público em geral para lotar no dia 26 de Abril no Cinema da Fundação Joaquim Nabuco, localizado na Rua Henrique Dias 609 - Derby - Recife, todo povo para juntos eleger o vídeo como o melhor da Mostra de Cinema de Pernambuco 2009.



Serviço:
Documentário: Malunguinho, O Rei da Jurema O Guerreiro do Catucá / 2008.
Evento: Cine PE - Mostra de Cinema de Pernambuco 2009.
Local: Cinema da Fundação - Rua Henrique Dias 609 - Derby - Recife - PE
Horário: 19h.
Quanto pago? : Gratis.
Contatos: (81) 9265-9223/ 8887-1496


Esperamos todo@s lá!!

sexta-feira, 20 de março de 2009

Cartilha Diversidade Religiosa e Direitos Humanos, Quilombo Cultural Malunguinho por uma política de Combate a Intolerância.

A CEPIR- Comitê Estadual para Promoção da Igualdade Racial- PE e o CRER- Centro de Referência e Enfrentamento ao Racismo Casas da Cidadania Olinda Carmo, em ação conjunta com nove entidades dos movimentos negros e resistência de Pernambuco, onde o Quilombo Cultural Malunguinho fez-se presente na construção e discussão do documento, lança em Olinda hoje no dia 20/03/2009 a cartilha Diversidade Religiosa e Direitos Humanos.
A cartilha traz a Declaração sobre Eliminação de todas as Formas de Intolerância e Discriminação com base em Religião ou Crença, proclamada pela resolução 36/55 da Assembléia Geral de 25 de Novembro de 1981.
Tendo como um dos importantes princípios do Quilombo Cultural Malunguinho a luta pelos direitos iguais e principalmente a luta por maior entendimento histórico e religioso das religiões de matrizes africanas, a entidade divulga aqui o resultado deste processo.
Democratizando pela internet o conteúdo muito útil para a luta contra a intolerância religiosa, esperamos que seja de bom proveito o texto oficial que segue.
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Segue texto parcial oficial:
DIVERSIDADE RELIGIOSA E DIREITOS HUMANOS

Numa perspectiva Transversal, Democrática e Regionalizada e à luz do Programa Pacto Pela Vida, Da Declaração Universal sobre Intolerância Religiosa e Discriminação Correlata e demais documentos legais, entendemos que esse material- Diversidade religiosa e Direitos Humanos, possa servir como um “Atagbá”: que passe de mãos em mãos e que possa servir como um dos vários instrumentos do governo do Estado de Pernambuco, através das decisões colegiadas e democráticas com todos e todas os que assinam este Livreto; para a construção coletiva do fortalecimento das políticas de igualdade étnico-racial, numa perspectiva de enfrentamento às discriminações religiosas, sobretudo do Povo do Santo de Pernambuco - Religiões de Matrizes Africanas e Afro brasileiras.

Nesse sentido, entendemos que este Livreto é mais uma contribuição do CEPIR-Comitê Estadual de Promoção da Igualdade Étnico-Racial, que congrega sete Secretarias de Estado - Juventude e Emprego, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social, Articulação Social, Educação, Saúde, 'Secretaria de Desenvolvimento Social, Secretaria Chefe da Assessoria Especial do Governador-CEPIR e FUNDARPE.

Esse material traz algumas orientações e definições de várias religiões no mundo, para a convivência pacífica e fraterna com os "diferentes-iguais", no sentido de construirmos a PAZ, como tem orientado a Secretaria Especial de Direitos Humanos, do governo Federal, que fundamenta este Livreto.

Que possamos, embasados por estas orientações religiosas, contribuir para que nos tornemos verdadeiros e verdeiras cidadãos (ãs).

Boa sorte,
CEPIR.
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DECLARAÇÃO SOBRE A ELIMINAÇÃO DE TODAS AS FORMAS DE, INTOLERÂNCIA E DISCRIMINAÇÃO COM BASE EM RELIGIÃO OU CRENÇA.

Proclamado pelo Resolução 36/55 do Assembléia Geral de 25 de novembro de 1981

A ASSEMBLÉIA GERAL,

Considerando que um dos princípios básicos da Carta das Nações Unidas é o da dignidade e igualdade inerentes a todos os seres humanos e que todos os Estados Membros se comprometeram. juntamente com a Organização. a tomar ações conjuntas e separadas de cooperação, no sentido de promover e estimular o respeito e o cumprimento universal aos direitos humanos e às liberdades fundamentais para todos, sem distinção de raça, sexo, idioma ou religião.

Considerando que a Declaração Universal dos Direitos Humanos e os Convênios Internacionais sobre Direitos Humanos proclamam os princípios da não discriminação e da igualdade perante a lei, bem como o direito à liberdade de pensamento. Consciência, religião e crença.

Considerando que o desrespeito e a violação dos direitos humanos e das liberdades fundamentais e particularmente do direito à liberdade de pensamento, consciência, religião ou de qualquer crença provocaram, direta ou indiretamente, guerras e grandes sofrimentos à humanidade, especialmente onde servem como meios de interferência estrangeira nos assuntos internos de outros Estados e conduzem ao fomento do ódio entre povos e nações.

Considerando que a religião ou crença para qualquer pessoa que as professam, é um dos elementos fundamentais da sua conceituação de vida e que a liberdade de religião ou crença deve ser plenamente respeitada e garantida.

Considerando ser essencial promover o entendimento, a tolerância e o respeito em questões relacionadas à liberdade de religião e crença, e a fim de assegurar que é inadmissível o uso da religião ou crença para fins inconsistentes com a Carta das Nações Unidas, outros instrumentos relevantes das Nações Unidas e as finalidades e princípios da presente Declaração.

Convencida de que a liberdade de religião e crença deve também contribuir para a consecução das metas de paz mundial. Justiça social, amizade entre os povos e eliminação de Ideologias ou práticas de colonialismo e discriminação racial.

Observando com satisfação a adoção de diversas convenções para a eliminação das múltiplas formas de discriminação, bem como a entrada em vigor de algumas delas sob amparo das Nações Unidas e de suas agências especializadas.

Preocupada com manifestações de intolerância e com a existência de discriminação por questões de religião ou crença ainda em evidência em algumas regiões do mundo.

Resolve adotar todas as medidas necessárias para uma rápida eliminação de tais intolerâncias, em todas as suas formas e manifestações, para evitar e combater a discriminação com base em religião ou crença,

Proclama a presente Declaração sobre a Eliminação de Todas as Formas de Intolerância e Discriminação com base em Religião ou Crença.
ARTIGO I

I . Todos terão direito a liberdade de pensamento, consciência e religião. Tal direito inclui a liberdade de ter uma religião ou crença qualquer à sua escolha, e a liberdade, individual ou em comunhão com outros e em público ou privado, de manifestar sua religião ou crença em louvor, observância, prática e ensino.

2. Ninguém será sujeito a coerção que possa cercear a liberdade de ter uma religião ou crença de sua própria escolha.

3. A liberdade de manifestar sua religião ou crença somente poderá estar suujeita às limitações previstas em lei e necessárias para resguardar a segurança pública, a ordem, a saúde ou a moral, ou ainda os direitos e liberdades fundamentais de terceiros.

ARTIGO 2

I . Ninguém será sujeito a discriminação de qualquer Estado, instituição, grupo de pessoas ou indivíduo com base em Religião ou outra crença.

2. Para as finalidades da presente Declaração, a expressão "intolerância e discriminação com base em religião ou crença" significa qualquer distinção, exclusão, restrição ou preferência fundada em religião ou crença, cuja finalidade ou efeito seja a nulidade ou cerceamento do reconhecimento, gozo ou exercício de direitos humanos e liberdades fundamentais em bases igualitárias.

ARTIGO 3

A discriminação entre seres humanos fundada em religião ou crença constitui afronta à dignidade humana e negação dos princípios da Carta das Nações Unidas, devendo ser condenada como violação dos direitos humanos e das liberdades fundamentais, conforme proclamado na Declaração Universal dos Direitos Humanos e enunciado detalhadamente nos Convênios Intencionais sobre Direitos Humanos, e como entrave às relações amistosas e pacíficas entre as nações.

ARTIGO 4

I . Todos os Estados devem tomar medidas efetivas para evitar e eliminar a discriminação baseada em religião ou crença, no reconhecimento, exercício e gozo dos diretos humanos e liberdades fundamentais em todas as áreas da vida civil, econômica, política. Social e cultural.

2. Todos os Estados devem empenhar esforços no sentido de aprovar ou rescindir legislação, quando necessário, a fim de proibir tal discriminação, assim como tomar medidas apropriadas para combater a Intolerância com base em religião ou outra crença.

ARTIGO 5

I . Os pais ou, conforme o caso, os tutores legais de uma criança têm o direito de organizar a vida em família de acordo com a sua religião ou crença e tendo em mente a educação moral na qual acreditam que a criança deva ser criada.

2. Toda criança gozará do direito de acesso à educação em matéria de religião ou crença de acordo com o desejo de seus pais ou, conforme o caso, de seus tutores legais e não será obrigada a receber ensinamentos sobre religião ou crença contra o desejo de seus pais ou tutores legais, tendo como princípio norteador os Interesses da criança.

3. A criança será protegida de toda forma de discriminação fundada em religião ou crença. Deverá ser criada com o espírito de entendimento, tolerância, amizade entre os povos, paz e fraternidade universal, respeito à liberdade de religião ou crença de terceiros e com plena consciência de que suas energias e talentos devem ser dedicados em prol de seus semelhantes

4. No caso de uma criança que não esteja sob os cuidados de seus pais ou tutores legais, devem ser levados em consideração seus desejos expressos ou qualquer outra evidência de seus desejos em matéria de religião ou crença, sendo o princípio norteador os melhores Interesses da criança.

5. As práticas de religião ou crença na qual uma criança é criada não podem ser prejudiciais à sua saúde física ou mental ou ao seu desenvolvimento pleno, de acordo com o Artigo I, parágrafo 3, da presente Declaração.

ARTIGO 6

De acordo com o Artigo I da presente Declaração, e Sujeito às disposições do Artigo I, parágrafo 3, o direito à liberdade de pensamento, consciência, religião ou crença deve incluir, inter alia, as liberdades de:

(a) Louvar ou congregar para fins relacionados à religião ou crença, bem como estabelecer e manter locais para essas finalidades;
(b) Estabelecer e manter instituições beneficentes ou humanitárias apropriadas; (c) Confeccionar, adquirir e utilizar de forma adequada os artigos e materiais necessários aos ritos ou costumes de uma religião ou crença:
(d) Redigir, publicar e disseminar materiais relativos a essas áreas;
(e) Ensinar a religião ou crença em locais apropriados para esta finalidade;
(1) Solicitar e receber contribuições voluntárias, tanto financeiras quanto de outra natureza, de indivíduos e instituições;
(g) Capacitar, nomear, eleger ou designar por sucessão líderes apropriados previstos pelas exigências e normas de qualquer religião ou crença;
(h) Observar os dias de descanso e celebrar os feriados e cerimônias de acordo com os preceitos de sua a religião ou crença;
(i) Estabelecer e manter comunicações com indivíduos e comunidades em matéria de religião e crença nos níveis nacional e internacional.

ARTIGO 7

Os direitos e liberdades enunciados na presente Declaração devem ser homologados em legislação nacional de forma que, na prática, todos possam ter acesso aos mesmos,

ARTIGO 8

Nada na presente Declaração deve ser interpretado como cerceamento ou derrogação de qualquer direito definido na Declaração Universal dos Direitos Humanos e nos Convênios Internacionais sobre Direitos Humanos.

Alexandre L'Omi L'Odò / Quilombo Cultural Malunguinho

quilombo.cultural.malunguinho@gmail.com

Em breve posto o resto dos textos...

quarta-feira, 18 de março de 2009

Terreiro do Gantois é vítima de fraude na Internet.

Terreiro do Gantois é vítima de fraude na internet.
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Um dos terreiros mais famosos e influentes da Bahia, o terreiro do Gantois, sofre calúnias graves em um site da internet que cobra 350 reais por consulta e 200 reais para que o consulente apenas fale com um dos filhos da casa.
Realmente isso é um crime contra a tradição de matriz africana e contra um segmento muito forte no Brasil todo, sabendo que uma das Iyalorixás mais famosas e importantes na história do país, a Mãe Menininha do Gantois, tem sua memória e tradição ética-cultural violada por criminosos intolerantes, racistas.
Este é um crime que não pode ficar impune, pois é revoltante tal acontecido!

Segue matéria do Jornal a tarde sobre o fato:
A Tarde
EDIÇÃO DO DIA 17.03.2009
Salvador - Página 7

Site falso cobra R$ 350 por consulta
CLEIDIANA RAMOS cramos@grupoatarde.com.br (jornalista).

O terreiro Gantois, como é mais conhecido o Ilê Iyá Omi Axé Iyà Massé, é vítima de uma fraude online. Algumas pessoas estão recebendo, via e-mail, um link que dá acesso ao site descrito como da casa que é uma das mais tradicionais da Bahia e foi comandada até 1986 pela célebre ialorixá mãe Menininha. “O que fizeram é uma mistura de crueldade e irresponsabilidade”, diz, indignada, mãe Carmen Oliveira, a atual ialorixá do Gantois e filha biológica de mãeMenininha.
A preocupação da comunidade do terreiro é que, na seção do site fraudulento, intitulada Reserva & Pagamentos, são prometidas consultas com mãe Carmen e filhos da casa. Para este fim, o usuário deve preencher um cadastro com seu nome completo, data de nascimento, e-mail, telefone, dentre outras informações.
A partir de então, é gerado um boleto bancário. São cobrados R$ 350 para um pretenso encontro com mãe Carmen e R$ 200 se for com um filho do terreiro. “Vamos tomar providências legais, pois isto é um acinte à dignidade não só da nossa casa, mas de toda uma tradição religiosa” , afirma o jurista e vice-prefeito de Salvador, Edvaldo Britto, que ocupa posto de babá egbé no Gantois, um importante cargo litúrgico.

Zeno Millet, filho de mãe Cleusa Millet, a outra filha biológica de mãe Menininha, que a sucedeu no trono do Gantois até 1998, quando morreu, recebeu o e-mail com o link. “Fiquei chocado, pois, embora às vezes apareçam pessoas alegando parentesco conosco ou dizendo ser do terreiro sem que pertençam a ele, uma coisa dessa gravidade nunca tinha acontecido”, completa.
FAMOSOS –Há também no site a seção “Clientes célebres”, com fotos de Caetano Veloso, Maria Bethânia e Daniela Mercury, dentre outros famosos. Na página de apresentação, há um vídeo retirado do Youtube com Bethânia, Caetano e dona Canô cantando a música Oração a Mãe Menininha, de Dorival Caymmi, apresentada como “oração oficial do Gantois” e um texto atribuído a mãe Carmen. Um dos indícios que fazem suspeitar da fraude à primeira vista é a grafia do nome do terreiro no endereço. Ele foi escrito como “Gantuá”. A reportagem apurou que o domínio em que foi registrado o site é estrangeiro. Além disso, a reportagem telefonou para o número indicado no site, mas a linha deu sinal de ocupada repetidas vezes. A reportagem seguiu então os passos para a reserva de consulta.
O boleto bancário chegou a ser gerado, mas os dados da conta, que está registrada como Gantois, não foram reconhecidos pelo banco indicado. Mas há também indicações para que as pessoas paguem em uma casa lotérica – o que, mesmo que não remeta o valor para uma conta real, pode trazer sérios transtornos à imagem do Gantois.

Mesmo que se trate apenas de uma brincadeira de mau gosto, não livra o responsável de implicações legais, segundo o advogado Rodrigo Morais, especialista em direito autoral. Segundo ele, vários crimes já estão configurados na criação do site: violação do direito autoral e de imagem – não só do Gantois, como também dos artistas citados – e desrespeito religioso. “Vale ressaltar que a instituição Gantois, representada por uma sociedade civil, tem direito à honra, um princípio que é estendido às pessoas jurídicas. Além do processo criminal, cabe um processo por danos morais, e uma autoria deste tipo não é difícil de ser rastreada. Há vários instrumentos para isso”, completou.

Mãe Carmem, atual sacerdotisa do terreiro do Gantois, filha consanguínea de Mãe Menininha do Gantois.

Alexandre L'Omi L'Odò (alexandrelomilodo@gmail.com).

Indignado!!!

quarta-feira, 4 de março de 2009

Os Orixás Pedem Passagem no Mundo Fonográfico!

Os Orixás Pedem Passagem no Mundo Fonográfico!
Um registro fidedigno de uma tradição bicentenária.


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Os Ilús (Iyàn, Melè e Melè Nkó), Agbè, Gàn, Palmas e Vozes, chamam as divindades africanas pra brincar na terra com seus adoradores e filhos a pelo menos 10.000 anos...

Alujá, Bata, Ego, Ebotá, Ijexá, Nagô, Jeje, Barra Vento, Sete Pancadas... Ritmos nossos que soam do Sítio de Tia Inês Ifatinuké... (a fundadora desta tradição em Pernambuco).

Com o título Sítio de Pai Adão, ritmos africanos no Xangô do Recife, o fonograma gravado em Janeiro de 2005- Recife, durante o projeto Turista Aprendiz, do grupo A Barca Maracá Estúdio, traz aos ouvidos do mundo uma produção fonográfica inovadora e arrojada de uma tradição até então não registrada em fonograma através da produção musical de Renata Amaral.

Tudo começou assim: Uma festa de Orixá, em uma tarde no terreiro mais tradicional de Pernambuco. Ali se encontravam grandes personalidades religiosas da tradição Nagô Egbá, ou Obá Omi, a tradição de Pai Adão, um antigo sacerdote que imprimiu sua dignidade e força espiritual no imaginário da tradição afro descendente do Brasil durante sua gestão religiosa na casa de Iyemanjá Ogunté, na Estrada Velha de Água Fria.

A proposta era captar a sonoridade e os cânticos sagrados deste povo. Cânticos estes que trazem em si um patrimônio vivo e dinâmico, uma musicalidade verdadeiramente afro ameríndia, coisa bem brasileira, música sacra de valor estético relevante. Através da coordenação dos engenheiros de gravação Ernani Napolitano e André Magalhães, a equipe de técnica levou os melhores equipamentos de captação de áudio para uma gravação em loco desta manifestação que só poderia ser registrada assim, pois "o Xangô não se leva pra estúdio", segundo os antigos sacerdotes.

O resultado desta mistura técnica de qualidade atenciosa e do real axé (força) da musicalidade dos orixás, gerou um surpreendente e esperançoso CD, que traz inéditos cânticos secretos, até então jamais ouvidos.

Cânticos para Ossain, para Orunmilá, para todos os Orixás, enchem nossos ouvidos de dúvida e interesse, de alegria e ritmo forte, cadente e vibrante.
Trazendo também a participação da última filha viva do babalorixá Pai Adão, a Tia Mãezinha, filha de Xangô, uma das iniciadas mais antigas vivas do Estado, nos revela aspectos particulares da relação de gosto por cânticos de seu pai, que logo na segunda faixa do CD, canta uma das toadas mais importantes cantada por ele, em sua época.

O que mais chama a atenção no fonograma é a qualidade da gravação, a captação, que, profissionalmente e cuidadosamente teve um requinte e refinação extremamente profissional, sendo este em minha opinião o melhor registro de música de terreiro já realizado no Brasil. Jamais se ouviu sons tão bem definidos e afinados de instrumentos como neste álbum, pois o cuidado na microfonagem e na edição destes sons, definem toda obra como um espetáculo de sons que nos levam a transcendência e principalmente ao saborear de uma verdadeira orquestra afro-brasileira, percutida pelas mão dos Ogans (sacerdotes tocadores).

O Cd tem todo um visual adequado e bem elaborado por seus artistas gráficos, o André Hosoi e Fabiana Queirolo, que no conteúdo agregaram o texto bem abalizado do atual Babalorixá do Sítio, o senhor Manoel Nascimento Costa, o Manoel Papai, Ogunté Farã, que traz dados históricos e informações essenciais sobre o contexto que se refere o disco. Todos os cânticos são na língua Yorùbá, e sendo assim, a tradução também feita pelo Sr. Manoel Papai nos leva a um conhecimento aprofundado desta tradição que muito o Brasil deve reparação e reconhecimento, sendo o próprio CD um material também didático e desmistificador.

Realmente vale a pena escutar este belo fonograma, pois se não há mercado no Brasil que o consuma, com certeza os melhores ouvidos, atenciosos a novidades musicais mundiais vão consumi-lo como um disco que é indispensável a qualquer acervo de qualidade.

*Tia Mãezinha (Iyá Midè) e Mãe Janda (Oxum Bakundè).

Xoxo obé xoxo obé - *Nosso pedido será atendido
Odara coma eyó - Legbará limpe o caminho
Xoxo obé odara koma seke - Exú não age ás pressas
Odara baba ebó - Ele toma todo tempo que precisa.

* (Toada para Exú. **Não é uma tradução literal)


Ficha Técnica:
Fonograma: Sítio de Pai Adão, Ritmos Africanos no Xangô do Recife
Direção geral: Manoel Costa Papai
Direção/Produção Musical: Renata Amaral
Direção Técnica: André Magalhães
Captação e Administração: Amélia Cunha
Produção Executiva: Patrícia Ferraz
Gravações Adicionais: Estúdio Fábrica, por Marcílio Moura e André Magalhães/ Recife, julho de 2005.
Mixado e Masterizado no Estúdio Zabumba, SP, por André Magalhães. Patrocínios: Governo do Estado de Pernambuco-Secretaria de Cultura/Fundarpe - Funcultura- Pernambuco.

*Alexandre Alberto Santos de Oliveira (*L'Omi L'Odò)

(alexandrelomilodo@gmail.com)
Aluno 1º período de Produção Fonográfica- AESO Barros Melo
Manhã.
Trabalho da cadeira de Indústria Fonográfica. Profª.: Débora Nascimento

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Programação Pré AMP 2009.

Pré AMP é um festival de música que já faz parte do calendário cultural do Recife, em parceria com a Secretaria de Cultura da Cidade.
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Programação Oficial Pré AMP 2009:
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15/02 Domingo
Coletivo Sax 17h.
Luciano Brayner 18h.
Aliados CP 19h.
Circo Vivant 20h.
Bria Soul 21h.
Ataque Suicida 22h.
Lula Côrtes 23h.

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16/02 Segunda
Por um Trio 19h.
Marinambuco 20h.
The AX 21h.
Comandos Rap 22h.
Bantus 23h.
Zé Brown 00h.

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17/02 Terça
Tao 19h.
NUDA 20h.
Manuca 21h.
Mestre Galo Preto e o Tronco da Jurema 22h.
Paulo Paes 23h.
Rabecado 00h.

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18/02 Quarta
André Pruden 19h.
Coração di Nego 20h.
Muzambo 21h.
Pocilga de Luxe 22h.
Tadeu Jr. 23h.
Isaar 00h.

Agenda do Carnaval 2009. Mestre Galo Preto.

Agenda Carnaval 2009 do Mestre Galo Preto e o Tronco da Jurema.
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Estando em sua melhor performance, o Mestre Galo Preto vai realizar 3 (três) grandes shows no Carnaval 2009 de Pernambuco.

Começando a folia antecipadamente, estará presente no palco do Pré AMP no dia 17/02 às 22h, na semana pré carnavalesca do Estado. Este show marca um momento especial pro nosso Mestre Galo, pois convidado a participar pela própria produção do evento mais cobiçado da agenda cultural da cidade do Recife, promete fazer uma grande apresentação com os seus melhores Cocos e Jazz, além de uma produção visual coordenada pela Media Insana, que fará a exibição de vídeos e imagens durante o show.

No dia 23/02 às 17h. será a vez do Sertão Pernambucano receber este grande Mestre, com grande expectativa, o público da cidade de Salgueiro, que está localizada a 520 km do Recife, promete fazer uma imensa roda de Coco pra homenagear o artista que está comemorando seus 65 anos de carreira.

Fechando o carnaval, no dia 24/02 às 20h. a apresentação será no Nascedouro de Peixinhos/Olinda às 20h. O show na comunidade do Mestre, envolverá claro todos e todas que estes anos todos estiveram junto com ele na caminhada da cultura popular. Com convidados especiais como D. Eliza do Coco, o show vai arrebentar o final do carnaval da comunidade.

foto: Laila Santana
Mestre Galo Preto e o Tronco da Jurema

Contatos

Alexandre L'Omi L'Odò


++55 81 8887-1496 / 3244-2336

Guia de sobrevivência do turista no Carnaval Pernambucano

Como sobreviver ao carnaval de Pernambuco. Publicado em 13/02/2009 pelo(a) wiki repórter Didymo Borges, Recife-PE

Este guia de sobrevivência do turista no Carnaval de Pernambuco foi elaborado por Sidney Falcão. É um texto bem humorado e verdadeiro.

Guia de sobrevivência do turista no Carnaval de Pernambuco
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1. Ao encontrar algum bloco que tem boneco gigante, preste atenção nas mãos do boneco, pro mode não levar uma mãozada no quengo. Embora o efeito do álcool se vá logo após a chapuletada, não é, obviamente, uma sensação agradável.


2. Se você escutar alguém gritando "Madeeeeeeeeeeeeeeeeiiiiiraaaaaaaaa", não se assuste, pois ninguém vai ficar derrubando árvore em pleno Carnaval. É apenas algum bloco ou banda cantando o hino do bloco Madeira do Rosarinho, que você vai escutar umas 14.889 vezes por dia. Até a Quarta-Feira de Cinzas você saberá a letra decor.


3. Não se incomode se, ao seguir um bloco, a bandinha tocar sempre as mesmas músicas. Também não se incomode se, ao seguir próximo bloco que passar, a banda deste tocar as mesmas músicas que o bloco anterior tocou. O Carnaval de Pernambuco é assim mesmo, é tradição. É a época do ano que os pernambucanos se reúnem pra ouvir as mesmas dez músicas de sempre.


4. Nem pergunte qual é o frevo novo que é a sensação deste ano. Faz tempo que isso não existe em Pernambuco. E nem invente de perguntar qual é a dança da moda. Você corre o risco de apanhar, pois isso é coisa de baiano.


5. Nunca entre em discussão com algum pernambucano sobre qual é o melhor Carnaval entre o baiano, o pernambucano e o carioca. Vocês nunca vão chegar a conclusão alguma.


6. Nunca pergunte pra onde um bloco está indo. Siga-o apenas. Nunca se sabe onde um bloco vai parar, e nem onde começa.


7. Em Olinda, não se desespere se você passar horas e horas sem ver passaralgum bloco de Carnaval. O bom do Carnaval olindense é a espera.


8. Não leve carteira, relógio, telefone celular e outros pertences para o meio da folia. O Bloco do Arrastão desfila todos os dias e a qualquer hora.


9. Se você for homem, não fique constragido em mijar no meio da rua quando der vontade. Se assim não o fizer, vai acabar mijando nas caçolas se tentar achar um banheiro. Se você for mulher, trate logo de achar um banheiro público e entrar na fila duas horas antes de chegar a vontade de falar com o homem do bocão.


10/11. No Carnaval de Olinda, se você for uma mulher bonita e gostosa, correrá o risco de, sem o seu consentimento, ser agarrada, beijada, apalpada e outras coisas terminadas em "ada". Nem vá de shortinho curto e de tecido leve. Vai voltar com a arruela "assadinha". Use a velha bermuda jeans. Se você for homem e tiver uma namorada gatinha, nem passe perto da cidade alta. Mas, se você for uma mulher feia, é hora de aproveitar e tirar o atraso acumulado. Pois em Olinda vale o velho ditado: "não existe mulher feia; você é que bebeu pouco". Vai que é tua, baranga!


12. Não saia cedinho de casa pra ver o desfile do Galo de Madrugada. Este bloco não desfila e nem nunca desfilou de madrugada. Ao final do desfile, procure um bom dermatologista... depois de se recuperar.


13. Em Olinda, depois de tomar todas, nunca tente subir a Ladeira da Sé à pé. Álcool só é combustível pra automóvel.


14. Se você for para a folia de carro, prepare-se para pagar antecipadamente 10 reais ao flanelinha para deixar o carro na rua - se conseguir achar algum lugar. Além disso, prepare pra enfrentar engarrafamentos homéricos.


15. Se você for alérgico a mofo, passe longe dos "blocos-de-saudade-de-velhos-carnavais".


16. No meio desses "blocos-de-saudade-de-velhos-carnavais", finja que sabe quem é Felinto, Pedro Salgado, Pierre, Fenelon e o velho Edgar Moraes. Assim, você se enturmará mais rápido com o pessoal. Se, por curiosidade, você perguntar quem são esses caras, provavelmente vai receber como resposta um constrangido "não sei".


17. Não há problema algum em não saber dançar frevo. 99% dos pernambucanos não sabem fazer o passo. Nem tente! Você poderá acabar seu Carnaval num ortopedista.


18. Quando você não estiver escutando porra nenhuma, tenha certeza que é o "blocos-de-saudade-de-velhos-carnavais", passando na sua frente.


19. Caso o bloco que vocês está seguindo, passe na frente de alguma emissora de TV transmitindo em rede nacional, ao vivo, prepare-se para escutar pela enésima vez o hino do Vassourinhas e levar um monte de caneladas.Pule feito um louco até a música acabar. E não se esqueça de "abrir" os cotovelos...

Sem dúvidas este é um grande guia!! rsrssrs
Parabens ao Sidney Falcão
O texto está primoroso e verdadeiramente contextualizado por um verdadeiro pernambucano.
Alexandre L'Omi L'Odò.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

RPV - Lei do Registro do Patrimônio Vivo 2008, infelizmente não foi desta vez para o grande Mestre Galo Preto.

Infelizmente não foi desta vez que o nosso grande Mestre Galo Preto, o rei do coco e da embolada, foi reconhecido pelo Estado de Pernambuco como patrimônio vivo.

Parabenizamos os Vencedores 2009, em especial a grandiosa Mestra e verdadeiro Patrimônio vivo, Dona Selma do Coco, por ter rompido as barreiras do racismo e da descriminação à cultura nordetina, levando e enaltecendo o coco Praieiro e de roda para todo o mundo.
Salve Dona Selma, já foi tarde este reconhecimento!

Comemorando seus 65 anos de coco e resistência cultural, o Mestre Galo Preto na altura dos seus 73 anos de idade (1935 - 2008), tendo uma singular história na formação do coco em Pernambuco, ainda está firme na luta pelo seu registro como patrimônio vivo. Em 2009 esperamos com muita esperança que o Conselho Estadual de Cultura do Estado, reconheça este valor negro de nossa tradição.

Vamos a Luta!!!
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Governo do Estado nomeia três novos Patrimônios Vivos de Pernambuco

O Caboclinho Sete Flexas, o Teatro Experimental de Arte de Caruaru e Dona Selma do Coco foram os contemplados na edição de 2008 do Registro de Patrimônio Vivo de Pernambuco

Joana Pires e Guilherme Gatis

O Conselho Estadual de Cultura divulgou, no último dia do ano, a lista com os mais novos Patrimônios Vivos de Pernambuco. O Caboclinho Sete Flexas de Água Fria, o Teatro Experimental de Arte de Caruaru (TEA) e Selma Ferreira da Silva, a Dona Selma do Coco, foram os nomes escolhidos na edição deste ano. Ao todo, a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) recebeu 102 candidaturas de mestres e grupos populares. Apenas 10 não atingiram os critérios estabelecidos para concorrer às vagas garantidas pelo edital deste ano.
A Lei do Patrimônio Vivo de Pernambuco (nº 12.196/02) é uma iniciativa que busca valorizar e homenagear os principais ícones da cultura pernambucana que, durante décadas, se destacaram por um trabalho de relevância cultural. Editada em 2002 e regulamentada em 2004, pelo decreto nº 27.503, a lei estabelece uma remuneração mensal de R$ 750 para pessoas físicas e R$ 1,5 mil para grupos e tem como objetivo preservar a tradição popular através do intercâmbio de conhecimento entre as novas gerações. Os artistas que recebem as pensões têm como contrapartida o comprometimento de participar de atividades educativas para que seus conhecimentos sejam perpetuados. Com os três novos contemplados, Pernambuco possui agora 18 Patrimônios Vivos (confira a lista abaixo).


TEATRO EXPERIMENTAL DE ARTE (TEA) - Fundado em 1962, inicialmente como um grupo de estudo, o Teatro Experimental de Arte de Caruaru (TEA) já encenou mais de 50 espetácilos, como os clássicos Antógona, de Sófocles, a textos experimentais como Feira de Caruaru, que marcou a estréia do caruaruense Vital Santos como dramaturgo. Liderado por Argemiro Pascoal, que desde 1948 trabalha com teatro e é um dos expoentes das artes cênicas caruaruenses, com mais de 15 peças escritas, já passaram pelo TEA grandes nomes da dramaturgia pernambucana como Clênio Wanderley, Isaac e Estephania Gondim, Walter Estevão, Luiz Maurício Carvalheira, Romildo Moreira, Didha Pereira, José Manoel.

DONA SELMA DO COCO - Um dos expoentes do coco de roda, ritmo tipicamente pernambucano, Dona Selma começou descobriu seus dotes artísticos na Cidade Alta de Olinda, num tabuleiro de tapioca. A música foi, na época, uma forma de atrair a clientela e chamar a atenção dos turistas enquanto vendia comes e bebes na frente da sua casa. Em 1996 a rainha do Coco, como também é conhecida, foi uma das atrações do Abril Pro Rock, se destacando no palco festival em plena efervescência do Mangue Beat. Um ano depois sua canção "A Rolinha", presente no disco "Minha História", foi uma das músicas mais executadas durante o carnaval. Dona Selma já defendeu as cores pernambucanas em vários países da Europa e sua obra representa o Estado em diversas coletâneas internacionais.

CABOCLINHO SETE FLEXAS - Fundado em 1969 pelo mestre Zé Alfaiate e atualmente comandado por seu filho, Paulinho, o Caboclinho Sete Flexas, com sede no bairro de Água Fria, Subúrbio do Recife, incorpora as tradições dos caboclinhos mais antigos, sobretudo os fundamentos religiosos. O Sete Flexas se destaca pelo cuidado com a apresentação enquanto espetáculo propriamente dito, valorizando a dança, a musica e os aspectos visuais O grupo também é referência na comunidade de Água Fria pelas atividades sociais e o poder agregador que exerce nos mais jovens.

PATRIMÔNIOS VIVOS DE PERNAMBUCO
Camarão (sanfoneiro)
Clube de Alegorias e Crítica Homem da Meia Noite (clube carnavalesco)
Confraria do Rosário de Floresta do Navio (irmandade religiosa)
Dila (cordelista e xilógrafo)
Fernando Spencer (cineasta)
Índia Morena (artista circense)
J. Borges (cordelista e xilógrafo)
José Costa Leite (xilógrafo)
Lia de Itamaracá (cirandeira)
Manuel Eudócio (artesão)
Maracatu Carnavalesco Misto Leão Coroado (maracatu)
Nuca (artesão ceramista)
Sociedade Musical Curica (banda de música)
Zé do Carmo (artesão ceramista)
Zezinho de Tracunhaém (artesão)
*Foto do Mestre Galo Preto: Laila Santana.

Alexandre L'Omi L'Odò
Sacerdote -Músico -Educador-Produtor Cultural
Quilombo Cultural Malunguinho, por uma política de igualdade na diversidade etnico-racial.
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Tendo participado da organização e construção da carta de Pernambuco, que, apóia a aprovação do estatuto da Igualdade Racial com parceria de diversos movimentos negros, entidades sociais e culturais, povo de Terreiro e o poder legislativo do Estado (dep. Isaltino Nascimento), O QCM (Quilombo Cultural Malunguinho) trás a público o resultado das discussões e texto oficial que foi encaminhado oficialmente para a câmera federal.

Os negros, negras e anti-racistas deste Pernambuco libertário manifestam-se pró-aprovação, imediata, do PL 3.198/00 e o ESTATUTO DA IGUALDADE RACIAL no momento em que se debate, em termos nacionais e na Casa de Joaquim Nabuco (Assembléia Legislativa de Pernambuco) a partir da Audiência Publica com o Movimento Negro pernambucano, na Câmara Federal e com os movimentos sociais negros sobre o tema.

"O racismo é um fenômeno estrutural na sociedade brasileira e afeta as possibilidades de inclusão dos negros e negras na sociedade. Os movimentos negros conquistaram o reconhecimento publico de que o racismo está presente nas relações sociais e é um fator fundamental de desigualdade. O caminho do Brasil para a democracia e a cidadania demanda que o racismo e outras formas de iniqüidade social sejam abolidas no nosso cotidiano, por isto, posicionar-se e combater o racismo é compromisso inerente a uma proposta de governo popular, democrático e solidário".

Vimos já de algum tempo construindo propostas para todo o Brasil, tratando da dimensão racial nos seus mais diversos matizes. Através de intenso trabalho de pesquisa, debates, formação de grupos temáticos, plenárias, seminários regionais e grupos de estudos, realizado por cidadãs e cidadãos que acreditam na construção de um modelo quilombola de ser, no desejo e na esperança de construir um estado, um país e um mundo com justiça racial e social. Importante destacar que, desde 1967, o Brasil participa e é signatário dos Acordos, Tratados e Conferências Internacionais, contra o Racismo, as Discriminações Raciais, religiosas e Xenofobia.

Estamos em meio a um turbilhão de mudança sócio cultural e principalmente de visão de mundo, o acúmulo de conhecimento aliado aos avanços sociais não nos permite retroceder, conseguimos alterar a Lei Federal 9.394/1996 modificada pela Lei 10.639/03 e complementada pela Lei Federal 11.465/08 que inclui a obrigatoriedade na rede pública e privada do ensino da temática "História afro-brasileira e indígena".

O Estatuto da Igualdade Racial representa a partida legal da nossa reparação dos direitos negados às etnias que foram marginalizadas e excluídas de políticas públicas que favorecessem o exercício pleno da cidadania, esta conquista sempre foi causa de grandes lutas da história pernambucana através de ícones do porte de Zumbi dos Palmares, Dandara, Malunguinho líder quilombola, Lelia Gonzales, Florestan Fernandes, José Mariano, o poeta Solano Trindade e o Almirante Negro João Candido recentemente anistiado.

A criação da SEPPIR, a construção de vários outros estatutos, o desenvolvimento dos conselhos a partir do governo do presidente Luiz Inácio LULA da Silva nos diz, em muito, do acerto de lutarmos pela aprovação do nosso Estatuto ainda nesta gestão do governo LULA.

A idéia da Carta de Pernambuco é chamar a atenção para importância em aprovar o Estatuto da Igualdade Racial da forma que foi apresentada pelo Senador Paulo Pain. Sem os discursos que tentam macular o significado das cotas, sem os retrocessos impostos aos quilombolas e sem retirar o fundo nacional de promoção da igualdade racial.

Assim, conclamamos a todos e todas legisladores, vereadores (as), deputados (as) estaduais, federais e senadores (as), e demais membros do Poder Executivo, Presidente da República, governadores (as), prefeitos (as) e demais membros de outros poderes, sociedade civil organizada de todo o estado de Pernambuco, Norte e Nordeste do Brasil e demais regiões, comprometidos com a democracia, com um governo popular, democrático e solidário, que se aliem a esta luta para que a sociedade brasileira veja reparada a dívida imensa que temos com a população brasileira, negra e não negra.

Saudações Quilombolas.

Entidades que assinam este documento:
Brigada Zumbi dos Palmares ;

Casa de Passagem;

CEN;

Centro Espírita Yemanjá Itambé-PE;

CNTSS

Comissão de Mulheres da ALEPE;

Diretório Municipal do PT Recife;

Diretório Regional PT-PE;

Espaço Cultural Badia;

FEMECOAL Abreu e Lima;

FERU Olinda;

Fórum de Mulheres Mercosul;

Gabinete da Prefeita de Olinda;

Gabinete Dep. Estadual Isaltino Nascimento;

Gabinete Dep. Tereza Leitão;

Gabinete do Vereador Marcelo Santa Cruz;

Gabinete do Vice Prefeito de Olinda;

GRAC- Pina;

GT Raciall CEHAB;

Ilê Axé Obakossô Ogodê;

lIê Axé Ônin Sabá;

ILÊ AXÉ OXALUFÃ ;

lIê Ojú Obá;

Ilê Oyá T’Ogùn;

Instituto Jovem do Brasil;

Intecab/PE;

Maracatu Estrela Brilhante;

Maracatú Porto Rico;

Mestre Galo Preto;

MNU - Paulista;

MNU- Jaboatão dos Guararapes;

MNU-PE;

Movimento das Entidades de Águas Compridas e Adjacências;

Movimento Negro Socialista- PSB;

Movimento LGBTT-PE;

Movimento Quilombola;

Quilombo Cultural Malunguinho;

OTM- Organização Trajetória Mundial;

Ouvidoria da Mulher de Olinda;

Rede de Mulheres de Terreiros de Pernambuco;

SANEAR;

Secretaria Estadual de Combate ao Racismo do PT/PE;

Secretário Estadual das Cidades de Pernambuco e Membro da Executiva Nacional do PT;

Setorial da Igualdade Racial;

Setorial da Igualdade Racial;

SINDSPREVI CUT-PE;

SINDUR/PE

SNCR-PT/PE;

Terreiro Xambá;

Terreiro Iyemanjá Ogunté (terreiro de Mãe Lú);
Terreiro de Iyemanjá Sessú (terreiro de mãe Terezinha Bulhões);
Terreiro de Jurema Sagrada e Xangô Oyá Egunitá (terreiro de mãe Dora);

Entre outros(as).


Alexandre L'Omi L'Odò.

Quilombo Cultural Malunguinho

alexandrelomilodo@hotmail.com

qcmalunguinho.blogspot.com

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

III Kipupa Malunguinho, Coco na Mata do Catucá 2008, unindo Nações!

III KIPUPA MALUNGUINHO, COCO NA MATA DO CATUCÁ 2008.
Unindo Nações!
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A tradição do Coco de Malunguinho, o Kipupa Malunguinho, Coco na Mata do Catucá, na sua terceira edição, teve como principal novidade a participação de mais de 500 pessoas, entre sacerdotes e sacerdotisas da Jurema Sagrada e do Xangô pernambucano.
Entidades como MNU (Movimento Negro Unificado), Rede de Negras, Negros e Afro LGBTT - RNAF/GGP, CEPPIR/PE, Festa da Lavadeira, Ação Cultural, Rede Nacional de Matriz Africana dos Pontos de Cultura, INTECAB/PE, UFPE, UNICAP, Prefeituras de Abreu e Lima e Recife, além dos Mestres Griôs (os Kimbandas de Malunguinho) do Quilombo Cultural Malunguinho.

Reunindo um público diversificado, entre sacerdotes dos cultos afro, pesquisadores, artistas, produtores, estudantes e pessoas interessadas, o evento teve saída as 8h da manhã do Nascedouro de Peixinhos em Olinda, Pátio do Carmo no Recife (2 ônibus) e em Paulista. Seguindo o comboio de Malunguinho via as antigas Matas do Catucá, na mata norte do Estado.

Juntando também pessoas das comunidades e povoados adjacentes, com a intenção de provocar o raciocínio e o reconhecimento do espaço, para a partir da ação cultural ali desenvolvida, eles olharem o antigo Catucá como espaço de vida, história e força espiritual, contribuindo para o fortalecimento do movimento contra o desmatamento da localidade, que anda a paços largos. A comunidade ali existente começa a vislumbrar e discutir novos rumos e perspectivas, a partir da movimentação dos Juremeiros e Juremeiras que ali afirmaram com a religiosidade de matriz indígena, o valor e a importância de tal espaço. Jamais estas matas serão as mesmas para os que ali vivem e resistem como povoado que lutou pelas terras que hoje tem.
Iniciando as atividades do dia, como já é de tradição, iniciamos com as palestras e conversações sobre o contexto histórico e cultural do evento. O Professor e Historiador, mestrando em ciências da religião pela UNICAPE João Monteiro, iniciou falando sobre a resistência do Catucá e o Valor histórico de Malunguinho, pois o mesmo está realizando seu mestrado com o tema: Malunguinho, Inclusão Histórica e Divina. Palestrando também sobre a questão da importância da preservação da mata, o nosso anfitrião e morador da região Juarez, o nosso guia dentro da mata. Daí as discussões ficaram por conta do Babalorixá Gil Holder de Ogun e Mãe Lúcia. O evento foi Coordenado por Alexandre L’Omi L’Odò que fez a apresentação dos palestrantes e contribuiu com a discussão de forma intensa.

No evento também foi o momento da gravação do documentário sobre Malunguinho, Histórico e Divino, pelos alunos da UNICAP, que estão finalizando o curso de jornalismo com o tema, (revelando nossa história de PE), os alunos João Júnior e Luiz entre outros coordenaram as gravações e o registro audiovisual do Kipupa.

Esteve presente também o documentarista Felipe Perez Calheiros, que também fotografou e realizou registros do evento, que também tem como pretensão, no futuro realizar um filme com o tema Malunguinho.

Eduardo Melo (criador e produtor executivo da Festa da Lavadeira, Ação Cultural, o maior evento de cultura tradicional e popular do Brasil), impressionado com a força do evento, colocou-se disposto a somar conosco forças na luta pelo resgate de nossa história e auto-estima com a religião da Jurema e o imaginário que cerca os “brinquedos” do homem do nordeste e do povo de terreiro do Brasil.

A dita “Cultura Popular”, é uma expressão viva e dinâmica do imaginário do negro e índio no Brasil. É um desdobramento do conceito de vida destes povos. O coco, a Ciranda, os Maracatu, Afoxés, dentre dezenas de outros Brinquedos, denotam que estes elementos são princípios fundadores do que conhecemos hoje como cultura brasileira, musica brasileira e identidade brasileira no mais profundo sentido dos termos fundidor e fundador.

A cerimônia religiosa ficou na regência do Babalorixá e Mestre Juremeiro Sandro de Jucá e da Sacerdotisa Iyalorixá e Mestra Juremeira Mãe Lúcia de Oyá T’Ogùn, que dês da fundação da tradição do coco do Catucá, o I Kipupa Malunguinho em 2006 foram protagonistas deste ritual religioso à memória e espiritualidade dos Malunguinhos que alí estão nas matas e nas mesas de Jurema de todo Nordeste.
Com a grande participação de diversos sacerdotes e sacerdotisas da Jurema Sagrada, o ritual ficou muito rico em loas e toadas (segmentos) de Jurema, que os mais de 200 Juremeiros e Juremeiras cantaram para saudar a união e a força espiritual que ali se fazia presente.

Vários foram os Mestres Juremeiros que vieram participar da cerimônia, Malunguinho (de Alexandre L’Omi L’Odò e outros), Zé Pretinho (de Ana de Oyá), o Grande Mestre Seu Curisco (de Mãe Lúcia de Oyá T’Ogùn), Mané Quebra-Pedra (de Beth de Oxum), Mestre buique (de Alexandre de Iyemojá), Zé da Hora, Mestre Caçador (de Ary Bantu), Mestre Zé Gaguinho (de Mãe Graça de Xangô), Mestre Manoel Maior, Mestre Pilão Deitado, Mestre Carlos, dentre muitos outros que não recordo-me agora. Foi tudo muito forte, e tanto as pessoas quanto a espiritualidade da Jurema Sagrada tiveram uma brilhante participação e ação afirmativa dentro da mata. Com as oferendas de fruta silvestres e litorâneas à Malunguinho, os Caboclos também foram muito saudados, pois Malunguinho também é caboclo, como expressa esta linda toada:

“Na mata tem um Caboclo
Todo vestido de pena
Este Caboclo é Malunguinho
Ele é Rei lá da Jurema

Na mata tem um Caboclo
Com uma preaca na mão
Esse Caboclo é Malunguinho
Não mexa com ele não”.
(da tradição da Jurema Sagrada de Pernambuco)

Após as cerimônias de entrada e louvação, adentrarmos a mata mais de 30 minutos a pé, chegando à clareira Cova da Onça, onde acontece a brincadeira. Todo brinquedo ficou por conta do Grande Mestre Galo Preto, comemorando 65 anos de coco e tradição no Brasil. Ao som da Embolada e do coco de roda, o evento na mata finalizou-se com o a cerimônia da alimentação coletiva. Com o já tradicional angu no dendê e a galinha também na iguaria, finalizamos o evento no lindo entardecer do Catucá às 17h.

O evento já está virando um marco de resistência, reafirmação, preservação e renovação dinâmica da tradição da Jurema no Estado, pois por ter um perfil único e exótico, atrai a cada ano mais pessoas interessadas na vivência e prática de suas próprias tradições que até então se encontravam adormecidas e desconhecidas pela ausência de informação.

O Kipupa Malunguinho é o povo de Terreiro olhando para seu universo, é o povo de terreiro unindo-se para construir novos rumos para a preservação e entendimento do que conhecemos como dia-a-dia da história viva de nossos antepassados que tanto lutaram para permitir que estivéssemos aqui hoje contando esta história.

Pelo olhar apurado e profissional da fotógrafa pernambucana e olindense Laila Santana, filha dos olhos da Oxum, coloco o resultado aqui do lindo registro realizado por ela. (Todas as fotos nesta matéria são de Laila Santana).


Agradecimentos especiais

Ao Deputadpo Estadual Isaltino Nascimento (PT), pelo grande apoio e consiceração dispensadas.
A Jorge Arruda, Secretário executivo da CEPIR (Comitê Estadual de Promoção da Igualdade Racial), E a todos os terreiros Participantes, em especial a casa de Mãe Tânia de Oxum pelo esforço desprendido.

Salve a Jurema Sagrada!
Alexandre L'Omi L'Odò
Quilombo Cultural Malunguinho
173 Anos Resistindo!

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

III Kipupa Malunguinho, Coco na Mata do Catucá 2008


III Kipupa Malunguinho, Coco na Mata do Catucá.
Tradição, cultura, discussão e Religiosidade em matas fechadas!


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O Quilombo Cultural Malunguinho, convida para o III Kipupa Malunguinho, Coco na Mata do Catucá. Evento que leva para Matas fechadas do antigo Quilombo do Catucá (século XIX), o antigo Quilombo dos Malunguinhos, Palestras, Religiosidade da Jurema Sagrada e muito Coco de raiz, com os mestres e mestras de nossa cultura de tradição.

Informações gerais:

III Kipupa Malunguinho, Coco na Mata do Catucá.
Tradição, cultura, discussão e Religiosidade em matas fechadas!


Data: 26 de outubro de 2008
Local: Matas fechadas do Engenho Pitanga, Abreu e Lima – PE – Brasil
Horário: Saída as 7h da manhã.
Saída dos ônibus: Largo do Carmo, Avenida Dantas Barreto – Recife
Nascedouro de Peixinhos, AV. Brasília s/n, Peixinhos – Olinda
Contribuição: R$:10.00.

Programação: Palestra às 9h Tema: Acais, uma perspectiva de preservação da história da Jurema Sagrada do Brasil, a Jurema como Religião Primaz do Brasil.
Recital de Poesias Negras 10h45min.
Cerimônia religiosa (Gira de Jurema na mata, com sacerdotisas e sacerdotes, e índios ) 11h30min.
Descida de mata à dentro: Coco com os mestres e mestras: Mestre Galo Preto (www.myspace.com/mestregalopreto), Dona Elisa do Coco, Índios de Jatobá (Sertão de PE) e sacerdotes e sacerdotisas da Jurema Sagrada. 12h30min.
Volta do coco e alimentação (continuação do coco no sítio).
Retorno 17h.

Trajes: Mulheres: Saia Cumprida (colorida ou branca) e blusa a gosto (em cores claras ou colorida).
Homens: Calça cumprida e camisa (coloridas ou brancas), chapéu se possível.

*Na ocasião estaremos realizando a filmagem do documentário sobre Malunguinho, e algumas pessoas podem ser solicitadas a dar entrevista.

O traje na cor preta não será aceito.


Leve seu pandeiro e seu axé!
Juremeiros levar suas “Gaitas".
Tod@s podem Participar!

**Alimentação por conta do evento (comida típica da Jurema de Malunguinho).
*Leve sua água e seu lanche.

O *Kipupa Malunguinho, tradição criada em 2006 pelo Quilombo Cultural Malunguinho, com intenção de celebrar a memória do líder quilombola Malunguinho (em especial o João Batista, morto em 18 de setembro de 1835) em terras e matas de seu antigo quilombo O Catucá. Trazendo a representatividade das tradições culturais negras e indígenas brasileiras, o evento compõe uma experiência de troca de saberes e de contato com a sociedade e a religiosidade da Jurema Sagrada e o coco, com diversos artistas e mestres a realizarem o maior evento em matas fechadas do Brasil.

*(a palavra Kipupa, vem do tronco lingüístico do Kimbundo, uma das principais línguas faladas em Angola-África, e significa “agregação”, “união”, “coesão”, “encontro” de pessoas em prol de algum objetivo, que no nosso caso é a união e agregação de sacerdotes, artistas, acadêmicos, representantes políticos, estudantes e interessados para celebração e vivência, na memória, tradição e reflexão do papel do negro/índio na história e construção do país, reverenciando sempre a ancestralidade nossa).



Contatos e Produção: Alexandre L’Omi L’Odò e João Monteiro
Informações: + 55 81 8887.1496/ 9428.4898

Incrições: quilombo.cultural.malunguinho@gmail.com
Blog: qcmalunguinho.blogspot.com

(enviar: nome completo, RG, entidade (terreiro) e contatos).
Vagas limitadas!

Quilombo Cultural Malunguinho

Quilombo Cultural Malunguinho
Entidade cultural da resistência negra pernambucana, luta e educação através da religião negra e indígena e da cultura afro-brasileira!